12.9.15

Piteco: Ingá, Shiko.


Piteco: Ingá, escrito por Shiko.
Editora: Panini Comics
Páginas: 82
ISBN: 8565484955

O povo de Lem se vê obrigado a migrar porque o rio próximo à aldeia secou. Mas o valente caçador Piteco decide não ir, pois precisa resgatar Thuga, que foi raptada pela tribo dos homens-tigre. O paraibano Shiko mistura a sua origem nordestina à essência do homem das cavernas criado por Mauricio de Sousa.
[Fonte]
Ler histórias em quadrinhos com frequência ainda não é um hábito para mim, mas o Graphic MSP, projeto da Maurício de Souza Produções, que consiste em histórias dos personagens criados por Maurício de Souza contadas por outros artistas brasileiros, conseguiu despertar meu interesse já que, assim como muita gente, aprendi a ler com os gibis da Turma da Mônica.

O título que menos chamou minha atenção foi o do Piteco; nunca me identifiquei com as histórias do homem das cavernas.                        

A minha grande surpresa ao ler “Piteco: Ingá”, além do traço lindo feito em aquarela, foi me apaixonar pela história e mitologia criada pelo artista. O folclore brasileiro, elementos históricos do Brasil, principalmente do Nordeste e referências a lendas da América do Sul foram mescladas nessa história sobre tribos rivais.

A pedra do Ingá é um monumento arqueológico de importante relevância localizada no município de mesmo nome na Paraíba e é fruto de muitas lendas na região. Os seres fantásticos são elementos do nosso folclore: o Boitatá (M-Buatan), o Curupira ou a Caipora (Arapó-Paco), o Anhanguera e o Camazotz, deus-morcego da civilização Maia.


Além disso, as tribos representadas têm uma imagem bastante marcante e características específicas. A tribo de Lem, o povo de Ur e os homens-tigre que têm vestimentas são os personagens dessa história. Assim como “Turma da Mônica: Laços” e “Penadinho: Vida” em “Piteco: Ingá” o resgate de uma personagem desenrolará a trama da história.

Thuga foi capturada pelos homens-tigre e o personagem principal, juntamente com Beleléu e Ogra, partem em seu socorro enquanto o povo de Lem tenta encontrar terra fértil para se fixar. Nessa busca Piteco encontrará os seres fantásticos já mencionados, além de enfrentar outras tribos inimigas, numa trama envolvente e forte, com muitas cenas de batalha e resgate às origens da tribo de Lem.

Outro ponto positivo dessa HQ foi o aprimoramento de personagens femininas que, em minha opinião, eram subdesenvolvidos nas histórias de Maurício de Souza. Thuga e Ogra eram personagens que representavam dois estereótipos negativos de mulheres. A primeira, só queria casar com Piteco, enquanto a segunda era a mulher feia que tinha que desenvolver alguma habilidade para se destacar, no caso de Ogra, caçar. Shiko transformou essas duas personagens nos principais elementos da narrativa. Thuga mostra ao longo da história que o motivo de ter sido sequestrada foi a sua força e Ogra foi decisiva na empreitada de Piteco, além da tribo de Lem ser uma sociedade matriarcal.

Apesar de ser uma história forte e de resistência, Shiko manteve a essência dos personagens e o bom humor dos gibis de Maurício. O Piteco continua sendo um homem das cavernas com alguns gritos guturais bastante caricatos e a Ogra tem seus momentos engraçados.

“Piteco: Ingá” certamente é a história mais adulta e desenvolvida da coleção lançada até agora e tornou-se a minha Graphic MSP preferida até o momento.


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