8.1.15

Livros eróticos: revendo paradigmas

Então, uma mão amiga me emprestou 11 livros eróticos. Foi meu primeiro contato com eles e comecei por "Um olhar de amor", de Bella Andre. Mas, vamos às apresentações.
Apesar do amor imenso, ler não é fácil. Comecei pelos gibis que meus pais compravam quando podiam, Tio Patinhas, Pato Donald, Mickey, Fantasma, e adentrei o universo dos livros sem muita segurança, apesar da curiosidade. Claro que devo ter lido milhares de livros infantis, mas meu primeiro marcante foi "As aventuras do Kon-tiki", não me lembro do autor. Falava sobre um navegador norueguês, Thor Heyerdall, e viajei com ele.
Daí, muito irregularmente, passei por Guy de Maupassant, Sidney Sheldon, James Michener, William Shakespeare, Jane Austen, Victor Hugo e não parei mais. Não consegui.
Quem escolhe minhas leituras é uma parte autônoma de mim, que se guia pela vontade, inspiração, estado de espírito. Às vezes, o cérebro diz: "Hora de ler coisa melhor", e eu obedeço. Algumas vezes dá certo. Desta vez, foi a necessidade de devolver os livros com algum comentário.

Assim, comecei a leitura por esse livro porque o título me pareceu "suave", e terminei em um dia. É um romance, basicamente, sobre um casal aproximado pelo acaso, com muitas páginas, pouquíssimo estilo e várias cenas de sexo. Não me considero puritana e, neste romance, embora bastante descritivas, as cenas não têm nada de mais. Como assim? Parece-se um pouco com os romances "de banca", totalmente focado nas desventuras do casal, o que um fez, o que viu, o que sentiu, o que o outro viu, sentiu e fez em troca. Até tem um pouco de emoção, superficial, mas está lá. Imagino que seja atraente para quem quer se distrair sem nenhum compromisso, mas achei uma leitura muito fraca. Alguns "romances de banca" são muito mais profundos, nas suas 216 páginas, aproximadamente (e má fama...), do que este, nas suas 256.

O próximo foi "Por um momento apenas", da mesma autora, lido para tirar a cisma com o primeiro. E fui surpreendida por um romance ainda mais superficial, cenas sexuais repetitivas com palavreado algumas vezes grosseiro e, no geral, uma sensação de: por que estou lendo isso? Por que os livros eróticos têm atraído tantos leitores?
Acredito que seja pela vontade de ler sem pensar, simplesmente pela distração fácil e pelas descrições quase visuais. Imagino que a liberdade de ler/fazer o que quiser, sem importar-se com a opinião alheia também tenha muito a ver com isso. De modo geral, as pessoas mais cultas torcem o nariz para qualquer manifestação literária que não tenha sido anteriormente reconhecida como interessante, importante em nível cultural. E o que são os livros eróticos senão uma manifestação totalmente livre de rédeas, da imaginação? Então, assim como as pessoas vão ao cinema para assistir filmes de todos os tipos, também devem ter a liberdade de ler todo tipo de livro, livre de censura intelectual ou moral.
Os livros infanto juvenis mais recentes, como "Capitão Cueca" ou "Diário de um Banana" já estão ocupando esse espaço com os leitores de 6 a 15 anos, em seguida vem a série "Crepúsculo" e similares. Apesar de a literatura popular ter inúmeros exemplares com estilos variadíssimos, como livros de auto ajuda, por exemplo, os "Cinquenta tons de cinza" abriram caminho para uma literatura exclusivamente de entretenimento, sem compromisso com algum conteúdo cultural, aliado a um senso de transgressão.
Por isso, sem hipocrisia, li ambos os livros no mesmo dia, no início, interessada pelo desenrolar dos fatos e, sim, pela novidade do conteúdo explícito. Terminei com uma sensação de vazio porque, para mim, a leitura costuma instigar a entender melhor algum mecanismo mental, emoção, situação de conflito. Como se tivesse assistido a um desenho de televisão, e desligado-a assim que ele acabou. Sem ficar com um único pensamento sobre o que vi. Sem pensar. Sem sentir.

Mas, amigo leitor, é só a minha opinião. Um abraço, e até o próximo livro!

3 comentários:

  1. Oie, td bom?

    Primeiro texto seu que leio, gostei bastante de seu estilo de escrita! Sobre romances eróticos, já li muitos romances de banca, principalmente da série dos romances históricos e adoro! Os romances da Julia Quinn que "subiram de nível" agora, li em 2014 e me apaixonei pelos personagens, diálogos, peripécias e pelas cenas quentes também.

    Agora, tem essa nova onda de literatura erótica mesmo, explicitamente erótica que ainda não me pegou. Li a trilogia dos cinquenta tons de cinza, depois das primeiras cenas de sexo, meio que passava os olhos por cima, pois era muito repeteco, muito mimimi. E só concluí a trilogia para saber o final da história do casal. Não li mais nenhum, mas fico pensando, sexo faz parte do ser humano, como respirar e comer. Se essa nova onda trouxer um erotismo interessante, nada me impediria de lê-la. O problema desses livros é a falta de conteúdo além do sexo, na minha opinião. Precisariam de uma história mais envolvente para prender o leitor às páginas. Senão, o que os diferenciaria de contos eróticos disponíveis na internet? Disponibilizados justamente para autosatisfação íntima.

    Enfim, gostei do texto! Beijão!

    Arrastando as Alpargatas

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  2. Obrigada, Rafa, seu comentário foi muito simpático! Também gosto de um romance simples, honesto na sua proposta de divertir e emocionar, além de uma literatura mais densa, plena de significados nas entrelinhas.
    No fim, é isso o que eu procuro num livro, a possibilidade de viver emoções de uma forma diferente! Um abraço!

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  3. Blog Pássaro Azul9 de janeiro de 2015 06:51

    Tenta Hilda Hilst :D

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