17.1.16

Os Filhos da Noite, de Dennis Lehane

Os filhos da noite, escrito por Dannis Lehane.

Editora: Companhia das Letras
Páginas: 480
ISBN: 9788535923445
Livro cedido pela editora em parceria com o blog.
A Lei Seca fez brotar do chão uma vasta rede de destilarias subterrâneas, bares clandestinos, gângsteres e policiais corruptos. Há muito que Joe Coughlin, o filho mais novo de um proeminente capitão da polícia de Boston, deu as costas à sua criação rígida e severa. Dos pequenos delitos cometidos na infância, Joe agora desfruta com gosto de uma carreira no crime construída a soldo de um dos mais temidos mafiosos da cidade.
A vida nas sombras, porém, costuma cobrar seu preço. Numa época em que homens impiedosos, munidos de dinheiro, bebida ilegal e armas, disputam pelo controle da cidade, não se pode confiar em ninguém - nem em família, amigos ou amores. Para além do dinheiro e do poder, e até das ameaças de prisão, um destino parece inevitável a homens como Joe: a morte prematura. Mas até que esse dia chegue, ele e os amigos parecem decididos a levar a vida até suas últimas consequências.
A jornada de Joe pelos escalões do crime organizado o levará de Boston e de seus bares tomados pelo jazz ao bairro latino de Tampa, e até às ruas efervescentes de Cuba. Os filhos da noite é um épico à maneira de Scarface e Os bons companheiros, repleto de traficantes, femmes fatales, amigos leais e inimigos implacáveis, todos lutando pela sobrevivência e por seu quinhão do sonho americano. Combinando uma história de amor e uma saga de vingança, Lehane traz à vida uma época em que o pecado era motivo de celebração e o vício era uma virtude nacional.

Dannis Lehane entrou de vez na minha lista de autores favoritos. Esse, sem dúvida, é um nome obrigatório para quem gosta de literatura policial.

Quem leu minha resenha de Sobre Meninos e Lobos sabe o quanto gostei de ter conhecido esse autor, que me surpreendeu com um livro extremamente bem escrito em todos os aspectos. Então escolher outro livro do autor para ler e resenhar foi algo natural e perigoso. Natural porque sempre queremos ler mais obras de um autor que nos surpreendeu, perigoso porque sempre há uma grande chance de ele não conseguir manter o mesmo nível e nos decepcionar bastante. Bem, não é o caso aqui.  

Os Filhos da Noite é um romance muito diferente do já citado Sobre Menino e Lobos, o mais conhecido do Lehane. Esqueça detetives em busca da solução de um crime, esqueça os anos 2000. Se em um livro acompanhávamos principalmente o trabalho policial, no outro acompanhamos os bandidos. Desta vez, Lehane nos apresenta Joe Coughlin, um gangster da época da Lei Seca nos Estados Unidos. Ele começa como um simples assaltante amador até chegar a níveis mais altos na hierarquia da máfia. Com essa pequena descrição do que o livro trata, é provável que se pense logo em obras como Scarface e O Poderoso Chefão, e o livro vai por esse lado mesmo, porém sem perder sua força própria.

Não há como falar mais do enredo sem dar spoilers que poderiam prejudicar bastante a experiência de leitura, pois um dos pontos mais interessantes desse livro é a técnica de Lehane para nos fazer continuar a leitura sempre com ansiedade. Cada capítulo é muito bem construído, do tamanho certo e com desfecho que sempre guarda algo que queremos saber, o que nos faz ter uma dificuldade enorme de fechar o livro sem ir para o próximo capítulo; as situações estão sempre mudando. Por isso spoilers seriam muito prejudiciais, pois acabariam com essa sensação, que o autor tanto trabalhou para criar.

Mas voltemos à questão do livro ter força própria. Não poderia não dizer que o texto está cheio de clichês, principalmente no que diz respeito aos personagens. O jovem problemático que inicia no mundo do crime e começa a crescer na hierarquia, os parceiros valentões, o grande chefão etc. Porém os personagens são bem desenvolvidos, têm backgrounds sólidos, nos fazem querer conhecê-los mais, mesmo que sigam arquétipos.

Para quem gosta de ação, esse livro é mais do que indicado. Há ação e tensão o tempo todo, mas tudo feito de forma inteligente. As ações não se prolongam tanto, pelo menos não a ponto de o leitor começar a enjoar, pois há sempre novas situações surgindo em consequência das já passadas, o que mantém o interesse na narrativa.

E, por fim, gostaria de falar dos diálogos. O autor já é um dos que mais admiro nesse quesito. Os personagens têm voz própria, o que é raro de se ver em muitos livros hoje. E, principalmente, os incisos são muito bem aproveitados, sem secura nem exageros, o que é ainda mais raro de se ver. Muitos escritores não se atentam tanto ao ritmo dos diálogos, acham que é só escrever o que querem que os personagens digam e o que estão fazendo enquanto dizem, mas não é assim que se faz, é necessária toda uma técnica, toda uma sensibilidade, como para escrever poesia, e Lehane sabe muito bem disso, seus diálogos são ótimos.

Enfim, foi um livro do qual gostei bastante. Quero ler muitos outros do autor, que me impressiona com sua técnica mais do que com a criatividade, que não considero tão grande, pois embora seus enredos guardem surpresas, não são lá tão originais. Mas, sejamos sinceros, todos gostamos de clichês quando bem escrito, a jornada do herói está aí para provar isso. E, se há algo que Lehane sabe fazer, é escrever bem, ele transborda profissionalismo em cada frase.    

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