12.2.15

Resenha: O Rei de Amarelo

O Rei de Amarelo, escrito por Robert W. Chambers
Editora: Intrínseca
Páginas: 256
ISBN: 9788580575132
Livro cedido pela editora em parceria com o blog.
O Rei de Amarelo faz alusão a um livro dentro do livro – mais precisamente, a uma peça teatral fictícia – e seu personagem central, uma figura sobrenatural cuja existência extrapola as páginas. Pouco se sabe a respeito do texto original em dois atos, exceto que seus leitores são levados à loucura, condenando sua alma à perdição. Um risco a que alguns aceitam se submeter, dado o caráter único da obra, um misto irresistível de beleza e decadência.
O livro fictício O Rei de Amarelo aparece em quatro dos dez contos reunidos na coletânea. Os outros seis contos alternam entre o sobrenatural e a realidade, em épocas e geografias diferentes. A introdução e as notas do jornalista e escritor Carlos Orsi, um dos autores publicados na antologia americana Rehearsals of Oblivion, clássico tributo a Robert W. Chambers, ajudarão novos leitores a mergulhar na bem-construída mitologia do autor.

“As histórias de Chambers em O Rei de Amarelo são perturbadoras e me afetaram de um jeito único.” - Neil Gaiman

“A ideia de terror cósmico se tornou parte real do ambiente da série, principalmente para os que conhecem o trabalho de Chambers.” - Nic Pizzolatto, roteirista da série True Detective

“Altos níveis de terror cósmico.” - H. P. Lovecraft

O Rei de Amarelo é uma coletânea de dez contos escritos por Chambers na segunda metade do século XIX que inspiraram diversos artistas, como H.P. Lovecraft e, mais recentemente, Stephen King e Neil Gaiman. Sem contar a citação da obra na elogiada série True Detective, na qual podemos perceber algumas influências de O Rei de Amarelo, inclusive quando uma das personagens se autodenomina O Rei (mas também em sua atmosfera num geral.)

O livro lançado pela Intrínseca em 2014 apresenta três divisões, de acordo com a temática e tendência dos contos: na primeira parte aparecem "O reparador de reputações", "A máscara", "No Pátio do Dragão" e "O emblema Amarelo", contos com o maior teor de terror psicológico de todo o livro, e que, juntos, apresentam sempre a obra fictícia "O Rei de Amarelo", uma peça, como símbolo central que causa perturbações psíquicas em seus leitores; já os contos "A demoiselle d'Ys" e "O paraíso do profeta" são textos que parecem criar uma transição entre o fantástico presente nos primeiros contos e a segunda parte, na qual estão presentes contos mais românticos e realistas, a saber "A rua dos quatro ventos", A rua da primeira bomba", "A rua de Nossa Senhora dos Campos" e "Rua Barrée". São estes últimos os que pincelam fatos da sociedade e os costumes da época, marcadamente Paris da Belle Époque; inclusive insinuando-se através dos títulos que carregam todos o retrato de uma rua.

A centralidade da obra se baseia na existência ficcional de uma peça chamada "O Rei de Amarelo" que possui duas partes e é considerada amaldiçoada. Sua primeira parte é extremamente bem escrita, mas seria a sua segunda parte que leva os seus leitores à loucura. E tal peça está presente em todos os quatro primeiros contos, sendo que podemos perceber claramente o processo de perturbação ao qual as personagens que a leem estão fadadas. É interessante notar as nuances que estão envolvidas na mudança que se faz em suas mentes.

Porém, acho que uma pontada de decepção surgirá àqueles que procurarem esta obra apenas visando a presença de tal símbolo de terror cósmico. Os primeiros contos são bons em sua maioria, inclusive sendo um sensacional, porém a partir do quinto conto essa presença se torna tênue e, em sua maioria, inexistente. Os últimos são, basicamente, textos regados a romances e, não vou deixar de dizer, com finais ambíguos e acontecimentos estranhos ou lastimosos, sim. O que pretendo é alertá-los para essa mudança na obra. Eu gostei bastante de todos os contos (com exceção do primeiro, eu diria), e nem por eu contar com uma maior participação da peça deixei de gostar do que li. Entretanto, é um aspecto importante a se ressaltar, notando que pouco encontrei de terror psicológico ou cósmico a partir de determinados contos.

A edição da editora Intrínseca possui uma diagramação caprichada, com capa texturizada, divisões sob folhas negras e notas de rodapé muito boas. Os contos parecem estar interligados por temática, por personagens e até por palavras, e tais notas nos ajudam a perceber algumas sutilezas que nos indicam essa união. Gostei bastante da experiência de leitura, depois de O Rei de Amarelo, descobri que terror cósmico é extremamente interessante e envolvente.

1 comentários:

  1. Oi Mell! Pelo pouco que eu sei, o verdadeiro livro é somente os 4 primeiros contos, ao passar dos anos o autor foi adicionando os outros contos, por isso o tom totalmente diferente dos 4 primeiros, que são excelentes, abraços.

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