17.6.15

Grandes Esperanças, de Charles Dickens

Grandes esperanças, escrito por Charles Dickens

Editora: Martin Claret
Páginas: 536
ISBN: 9798572326413
Charles Dickens é um dos maiores escritores de todos os tempos, certamente o maior escritor britânico da Era Vitoriana. A fama e o alcance dos seus romances e contos ultrapassaram o período de sua vida, sendo considerado como um dos maiores escritores ingleses e um dos introdutores da crítica social na literatura de ficção inglesa.
“Grandes Esperanças” é considerado uma das obras-primas de Charles Dickens, dividindo a posição ao lado de “David Copperfield” e “Oliver Twist”. Dividido em três partes, discutindo a bondade, a culpa e o desejo de seus personagens, o romance originalmente foi escrito como um folhetim e publicado na revista literária semanal “All the Year Round”, de propriedade do próprio Dickens, entre dezembro de 1860 e agosto de 1861. Posteriormente, foi publicado em três volumes pela editora Chapman & Hall, de Londres. 

Esse é um dos livros mais incríveis que já li. O enredo pode até parecer comum, mas é cheio de profundidade, cheio de reflexões, com passagens belíssimas. Não me surpreende que seja considerado o magnum opus de Dickens e, consequentemente, uma das maiores obras da literatura inglesa.

O livro é narrado em primeira pessoa pelo personagem principal, Philip Pirrip, ou só Pip, e se trata do que chamamos de romance de formação (bildungsroman­), ou seja, o enredo compreende desde a infância até a vida adulta do protagonista, deixando o leitor perceber todas as suas mudanças físicas e psicológicas, como o nome já diz, sua formaçãoA estória se inicia com Pip pequeno, quando ainda vivia numa região pantanosa do interior da Inglaterra com sua irmã e o marido dela, Joe, com o qual Pip tem uma relação de pai e filho. Uma relação muito bonita, diga-se de passagem. É nesse lugar que o protagonista passa por uma das situações mais marcantes de sua vida, quando é abordado por um foragido que o obriga a pegar uma lima de Joe para poder cerrar os grilhões, o que terá grande importância no desenvolvimento de Pip. E é ainda na infância que ele conhece duas das personagens mais importantes e interessantes da história, Estella, seu grande amor, e Miss Havisham, uma mulher rica, amargurada e misteriosa. Podemos chamar esse de o primeiro ato.

No segundo, Pip tem sua vida completamente mudada. Já mais velho, trabalhando como aprendiz de ferreiro com Joe, recebe a visita de um advogado que vem lhe apresentar suas grandes esperanças. Pip ganha um patrocinador secreto que deseja torná-lo um cavalheiro. E assim se inicia o segundo ato, com o protagonista indo para Londres estudar e aprender a viver uma outra vida, oposta à que teve em sua infância, a troca da simplicidade pelas maneiras da alta sociedade londrina. Deixando de ser aquele garoto pobre e simples, ele pode ter a grande esperança de conquistar Estella, que sempre o esnobou com crueldade, não sem razões, como se percebe no decorrer na leitura. É nessa fase também que Pip reencontra Hebert, um garoto em que tinha dado um soco havia anos e com o qual passa a ter uma amizade profunda, que terá ainda mais importância no final do livro.

A última parte do enredo chega cheia de revelações e reviravoltas, passamos a entender ainda mais os personagens à volta de Pip, descobrimos ligações entre eles que não imaginaríamos existirem, e finalmente o mistério sobre a identidade do patrocinador secreto é revelado. É aqui também que Pip começa a reconhecer seus erros e a amadurecer ainda mais. É o momento de sua verdadeira mudança. Há alguns exageros nesses momentos, é verdade, mas que não chegam nem perto de tirar o brilho do enredo como um todo e principalmente do desenvolvimento dos personagens, que são muito humanos, criados em tons de cinza. Ninguém aqui é simplesmente mau ou simplesmente bom, todos têm suas razões para serem como são. 

Eu li essa obra pela edição da Martin Claret, que tem traduções bastante criticadas, mas, embora eu não tenha lido o texto original em inglês para comparar, acredito que a tradução desse livro tenha sido boa, porque pelo menos não atrapalha em nada a narrativa. A leitura é bastante fluida e cheia de lirismo, então eu recomendaria a minha edição sem problema, porém, caso prefira outra editora, com tradição de boas traduções, há uma edição da Companhia das Letras pelo selo da Penguin. Há ainda uma edição de luxo belíssima e muito barata (estava R$ 25,00 na última vez que vi) da Landmark, que, por outro lado, tem traduções e  revisões sofríveis, mas, pelo menos, a edição é bilíngue.

Concluindo, gostaria de indicar ainda três adaptações da obra. São elas: a série da BBC, de 2011, o filme de 2012 e um filme americano de 1998, que não é fiel à obra original, na verdade, passa-se no final do séc. XX em Nova Iorque. O filme não é lá tão bom, mas foi meu primeiro contato com a estória e o que me fez querer ler o livro.

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