25.7.15

Luxúria – A Casa dos Budas Ditosos, João Ubaldo Ribeiro

Luxúria – A Casa dos Budas Ditosos, escrito por João Ubaldo Ribeiro.

Editora: Objetiva
Páginas: 163
ISBN: 9788573022391
Livro cedido pela editora em parceria com o blog

A Casa dos Budas Ditosos - Ao receber, segundo afirma, um pacote com a transcrição datilografada de várias fitas, gravadas por uma misteriosa mulher, o escritor João Ubaldo Ribeiro não podia imaginar o que o esperava.
E o inocente leitor, que sequer pode suspeitar o que o aguarda em cada uma das páginas deste livro. Nelas se conta uma vida. E a suposta autora teria enviado seu testemunho para que fosse utilizado para o volume sobre a luxúria da Coleção Plenos Pecados.
O escritor aceitou o oferecimento e o resultado final está agora diante de você. Que deve preparar-se para um relato pouco comum, às vezes chocante, às vezes irônico, sempre instigante. Na verdade, dificilmente a ficção poderia alcançar os limites do que a devassa senhora viveu e narra em detalhes riquíssimos.
Se o leitor tem alguma dúvida, ela logo se dissipará, neste fascinante mergulho na vida espantosa de uma mulher sem dúvida excepcional, cuja narrativa alcança as dimensões de um retrato sociológico de toda uma cultura e uma geração, envolvendo um dos pecados mais indomáveis, e capitais. A luxúria.

Ao ler o livro em questão é necessário desprender-se de preconceitos; “A Casa dos Budas Ditosos” é o relato da vida sexual de uma mulher confiante e extremamente desprendida de moralismo. A luxúria norteia o relato e não permite puritanismo, romantismo ou camuflagens.

João Ubaldo Ribeiro afirma ter recebido um pacote com gravações de uma senhora de identidade desconhecida ao espalhar-se a notícia de que o autor foi convidado para escrever um livro sobre a luxúria para a coleção “Plenos Pecados”. A dúvida que permeará o leitor se a narrativa aconteceu de fato ou é tudo ficcional é apenas um dos prazeres que o livro trará a quem lê.

Mas já vivi quase sete décadas, alguma coisa sucede nesse tempo. Confusão, estou fabricando uma tremenda mixórdia. Será que estou fazendo psicanálise? Pavor, ouvido de aluguel, pavor. Bem, de certa forma, você e esse gravador são ouvidos de aluguel. Sei lá. É, deve ser coisa da idade, eu abomino a expressão “terceira idade”, hipocrisia de americano, entre as muitas que já importamos, americano é o rei do eufemismo hipócrita.

Por se tratar de uma narrativa incomum é difícil expor os fatos da mesma de forma organizada e coesa, até porque a própria personagem não tem essas características. O interessante desse livro é a experiência de pessoa para pessoa por se tratar de um livro muito sensorial.

A carga sexual influencia no fluxo da leitura, mas as reflexões que fazemos a cada página, questionando nossos pudores, preconceitos, moralismo e qualquer outra repressão que temos quanto à sexualidade própria e alheia, torna essa leitura muito além do esperado para um livro erótico.

A moderação sempre me intrigou, não consigo compreendê-la direito e tenho um certo medo dessas pessoas deliberadas e pausadas, que pensam no que lentamente falam e fazem sempre o que devem fazer, nos limites que querem observar.

Apesar de sua carga erótica o livro vai além do erotismo. Ao fim da leitura questionamos nossa liberdade, a luxúria não permite uma vida regrada pelas convenções sociais e religiosas. Nele teremos reflexões sobre o machismo, a hipocrisia da sociedade e a aversão pela velhice. Independente de concordar com a libertinagem da narradora, é impossível sair indiferente ao final dessa leitura.

Faço tudo o que me dá na cabeça, não quero saber de limitações. Eu não pequei contra a luxúria. Quem peca é aquele que não faz o que foi criado para fazer.

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