13.2.15

Resenha: Noah foge de casa

Noah foge de casa, escrito por John Boyne


Editora: Cia. das Letras
Páginas: 200
ISBN: 9788535919493
Livro cedido pela editora em parceria com o blog.

Noah tem oito anos e acha que a maneira mais fácil de lidar com seus problemas é não pensar neles. Quando se vê cara a cara com uma situação muito maior do que ele próprio, o menino simplesmente foge de casa, aventurando-se sozinho pela floresta desconhecida.
Logo, Noah chega a uma loja mágica de brinquedos, com um dono bastante peculiar. Ele tem uma história para contar, uma história cheia de aventuras que termina com uma promessa quebrada, uma história que vai levar o fabricante de brinquedos a pensar sobre o seu passado e Noah a pensar sobre aquilo que deixou para trás.
Em seu primeiro livro infantojuvenil desde o best-seller O menino do pijama listrado, que vendeu mais de 350 mil exemplares só no Brasil, o escritor irlandês John Boyne cria um mundo que mistura contos de fadas com os problemas mais cotidianos de um garoto comum. Esta fábula leve e inteligente prende os leitores até o final com dois grandes mistérios: por que Noah fugiu de casa e quem é o fabricante de brinquedos? 
“Nesta história com uma trama inteligente e encantadora [...] dois personagens ensinam um ao outro como viver o luto, como perdoar e como, no momento certo, lembrar o que se perdeu.”
The New York Times
“Muito divertido, original e comovente [...] carrega tantas verdades que deixa o leitor com lágrimas nos olhos.” - The Guardian
Em "Noah foge de casa", o leitor é apresentado a Noah Barleywater, um garotinho de 8 anos que - como o título deixa claro - resolve fugir de casa. Antes de o sol raiar e de seus pais acordarem, Noah já iniciou a sua caminhada rumo ao desconhecido. 
Após passar por uma peculiar cidade em que macieiras estão vivas e ter seu trajeto cruzado por animais falantes, ele chega à uma floresta. E no centro dela há uma curiosíssima e mágica loja de brinquedos em que tudo é feito de madeira e que serve de lar para um velhinho bastante intrigante e com uma história interessante. Durante as próximas horas, ambos travam diálogos, trocam experiências e compreendem a importância de se manter fiel à uma promessa.
A leitura de "Noah foge de casa" foi uma experiência bastante agradável e a história apresentada por John Boyne, além de muito fofa, se revelou uma surpresa. Narrado em terceira e em primeira pessoa, o infantojuvenil parece o tipo de história para ser lida em voz alta para uma criança. É impossível não se emocionar ou se deixar cativar pelo enredo com ar de mistério e aspectos sutis de fantasia.

O protagonista, Noah, é um garotinho esperto e é por meio de sua curiosidade que somos apresentados ao universo da loja de brinquedos e de seu peculiar vendedor. Por vezes assustado ou intrigado, Noah tem um motivo para ter fugido de casa, mas se recusa a sequer pensar sobre o assunto. Assim, o mistério que permeia o motivo permanece ao longo de boa parte do livro.

Dessa forma,o garoto prefere conhecer melhor o dono da loja e escutar a respeito de suas aventuras quando este era jovem. Assumindo a narrativa, o velhinho fala a respeito de seu pai, o Pápi, e de quando ambos decidiram se mudar para a floresta, deixando para trás o passado na cidade; e sobre as situações pelas quais passou a partir de então - iniciar os estudos em uma nova escola, os conflitos com os colegas, a descoberta de que era um excelente corredor e, até, a sua transformação em um atleta olímpico. Cada uma das histórias do velhinho é representada por um títere (marionete)  que fora entalhado por seu pai.

Eventualmente, Noah também compartilha algumas de suas experiências com o velho e é a partir deste ponto que passamos a ter alguma noção das razões que o levaram a sair de casa. Por meio dos diálogos entre os dois, John Boyne trata de temas mais profundos (eu disse que o livro tinha camadas!) e levanta questões interessantes de serem abordadas com crianças: a importância da família, o cuidado que se deve ter ao desejar algo, a valorização de promessas feitas e também sobre a fuga de seus problemas e o que isso pode trazer como consequência.

Durante a leitura, a identidade do dono da loja de brinquedos também passa a ser questionada e o leitor fica intrigado para saber quem ele é. Não vou mentir: apesar das inúmeras pistas que o autor deixou, eu só descobri quem o velhinho era no final. E a sensação que tive foi uma mistura de surpresa e encanto que só me fez gostar ainda mais da leitura.

Apesar da atmosfera fantasiosa - que em alguns momentos me lembrou o País das Maravilhas - e de momentos divertidos, "Noah foge de casa" não chega a ser um livro feliz. Muito pelo contrário, penso que é um livro bastante triste e melancólico, principalmente se considerarmos o público a que ele se dirige. Ainda assim, justamente por tratar de situações pelas quais todos passamos em alguma fase da vida, não posso deixar de considerar a leitura válida; tanto para crianças, quanto para adultos.

4 comentários:

  1. Achei esse livro bem sem-gracinha. Os personagens não me cativaram, os elementos fantásticos poderiam ter sido melhor explorados, a mensagem ficou muito vaga se formos considerar o público... Foi uma boa e rápida leitura, mas nada incrível. Claro, como você disse, é um livro válido, apesar de mediano.


    Beijo*

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  2. Primeira coisa me apaixonei pela capa desse livro. E eu gostei bastante do tema do livro e realmente já dá pra ver que é uma escrita bem profunda e melancólica se tratando de John Boyne mas por algum motivo fiquei com muita vontade de ler!


    http://quasedemanha.com

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  3. A capa é bem bonitinha mesmo; simples, mas que deixa a gente com vontade de ler. A história é bem isso o que você disse: profunda e melancólica. Se você gosta do autor, acho que vai gostar, Isa.
    Beijos

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  4. Oi, André
    Bom, acho que é uma questão de gosto mesmo. Entendo o que você diz sobre alguns elementos serem mal explorados, mas discordo de você quando diz que o autor deveria ter explorado melhor por conta do público. Penso que crianças tem uma imaginação muito mais viva que a nossa e nem sempre buscam explicações mais "racionais". Justamente por isso é que acho que uma criança entenderia melhor o livro do que um adulto.
    Mas como eu disse, é tudo uma questão de gosto e opinião, né?


    Beijos

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