4.5.15

Especial Jane Austen: sobre a autora

Quem nunca ouviu falar em Jane Austen? Em filmes, séries de TV, como referência em livros contemporâneos ou por suas próprias obras, tenho certeza que todos conhecem esse nome. Autora de seis romances completos, entre outras obras, é considerada uma das maiores escritoras de todos os tempos, sendo, inclusive, a influência para o modelo dos romances contemporâneos.

Jane Austen nasceu em 1775 em Steventon, Hampshire, Inglaterra. De seus sete irmãos, era a segunda filha. Cassandra, sua irmã mais velha foi sua melhor amiga por toda a vida. Cresceu em uma família em que existia o hábito de promover o diálogo e a criatividade. Seu pai sempre incentivou o lado criativo de Austen com livros, papéis e ferramentas para a escrita. Além disso, ele tinha um grande acervo de livros, do qual Jane fez muito uso. Era uma leitora ávida.

Jane até foi enviada a um internato com sua irmã para receber a educação formal, mas a maior parte do seu conhecimento vem de seu pai, seus irmãos e suas leituras, já que no ambiente em que viveu sempre houve o incentivo ao aprendizado.

A partir de 1787, Jane passou a ter um interesse em desenvolver seus próprios trabalhos, começando a escrever a "Juvenília", que inclui diversas paródias da literatura da época.

Entre 1787 e 1799,  Austen começou a escrever seus romances "Razão e Sensibilidade" (antes "Elinor e Marianne"), "Orgulho e Preconceito" (antes "First Impressions"), "A Abadia de Northanger" (antes "Susan" e "Catherine") e também seu romance epistolar "Lady Susan".

Jane terminou de escrever "Orgulho e Preconceito" em 1797, quando seu pai tentou publicá-lo, mas foi negado pelo editor. Dois anos depois, Jane terminou a revisão de "Razão e Sensibilidade" e começou a escrever "A Abadia de Northanger", terminando em 1800.

Em 1803, seu irmão, Henry, tentou publicar "A Abadia de Northanger", com o consentimento de sua irmã. O editor aceitou, comprou os direitos do livro mas nunca chegou a publicá-lo. Um ano depois, Jane começou a escrever "The Watsons", deixando a ideia de lado logo após a morte do seu pai, em 1805, mesmo ano em que terminou de escrever "Lady Susan".

Jane Austen, sob um pseudônimo, escreveu uma carta, em 1809, àquele editor que comprou os direitos de "A Abadia de Northanger" e nunca publicou, oferecendo uma versão revisada do livro, com a intenção de fazê-lo publicar o romance ou para que ele voltasse para suas mãos. O editor afirmou que não foi acordado nada sobre a data de lançamento e disse que se Austen quisesse o livro de volta, teria de comprar os direitos, o que não aconteceu, já que ela não tinha como fazê-lo.

Em 1811, Jane começou a trabalhar em "Mansfield Park". No final do mesmo ano, "Razão e Sensibilidade" foi publicado, recebendo várias críticas positivas. Acredita-se que neste mesmo ano, Austen adicionou mais alguns trabalhos à "Juvenília".

Dois anos depois, a vida de Austen como escritora começou a ficar mais agitada. Seu romance "Orgulho e Preconceito" foi publicado, se tornando um sucesso. Além disso, acredita-se que "Mansfield Park" foi terminado nesta mesma época. Uma segunda edição de "Orgulho e Preconceito" foi lançada devido ao grande sucesso, assim como "Razão e Sensibilidade", cuja primeira edição já havia sido esgotada.

Já em 1814, Austen começou a escrever "Emma" e teve "Mansfield Park" publicado, que foi um dos mais lucrativos trabalhados de Jane Austen na época. No ano seguinte, terminou e publicou "Emma", ao mesmo tempo em que começou a escrever "The Elliots" (mais tarde "Persuasão").

Em 1816, seu irmão conseguiu os direitos de "Susan" de volta, mudando seu título para "Catherine", porém, quando o seu empreendimento falhou, Jane e sua família entraram em uma instabilidade financeira e postergaram o lançamento de "Persuasão e "Catherine" ("A Abadia de Northanger"). Jane começou a ficar doente, mas deu continuidade ao seu trabalho e conseguiu terminar "Persuasão".

No ano seguinte, Jane começou a escrever em um romance entitulado de ''The Brothers'', porém, foi obrigada a parar depois de 12 capítulos escritos, devido à uma grande piora em seu estado de saúde. Quatro meses depois, Jane faleceu, aos 42 anos de idade. Ela encontra-se enterrada na Catedral de Winchester. Em seu testamento, Jane deixou tudo para a sua irmã Cassandra, que, inclusive, foi a autora de um desenho de Austen, o único considerado autêntico. O desenho encontra-se na National Gallery.

Seus romances "Persuasão" e "A Abadia de Northanger" foram publicados postumamente, onde seu irmão escreveu uma nota autobiográfica identificando Jane austen, pela primeira vez, como autora desses trabalhos.. As vendas até que começaram bem, mas logo diminuíram o ritmo, levando seu editor a queimar as cópias remanescentes.

Após 12 anos sem nenhuma publicação, outro editor comprou os direitos de todas as suas obras e os publicou. A partir daí, os livros de Jane Austen nunca mais saíram de circulação.

Atualmente, existem dois museus dedicados a Jane Austen: "Jane Austen Centre" (Bath) e "Jane Austen's House Museum", em Chawton, Hampshire, onde Jane viveu de 1809 até 1817.

Apesar de nunca ter se casado ou tido filhos, Jane Austen conseguiu manter sua identidade viva através de seus trabalhos. Seus livros servem de inspiração para muitos autores contemporâneos, além de constantemente serem alvos de adaptações. Só quem já leu alguma de suas obras entende o motivo de tanta fama. Seus diálogos afiados e irônicos conseguem prender o leitor, que ao final da leitura, inevitavelmente, se junta à legião de fãs que cresce cada vez mais.

Seus romances completos:

RAZÃO E SENSIBILIDADE (1811)


Razão e Sensibilidade é um livro em que as irmãs Elinor e Marianne representam uma dualidade, de maneira alternada, ao longo da narrativa. As expectativas vividas pelas duas com a perda, o amor e a esperança, nos aponta para um excelente panorama da vida das mulheres de sua época. As irmãs vivem em uma sociedade rígida, e ambas tentam sobreviver a esse mundo cheio de regras e injustiças. Tanto a sensível e sensata Elinor como a romântica e impetuosa Marianne se veem fadadas a aceitar um destino infeliz por não possuírem fortuna nem influências, obrigadas a viver em um mundo dominado por dinheiro e interesse. As duas personagens passam por um processo intenso de aprendizagem, mesclando a razão com os sentimentos na busca por um final feliz.

ORGULHO E PRECONCEITO (1813)
Jane Austen inicia Orgulho e Preconceito com uma das mais célebres frases da literatura inglesa: ''É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro e muito rico deve precisar de uma esposa''. O livro é o mais famosa da escrito - traz uma série de personagens inesquecíveis e um enredo memorável. Austen nos apresenta Elizabeth Bennet como heroína irresistível e seu pretendente aristocrático, o sr. Darcy. O enredo aborda múltiplos aspectos: o orgulho encontra o preconceito e a ascendência social; equívocos e julgamentos antecipados conduzem alguns personagens aos sofrimento e ao escândalo. Porém, muitos desses conflitos da trama conduzem os personagens ao autoconhecimento e ao amor. O livro pode ser considerado a obra-prima da escritora que, com sua refinada ironia, equilibra comédia e seriedade a uma observação meticulosa das atitudes humanas.

MANSFIELD PARK (1814)

Em Mansfield Park, Fanny Price mora de favor na casa dos tios ricos, para onde foi levada aos doze anos; aparenta ser uma menina doce e diz "sim" a todos os caprichos de seus tios e primos. Austen, no entanto, mostra mais uma vez por que merece as honras que recebeu: apesar da aparência frágil, Fanny concentra em si diversos conflitos da alma humana, mostrando-se uma personagem forte e profunda que certamente cativará leitores de diversas idades e contextos sociais. Recheado de dissimulação, Mansfield Park revela a sociedade inglesa do século XIX, com seus costumes peculiares e, muitas vezes, aprisionadores.


EMMA (1815)
Emma Woodhouse é uma mulher linda, intelectual e de espírito elevado. Sua mãe faleceu quando ela ainda era muito jovem e esta assumiu o papel da administradora da casa, já que sua irmã mais velha havia se casado. De certa forma, ela é muito madura, apesar de cometer sérios erros: mesmo jurando que nunca se casaria, encontra diversão em arrumar casamentos para outros; aparentemente incapaz de se apaixonar, é através do ciúme que ela descobre seu amor por Mr. Knightley.



A ABADIA DE NORTHANGER (1818)

A Abadia de Northanger é, sem dúvida, um dos romances mais elaborados da época - uma comédia satírica que aborda questões humanas de maneira muito sutil, tendo como pano de fundo a cidade de Bath. O enredo gira em torno de Catherine Morland, que deixa a tranquila e, por vezes, tediosa vida na zona rural da Inglaterra para passar uma temporada na agitada e sofisticada Bath do final do século XVIII. Catherine é um jovem ingênua, cheia de energia e leitora voraz de romances góticos. O livro faz uma espécie de paródia a esses romances, especialmente os escritos por Ann Radcliffe. Jane Austen faz um eloquente contraste entre a realidade e a imaginação, entre uma vida pacata e as situações sinistras e excitantes que os personagens de um romance podem viver.

PERSUASÃO (1818)
O livro conta a história de Anne Elliot, uma moça que "fora obrigada a ser prudente na juventude, e aprendera o romantismo à medida que envelhecia: a sequela natural de um começo antinatural". Anne é uma das heroínas mais tranquilas e reservadas de Austen, mas, ao mesmo tempo, é uma das mais fortes e abertas às mudanças. O livro enaltece a constância do amor numa época turbulenta na história da Inglaterra: as guerras napoleônicas. Escrito nesse período, o romance descreve como uma mulher pode permanecer fiel ao seus passado e, ainda assim, pensar em um futuro feliz. Austen expõe de maneira sutil como Anne pode passar por cima das convenções sociais e das restrições femininas em busca da felicidade.





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Resenha de "A Abadia de Northanger" feita pela Michas
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