6.7.15

Rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda, de Howard Pyle

Rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda, de Howard Pyle

Editora: Zahar
Páginas: 324
ISBN: 9788537810651
Livro cedido pela editora em parceria com o blog.
O ilustrador e escritor Howard Pyle revive, em palavras e imagens, a saga do Rei Arthur e seus cavaleiros, desde o momento em que Arthur estabelece seu direito ao trono, ao retirar de uma bigorna a espada nela cravada. O livro relata suas batalhas com o Cavaleiro Negro e com o Duque da Nortúmbria, e seus esforços para manter consigo a mágica Excalibur; seu amor por Lady Guinevere e as origens da Távola Redonda; Merlin, traído pela feiticeira Vivien, além de Morgana e a Dama do Lago; Sir Pellias, Sir Gawaine e tantos outros nobres cavaleiros. E, ao fim, vê-se formulado o enigma de cuja resposta depende a vida de Arthur...
Essa Edição Comentada e Ilustrada inclui todas as 41 ilustrações e o texto integral do primeiro livro de Pyle sobre a saga de Arthur, rei da Bretanha. A linguagem e a diagramação do livro são inspiradas nos textos medievais, com resumos da história em pequenos destaques ao longo do texto.

Sobre o que se trata

A Idade Média é um período histórico repleto de lendas e mitos que foram transmitidos oralmente de geração para geração, formando um repertório marcado por histórias que fascinavam a população. Faz parte desse repertório o mito arturiano, que envolve o Rei Arthur e seus cavaleiros aclamados pela Távola Redonda, em torno da qual tais homens se reuniam para tratar de assuntos do reino. O Rei Arthur é representado como o principal rei inglês a propiciar prosperidade para a Grã Bretanha, enquanto que o cavaleiro que fizesse parte da Távola Redonda seria um dos principais justamente por este ser o maior título que ele poderia alcançar. 

Porém, o principal mistério que envolve as histórias do Rei Arthur e de seus cavaleiros é em relação à veracidade dos relatos - não se sabe, até hoje, o quanto é ficção e o quanto é verídico, justamente porque os dados históricos confiáveis são raros e, quando existem, nada concretos. São muitas as especulações sobre a real existência do rei, o que nos faz imaginar que as aventuras relatadas nos livros que existem não passam realmente de ficção. E muitos autores já transferiram para o papel o que antes era apenas do âmbito oral, mas o principal escritor contemporâneo a fazer isso foi Howard Pyle, um ilustrador estadunidense cujos trabalhos inspiraram até mesmo a caracterização do pirata Jack Sparrow, do filme Piratas do Caribe.

Em "Rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda", lançado pela editora Zahar, temos o primeiro livro da tetralogia que Pyle escreveu sobre o mito arturiano. Nela, ele conta desde o nascimento do rei, passando pelo seu casamento e culminando na sua morte e na decadência de seu reino. Mas neste volume, dividido em duas partes, está presente apenas o seu nascimento, a descoberta de sua origem real, o seu casamento (primeira parte) e as aventuras de três cavaleiros da Távola Redonda (segunda parte). 

O Rei Uther-Pendragon toma por esposa Lady Igraine, com quem tem o jovem Arthur. Mas segundo o grande mago Merlin, amigo e conselheiro de Uther, ele logo iria morrer e a criança passaria por perigos devido a seu sangue real. Acreditando na profecia de Merlin, a qual realmente se concretizou, antes de sua morte prevista o rei confiou a criação de seu filho a um nobre, Sir Ector de Bonmaison, apelidado de Cavaleiro Confiável por cumprir suas promessas e guardar segredos. O rei Arthur cresceu como o segundo filho deste homem, e passou a frequentar a corte quando sua família foi convocada à cidade de Londres porque Merlin havia criado um teste para encontrar o verdadeiro rei.

O desafio consistia em retirar uma espada de uma pedra, feito impossível para qualquer homem comum do reino. Por magia, então, é que o verdadeiro rei conseguiria empunhá-la. E, através de uma série de confusões e atitudes ingênuas, Arthur, até então apenas o filho caçula de um nobre, revela a sua verdadeira identidade: ao precisar de uma espada, lembra daquela que está, sem proteção (já que ninguém conseguia transportá-la ou mesmo tirá-la dali), intrincada na pedra, a rouba e leva a seu irmão, o qual tenta se passar por rei. Porém, logo todos descobrem que foi Arthur quem conseguiu retirar a espada, e este é sagrado rei da Grã Bretanha. A partir disso, ficamos sabendo como o rei Arthur cortejou e conquistou Guinevere, com quem se casa, e, na segunda parte do livro, quais as aventuras que marcam a vida de Merlin, Sir Pellias e Sir Gawaine, três dos maiores homens notáveis da Corte do Rei Arthur.

Minhas impressões

A lenda do rei Arthur é tão difundida e abordada por diversos autores e meios culturais que crescemos sabendo da sua existência - seja por meio de livros, ou mesmo com filmes, como é o caso de "A espada era lei", o qual faz parte da minha infância. Portanto, eu já conhecia alguns aspectos da famosa história, mas senti a necessidade de ler algum livro importante sobre, principalmente para ter uma base para a leitura de As Brumas de Avalon, uma famosa tetralogia baseada no mito arturiano, escrita por Marion Zimmer Bradley.

Descobri que não se trata apenas de uma história sobre um garoto que se descobre o maior rei de todos os tempos que possui a maior espada de todos os tempos, mas que a lenda possui diversas histórias que a torna muito maior, muito mais abrangente, pois a existência de muitos cavaleiros peculiares dá margem para uma gama enorme de aventuras e acontecimentos. São essas situações que são narradas neste livro, as quais o leitor percebe que são ágeis e repletas de reviravoltas. Tudo é narrado de forma muito rápida, em poucas páginas muita coisa acontece. Isso se torna evidente nas muitas cenas de luta, que acontecem por qualquer razão (pois defender a honra é o que os reais cavaleiros buscam, além da glória e da fama); ao contrário do que o leitor pode imaginar de antemão, as lutas ocorrem prontamente e sem enrolação, o que é um ponto positivo e instigante.

As personagens são notavelmente planas: não mudam conforme a história transcorre ou têm suas crises e conflitos resolvidos com simplicidade e facilidade. Outra característica do livro é a escrita que tenta se aproximar do arcaico, ou seja, mais difícil de se traduzir. Porém, percebe-se certo tom moderno também, o que culmina numa mescla. Talvez este seja o motivo que tornou a escrita o único ponto negativo para a minha experiência de leitura, pois a narrativa se tornava, em muitos momentos, monótona por conta das palavras repetidas de forma seguida e das frases que abusam dos períodos simples.

Esta edição possui, além da capa dura e de um projeto gráfico caprichado, um texto introdutório que é muito bom para entendermos a lenda do rei Arthur e o texto em si, as ilustrações originais do próprio Howard Pyle, notas de rodapé que contextualizam alguns aspectos da história e a cronologia do autor. De uma forma geral, a experiência de leitura foi muito válida e agora posso partir para outras obras que abordam a lenda com a segurança de ter tido contato com algumas histórias arturianas.

No Youtube...

0 comentários:

Postar um comentário

Obrigado por visitar e comentar no Literature-se.
Assim que puder, visitarei o seu blog. Caso não tenha um, deixe twitter, Facebook ou e-mail para que eu possa respondê-lo :)
Dicas, sugestões e críticas construtivas? Comentários abertos para isso e muito mais, só contando com aquela boa dose de bom-senso necessário, né? ;)

 
Literature-se © Todos os direitos reservados :: Ilustração por Prih Mizuh (@pri_mizuh) :: voltar para o topo