8.7.16

Ratos e homens, de John Steinbeck

Ratos e homens, escrito por John Steinbeck



Editora: L&PM POCKET
Páginas: 144
ISBN: 852541378X
Tradução: Ana Ban

George e Lennie são dois amigos bem diferentes entre si. George é baixo e franzino, porém astuto, e Lennie é grandalhão, uma verdadeira fortaleza humana, mas com a inteligência de uma criança. Só o que os une é a amizade e a posição de marginalizados pelo sistema, o fato de serem homens sem nada na vida, sequer família, que trabalham fazendo bicos em fazendas da Califórnia durante a recessão econômica americana da década de 30. Ganham pouco mais do que comida e moradia. No caminho, encontram outros sujeitos pobres e explorados, mas também situações que colocam em risco a sua miserável e humilde existência. Em 'Ratos e homens', Steinbeck levou à maestria sua capacidade de compor personagens tão cativantes quanto realistas e de, ao contar uma história específica, falar de sentimentos comuns a todos seres humanos, como a solidão e a ânsia por uma vida digna.

John Steinbeck foi o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1962 e seu romance mais famoso é "As vinhas da ira" que ganhou o Prêmio Pulitzer de Literatura e foi adaptado para o cinema. Trata-se de um autor norte-americano, nascido na Califórnia no início do século XX e de uma literatura empenhada na crítica dos problemas sociais de formação dos Estados Unidos, especialmente visíveis nessa região do país.


O livrinho "Of mice and men", traduzido pela L&PM POCKET como "Ratos e homens", mas que já recebeu outras tradução como "Sobre ratos e homens", é um livrinho em relação ao tamanho, mas um livrão em relação ao poder do texto. Uma short story que tem como personagens principais Lennie e George. O primeiro é enorme, incrivelmente forte mas tem atitudes, o emocional e a inocência de uma criança; já o segundo é pequeno mas astuto. Lennnie e George trabalham e caminham juntos pelas fazendas da Califórnia, com o sonho de economizar um dinheiro, comprar um pedaço de terra, cuidar de suas próprias plantações e seus próprios animais, poderem parar o trabalho quando quiserem e não serem mais explorados no trabalho, trabalhariam somente para o própria existência. Entretanto, para se manterem num emprego e juntarem o dinheiro duas dificuldades se impõem: uma para George de não gastar as economias com bebidas, mulheres e jogos, a segunda para Lennie de não se meter em confusão e fazer com que os dois sejam expulsos das fazendas. Lennie é, antes de qualquer coisa, bom e sensível, mas acaba fazendo coisas erradas e mal aos outros sem nunca ter a intenção, devido ao seu desajeito, sua força e seu medo de ser abandonado por George e de não realizar esse sonho. 

Eles vão trabalhar numa fazenda onde conhecem Candy, um velho sensível que se junta a eles no sonho da busca de um pedaço de terra; Slim, que parece justo e correto; Carlson, insensível e metido em confusões; Crooks, um homem inteligente mas condenado a solidão e a uma posição inferior pelo fato de ser negro; Curley, o filho do dono da fazenda, um rapaz metido, impertinente e violento; a esposa de Curley, uma mulher solitária e infeliz, vista como um problema para os outros personagens de simples fato de ser mulher. Todos esses personagens compõem o cenário de uma fazenda hostil, injusta e opressora, fatores que afetam fortemente a alta sensibilidade de Lennie. A inocência deste e o sonho que ele e George carregam e alimentam entra em tensão com o ambiente opressor que não aceita a liberdade e a igualdade.

O texto de Steinbeck foi transformado em peça de teatro e encenado em São Paulo no famoso Teatro Arena há 60 anos. Seu diretor era o idealizador do Teatro do Oprimido, Augusto Boal e, agora em 2016, o texto foi de novo retomado nos palcos por Kiko Marques. A peça esteve em cartaz por alguns teatros da capital paulista, como no Sesc e no teatro da Faap, e ela consegue transformar em imagens a grandeza da impactante história de Steinbeck. O final da peça e o final do livro apresentam algumas pequenas diferenças de enredo, mas ambos são incríveis e arrematam a extrema qualidade da obra.   


A tradução desta edição opta por marcar na linguagem uma variação oral e regional. Provavelmente o texto original adote um inglês típico da região e das pessoas que trabalham em fazendas no interior. Assim, o texto em português ficou como se fosse uma reprodução da oralidade das variações linguísticas do interior do Brasil, destoando bastante da modalidade escrita padrão, mas usando a própria escrita do texto para compor as particularidades dessa história. 

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