11.7.16

A parede branca do meu quarto, de Marina Oliveira

A parede branca do meu quarto, de Marina Oliveira

Editora: Thesaurus
Páginas: 384
ISBN: 9788540903968
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Após ter um vídeo postado no Youtube sobre o surto psicótico que teve durante uma prova, Mariana Vilar virou uma celebridade da internet. Infelizmente, isso não trouxe nenhuma vantagem para a vida dela: foi expulsa do colégio antigo, perdeu o contato com o melhor amigo e, agora, ainda tem que aguentar as pessoas perguntando a todo tempo se a conhecem de algum lugar.
Chega a hora de cursar o terceiro ano do Ensino Médio, não vai ser fácil. Novo colégio, rodeado de pessoas diferentes. Os desafios surgem e as inquietudes aumentam. Mariana começa a perceber que as experiências e desejos que guiavam o seu comportamento antes, de repente não fazem mais sentido. Entender as mudanças que vão desde belos momentos afetivos até estranhas festas da elite brasiliense será uma questão de sobrevivência.
E quanto à parede branca do título? Ah, meu caro leitor, só posso garantir que ela nunca mais será a mesma.

Se você pensa que Mariana Vilar é uma garota comum, está redondamente enganado. Ela está fora dos padrões, a começar pelo seu QI excepcional, o que a torna uma garota inteligente. Porém, ela não apenas é inteligente, como também muito dedicada e alguém que coloca os estudos em primeiro lugar na sua vida - antes mesmo das amizades. Só podemos fazer o adendo quanto à família, que não precisa nem ser colocado em primeiro, segundo, terceiro lugar etc. É, antes de tudo, o seu porto seguro. Mariana é totalmente peculiar, e estressada por natureza. Vive em conflito com o seu irmão mais novo e, depois que teve um surto durante a prova PAS no seu segundo ano do ensino médio, tudo ficou ainda pior: foi convidada a se retirar de sua antiga escola, não aceita sequer que falem no nome de seu ex-melhor amigo Ian, sua avó Fatinha está com a saúde cada vez mais debilitada e seu pai sumiu há uns anos e nem ao menos ajuda financeiramente a sua mãe. 

Na realidade, todos esses foram motivos para o que aconteceu durante a prova que garantirá a sua vaga na universidade de seus sonhos, a UnB. Porém, alguém gravou o que aconteceu e colocou no Youtube, criando automaticamente um viral - e uma nova "quase" famosa: a psicótica do PAS, Mariana Vilar. É com essa carga sobre suas costas que ela precisa passar pelo seu primeiro dia no colégio novo (sendo, é claro, alvo de curiosidade e piadas), onde conhece Lara e Maurício, seus dois vizinhos de carteira que, num primeiro momento, parecem mais irritá-la do que serem os melhores amigos que, ainda bem, serão.

Minhas impressões

Fazia um tempo que eu não lia YA (Young Adult = jovem adulto, a nomenclatura para a literatura jovem) e A parede branca do meu quarto veio em boa hora: justamente quando eu senti que precisava de um livro para me distrair e me fazer cair de amores. E foi o que aconteceu, pois Marina (Marina, não Mariana, fácil de confundir rs) me fez retornar aos meus 16 anos quando eu praticamente só lia YA, torcer pelo romance e ficar extremamente curiosa pelo desfecho da história (por mais que eu soubesse que tudo daria certo e que aquele casal realmente terminaria junto). Ela colocou numa história nacional tudo aquilo que admiramos na literatura jovem gringa, que pode ser medido pelo ânimo que desperta no leitor.

Posso dizer que é um dos YAs que mais gostei de ter lido, e o fato de ser nacional só torna tudo muito especial. Enfatizo bastante isso não apenas porque eu gosto de indicar livros nacionais bons, mas porque percebo que há uma certa hegemonia (ou preferência, como quiser) da literatura internacional do gênero aqui mesmo no nosso país, então encontrar um exemplo de que não precisamos nos voltar para fora a fim de ler uma história bem escrita e desenvolvida me alegrou bastante.

Porque, sim, é uma história bem desenvolvida dentro do que ela propõe e no universo do seu gênero. Os personagens são bem desenvolvidos, sobretudo os principais. Talvez o Maurício tenha ficado um tanto quanto apagado pelo papel que ele tem na história, pois o livro é em primeira pessoa e a Mariana pode ser um pouco distante das pessoas quando quer. Gostei muito de como o tema da família, da amizade e do amor estão sempre em harmonia, sem que um se torne o principal. Mas eu diria que isso acontece para dar espaço ao que realmente o livro aborda: a questão da mudança, do crescimento pessoal, das transformações. Toda a história pela qual a Mariana passa no seu terceiro ano do ensino médio nos é contada de uma forma que nos faz enxergar como ela era no início e no final - e a mudança é nítida. Saber da trajetória (o enredo em si) é o que pode trazer à tona a discussão do amadurecimento, e esse é um ponto chave do livro, o qual me fez gostar ainda mais dele!

No Youtube

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