29.1.15

Ratos e homens, John Steinbeck

"Ratos e homens", de John Steinbeck, Nobel de Literatura, é um mergulho de cabeça no mundo dos trabalhadores simples, braçais, na Grande Depressão dos Estados Unidos. Se a princípio me perguntei quem eram os ratos e quem, os homens, na metade deste pequeno e inusitado livro eu ainda não tinha a resposta. Nem sei se a pergunta estava certa. Nem sabia que tipo de livro era aquele.

Tenho o hábito, limitado, admito, de classificar minhas leituras. Na maior parte das vezes, isso é possível. Romances, ficção científica, autoajuda, policial, dramas de todos os tipos, infanto juvenis e o que mais o amigo leitor se lembrar.

E a qual tipo de livro este pertenceria? Ao tipo perturbador. Não foi escrito para contar uma história "bonitinha", entretendo e divertindo o leitor, ou emocionando-o de alguma forma. Foi delineado para provocar, inquietar, incomodar. Para tirar-nos do conforto dos nossos bem estruturados conceitos.

Georgie, pequeno e esperto, viaja com Lennie, grandalhão e infantil, à procura de trabalho temporário no campo. Encontram-se, como já esperavam, com outros trabalhadores igualmente pobres, garantindo para si mesmos um teto, um prato de comida e pouco mais, pelo tempo que durar a colheita. A atuação forte dos sindicatos é mostrada tanto como um amparo para quem procura emprego, como um transtorno para o empregador.

E nada é simples. As intrigas, a camaradagem, a variedade de personalidades, o peso do passado, tudo contribui para um clima de ansiedade crescente. Aos poucos, passamos a entender que, enquanto uns precisam de "um rato", outros o são. Que o destino, se para alguns é imprevisível, para outros, não. Que a miséria está em toda parte, corpo e mente.

E o que se segue, amigo leitor, é uma reflexão que, depois de dois meses da leitura, ainda não acabou...

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