27.2.16

Uma vez você, uma vez eu, de Diego Martello

Editora: Novos Talentos
Páginas: 184
ISBN: 9788542806298
Onde comprar: Saraiva
Marcos e Willian, pai e filho, tentam se reconciliar após anos de desentendimento. Em paralelo, Eva, mulher de Willian, quer a todo custo engravidar, o que frustra o casal. A partir da visão do interior de cada um, esses personagens terão de reconfigurar o modo de pensar para enfrentar os seus conflitos. Nessa fase tão conturbada para todos, reflexões acompanham cada segundo da trajetória deles.
Narrada de forma surpreendente, provocativa e crítica, esta obra não tem a pretensão de apresentar soluções para os problemas enfrentados, mas, sim, mostrar as armadilhas de nosso fluxo de consciência, para compreendermos que as soluções dos problemas dependem, muitas vezes, da forma como se lida com as ilusões, ou, ao contrário, como se enxerga verdadeiramente a realidade.
Willian possui uma vida tranquila e confortável, uma boa casa, uma esposa amável e um perfil profissional em ascensão. Seu modo de ver o mundo parece leve e transparecer uma positividade saudável, porém ele possui algumas angústias que não vêm à tona até mesmo em seus pensamentos; há desavenças e impedimentos que ele não admite bloquear, de certa maneira, na sua mente. Isso porque não possui um bom relacionamento com o seu pai desde que uma grande briga na empresa que criaram juntos rompeu a amizade dos dois, levando Willian a se demitir e abandonar a empresa sob os cuidados unicamente do pai, Marcos. E a infertilidade de Eva, sua esposa, é outro grande assunto que parece incutir certa dose de impotência em sua vida, que de alguma maneira o faz se sentir amargurado.

Ele bloqueia a decisão de transbordar seus sentimentos e revelar para a sua consciência e o seu exterior (esposa, pais, chefe) que algumas coisas não estão saindo exatamente como ele queria, e que isso o machuca.  Até que se vê indo visitar o pai, num impulso incitado por Eva e por um acidente de moto que feriu Marcos. A situação o leva à uma sequência de atividades preparadas pelo pai para os empregados da empresa, a qual tem por finalidade revelar algo grandioso - seja interiormente, ou mesmo exteriormente. E o desenrolar dos acontecimentos revelam camadas e mais camadas de potenciais vivências. Com elas, um turbilhão de reflexões que levará o leitor a questionar a conduta de Willian e das pessoas com quem ele convive, como também a se perguntar sobre o seu próprio modo de encarar a vida e as ações (próprias ou alheias).


Com um quê nada negativo de autoajuda (afirmado pelo professor que escreveu o prefácio do livro, Roque Weschenfelder, e confirmado pelo próprio autor), o livro nos leva a dimensões imprevistas. Estou confusa sobre o enredo e, sobretudo, sobre o final, e tenho a certeza de que nunca terei respostas para as inúmeras perguntas que encontrei lendo Uma vez você, uma vez eu. A intenção do autor era exatamente essa: a de tirar o leitor do piloto automático e fazê-lo pensar, refletir. É um livro que tende para a autoajuda por conta disso: os diálogos longos contém reflexões e máximas que, às vezes clichês, às vezes uma experiência enriquecedora, fazem com que nosso cérebro trabalhe mais durante a leitura.

E, ao contrário do que isso pode sugerir, a leitura é fluida e agradável, porque acolhe. E o plot twist empregado pelo autor durante a escrita do livro é de gerar um novelo de perguntas sem repostas positivo, pois é muito bacana a forma que o Diego Martello encontrou para quebrar a expectativa; é dessa forma que ele consegue concluir a sua intenção com a criação deste livro, a de colocar o leitor para refletir. Porem, meu único problema com o livro surge dessa mesma escrita: um pouco engessada por usar um português muito formal, um exemplo do que entendi como um aspecto inorgânico do livro - a presença nítida do autor no texto, o qual possui alguns erros que passaram despercebidos pelas revisões.

É um livro que indico para quem gosta de sair da atitude passiva que o leitor de hoje parece cada vez mais tomar para si, e para aqueles que procuram reviravoltas imprevisíveis capazes de abrir diversos caminhos para interpretações. 

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