17.6.15

O Segredo dos Seus Olhos, de Eduardo Sacheri

O Segredo dos Seus Olhos, escrito por Eduardo Sacheri

Editora: Suma de Letras
Páginas: 212
ISBN: 978-85-60280-73-5
Livro cedido em parceria da editora com o blog.

No inicio dos anos 70, quando Benjamín Chaparro trabalhava em um juizado de Buenos Aires, um inquérito de homicídio – o brutal estupro e assassinato de uma jovem dona de casa – deixou marcas profundas no cotidiano da repartição. Trinta anos depois, aposentado, Chaparro dedica seu tempo a escrever um romance. Em busca de inspiração, ele retorna ao juizado e o contato com as salas e os corredores do seu passado o faz relembrar um dos momentos mais significativos de sua vida: o crime, com todos os seus detalhes chocantes; os desdobramentos inesperados do caso, no contexto de uma Argentina às vésperas da entrada da ditadura militar; e a história de amor secreto que viveu em meio a toda essa turbulência e que permeou todo o seu profundo envolvimento no caso.

O livro nos apresenta Benjamín Chaparro, que nos conta a história de Ricardo Morales. Chaparro é funcionário aposentado do Poder Judiciário argentino. Numa manhã, quando ainda trabalhava, ele recebeu um telefonema a respeito de um crime. Como era sua competência, ele teve de ir ao local. Quando chegou lá, se chocou com o que viu: uma mulher nova, estuprada e assassinada em seu apartamento.
“ – Chama-se Liliana Colotto. Vinte e três anos. Professora primária. Casada desde o início do ano com Ricardo Agustín Morales, caixa do banco Província. A vizinha dos fundos nos disse que ouviu gritos às quinze para as oito.”
Morales nunca se sentiu bom em nada na vida. Nunca se destacou. Ao conhecer Liliana, ele sentiu que ela o fazia especial. Imagina tirarem de você algo que mudou a sua vida, que deu um sentido à ela? Pois é. Assim que descobriu o assassinato de sua esposa, Morales ficou despedaçado, sem foco e sem rumo. Quando Chaparro o viu naquele sofrimento, logo se identificou com ele e decidiu ajudá-lo em tudo que estivesse a seu alcance. E, de fato, isso acontece. No decorrer da história, Chaparro chegou a cometer atos ilegais no seu próprio trabalho para evitar que o caso fosse esquecido. 

Temos o desenrolar da história, onde nos é passado tudo o que aconteceu durantes os anos (mais de 20 anos) em que o caso se arrastou, atormentando Morales e Chaparro. Muitas reviravoltas aconteceram (muitas mesmo). Reviravoltas essas que deixam o leitor indignado. Não pelo fatos serem impossíveis de acontecer, mas sim por eles serem justamente tão prováveis.  

Até que chega o final... É um daqueles que te surpreendem mas ao mesmo tempo você já esperava que acontecesse. Quando estava chegando nas últimas páginas, eu pensei: "Não acredito que isso vai acontecer"; e, logo depois: "Caraca! Aconteceu mesmo! Não creio!". Eu já esperava que Morales fosse agir da forma que agiu, devido ao seu comportamento durante toda a narrativa, mas, ao mesmo tempo, foi algo muito pesado para se acontecer, então, eu não acreditava que iria realmente se concretizar.

Toda a história é contada por Chaparro, que decide escrever um livro sobre o tal crime e seu desenvolvimento ao passar dos anos. Então, temos uma variação entre primeira pessoa, em que ele narra tudo o que aconteceu no passado em relação ao caso e terceira pessoa, em que é mostrado o Chaparro no presente: suas decisões sobre como contar a história, sobre seu grande amor e como ele é e está no presente.

Então, além de conhecermos tudo o que envolveu o crime e os anos seguintes, do ponto de vista de Chaparro, conhecemos também alguns pontos de sua vida pessoal e profissional e, principalmente, do amor que ele nutre calado, quieto, por uma ex-colega de trabalho, que, durante anos e anos, eles nunca tiveram coragem de falar o que sentiam. E que ele continua se forçando a manter contato, com a justificativa de mostrar a ela o seu projeto de escrever um livro. Vemos como ele foi infeliz em seus dois casamentos, como ele era insatisfeito com sua carreira e sua revolta com os funcionários que só queria saber de si e que eram corruptos.

Há uma forte crítica ao poder judiciário, corrompido, sujo e vendido. Há uma denúncia de como é a sua burocracia e como seus funcionários (na maioria) só pensam em números, nunca em resolver efetivamente as situações. Vemos o preconceito racial e de classes. Também existem umas passagens em que vemos os famosos casos das ditaduras militares: sequestros, torturas, arbitrariedade e por aí vai.

Durante a leitura, você encontra alguns palavrões, nada em exagero. Do meu ponto de vista, não é nada chocante, os palavrões foram utilizados para enfatizar sentimentos que os personagens estavam sentindo. Isso não me incomodou nem um pouco.

A diagramação está bem feita. Apesar das letras serem pequenas e as páginas serem brancas, não tive problema algum durante a leitura. 

O livro já foi adaptado para os cinemas e ganhou um Oscar de melhor filme estrangeiro. Há quem diga que o filme supera o livro, ainda não conferi, mas com certeza irei. 

O único porém foi a forma da escrita do autor, um pouco chata. Felizmente, não dei muita atenção a esse pequeno detalhe, pois o enredo é bem interessante, fiquei com curiosidade de saber como aquilo iria acabar. Gostei muito da maneira em que o autor abordou a época em que a Argentina estava passando, como ele uniu os elementos e fez uma boa história. Gostei das críticas que o autor fez à corrupção e à burocracia do sistema judiciário. Infelizmente, a escrita dele deixou a desejar. Enfim, a leitura foi gratificante pela história em si, mas o autor não me conquistou.


E vocês? Já leram o livro ou assistiram ao filme? Me contem o que acharam. Quero saber a opinião e vocês.

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