30.5.15

Resenha: Minotauro, Benjamin Tammuz

Minotauro, escrito por Benjamin Tammuz

Editora: Rádio Londres
Páginas: 208
ISBN: 9788567861005
Livro cedido pela editora em parceria com o blog

No dia do seu quadragésimo primeiro aniversário Alexander Abramov, um agente secreto israelense desconectado da família e em plena crise existencial, encontra em um ônibus de Londres uma linda e jovem inglesa que tem metade da sua idade e logo a r
econhece como a mulher que ele tem procurado durante toda a sua vida. Apesar de eles nunca terem se encontrado, Alexander está certo de que a garota é uma parte vital do destino dele. É o começo de uma obsessão que leva o homem a usar todas as técnicas da sua profissão e sua rede de contatos para tomar controle da existência da jovem, sem jamais revelar a própria identidade. A única forma de comunicação entre os dois é uma densa troca de correspondência. Quatros vidas se encontram e se entrelaçam neste grande romance, híbrido originalíssimo de spy novel e reflexão existencial, formando um enredo intrincado e cheio de suspense que cativa o leitor desde a primeira linha e o conduz lentamente até o trágico, culminante final.

O mito do Minotauro é uma das histórias mais importantes e influentes da cultura ocidental, onde Creta e Atenas se confrontam e a figura do Minotauro aterroriza o imaginário popular. No livro de Benjamin Tammuz a guerra entre Creta e Atenas é transferida para Tel Aviv no conflito entre Israel e Palestina no inicio do século XX.

O livro é divido em quatro partes: Agente secreto, G.R. Nikos Trianda e Alexander Abramov. Cada um desses capítulos girará em torno de uma figura: a Téa, uma moça jovem, de beleza inquestionável e que causa fascínio e obsessão em todos os homens que rondam a sua vida.

Em “Agente secreto” somos introduzidos ao labirinto que compõe a história. O agente secreto em questão, até então com a identidade não revelada, está em uma missão em Londres no dia do seu aniversário de quarenta e um anos e, sentado no banco de um ônibus, passa a refletir sobre a data e o fracasso de sua vida pessoal quando tem o primeiro contato com Téa.
   A jovem da esquerda tinha cabelo cuja cor era uma espécie de cobre, cobre escuro, brilhando com um reflexo dourado. O cabelo era liso e preso na nuca com uma fita de veludo preto, atada num laço cruzado. A fita, assim como os cabelos, destacava-se pela limpeza fresca, o tipo de beleza imaculada que é encontrada nas coisas que ainda não foram tocadas pela mão que manuseia. Quem teria atado a fita com tanto esmero na nuca da jovem, pensou o homem de quarenta e um anos, Depois ele aguardou por um instante até que ela voltasse o perfil para a amiga, e quando ela se voltou para a colega e ele viu os traços de seu rosto, sua boca se abriu para lançar um grito que foi reprimido. Ou talvez até tivesse escapado de sua boca.
A partir desse momento Alexander Abramov, beneficiado com a facilidade que sua profissão propicia, passará a investigar a vida de Téa e enviará à moça cartas apaixonadas, relatando todo o seu amor e como ele esperou a vida toda pelo momento que a encontraria.

Nesse momento Téa tem 17 anos e, sendo ainda muito jovem, acaba envolvida pelo mistério que permeia esse homem misterioso. Oito anos se passam e Alexander continua enviando anonimamente cartas para a moça, que algumas vezes tem a oportunidade de respondê-las.

Nesse capítulo sabemos apenas o que as cartas trocadas entre ambos revelam e muitas lacunas para serem preenchidas nos próximos capítulos tornam a leitura frenética e dinâmica, sendo difícil de desvencilhar do enigma que ronda o agente secreto.

Em “G.R.” e “Nikos Trianda” somos apresentados aos outros dois homens que farão parte da vida de Téa. O primeiro, um namorado da sua juventude, um rapaz vaidoso apaixonado por sua Lamborghini e que se casaria com ela se não fosse um incidente a separá-los. O segundo é um professor grego e apaixonado pela cultura mediterrânea que ela conhece na universidade onde ela leciona espanhol e com quem tem uma relação apaixonada e fulminante.

Em ambos os capítulos somos apresentados aos personagens masculinos desde o instante que seus pais se conhecem, seu nascimento, infância, adolescência até chegarmos ao momento presente. Dessa forma, é possível entrar em contato com uma faceta desconhecida por Téa e que justifica cada atitude tomada por esses homens.

Nesses capítulos algumas lacunas são preenchidas, mas apenas no capítulo final, quando conhecemos a trajetória de Alexander Abramov, é possível montar o quebra cabeças formado pelo autor. A parte final é rica em detalhes e é possível entender como e porquê Alexander tornou-se essa figura triste, solitária. Filho de músicos, pai russo e mãe alemã, criado na Palestina, o personagem parece não conseguir se fixar à pátria alguma. Encontra consolo parcial na música e nos livros.
    O livro mais interessante que li até agora foi Dom Quixote, de Cervantes. É o mais interessante porque em primeiro lugar também é divertido; também chorei quando li como Dom Quixote discursou diante dos pastores e também quando ele morreu no final, e em mais alguns pontos. Ri muito igualmente em outras partes. Acho que é um livro que relata sobre todo tipo de pessoas, até meu pai, ou eu mesmo. Às vezes você é Dom Quixote e às vezes, Sancho Pança e às vezes você é ambos juntos, simultaneamente.
Enfim é um livro envolvente, dinâmico e bastante frenético. A forma como o autor associa uma história de conflito contemporâneo com o mito do Minotauro é feita de forma brilhante e o livro tem aquele tipo de leitura que não permite pausas, pois é difícil se desvencilhar do labirinto em que somos colocados.

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