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31.3.15

Resenha: A Chave de Sarah, de Tatiana de Rosnay

                 A Chave de Sarah, escrito por Tatiana de Rosnay

Editora: Suma de Letras
Páginas: 310
ISBN: 9788560280292
Livro cedido pela editora em parceria com o blog

Em A Chave de Sarah, Julia Jarmond, uma jornalista americana que vive na França, é designada para cobrir as comemorações do 60º aniversário do Vel d'Hiv, episódio do qual ela nunca ouvira falar até então. Ao apurar os fatos ocorridos, a repórter constata que o apartamento para o qual ela e o marido planejam se mudar pertenceu aos Starzynski, uma família judia imigrante que fora desapossada pelo governo francês da ocupação, e em seguida comprado pelos avós de Bertrand. Julia decide então descobrir o destino dos ocupantes anteriores - e a história de Sarah, a única sobrevivente dos Starzynski, é revelada. 
A família de Sarah foi uma das muitas brutalmente arrancadas de casa pela polícia do governo colaboracionista francês. Michel, irmão mais novo da garota, se esconde em um armário, e Sarah o tranca lá dentro. Ela fica com a chave, acreditando que em poucas horas estará de volta.

Sobre o que se trata

Julia é uma jornalista americana, que vive em Paris com sua filha e seu marido francês, com quem tem problemas conjugais. Seu editor pede à ela que cubra o 60° aniversário da prisão em massa de judeus em 16 de julho de 1942. Nessa época, milhares de judeus foram retirados forçadamente de suas casas por policiais franceses e enviados para o Vélodrome d'Hiver, passando fome, sede e por situações humilhantes.

Julia fica surpresa pelo fato de nunca ter ouvido falar sobre esse acontecimento, já que é pouquíssimo lembrado pelo mundo e muito menos pelos franceses. Conforme ela trabalha em seu artigo, descobre que o apartamento para qual ela está se mudando com seu marido e sua filha pertenceu a uma família de judeus, dos Starzynski. Ela fica tão envolvida com a história dessa família, que decide reconstruir a trajetória de sua única sobrevivente, Sarah Starzynski, desde o momento de sua ida para o campo de concentração até seu destino após a guerra ter terminado. 

A narrativa é intercalada entre o passado e o presente, pelo ponto de vista de Sarah e de Julia, respectivamente. Com isso, vemos a sequência de fatos tristes que ocorreram na vida da pequena Sarah: uma batida policial, seu irmão escondido no armário, ela e sua família sendo mandados para o Vélodrome d'Hiver, presenciando situações cruéis e até mesmo suicídios, sua separação dos pais, sua fuga do campo de concentração e a corrida contra o tempo para libertar seu irmãozinho. E, ao mesmo tempo, nos mostra a rotina de Julia, com seus problemas pessoais e familiares, fazendo pesquisas e descobertas a respeito desse marco triste da história da humanidade. 

Minhas impressões

A autora escreve com muita leveza e clareza. E, apesar de sua escrita ser simples, ela consegue nos transmitir o sofrimento dos personagens, principalmente o de Sarah. Consegue nos envolver, nos fazer torcer por eles até o final do livro. Mesmo sabendo que são fictícios, não há como não se cativar com eles e não se emocionar com a história. É inevitável você se pegar pensando durante a leitura: ''Por quê? Por que o ser humano foi tão cruel a esse ponto?''. Pelo ponto de vista de Sarah, conseguimos perceber nitidamente que nem mesmo os judeus sabiam o motivo daquele tratamento cruel.
"Por que isso estava acontecendo com ela? O que ela ou seus pais fizeram para merecer isso? Por que ser judeu era tão terrível? Por que judeus estavam sendo tratados assim?

O grande diferencial do livro é que a autora usa a ferramenta de narrar o passado e o presente de forma entrelaçada, através dos dois pontos de vista diferentes, o que deixa a narrativa bem mais fluida e nada maçante, não se limitando apenas aos acontecimentos nos campos de concentração. Além disso, a autora nos traz um cenário diferente, onde o foco não é mais a Alemanha e sim a França. Vemos como esse país ajudou os nazistas, como a própria população francesa foi conivente com a atrocidade. 

Foi uma leitura triste, obviamente; mas também, extremamente enriquecedora. Assim como a protagonista do livro, Julia, eu não sabia a respeito dessa colaboração da França com os nazistas. Não sabia do dia 16 de julho de 1942. Então, no momento em que terminei o livro, fui procurar imediatamente a respeito do Vélodrome d'Hiver. E, depois de ler e reler o que aconteceu naquela época, uma grande admiração pela autora cresceu dentro de mim. Escrever sobre uma época dessa e contar sobre um fato que a maioria não conhece é extremamente crucial para que saibamos e nunca esqueçamos de suas consequências e para que jamais voltemos a repetir atitudes tão cruéis e desumanas. 

A história é muito intensa pois nos faz vivenciar um período negro da História e ver como as pessoas sofreram naquela época. Milhares passaram por grandes humilhações. Famílias foram dizimadas. E aqueles que sobreviveram, certamente, nunca esquecerão o que passaram

2 comentários:

  1. Gosto muito de ler livros que relacionam esses momentos tristes da história e principalmente que nos faz pensar sobre todas atrocidades. Fiquei bastante curiosa pela história livro, e igual a você e a personagem do livro não tinha ideia que a França apoiou os nazistas na época. Outro ponto que me deixou com mais vontade de ler o livro foi você ter mencionado que a escrita é simples, porém cheia de sentimentos. Eu gosto disso nos livros, não precisa ser necessariamente palavras rebuscadas para nos trazer emoção ao ler. Obrigada pela resenha!!

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  2. Tive todas as mesmas impressões a partir da página 100.
    Enquanto Sarah se desevonveu bem desde o início, Julia foi cansativo até a hora que sua vida ganhou mais camadas.
    Alguns personagens da vida da repórter são rasos, não agregam em nada, mas outros que são diferencial se tornam isso apenas da metade pra frente.
    Mas essas críticas são muito pontuais. É um belo livro que vale a leitura. E emociona.

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