18.9.15

Especial Jane Austen: Persuasão

Persuasão, escrito por Jane Austen

Jane Austen começou escrever "The Elliots" – como "Persuasão" fora chamado inicialmente – assim que terminou "Emma". Austen adoeceu durante o processo de escrita do livro, mas conseguiu terminá-lo em 1816. Há quem diga que este romance é o menos elaborado e o mais curto de Austen devido à sua doença. No ano seguinte ao término da obra, infelizmente, Austen faleceu. A publicação de “Persuasão” foi feita por intermédio de seu irmão apenas em 1818, sendo publicado em um mesmo volume com "A Abadia de Northanger". "Persuasão" foi o romance de despedida de Jane Austen, uma autora fantástica, que nunca saberá o quão influente foi (e será) para tantas pessoas. "Persuasão" é citado em muitas obras e inspira muitos autores. A obra foi alvo de minisséries da BBC e de adaptações cinematográficas.

O livro conta a história de Anne Elliot, uma moça que "fora obrigada a ser prudente na juventude, e aprendera o romantismo à medida que envelhecia: a sequela natural de um começo antinatural". Anne é uma das heroínas mais tranquilas e reservadas de Austen, mas, ao mesmo tempo, é uma das mais fortes e abertas às mudanças. O livro enaltece a constância do amor numa época turbulenta na história da Inglaterra: as guerras napoleônicas. Escrito nesse período, o romance descreve como uma mulher pode permanecer fiel ao seus passado e, ainda assim, pensar em um futuro feliz. Austen expõe de maneira sutil como Anne pode passar por cima das convenções sociais e das restrições femininas em busca da felicidade



Anne Elliot é a irmã do meio de três filhas de sir Walter, homem vaidoso, rico, fútil, egoísta, que se interessa apenas pela aparência e riqueza das pessoas. Elizabeth, irmã mais velha, é a queridinha do pai. Os dois compartilham extravagâncias e sempre colocam seus interesses acima dos de Anne, que acaba sendo extremamente ignorada e deixada de lado por não ter características dignas de admiração do pai e da irmã.  

Frederick Wentworth e Anne Elliot se apaixonam e decidem se casar. Porém, por ser um homem de classe inferior à classe de Anne e não ter títulos ou riquezas, a família de Anne não vê esse casamento com bons olhos, já que a sociedade da época não aceitava matrimônio entre pobres e ricos. Então, Lady Russell, amiga e conselheira da família Elliot, consegue persuadir Anne a não aceitar o pedido de noivado de Frederick, justificando que aquele casamento não traria riquezas e nem seria bom para a imagem da família

Após oito anos, as realidades mudam. Frederick mudou para melhor. Ele retorna das Guerras Napoleônicas rico e passa a ser bem visto pela família de Anne e pela sociedade. Anne se tornou uma pessoa angustiada e melancólica, pois se arrepende do que fez, se arrepende de ter rejeitado Frederick por questões financeiras. Na família Elliot, a mudança foi para pior. Devido aos gastos exagerados do pai com futilidade, eles arranjam um problema financeiro muito grande. Sir Walter coloca a casa para alugar e se muda com Elizabeth para Bath, onde o custo de vista seria menor. Anne acaba ficando com a irmã mais nova, Mary, que já é casada.

Devido a um certo acontecimento, Frederick e Anne se reencontram e Anne percebe que não foi capaz de esquecê-lo, mas Frederick está ressentido pelos acontecimentos passados e não dá a mínima para ela. Lady Russell tenta convencer Anne a se casar com seu primo, pois traria bons frutos financeiros. Felizmente, Anne decide que não se casará sem ser por amor

Não sei nas outras edições, mas na edição da Martin Claret vem um capítulo excluído. Há uma nota de rodapé que diz que o livro tinha um final diferente quando Jane Austen terminou de escrevê-lo, mas que o mesmo não a satisfez, então, Austen o substituiu por outros dois capítulos.

"Persuasão" é um livro diferente dos demais da Jane Austen. Creio que seja a obra mais pesada da autora. Austen consegue nos passar a melancolia, a agonia da personagem principal. Nós sentimos o quanto ela se arrepende por ter posto em prática o conselho dos outros. Devido a essa melancolia, o livro fica carregado. No entanto, essa característica não afeta em nada a qualidade da obra; pelo contrário, isso torna a história mais real e emotiva. Além disso, existem elementos autobiográficos nesta obra, que passam a sensação de estarmos mais perto da autora e de conhecermos Austen melhor.

Devo admitir que “Orgulho e Preconceito” ainda é o meu preferido, mas "Persuasão" não fica muito atrás. É um livro denso, melancólico, sofrido, bonito e romântico. O único porém do livro é o final. Tudo acontece muito rápido. Mesmo assim, "Persuasão" é um livro muito bom. Logicamente, Jane Austen faz muitas críticas sociais, não perde a oportunidade de alfinetar os costumes da época. Então, assim como todas as obras de Austen, essa vale a pena ser lida. Este livro demonstra quão perigoso pode ser se deixar ser persuadido por alguém. Enfim, Jane Austen conseguiu encerrar sua linha de romances da mesma forma que começou: com excelência. Então, leia Jane Austen. E, se você já leu, releia! 

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