30.8.16

Ardósia, de Nicolás Irurzum

Ardósia, de Nicolás Irurzum
Editora: Multifoco
Páginas: 250
ISBN: 9788579613557
Onde encontrar o livro: Amazon - Biblioteca do Nico
Um de seus habitantes desprezara a bênção de Santa Edwiges. Viroses, dores de corno, joanetes, todo tipo de tragédia cairia sobre as cabeças nativas. A maioria ignora que tais cartas contêm erros grosseiros de ortografia. Gramática inexistente. A população se divide entre brincadeira de mau gosto ou maldição. Na dúvida, o Prefeito marcou a assembleia. Pulso nem sempre agrada o eleitorado. O Delegado, pra lá de exagerado, procura evitar atentados terroristas.

Ambientada em Ardósia, a obra traz à tona diversos dramas da vida interiorana paulista, com personagens interessantes e que possuem, cada qual, uma característica única. Há alguns núcleos que representam a população de uma cidadezinha de poucos habitantes; eles se entrelaçam justamente por viverem num ambiente que proporciona o encontro. Temos o casal Eva e Jesuíno, donos de um bar no centro da cidade e pais de Idônea e Ilícito, nomes intrigantes que, na realidade, poderiam facilmente ser trocados, já que a menina é cheia de ideias mirabolantes e maldosas, e o garoto um completo ingênuo. Este é o núcleo que mais me arrancou risadas e sorrisos, mas também temos um grupo de amigos Gil, Roni e Léo, todos diferentes um do outro, mas sempre juntos e fiéis.


Este é um livro que se auto classifica como uma coletânea de contos, mas eu descobri muito mais: há uma certa linearidade temporal e uma sequência no enredo que me fizeram pensar em crônicas, não exatamente em contos. Pois as histórias não se acabam naqueles curtos capítulos; elas continuam. E muito do clima do interior conseguiu ser transmitido através deste formato.

Há um meio certo de começar a crônica por trivialidade. É dizer: Que calor! que desenfreado calor! Diz-se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas conjeturas acerca do sol e da lua, outra sobre a febre amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e la glace est rompue; está começada a crônica. - Machado de Assis

E, como se pode ler através deste fragmento de um texto do genial Machado de Assis, pode existir muita trivialidade nas crônicas. Em Ardósia, muito do que acontece é comum e típico de cidades pequenas. Nicolás Irurzum conseguiu representar muito bem o seu objeto de escrita. Pois Ardósia torna-se não uma mera cidade, mas a personagem principal de sua obra. E, o mais importante (ou interessante?) a se perguntar é: você conhece Ardósia?

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