13.7.15

Doze Anos de Escravidão, de Solomon Northup

Doze Anos de Escravidão, escrito por Solomon Northup

Editora: Peguin - Companhia
Páginas: 280
ISBN: 978-85-63560-89-6
Livro cedido em parceria da editora com o blog.


Doze Anos de Escravidão narra a história real de Solomon Northup, negro americano nascido livre que, por conta de uma proposta de emprego, abandona a segurança do Norte e acaba sendo sequestrado e vendido como escravo. Durante os doze anos que se seguiram ele foi submetido a trabalhos forçados em diversas fazendas na Louisiana. Este relato autobiográfico, publicado depois da libertação de Northup, em 1853, logo se tornou um best-seller, e hoje é reconhecido como a melhor narrativa sobre um dos períodos mais nebulosos da história dos Estados Unidos. Verdadeiro elogio à liberdade, esta obra apresenta o olhar raro de um homem que viveu na pele os horrores da escravidão.
Doze Anos de Escravidão nos traz a história de Solomon Northup, um homem negro nascido livre, que por uma grande infelicidade caiu nas mãos de pessoas maldosas e virou um escravo, permanecendo assim por doze anos
"Posso falar sobre a escravidão apenas na medida que foi por mim observada - apenas na medida em que a conheci e vivenciei em minha própria pessoa. Meu objetivo é dar uma declaração simples e verdadeira dos fatos: repetir a história de minha vida, sem exageros (...)"
Northup nos conta o que aconteceu desde o seu sequestro, que o fez virar escravo, até o momento tão emocionante em que ele revê sua esposa e seus filhos. Ele nos conta minuciosamente a respeito de todos os lugares e todos aqueles que ele conheceu, nos descreve sua percepção de suas características e personalidades, por isso, temos momentos bastante descritivos na narrativa.
"Os sofás mais macios do mundo não são encontrados nas cabanas de toras de escravo. Aquilo em que me deitei ano após ano era uma tábua de trinta e cinco centímetros de largura e três metros de comprimento. Meu travesseiro era um pedaço de madeira. As roupas de cama consistiam num cobertor puído e nem mais um retalho ou farrapo. Musgo poderia ser usado, não fosse pelo fato de que cria uma multidão de pulgas." 
Solomon nos relata os longos e sofridos anos, em que muitas vezes o violino era o seu único consolo em meio à dor e à falta de perspectiva de um futuro livre. Ele nos conta sobre os castigos absurdos recebidos pelos escravos durante todo o tempo que trabalhou forçadamente nas fazendas de Louisiana. Ele descreve ao leitor como e por que os escravos eram castigados, açoitados. E percebemos que por ele ter sido um homem inteligente, culto e com bom senso, acabou evitando muito mais dor à sua vida. Além disso, ele nos relata como teve de engolir seu desespero e o desejo de voltar para casa e se manter um homem racional e paciente, para saber o momento certo de agir e conseguir sua liberdade de volta

Esse livro é único, de extremo valor e que deveria ser lido por todos. É um relato de uma pessoa que passou por toda a dor que tantos outros também passaram na época mais obscura dos Estados Unidos. Tirando as partes em que Northup nos relata o modo de cultivo de algodão, cana e outras coisas desse tipo, a leitura é muito proveitosa e carregada. Proveitosa no sentido de nos mostrar de perto como foi a escravidão, nos mostrar tudo relacionado a esse momento; carregada devido a tanto sentimento que está nas palavras.

Há um discussão sobre a escravidão no final do livro entre o dono de Northup, senhor Epps, e um abolicionista, chamado Bass, em que esse diz:
"Claro que sim; a lei diz que você tem o direito de possuir um negro, mas, a lei que me desculpe, ela mente. Sim, Epps, quando a lei diz isso, ela está mentindo, e a verdade não está nela. Tudo o que a lei permite é certo? Digamos que criem uma lei tirando sua liberdade e fazendo você de um escravo."
Esse trecho é muito interessante. Nos faz refletirmos se tudo o que nos é imposto é o correto; devemos nos colocar na situação do que está do outro lado da moeda e analisar se gostaríamos de sermos submetidos àquilo. Aliás, todo o livro nos faz refletir muito sobre a sociedade e seus atos.

Ao terminar de ler o livro, conseguimos ver como o ser humano consegue ser destrutivo e cruel quando quer impor o que acha ser o certo; quando quer impor aos outros a sua verdade. Temos muitos exemplos disso, como a escravidão dos negros e o Holocausto, que só causaram traumas, sofrimento e mortes. Infelizmente, esses absurdos acontecimentos passados não conseguiram mudar tanto assim o jeito como a maioria da sociedade é no presente. Ainda vemos, com muita frequência, casos de intolerância religiosa e preconceito em todos as formas; vemos como muitos tem sede de poder, como muitos se julgam seres superiores e só acarretam conflitos e sofrimentos.

Por esses motivos, defendo a abordagem desde cedo nas escolas de livros como o "Doze Anos de Escravidão", para mostrar o que pode acontecer quando resolvemos impor o que achamos ser correto e quais são as consequências de tal imposição. Relatos como o de Solomon Northup, se abordados de forma correta, têm o poder de mudar toda a nossa concepção e, quem sabe assim, tornar possível a construção de uma sociedade melhor e mais tolerante.

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