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8.10.17

A princesa e a bloguista, de Lobato Magalhães

A princesa e a bloguista, de Lobato Magalhães
Editora: Trivio
Páginas: 184
Cultura Skoob
Após colocar a perder mais de doze tentativas de matrimônio, Sua Alteza Marie Claire está prestes a contrair núpcias com o Príncipe da Prússia, quando este, desiludido com o jeito de ser da Princesa, se encanta pela doce bloguista Nívea, a moça que organiza reuniões literárias na taberna da aldeia. O affair entre o nobre e a plebeia, no entanto, não tarda a chegar ao conhecimento da Família Real.
Por se tratar de uma sátira de várias coisas, principalmente de blogueiras de livros/do booktube no geral, o livro foi, aos poucos (conforme paulatinamente me mostrava esta sua premissa) me conquistando por me despertar interesse e curiosidade, sem contar o riso.

Nós temos uma das protagonistas, a Marie Claire, que é a princesa de Bergamota, filha única de pais super atenciosos e desde sempre muito amorosos com ela. Portanto, ela cresce como uma menina mimada, esnobe e intensa - intensa porque, apesar de ter sido criada segundo os costumes da corte, ela é extremamente sincera e escrachada. Passa a maior parte do tempo fazendo suas necessidades no banheiro, o que não tem vergonha nenhuma em dizer para todos, todos mesmo) e cortando as pessoas, dando respostas secas e malcriadas (ela realmente não tem papas na língua!). 

E o autor, através desta sinceridade dela, aproveita para fazer muitos dos trocadilhos que surgem durante o livro, e que compõem a gama de ironias da sátira. Alguns são tão bem pensados, com uma sacada tão boa, que eu confesso que não entendi. Mas, no geral, eles trazem à tona certas manifestações culturais, como expressões de uso comum, sendo usadas num contexto outro, provocando o riso.

A mais importante sátira se refere à outra protagonista da história: a bloguista Nívea, uma plebeia que mora na aldeia e tem um clube literário numa das tabernas da região. BLOG, na verdade, é sigla para Bergamota Literária Organização Grupal, pois como na época na qual o livro se passa não existe tecnologia como internet e computadores, aqui Lobato Magalhães criou um outro contexto no qual pudesse surgir uma analogia a blogueira. Ou bloguista, que é como chamam Nívea, pois ela organiza esses encontros na taberna para conversarem sobre livros, e ela comenta sobre eles como se estivesse fazendo resenha mesmo, inclusive as escreve e prega na parede do local. Algo engraçado é que ela possui muitas características de blogueiras de literatura, que são, obviamente, generalizações, e, algumas vezes, uma crítica direta a coisas vistas como negativas no booktube/blogosfera. Uma delas é uma resenha superficial, e no livro acabam sendo citados alguns pontos que muitas vezes ficam de fora de uma resenha; como eu quero provar para a princesa que não sou amadora, apesar do Literature-se nunca ter tido a intenção de ser algo pretensioso, aqui estão estes pontos:


Personagens: a maioria é plana, ou seja, não mudam do início ao fim; você sabe o que esperar delas, pois têm uma conduta e irão agir de acordo com ela durante todo o livro. Se uma personagem é perversa e vingativa, ela será assim sempre, não havendo epifanias, aprendizados e até, em alguns casos, aprofundamento psicológico, sendo este o caso. Apenas uma das protagonistas muda um pouco, a Nívea, pois nos apresenta algumas facetas que nos surpreendem, justamente por estarmos esperando uma linha de ação dela, que não se cumpre, portanto.

História: bem construída, tem uma premissa e segue isto até o final, sem volteios ou desvios. E não me refiro a técnicas como a digressão, pois ela muitas vezes serve ao enredo para demonstrar um ponto, ou reforçar propósitos. Mas aqui não temos digressões, apenas uma história linear.

Principalmente da metade para o final, o livro prende a atenção do leitor, pois é quando começa a se desenvolver a crítica central do livro, e o enredo se edifica. 

O estilo do autor é bem sólido, exatamente por ser uma escrita homogênea, que segue a ideia central do livro sem apresentar partes sobressalentes, e por colocar a ironia como fator instigante.

Mas eu também estou deixando a história de lado, o que não acho saudável para uma resenha, então voltemos à superficialidade: A questão é que estas duas protagonistas são rivais, pois surge no reino de Bergamota o príncipe da Prússia; belo, altivo, atencioso... No começo, vai cortejar a princesa, porém com muito receio, já que ela é mal educada. Mas quando conhece Nívea, num passeio à taberna, eles logo se apaixonam. Ao descobrir, Marie Claire (e seu egocentrismo) rapta a bloguista e a trancafia no castelo, justamente para atrapalhar o romance. 

O final é totalmente surpreendente. Por ser uma história aparentemente bem aos moldes dos contos de fadas, das histórias sobre a nobreza e reinados, eu esperava algo diferente. Com certeza foi um final melhor do que aquele enfadonho de e viveram felizes para sempre.

No Youtube

Um comentário:

  1. Oi, Mell! Gostei da premissa do livro e adorei sua resenha, um pouco satírica, e, acima de tudo, muito informativa! Adoro o canal e estou curtindo muito o blog! Beijos

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