13.5.15

Eu, robô, de Isaac Asimov

Eu, robô, escrito por Isaac Asimov
Editora: Aleph
Páginas: 320
ISBN: 978-85-7657-200-8
Livro cedido pela editora em parceria com o blog.
Sensíveis, divertidos e instigantes, os contos de Eu, robô são um marco na história da ficção científica, seja pela introdução das célebres Leis da Robótica, pelos personagens inesquecíveis ou por seu olhar completamente novo a respeito das máquinas. Vivam eles na Terra ou no espaço sideral; sejam domésticos ou especializados, submissos ou rebeldes, meramente mecânicos ou humanizados, os robôs de Asimov conquistaram a cabeça e a alma de gerações de escritores, cineastas e cientistas, sendo até hoje fonte de inspiração de tudo o que lemos e assistimos sobre essas criaturas mecânicas.
Verdadeiro marco na história da ficção científica, Eu, robô reúne os primeiros textos de Isaac Asimov sobre robôs, publicados entre 1940 e 1950. São nove contos que relatam a evolução dos autômatos através do tempo, e que contêm em suas páginas, pela primeira vez, as célebres Três Leis da Robótica: os princípios que regem o comportamento dos robôs e que mudaram definitivamente a percepção que se tem sobre eles na literatura e na própria ciência.
Eu, robô é um clássico da ficção científica que reúne nove contos sobre robôs escritos por Isaac Asimov (1920-1992). O pai da ficção científica, ou o Bom Doutor, como é carinhosamente conhecido pelos seus fãs, foi um grande cientista que nasceu na Rússia, mas se naturalizou estadunidense aos oito anos, em 1928. Além de cientista, foi um grande escritor, e seu caso como escritor de contos sob a temática da robótica começou em 1939, quando surgiu "Robbie", sua primeira história de um robô, na qual foi criado para ser a babá de uma criancinha, cuja mãe se mostra temerosa diante dos cuidados da máquina. 

O fato é que o tema não era novidade; não é uma invenção de Asimov. Pelo contrário, ele próprio diz haver indícios de histórias da Idade Média, e até da Antiguidade, que possuem seres humanos mecânicos. O porém reside no fato de o autor se perguntar o porquê das histórias de seu tempo mostrarem o lado negativo dos robôs, sempre acabando em catástrofes. A palavra "robô" surgiu pela primeira vez numa peça de teatro da Checoslováquia intitulada "R.U.R.", em 1921. Sua negatividade era tamanha que Asimov a compara a uma Frankenstein da ficção científica. 

Mas por que uma criação humana tão incrível como um ser humano mecânico teria que representar obscuridade, e não algo positivo? A ciência, para ele, deveria triunfar diante da sabedoria; assim como o fogo era perigoso para o homem, mas mesmo assim ele conseguiu domesticá-lo, os robôs poderiam significar um viés vantajoso sem transparecer negatividade. É por essa ideia que Isaac Asimov passou a escrever contos que possuem um conflito a ser resolvido relacionado a robôs, com soluções inicialmente inexistentes, os quais terminam de uma maneira genial, mas não negativa. 

Todos os nove contos possuem um clímax e um desenvolvimento que cativam o leitor. Vou além: desde o primeiro momento eles instigam nossa curiosidade; precisamos chegar ao final para acompanharmos a saída para tal problema complexo. E precisamos, também, continuar. Porque são histórias que, apesar de existirem por si só, afinal elas foram escritas separadamente (só depois é que compilaram num único volume), possuem pelo menos uma personagem que conduz uma espécie de fio narrativo que os perpassa. Esta personagem é a Susan Calvin, psicóloga roboticista, "a primeira grande profissional de uma nova ciência". Ela faz parte da U. S. Robots and Mechanical Men, uma grande empresa criadora de robôs que estará presente em todos os contos. A própria Susan aparece em vários contos, sobretudo como uma dos cientistas escalados para solucionar o problema em questão, ou como a entrevistada da Imprensa Interplanetária por estar se aposentando. 

Mas se Asimov não criou a temática dos robôs, ele formulou algo para ser chamado de "o pai da robótica": as Três Leis da Robótica. Essas leis, basicamente, permitem a existência pacífica dos robôs em sociedade. Ou, para ser mais clara, viabiliza o projeto de Asimov de uma sabedoria não perigosa para os humanos, que fosse, portanto, limitada e controlada.
1ª Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.
2ª Lei: Um robô deve obedecer os seres humanos, exceto nos casos em as ordens entrarem em conflito com a Primeira Lei.
3ª Lei: Um robô deve proteger sua própria existência, a menos que tal proteção entre em conflito com a Primeira ou Segunda Leis.
Mais tarde Asimov acrescentou a “Lei Zero”, acima de todas as outras: um robô não pode causar mal à humanidade ou, por omissão, permitir que a humanidade sofra algum mal.
Tais leis permeiam todos os contos, explícita ou implicitamente, mas na maioria de forma bastante evidente, até porque serão usadas nas soluções - e questionamentos - dos problemas em pauta. Devo confessar que comecei a ler o livro com a sensação de que algo muito ruim fosse acontecer com os seres humanos em contato com os robôs, pois essa é a ideia geral que temos sobre histórias dessa temática, mas fui totalmente surpreendida. O que surgiram para mim como lindamente escritas foram histórias com um enredo de entusiasmar, deixar nervoso e, até mesmo, de aquecer o coração.

Isso porque o primeiro conto, também o primeiro escrito pelo autor, "Robbie", relata a amizade entre uma babá mecânica e uma menininha, além da separação deles por conta do medo da mãe. Era o início da criação de robôs e havia um receio generalizado acerca dos perigos que a convivência com máquinas poderia ocasionar. Corta o coração, mas também é um enredo fofo e belo.

É difícil escrever sobre contos, pois muito do pouco que se pode dizer sobre eles tende para o spoiler. Mas o segundo conto, "Andando em círculos", narra o caos que se instala numa operação em Mercúrio referente ao aparente não funcionamento de um robô especializado, que indica não obedecer às ordens dos cientistas e, assim, desrespeitar a Segunda Lei. O terceiro, "Razão", é um conto curioso sobre um robô que questiona a existência dos seres humanos (ele se vê como mais resistente e muito menos limitado por ser mais inteligente e não precisar se alimentar, dormir) e encontra a religiosidade. "É preciso pegar o coelho" é a quarta história, e nela robôs agem de forma estranha quando não são supervisionados por humanos, manifestando danças esquisitas. "Mentiroso!", o quinto, é fascinante na medida em que apresenta conflitos psicológicos diante de um robô que, durante sua montagem e programação, saiu acidentalmente da fórmula padrão, e passa a ler mentes. No sexto, "Um robozinho sumido", descobre-se que foi criado um número limitado de robôs nos quais a Primeira Lei foi implantada de forma atenuada. Isto causa um alarme em Susan, a psicóloga roboticista, sobretudo quando descobrem que um desses sumiu e parece estar se escondendo de propósito no meio de 62 outros robôs idênticos a ele (só que com a Primeira Lei de acordo com o padrão estabelecido). O desafio de encontrá-lo se faz exaustivo. Em "Evasão!", o sétimo conto, a humanidade parece ter finalmente criado uma nave que faz viagens intergaláticas, a qual planeja, ela própria, o sequestro de dois cientistas. E, por fim, o nono, "Evidência", apresenta um futuro no qual é possível a criação de robôs idênticos ao homem, e também insere o elemento da política. Há, aqui, um candidato à eleição que é acusado de ser um robô, e não um ser humano. 

De forma geral, os nove contos possuem temáticas bem delineadas e variadas, e a maioria extremamente curiosa, como o caso no qual uma máquina pode ler os pensamentos alheios ou quando se coloca em questão a essência/existência humana. A narrativa é fluida e parece tragar o leitor para as histórias apresentadas. No fim, ele vai pensar duas vezes se realmente quer um robô em sua vida, mas ainda assim a ideia não deixará de encantá-lo, principalmente se as Três Leis da Robótica fosse colocada em prática.


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