28.9.16

Ariana e Arion – As bruxas do Rio #1, de Antonio Sampaio Dória

Ariana e Arion – As bruxas do Rio #1, escrito por Antonio Sampaio Dória
Editora: Ed. do Autor
Páginas: 379
ISBN: 9788592014704
Onde comprar: Site da obra / Facebook - Skoob 
Uma aventura envolvendo Bruxaria, mistério e confrontos entre polícia e traficantes no Rio de Janeiro. Ariana, uma menina de 13 anos, filha do Chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, é sequestrada, sem que se saiba o motivo. Ela é salva, mas as insinuações de que seu pai estaria envolvido com os bandidos a deixa bastante perturbada. Em busca da verdade, Ariana acaba se unindo a Arion, seu colega de escola, que a instiga a lhe dar informações da polícia. Tudo aponta para Branca de Neve, o traficante do morro Dona Marta.
Ariana entra para o Clube das Bruxas, formado pelas colegas Amanda, Andrea, Anabela e Angélica, e depois de encontrar Valkiria, uma bruxa mais velha, começa a pôr em prática os ensinamentos mágicos. Até que ponto a Magia pode interferir na realidade? Enfrentando perigos com Arion, ela tem realmente a necessidade de pôr os feitiços em prática, sem saber onde a busca pela verdade a levará.
Quando você passa dos vinte anos e aos poucos deixa para trás os livros infanto-juvenis, principalmente porque estuda literatura e precisa encarar, em sua maioria, livros clássicos, passa a imaginar que provavelmente não iria aproveitar a leitura de um livro juvenil tanto quanto antes. E essa era a minha mentalidade quando eu decidi ler, depois de muitos anos, um livro do gênero. Peguei Ariana e Arion – As bruxas do Rio para ler sem muita pretensão, confesso que não esperando muito dele, e eis que fui surpreendida de uma forma muito interessante: eu simplesmente adorei este livro, e posso adiantar que o seu único defeito grave é ter me deixado louca para saber o que acontece  pois se trata do primeiro livro de uma série.

Ariana é filha do Chefe da Polícia do Rio de Janeiro e o livro começa já dando pistas de como é o ritmo do livro inteiro: frenético. Muita coisa acontece, e tudo está bem amarrado; tudo tem um porquê de estar ali. Voltando ao raciocínio: logo no primeiro capítulo a protagonista é sequestrada e levada para uma casa no meio de uma floresta. Logo no dia seguinte é resgatada, por (provavelmente) ter tido a sorte de conseguir enviar uma mensagem pelo celular que havia escondido dos sequestradores. Seu pai, com toda a força tarefa da polícia, faz um resgate e, a partir disso, Ariana tenta entender o que aconteceu de fato, e por que o sequestro aconteceu. Na realidade, tenta entender o que ser filha do seu pai tem a ver com o acontecimento traumático. Mas ele é uma pessoa inflexível, difícil de lidar e totalmente autoritário. Além disso, muito impermeável, não dando pistas nem explicações à filha, o que só a faz ficar cada vez mais curiosa.

Ao mesmo tempo, ela tem que lidar com a mudança de escola. Nova neste colégio de freiras, ela entra em contato com três grupos distintos de colegas: as belas, garotas patricinhas e arrogantes, as bruxas, meninas que praticam a bruxaria, e Arion e sua gangue. Logo que as aulas começam, as bruxas a convidam para participar do coven, ou seja, para descobrir a bruxaria e praticar feitiços e contatos com a natureza. Ariana realmente tem uma sensibilidade incomum, e apesar de cética no começo, aos poucos começa e se identificar com a nova religião. Com isso, cria-se uma inimizade forte da parte das belas para com Ariana, pois as bruxas e as bela são grupos rivais  tudo por motivos juvenis, como a disputa por garotos, que são característicos de garotas de apenas 13, 14 e 15 anos. Mas é Arion quem desde o princípio chama a atenção dela, pois ele deixa claro que há algo de estranho no seu sequestro, e que ele quer descobrir toda a verdade por trás dele  e ele está realmente disposto a descobrir a verdade, que parece se relacionar à criminalidade dos morros tanto perseguida pela polícia. Da peculiaridade que Ariana nota no garoto surge uma curiosidade que, aos poucos, mostra-se incomum; este é o ensejo para a discussão da sexualidade sendo descoberta.


Ariana e Arion – As bruxas do Rio realmente me surpreendeu; ele é realmente um livro muito bem escrito. Considerando o seu gênero, e não tentando tirar do livro características que não é de sua proposta, me coloquei novamente no papel de uma adolescente (ou pré-adolescente) e encontrei uma história cativante, repleta de reviravoltas e com temas muito interessantes para se trabalhar, como a religiosidade e a criminalidade, tudo isso sem deixar de lado algumas questões da adolescência que precisam estar presentes numa obra deste gênero. Não são, nem de longe, temas tranquilos para se abordar; a prática da bruxaria, a violência e a sexualidade podem ser polêmicos, ainda mais se misturados a uma faixa etária tão delicada. 

Mas é muito interessante ver como o autor conseguiu relacionar todos eles e desenvolveu uma história tão bem narrada, sendo as únicas pontas sem nó aquelas que o autor deixou para a sequência da série. Como eu disse, este é o único defeito para mim, fora alguns raros errinhos de revisão que podem passar despercebidos. Talvez o maior defeito seja o livro não apresentar em sua capa a informação de que se trata do primeiro livro de uma série. Obtive a informação na ficha catalográfica que existe logo nas primeiras páginas da obra. Mas o fato de eu sentir uma vontade tremenda de continuar a história só revela o quanto fui cativada por ela. E, realmente, o livro parece estar sempre no seu clímax. De resto, a diagramação é muito boa, com uma capa linda e, no final, uma bibliografia que o autor disponibilizou de suas pesquisas sobre os temas que ele trabalhou  que só deixa o livro mais interessante ainda, pois adoro saber que o escritor se dedicou àquilo que propôs discutir em sua obra!

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