23.4.15

O Conde Negro, de Tom Reiss


Conde negro, escrito por Tom Reiss.
Editora: Objetiva
Páginas: 496
ISBN: 9788539006434
Livro cedido pela editora em parceria com o blog.


O Conde Negro, a verdadeira e incrível história do homem que inspirou a obra-prima de Alexandre Dumas, é ao mesmo tempo uma história vibrante de aventura, uma jornada que transborda detalhes da história europeia do fim do século XVIII e uma janela para a primeira sociedade multirracial do mundo moderno. É também uma narrativa emocionante sobre os laços inquebrantáveis do amor entre pai e filho. Baseando-se em documentos até então desconhecidos, cartas, relatórios militares e o diário escrito pela mão do próprio Alex Dumas, a biografia é uma obra-prima de não ficção.

Tom Reiss é um experiente jornalista de cinquenta anos que assina matérias em grandes jornais, como o The New York Times. E esta não é sua primeira biografia, Reiss escreveu também O Orientalista, obra publicada em 2005  (finalista do Samuel Johnson Prize), que conta a história de Lev Nussimbaum, um escritor best-seller de origem judia em plena Alemanha nazista.

Em O Conde Negro, Reiss nos traz a incrível história de Alex Dumas, um homem negro nascido em Saint-Domingue (atual Haiti) que alcançou a patente de general no exército francês em plena Revolução Francesa. E, como já não fosse um feito e tanto, sua descendência também entrou para a história. Esse homem foi simplesmente pai de Alexandre Dumas, autor de clássicos como Os Três Mosqueteiros e O Conde de Monte Cristo, e avô do outro Alexandre Dumas, autor de A Dama das Camélias. A família Dumas, então, teve influência sobre o mundo todo, seja ajudando a mudá-lo na Revolução Francesa, seja inspirando a ficção.

Falando um pouco da história de Alex Dumas em si, ele era filho de Alexandre Antoine Davy, marquês de la Pailleterie, que se escondia da família e da lei em Saint-Domingue, e uma escrava negra. O sobrenome Dumas, portanto, vinha de sua mãe. Não adotar o sobrenome do pai foi escolha do próprio Alex. E não admira que tenha rejeitado, uma vez que foi vendido pelo próprio pai, que precisava de dinheiro para voltar à França, e, embora tenha sido resgatado pouco tempo depois, acredito que essa experiência não deva ter sido nada agradável. 

Aos 20 anos, Alex chega à França e tem uma breve fase de bon vivant, mas, devido a desentendimentos com o pai, deixa a vida boa de lado e se alista como cavaleiro a serviço da rainha. Sendo um homem inteligente, incrivelmente atlético, espadachim de primeira e de bravura incontestável, teve ascensão meteórica em sua carreira militar, e, no seu auge, ficou à frente de exércitos de dezenas de milhares de homens. E, quando digo à frente, uso a expressão de forma literal, pois Alex Dumas era conhecido por sempre cavalgar na linha de frente, guiando seus homens, por quem era amado e admirado. Chegou a ser admirado pelo próprio Napoleão Bonaparte, com o qual, mais tarde, teria sérios conflitos, uma vez que Alex pensava em libertar o mundo, não em dominá-lo como pretendia o imperador francês

Infelizmente, assim como sua ascensão veio cedo, sua queda foi bastante precoce; morreu, ao que parece, de câncer aos quarenta anos de idade. Embora tenha sido esquecido pouco tempo depois pela história, sempre permaneceu na mente de seu filho, que tinha menos de quatro anos quando seu pai partiu. Há mesmo cenas marcantes nas obras de Alexandre Dumas que parecem ter sido diretamente influenciadas por acontecimentos da vida do pai, como quando esse duelou com três adversários em um único dia e venceu a todos, o que lembra bastante D'Artagnan marcando três duelos no mesmo dia contra Athos, Porthos e Aramis. A prisão de Edmond Dantès também parece inspirada na prisão do próprio general Alex Dumas, que, ao regressar da conquista do Egito, foi aprisionado e envenenado lentamente em um calabouço.

Esta é uma obra impressionante que nos conta uma história inspiradora de forma dinâmica e muito informativa. O trabalho de pesquisa feito por Tom Reiss foi excelente; ter conquistado o Prêmio Pulitzer de biografia foi mais do que merecido. Esta obra agradará a todos que gostam de Alexandre Dumas, uma vez que ele é o tempo todo levado em consideração e, muitas vezes, é quem nos fala sobre Alex Dumas por meio dos fragmentos de escritos do autor coletados por Reiss. Agradará também àqueles que gostam de História, sobretudo o período da Revolução Francesa. E agradará, enfim, a todos que quiserem conhecer uma incrível história que não merecia cair em esquecimento. Parabéns a Tom Reiss por resgatá-la para nós!

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