11.7.16

Filhas de Eva, Martha Mendonça

Filhas de Eva, escrito por Martha Mendonça

Editora: Record
Páginas: 128
ISBN:  9788501107527
Livro cedido pela editora em parceria com o blog
Uma das cabeças por trás do site Sensacionalista, Martha Mendonça tem faro apurado para identificar as figuras mais curiosas e pena afiada para transformá-las na mais prazerosa literatura. Assim como é impossível um escândalo escapar do tabloide virtual de humor mais lido do país, nada foge ao olhar de Martha, arguta observadora e bem-humorada ficcionista do cotidiano das mulheres – características já comprovadas, ao extrair do trivial e do corriqueiro pequenas pérolas literárias, em Canalha: substantivo feminino e 40: um romance feminino. Nos contos deste Filhas de Eva, a autora lança um novo olhar sobre o turbilhão de sentimentos que cabe dentro das mulheres – ou sobre como um mesmo sentimento pode habitar cada uma de maneira tão ímpar. Seja pela forma ou pelo conteúdo de suas narrativas, Martha revela a força e os extremos exacerbados de suas personagens. Com seu estilo original e leve, esmiúça as relações e a intimidade do universo feminino, misturando crítica e humor em histórias deliciosas.

O livro "Filhas de Eva" é composto por contos que tem mulheres como protagonistas. Pobres, ricas, jovens, velhas, mulheres diferentes em muitos aspectos mas ainda carregando o elo comum: o de ser mulher. O conto que dá abertura ao livro, intitulado "Eva", nos dá um panorama sobre a temática que encontraremos nos outros contos.

Assim, já formada e deformada pela falta de infância, aprendi logo que eu era culpada. Pelo que houve e pelo que não houve; pelos barulhos e pelos silêncios; pela beleza e pela feiura; pelo passado e pelo futuro. Pelo desejo. [Eva] 

O título de cada conto nos revela uma característica da personagem que conheceremos: "Amante", "Compulsiva", "Apressada", "Obcecada" e "Doméstica" são alguns deles e encontraremos histórias dramáticas, engraçadas, tristes e felizes, a maioria tendo como tema principal os relacionamentos.
À primeira vista pode parecer uma temática clichê para um livro sobre mulheres, mas a autora consegue fugir do lugar comum trazendo personagens próximas da realidade, sem idealizações.

Há dias que foram feitos para se morrer em vida. Dias para mover os músculos um mínimo possível. Olhar o horizonte com o olhar perdido e esquecer a comida não mastigada ainda na boca. Dias para mexer os dedos do pé devagarinho, apertar as mãos fechadas com força e prolongar as piscadelas dos olhos. (...) Há dias em que o que é bom se esvai e o que era ruim fica estranhamente incontornável. [Apressada]

O livro, apesar de alguns contos mais pesados, é em geral leve, fácil e bastante fluido. É bastante fácil de se identificar em algumas situações vividas pelas personagens, é tudo muito verossímil e palpável.
Minha leitura foi feita num dia só, não conseguia largar o livro e me questionando o que viria no conto seguinte: uma menina jovem e feliz, uma mulher solitária... Enfim recomendo para quem gostaria de algo mais rápido e fácil. (O livro, aliás, me tirou de uma grande ressaca literária).

Sábado. Pouco mais de nove horas da manhã. O potencial de uma manhã de sábado é um dos maiores motivos para a felicidade do ser humano. O domingo, não: a manhã de domingo já exala cheiro de contagem regressiva para a volta ao real, ao sufocante e anunciado desastre que é a vida das pessoas comuns. Mas era sábado. De manhã. Se tudo em volta desabasse, já seria um motivo para ser feliz. Pelo menos até meio-dia. [Desperta]


0 comentários:

Postar um comentário

Obrigado por visitar e comentar no Literature-se.
Assim que puder, visitarei o seu blog. Caso não tenha um, deixe twitter, Facebook ou e-mail para que eu possa respondê-lo :)
Dicas, sugestões e críticas construtivas? Comentários abertos para isso e muito mais, só contando com aquela boa dose de bom-senso necessário, né? ;)

 
Literature-se © Todos os direitos reservados :: Ilustração por Prih Mizuh (@pri_mizuh) :: voltar para o topo