23.7.15

Calafrio, de Maggie Stiefvater

Calafrio, escrito por Maggie Stiefvater

Editora: Agir Now
Páginas: 344
ISBN: 9788522015276
Livro cedido em parceria da editora com o blog.

O frio. Grace passou anos observando os lobos no bosque próximo à sua casa. Um deles, um belo lobo de olhos amarelos, a observa também. Ele parece familiar, mas ela não sabe por quê.
O calor. Sam vive duas vidas. Como lobo, ele é um companheiro silencioso da garota que ama. E, por um curto período a cada ano, ele é humano, embora nunca tenha coragem suficiente para falar com Grace… até agora.
O calafrio. Para Grace e Sam, o amor sempre foi mantido a distância. Mas, uma vez revelado, não pode ser negado. Sam precisa lutar para continuar humano, e Grace precisa lutar para ficar ao seu lado — mesmo que isso signifique enfrentar os traumas do passado, a fragilidade do presente e as impossibilidades do futuro.


Calafrio é o primeiro livro da trilogia Os Lobos de Mercy Falls que conta a história de Grace e seu lobo. Quando pequena, Grace foi atacada e mordida por lobos e salva por um deles, o de olhos amarelos. Desde então, se sentindo grata e protegida, nutriu uma afeição e conexão muito grande com os "seus" lobos.

A presença dos lobos na região nunca tinha sido um problema para a população até que um aluno do colégio de Grace é atacado e morre. O detalhe é que Jack, além de instável e problemático, pertencia a uma família poderosíssima e rica da cidade e seus familiares farão de tudo para acabar e iniciar uma caça à essa alcateia considerada assassina e perigosa. Grace por outro lado, também faz de tudo para impedir que cacem seu lobo de olhos amarelos e tenta interceptar nessa decisão. Mas nessa caçada, Sam leva um tiro, aparece na porta da casa de Grace e ela o acolhe.

No meio desse transtorno todo, Isabel, irmã inconformada e metida de Jack, aparece exigindo respostas pois ela tem certeza que Grace pode ajudar. Talvez pelo fato da cidade inteira saber de seu acidente quando criança e da sua obsessão pelos lobos. Outra personagem que chega para atormentar é Shelby, a loba branca e possessiva que também nutre um sentimento por Sam. Duas personagens que não aparecem o tempo inteiro mas que foram muito bem desenvolvidas e aproveitadas pela autora, pois a cada pouca participação, elas preenchem as principais cenas de ação na história.

Os capítulos são curtos e alternados com narrativas feita por Grace e Sam, o menino lobo. A temperatura no início de cada capitulo, indica qual será o clima entre os personagens ou mesmo o humor de cada um. Na verdade, a temperatura é um fator de extrema importância pra se levar em consideração ao longo da história inteira. Nela, os lobos não se transformam quando desejam. O processo de transformação é mais sério, complexo e intrigante.
"Certos dias parecem compostos de partes que se encaixam como num vitral. Cem pecinhas de cores e aspectos diferentes que, combinadas, criam um quadro completo. As últimas 24h tinham sido assim."
Os lobos têm data de validade, chegando em um momento da vida em que param de se transformar em humanos, ficando permanentemente como lobos para o resto da vida. Essa é uma narrativa apenas focada em uma frente sobrenatural: os lobisomens. Vampiros, bruxas, fantasmas e outros seres não fazem parte deste universo e nem são mencionados. O que é extremamente positivo pra construção da narrativa, deixando a autora livre pra abordar e focar apenas na questão dos lobisomens mesmo.

Um dos pontos positivos dessa narrativa foi a falta de enrolação. Em 120 páginas muita coisa já havia acontecido, seguindo uma linha cronológica boa e satisfatória. Outro ponto alto é a carga emocional do Sam, que é bem interessante no desenvolver da história e a medida que vamos conhecendo mais do seu passado, nos apegamos.
"Eu não acreditava que pertencesse ao seu mundo, um cara preso entre duas vidas, arrastando comigo o perigo dos lobos, mas, quando ela me chamou pelo nome, esperando que eu fosse junto, eu soube que faria qualquer coisa para ficar com ela."
Os pontos negativos começaram a surgir a partir da metade do livro. Nem todo fim de capítulo é instigante e te faz querer continuar sem parar. As amigas da Grace têm participações muito pequenas e poderiam ter muito potencial dentro da narrativa. E uma das questões mais importantes da história inteira: a negligência dos pais da Grace. No início não é fácil de notar a falta de atenção dos pais com a menina, mas nos capítulos narrados pelo Sam, claramente nos surpreendemos (junto com ele) como os pais dela não estão ligando para o que se passa na vida da filha. Como se fosse um relacionamento bem mal resolvido e bem intrigante, em que as duas partes não abrem a boca para comentar absolutamente nada, fazendo parecer que está tudo sob controle e que esse tipo de relacionamento familiar é comum.

O romance do livro não surge da forma mais natural do mundo mas também não é tão forçado assim. Existe uma clara conexão e instinto de proteção entre os dois e o motivo por Grace nunca ter se transformado, por ter sido mordida quando criança, paira no ar sempre que o assunto volta à tona. Seria mais fácil se Grace se transformasse? Os dois seriam mais felizes e compreendidos? São dúvidas que com a história apresentada da infância da personagem permitem ao leitor elaborar muitas teorias. O final é rápido e cheio de aventura, deixando mais intrigas e um tom de "quero mais" para o próximo livro da trilogia, que promete responder dúvidas e mistérios.

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