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18.12.17

Na Minha Pele, de Lázaro Ramos

Na minha pele, escrito por Lázaro Ramos

Editora: Objetiva
Páginas: 152
ISBN: 9788547000417
Livro cedido pela editora em parceria com o blog

Movido pelo desejo de viver num mundo em que a pluralidade cultural, racial, étnica e social seja vista como um valor positivo, e não uma ameaça, Lázaro Ramos divide com o leitor suas reflexões sobre temas como ações afirmativas, gênero, família, empoderamento, afetividade e discriminação.
Ainda que não seja uma biografia, em Na minha pele Lázaro compartilha episódios íntimos de sua vida e também suas dúvidas, descobertas e conquistas. Ao rejeitar qualquer tipo de segregação ou radicalismos, Lázaro nos fala da importância do diálogo. Não se pode abraçar a diferença pela diferença, mas lutar pela sua aceitação num mundo ainda tão cheio de preconceitos.
Um livro sincero e revelador, que propõe uma mudança de conduta e nos convoca a ser mais vigilantes e atentos ao outro.

De início, Lázaro Ramos afirma que seu livro não se trata de uma autobiografia, apesar de acompanharmos passo a passo a trajetória de sua vida e carreira como ator.

De fato o livro é muito mais que a história de um ator de sucesso, é uma história de resistência e posicionamento de uma pessoa negra.

Ao escrever este livro, tive momentos de muita dor. Fugia do assunto, lia outros textos. É tudo muito solitário. A solidão do encontro com o teclado do computador faz você olhar inevitavelmente para seus buracos. Luto para não viver sob a demanda do racismo e dos racistas, e buscar diariamente estratégias de sobrevivência traz muitos pequenos machucados. Há tempos decidi que a minha raiva não poderia me paralisar. Ela tem que ser um motor para transformar.
É possível fazer isso sempre?

Nascido na Ilha do Paty, local onde a maioria das pessoas é negra e indígena, ainda criança Lázaro toma consciência de que a cor da sua pele era uma questão.

Ao entrar na escola particular ele se vê como o único negro do lugar e entende que é tratado de maneira diferente por seus colegas de sala por esse motivo, já que sua pele nunca foi motivo de comentários enquanto convivia apenas com pessoas negras.

Para trabalhar sua timidez, Lázaro entra para um grupo de teatro e se encontra nas artes cênicas. Ainda adolescente passa a integrar vários grupos teatrais de Salvador, e em um deles, com um viés mais político, Lázaro entende que é inevitável que ele, enquanto pessoa negra, tenha que se posicionar acerca do racismo e das violências que um negro sofre no Brasil.

Pergunto, quando é que um branco se dá conta de que é branco?
Pensou?
No geral, a autopercepção da etnia branca não existe. O protagonismo é dos brancos, então sua condição de branco não é um assunto. Isso é o “normal”.
Um negro se dá conta da sua etnia a cada olhar que recebe (de desconfiança, de surpresa, de repulsa, de pena) ao entrar em um lugar. A cada vez em que se procura e não se encontra. A cada apelido na escola, que sempre tem a ver com a cor e, geralmente, agregado a um valor negativo. A cada vez que não é considerado padrão de beleza e a cada vez que se vê calculando como deve se portar ou o que deve dizer, porque não sabe como será interpretado. A cada vez que observa como sua palavra é desconsiderada ou considerada equivocadamente. É nos pequenos incômodos, para muitos inexistentes, que nos damos conta de que não é mera coincidência sermos a maioria nos presídios, favelas e manicômios.

O sucesso de Lázaro no teatro possibilitou sua entrada para o cinema e depois para a TV. Apesar de difícil, foi uma ascensão rápida e que o levou a tomar decisões. Lázaro afirma que nunca aceitou fazer o papel do bandido ou de escravizados na sua carreira, afinal, para ele, é preciso representar o negro fora do lugar comum.

Sendo praticamente o único negro a ter destaque na TV, afirma que ele sendo a exceção, só se confirma a regra: ainda não existe espaço para as pessoas negras na televisão e no cinema brasileiros.

Lázaro também coloca o leitor a refletir do porquê estarmos tão habituados a não questionar a ausência de pessoas negras em alguns espaços se no Brasil metade da população é negra. O que nos leva a aceitar com tanta naturalidade esse não lugar?

O livro é de uma linguagem acessível e é bem didático, rápido de ser lido sem ser superficial. É dolorido ler o relato de Lázaro, que apesar de seu sucesso e popularidade, não está imune ao racismo.

Ele responde à pergunta "é bom ser negro no Brasil?" com uma verdade que nos machuca e nos leva a questionar o quanto ainda precisamos evoluir na questão racial.

Um comentário:

  1. ana claudia de angelo20 de março de 2018 16:12

    Bom dia! Que blog incrível!!! Que organização! Parabéns!!Estou buscando inspirações, pois também estou começando o meu blog Literário, o www.cafe--com--leitura.blogspot.com. Ele ainda é um bebê, mas quando crescer, quero ser igual a vocês! ;) Quando quiserem passar para tomar um café, fiquem à vontade!

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