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Luuanda Luandino Vieira
24.4.17

O Brilho do Bronze, de Boris Fausto

O Brilho do Bronze, escrito por Boris Fausto

Editora: Cosac Naify
Páginas: 240
ISBN: 9788540508491
Diante da morte da esposa, com quem foi casado por 49 anos, o historiador Boris Fausto decide revisitar um hábito da juventude e escreve um diário. A princípio voltado a reflexões dolorosas acerca do luto, os escritos pouco a pouco se abrem para o cotidiano concreto, ainda que envolto pela marca da ausência. O resultado revela um olhar crítico e atento à vida contemporânea, permeado pelo senso de humor inabalável do autor. 
Como retornar à vida depois da perda de uma pessoa querida? Como voltar à rotina depois de passar por uma dor que parece nunca cessar? Como conseguir conciliar tantos sentimentos vividos durante o luto?

Nesse livro o historiador Boris Fausto mistura reflexões e memórias após a perda de sua esposa Cynira e expõe um lado muito íntimo da sua história de superação.
VÃO-SE OS ANÉIS, FICAM OS DEDOS?
Olho o dedo anular e vejo o percurso que tomou o meu anel. A princípio, pus e tirei, de acordo com as circunstâncias; por fim acabei tirando para sempre. Achava que pelo menos a marca do anel ficaria. Engano: a marca se tornou invisível. A lembrança e a tristeza, não.
Boris Fausto expõe pontos geralmente ocultos nesse processo; a dor sendo imposta diariamente pelas obrigações cotidianas, como notar um lugar vazio à mesa, se preocupar em comprar a comida preferida da pessoa que se foi e outras sutilezas que acabam impondo a ausência definitiva.

Por outro lado ele nos conta pequenos fatos cotidianos que acabam por tornar a vida mais leve, uma conversa no táxi, um "causo" contado pela sua faxineira, as conversas com o coveiro responsável pela manutenção do túmulo da sua esposa e outras situações que nos obrigam a seguir em frente, sobre a inevitável continuidade da vida.
A conversa foi boa, até carinhosa, mas ninguém fez referência à falta da mãe e avó. Só eu disse uma frase de sentimento pela ausência. Na virada de mês, dia 17, então, nenhum comentário. Admito que o assunto seja difícil, mas tenho a convicção de que os mortos incomodam. Para que falar deles, se estamos vivos?
O autor aborda também algumas situações desagradáveis que viveu durante o período. O principal incômodo é tentar compreender as diversas formas de viver o luto. Por que seus filhos não visitam o túmulo da mãe? Por que o silêncio à mesa, por que não mencionar o nome de Cynira? Por que continuar a vida como se a pessoa ausente nunca estivesse estado presente?

Para Boris Fausto são situações difíceis de serem vividas já que ele tem a necessidade de falar sobre a morte da mulher, afinal é exatamente por isso que ele decide escrever esse diário. Essas situações são de difícil compreensão e muito doloridas e que ele expõe de maneira muito franca nas suas anotações. 
Caminho pelas vias e pelo gramado, assinalo o contraste entre as lápides bem polidas, enfeitadas com muitas flores, e as que perderam a cor brilhante, substituída por um melancólico cinza. Ao vê-las, reforço a certeza da finitude que a todos espera, como se, pelo contrário, o brilho do bronze fosse uma prova de vida.
O diário compreende um período de 3 anos da vida do autor após a perda da esposa, um fato interessante já que existe uma pressão social de superação da perda. Cada pessoa tem um processo de superação diferente e o autor nos mostra com humor, ironia e otimismo que é possível retomar a vida aos poucos após uma dor tão grande como a morte de alguém que se ama.

É um livro muito bonito, apesar da melancolia e tristeza do tema abordado, que pode alentar o leitor que passa ou passou por algo semelhante.

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