11.2.15

"Romeu e Julieta ", minha história de amor

Ainda menina, eu ajudava/ observava meu pai arrumando um armário onde se escondiam tesouros variados, entre eles, uma coleção de vários volumes com trechos das maiores obras da literatura mundial. Não sei se de propósito, ou por acaso, um dos livros foi aberto na cena do terraço, da obra "Romeu e Julieta", de William Shakespeare. Naquele momento, dividido com meu pai e minha mãe, que tentava nos apressar enquanto ela também se encantava, meu coração ainda infantil foi aprisionado pelas palavras.

A história foi escrita, em verso, por Arthur Brooke, em 1562, retratando um conto italiano. E foi apropriada por Shakespeare, que a imortalizou. Não sei, realmente, se é uma história tão maravilhosa. O amor de dois adolescentes de famílias prósperas e litigantes por um motivo qualquer não seria, necessariamente, impressionante. Interessante, talvez, curiosa e trágica na forma como se desenrolou, transformando-se em um conto de amor e morte.

Anos depois, comprei o livro como uma promoção de uma revista barata, e o tenho ainda hoje. Vivi experiências maravilhosas lendo-o sozinha, então com uma aluna querida demais e, por último, com minha filha. A cada vez, as palavras ganharam maior força, mais drama e uma beleza ainda mais pungente. Porque eu tinha vivido um pouco mais, a cada vez, e meus olhos já eram capazes de perceber nuances que, naquela primeira vez, na voz de meu pai, eu só vislumbrara.

O que torna essa obra intrigante e fascinante ao ponto de ser exaustivamente encenada, reescrita e filmada, ao meu ver, não são propriamente os fatos, mas a forma que Shakespeare lhes deu, indo dos atos crus, frios, aos momentos cômicos, românticos e, então, à tragédia e à dor. É este conjunto de emoções que o texto shakespeareano suscita que fala às nossas emoções e nos cativa. E apaixona.

Foi minha primeira obra dele, abrindo caminho para outras, como "Hamlet", "Rei Lear", "Otelo", "MacBeth", "Sonhos de uma noite de verão", "A comédia dos erros", "A tempestade". E para as outras que ainda lerei. Na minha primeira postagem neste blog eu respondi um comentário dizendo que esperava, queria, que um livro me emocionasse. Quando consigo perceber as emoções das personagens dentro de mim, quando as palavras do autor acessam esse ponto impreciso em minha mente, entendo um pouco mais, aprendo um pouco mais, cresço.

Por tudo isso, amigo leitor, sei que o que mais me tocou nesse livro não foi a história. Foi ele, Shakespeare..

1 comentários:

  1. No mundo da música, uma melodia se torna imortal, quando o compositor toca com seus acordes a alma das pessoas. Na literatura, mais do que a história narrada, é a forma como o autor usa as palavras, para atingir nossas emoções, que nos envolve e enlaça...
    Concordo plenamente, que embora "Romeu e Julieta" seja uma história de amor inesquecível, o que a transformou num sucesso universal, foi como Shakespeare a descreveu...
    Mais uma vez, você soube lindamente, retratar o que nós, leitores e amantes de um bom texto, sentimos.
    Parabéns!

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