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Extraordinário Luandino Vieira

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Luuanda Luandino Vieira
30.1.15

O garoto no convés, escrito por John Boyne

Editora: Companhia das Letras
Páginas: 328
ISBN: 9788535923377

O célebre episódio do motim do navio de guerra britânico HMS Bounty, em abril de 1789, inspirou livros e filmes. Na tradição dos grandes romances de aventura marítma, John Boyne recriou essa história a seu modo surpreendente e inovador. Em "O garoto no convés", agora publicado em edição econômica, a história da expedição é narrada do ponto de vista de John Jacob Turnstile, um garoto de Portsmouth, sul da Inglaterra, que sofre abusos de toda sorte, inclusive sexuais, no orfanato e pratica pequenos furtos nas ruas da cidade. Detido pela polícia após roubar um relógio, é salvo pela própria vítima do roubo quando esta lhe faz uma proposta: em vez de ficar encarcerado, embarcaria no HMS Bounty para passar pelo menos dezoito meses como criado particular do respeitado capitão Bligh. Turnstile aceita a barganha, planejando fugir na primeira oportunidade. Mas a rígida disciplina da vida no mar e uma relação cada vez mais leal com o capitão transformarão sua vida para sempre. É pela voz desse adolescente insolente e sagaz, mas ao mesmo tempo frágil e ingênuo, que o leitor acompanhará uma viagem repleta de intrigas, tempestades intransponíveis, cenários exóticos e lições de lealdade, paixão e sobrevivência.

SOBRE O QUE SE TRATA?

Em "O garoto no convés", John Boyne entrega ao leitor um romance histórico e de formação, trazendo a história de John Jacob Turnstile, um rapaz que terá a sua vida transformada após integrar a tripulação do famoso navio HMS Bounty.

O HMS Bounty foi um navio na Marinha Inglesa do século XVIII comandado pelo tenente William Bligh e que tinha como missão uma viagem até o Taiti para buscar um carregamento de mudas de fruta-pão. As mudas seriam plantadas na Jamaica e serviriam como alimentação boa e barata para os escravos. Porém, em abril de 1789, o Bounty serviu de palco para um motim, no qual o imediato do capitão/tenente do navio, Fletcher Christian, tomou o comando da embarcação, deixando William Bligh e os tripulantes que não concordaram com os amotinados à deriva em uma pequena barca no oceano Pacífico. Surpreendentemente, após uma série de dificuldades, os homens abandonados conseguiram sobreviver e retornar à Inglaterra.

No romance de John Boyne, que utiliza a história do motim do Bounty como enredo principal, o leitor é apresentado ao órfão de 14 anos John Jacob Turnstile que, após sofrer muitos abusos no orfanato em que vivia e realizar roubos pelas ruas de Portsmouth, é condenado a muitos anos de prisão. Porém, a vítima de seu último delito propõe que a pena seja cumprida de outra forma: John Jacob deveria embarcar na próxima missão do HMS Bounty e se tornar o novo criado do capitão William Bligh. Não muito empolgado com a sugestão, mas decidido a não ir para a cadeia, John Jacob aceita a proposta e terá a sua vida mudada.

A partir da visão do adolescente, o leitor tem acesso ao universo do Bounty - marcado pela hierarquia da tripulação e os costumes e superstições dos homens do mar - à estadia dos marujos no Taiti e ao fatídico dia em abril de 1789 quando a embarcação e seus tripulantes entraram para a história e se transformaram em inspiração para muitas obras de aventuras marítimas na literatura e no cinema.

MINHAS IMPRESSÕES

Desde que ouvi falar em John Boyne e resolvi pesquisar sobre seus livros, "O garoto no convés" foi o primeiro a atrair a minha atenção, porém o quarto trabalho do autor com que eu tive contato. Devo confessar que, apesar de ter gostado muito da leitura, a experiência foi um pouco exaustiva em alguns momentos.

Narrado em primeira pessoa pelo próprio John Jacob Turnstile, porém anos depois de suas aventuras à bordo do Bounty, o livro é dividido em cinco partes - duas das quais ambientadas completamente em alto mar - que acompanham os acontecimentos desde a prisão do protagonista, passando por sua viagem até o Taiti e o motim até, finalmente, o retorno à Inglaterra. Logo nas primeiras linhas o leitor já consegue ter uma ideia do tom marcado por humor e ironia que será utilizado por Turnstile ao contar a sua história, o que torna o personagem bastante cativante e de fácil identificação.

John Jacob é um jovem esperto e bastante corajoso, porém não sabe disso quando a história tem início, pois se encontra em estado de fragilidade decorrente dos anos de abuso que sofreu nas mãos do detestável sr. Lewis, o dono do estabelecimento em que vive. É emocionante acompanhar as descobertas e o amadurecimento do protagonista, que quando embarca na missão rumo ao Taiti é apenas um rapazinho assustado, mas que se transforma em um homem forte após enfrentar muitas adversidades no Bounty e no mar ao longo de dois anos.

Em sua narrativa, o rapaz (ou o próprio John Boyne, que se coloca no lugar de seu protagonista) consegue reproduzir a atmosfera dos acontecimentos que viveu e dos cenários que conheceu, fazendo com que seja muito simples para o leitor se inserir naquele contexto. Com descrições precisas, mas nada excessivas, Turnstile nos coloca à bordo do Bounty, onde assistimos de camarote o desenrolar da missão do capitão Bligh e de sua relação tempestuosa com os demais tripulantes da embarcação, incluindo o imediato Fletcher Christian. Também somos apresentados a algumas superstições náuticas - como o sacrifício ao Rei Netuno quando uma embarcação chega à linha do Equador - e à hierarquia de um navio, que faz com que o protagonista sofra até que consiga se ajustar.

Na história real, não é possível definir quem é o herói e quem é o vilão quando falamos de William Bligh e Fletcher Christian, pois tudo é uma questão de perspectiva. Porém, para o leitor de "O garoto no convés" fica clara a decisão de John Boyne em transformar Bligh, através dos olhos de John Jacob, no grande herói da aventura. Mesmo que muitas vezes se mostre como um indivíduo temperamental, dado à bruscas mudanças de humor, William Bligh é um indivíduo que preza pela honra e que tem como principal objetivo concluir a sua missão com sucesso e levar seus homens de volta para casa em segurança. Enquanto o capitão se mostra rígido e sério com a tripulação em diversos momentos, é inegável o carinho que ele dirige ao protagonista, se transformando num tipo de figura paterna para o órfão. A relação entre Bligh e Turnstile, marcada pelo companheirismo e lealdade, é, provavelmente, o aspecto de que mais gostei em todo o livro. Em contrapartida, o rapaz não poupa palavras quando quer criticar o sr. Christian, muitas vezes se incomodando com o fato de o oficial ser muito engomadinho, passando a maior parte do tempo verificando se as unhas estão limpas e se os cabelos estão bem penteados. John Jacob chega, inclusive, a chamar Fletcher Christian de vilão!

É interessante mencionar que o autor teve acesso à diversos livros sobre o motim do HMS Bounty que lhe serviram tanto de inspiração, quanto como forma de verificar a veracidade - na medida do possível - dos fatos que estava romanceando em sua história. Entre o material de pesquisa, que é citado pelo autor, estão o livro escrito por William Bligh junto com Edward Christian (irmão de Flecther Christian) a partir de seus diários de viagem e também transcrições dos processos relativos ao motim do Bounty.

Apesar da narrativa fluída na primeira parte, a leitura se tornou maçante em alguns trechos, principalmente na segunda metade do livro. Por se tratar de um romance de aventura marítima, obviamente, é de se esperar que boa parte do enredo se desenrole no mar e com "O garoto no convés" não é diferente, de forma que o autor se utiliza de várias páginas para descrever o - muitas vezes tedioso - cotidiano da tripulação do Bounty. A quarta parte, que narra os 48 dias à bordo da pequena barca à deriva no oceano, é narrada minuciosamente e separada por cada dia, como se fosse um diário. A estrutura funciona bem para criar e transmitir a atmosfera de angústia e desespero dos personagens, porém, a redução no ritmo da narrativa pode ser considerada um empecilho para aqueles que buscam algo mais dinâmico e com ação.

Como curiosidade, achei bem interessante perceber que o fidalgo que sugere que John Jacob embarque no Bounty é Matthiew Zélla, o ladrão do tempo e protagonista do primeiro romance de John Boyne. 

Para concluir, quero ressaltar que gostei bastante da leitura de "O garoto no convés", apesar de ter me incomodado um pouco com o ritmo. O livro, além de apresentar ao leitor um momento célebre na História, é também uma ótima aventura marítima narrada por um protagonista interessante e que se desenvolve com o virar das páginas. Leitura recomendada!

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29.1.15

"Ratos e homens", de John Steinbeck, Nobel de Literatura, é um mergulho de cabeça no mundo dos trabalhadores simples, braçais, na Grande Depressão dos Estados Unidos. Se a princípio me perguntei quem eram os ratos e quem, os homens, na metade deste pequeno e inusitado livro eu ainda não tinha a resposta. Nem sei se a pergunta estava certa. Nem sabia que tipo de livro era aquele.

Tenho o hábito, limitado, admito, de classificar minhas leituras. Na maior parte das vezes, isso é possível. Romances, ficção científica, autoajuda, policial, dramas de todos os tipos, infanto juvenis e o que mais o amigo leitor se lembrar.

E a qual tipo de livro este pertenceria? Ao tipo perturbador. Não foi escrito para contar uma história "bonitinha", entretendo e divertindo o leitor, ou emocionando-o de alguma forma. Foi delineado para provocar, inquietar, incomodar. Para tirar-nos do conforto dos nossos bem estruturados conceitos.

Georgie, pequeno e esperto, viaja com Lennie, grandalhão e infantil, à procura de trabalho temporário no campo. Encontram-se, como já esperavam, com outros trabalhadores igualmente pobres, garantindo para si mesmos um teto, um prato de comida e pouco mais, pelo tempo que durar a colheita. A atuação forte dos sindicatos é mostrada tanto como um amparo para quem procura emprego, como um transtorno para o empregador.

E nada é simples. As intrigas, a camaradagem, a variedade de personalidades, o peso do passado, tudo contribui para um clima de ansiedade crescente. Aos poucos, passamos a entender que, enquanto uns precisam de "um rato", outros o são. Que o destino, se para alguns é imprevisível, para outros, não. Que a miséria está em toda parte, corpo e mente.

E o que se segue, amigo leitor, é uma reflexão que, depois de dois meses da leitura, ainda não acabou...
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26.1.15

Seja para saber como é a experiência, seja para melhorar as habilidades, creio que quase todo mundo já quis ler um livro em inglês.

Sempre que terminava de ler os livros, eu ficava com um gostinho de quero mais e, como eu já fazia curso de língua inglesa, surgia a curiosidade: como devem ser os livros em inglês? Será que as traduções são fiéis ao texto original? Um monte de pensamentos começou a invadir a minha cabeça. Então, decidi: iria me aventurar a ler livros naquela língua.

Resolvi começar por "Orgulho e Preconceito", na sua versão bilíngue. Resultado: não saí do primeiro capítulo. Muitas palavras e expressões que eu não sabia fizeram com que a leitura ficasse cansativa demais. Então, desisti logo. Ficou claro que comecei pelo livro errado, mas... Por qual começar? Resolvi perguntar à minha professora qual seria o melhor para o meu nível e contei a ela sobre a minha tentativa. Ela deu uma risadinha e falou que eu comecei pelo pior tipo de livro, os clássicos. Tudo é uma questão de evolução, ela disse. Eu deveria começar com livros mais fáceis e ir aprimorando minha habilidade de leitura, e, num futuro próximo, eu estaria lendo clássicos. De fato, foi assim. Comecei por livros simples e finos e estou indo para livros mais complexos. É tudo questão de exercício e costume.

Então, para o meu post de estreia, nada melhor do que dar umas dicas para quem quer começar o inglês e não tem noção de como.

1. Antes de comprar um livro em inglês, tente ler as primeiras páginas para ter uma noção de como é o nível de inglês e se é compatível com o seu.
2. Comece com um autor que você já conheça. Assim, você já estará familiarizado com escrita e com certas expressões que o autor usa.
3. Comece por livros mais finos. Ler livros em inglês não é muito fácil e livros grossos podem desincentivar você, já que são mais demorados. 
4. Leia gêneros literários mais simples. Não adianta querer começar com clássicos nas versões originais (como eu), já que a linguagem é bem rebuscada e com expressões e palavras que muitas vezes já caíram em desuso. Livros infantis e infanto-juvenis são ótimos para começar.
5. Leia livros que você já conheça a história. Ficará muito mais fácil entender o contexto. Ou então, leia as versões inglesa e portuguesa simultaneamente, será mais demorado, mas você consegue pegar mais vocabulário. Existem também as versões bilíngues, apesar de serem menos comuns.
6. Não tente traduzir palavra por palavra. Leia o parágrafo e veja se entendeu seu significado pelo contexto. Se, ainda assim, você não entender, parta para o dicionário.
7. Estabeleça uma meta diária, como, por exemplo, um capítulo por dia.
8. E-book readers. Apesar de eu não ser fã de e-books, devo admitir que ler livros em outra língua se torna bem mais prática no formato digital, pois, caso você não saiba o significado de alguma palavra,
basta pressionar a palavra com o dedo que você terá seu significado.
9. No mercado, existem livros de leitura simplificada em inglês (ou livros de leitura facilitada em inglês), que são divididos por níveis de inglês (do básico ao avançado) e existem vários títulos, desde clássicos até adaptações de filmes. 

Essas são as dicas que me ajudaram (e muito!) a começar ler livros em inglês. Foi como eu falei, ler na língua inglesa não é fácil. É meramente impossível você conhecer todas as palavras, expressões e gírias em inglês, então, não pare na primeira dificuldade. Persista. Quanto mais livros você ler, mais vocabulário você acumulará e mais fáceis ficarão as próximas leituras. 

Contem-me se vocês já leram algum livro em inglês ou se vocês têm curiosidade em ler algum livro específico em inglês. E, se não, que tal começar?  

E lembrem-se, "practice makes perfect" (''A prática leva à perfeição''). Persistam. Garanto que vale a pena.
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25.1.15

Americanah, escrito por Chimamanda Ngozi Adichie.
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 513
ISBN: 9788535924732
Livro cedido pela editora em parceria com o blog.
Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idílio do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se destaca no meio acadêmico, ela depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra.
Quinze anos mais tarde, Ifemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos, mas o tempo e o sucesso não atenuaram o apego à sua terra natal, tampouco anularam sua ligação com Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência.
Principal autora nigeriana de sua geração e uma das mais destacadas da cena literária internacional, Chimamanda Ngozi Adichie parte de uma história de amor para debater questões prementes e universais como imigração, preconceito racial e desigualdade de gênero. Bem-humorado, sagaz e implacável, Americanah é, além de seu romance mais arrebatador, um épico contemporâneo.

Sobre o que se trata

Ifemelu é uma mulher forte e de personalidade marcante. Não se curva às opiniões racistas e feministas, e vive fazendo comentários críticos quanto às pessoas. Ela já está há treze anos como imigrante nos Estados Unidos, vinda da Nigéria, onde batalhou por se formar, nas dificuldades como uma recém emigrante sem dinheiro até  no conforto como uma famosa blogueira de boa formação acadêmica. Mas agora ela quer voltar ao seu país de origem, e isso é difícil de dizer para qualquer pessoa sem que a grande pergunta surja estampada em seus olhos: mas por quê? Quando descobriam que nem oferta de emprego ela tinha na Nigéria, ficavam ainda mais incrédulos.

Por que Ifemelu, uma cidadã americana formada em comunicação e mestranda em Princeton, com uma vida promissora nos EUA, desejava morar num país caótico (e africano) e abandonar a América? 

Permeando assuntos polêmicos que fazem parte da vida de Ifemelu como uma negra imigrante nos Estados Unidos, e até mesmo questões próprias de cada país, a narrativa acompanha a sua infância, a sua adolescência e os seus treze anos nos Estados Unidos de uma forma íntima, crua e honesta. 

Além disso, o livro aborda a vida de Obinze, o namorado nigeriano do colegial que Ifem precisou deixar para trás para tentar viver uma vida digna noutro país. As greves acadêmicas devido à ditadura militar colocavam em risco a formação universitária dos jovens nigerianos, e aqueles que conseguiam visto para outros países se sentiam com sorte. Ela foi morar com sua tia e primo que já residiam na América, mas, depois do episódio de 11 de setembro, tornou-se impossível para Obinze voltar a ver Ifemelu. E o amor que construíram com base numa cumplicidade encantadora, é consumido pela distância de uma forma desumana.

Minhas impressões

Americanah é uma gíria usada por Ifem e seus amigos para designar os nigerianos que retornavam de temporadas nos Estados Unidos forçando o sotaque como que para ostentar a viagem. Era símbolo de status viajar e passar um tempo em países como os EUA e a Inglaterra, mas Ifemelu e, sejamos sinceros, a maioria dos jovens, não tinham esta oportunidade. Ifem, e o próprio livro, demonstram, já no título, serem intensamente críticos.

O romance envolve o leitor e nos faz torcer por um reencontro, mas é o ponto fraco do livro no sentido de apenas existir para guiar a narrativa de discussões e de críticas por uma história que permite tal condução. Só por isso, o livro se torna rico e justifica suas 513 páginas, as quais passam num piscar de olhos. A escrita é fluida e me senti conversando com a autora, ouvindo uma história de sua própria boca. Quem dera isso fosse verdade, pois Chimamanda é tão interessante quanto Ifemelu, talvez ganhando vantagem em relação à sua personagem justamente por tê-la criado.

E o livro é repleto de sinceridade e honestidade. Desde suas críticas até em seu romance. Além disso, é humano. Seus personagens são humanos demais. Tudo isso torna a história crível, parecendo-nos até mesmo um depoimento verídico. Pergunto-me o quanto da própria experiência da Chimamanda não está contida nas páginas do livro. Se por um lado gostei muito das críticas que surgiram da primeira até a última página, também me apaixonei pelos personagens. Ifem, apesar de cometer muitos erros, é admirável e única. Possui um blog de sucesso e debate questões como a condição do negro na América (em relação a negros não americanos e a negros americanos, inclusive deixando explícito que ela não sabia o que era racismo antes de emigrar). Obinze é repleto de compreensão e responsabilidade. São personagens que poderiam muito bem existir. E é justamente por isso que se torna fácil se identificar com eles e com seus dramas. No final, eu estava tão envolvida, e torcendo tanto pelos dois, que quando terminei a última frase uma emoção muito forte me dominou. Por dois simples motivos: por tudo o que aconteceu com os dois e por eu ter acabado de "perder" um livro. Eu quis mais.

Ainda, a autora possui várias palestras, inclusive você consegue encontrar algumas no Youtube, que tratam sobre temas interessantes. Uma delas, chamada Sejamos todos feministas, foi convertida em livro pela Companhia das Letras, que é quem publica todos os seus livros no Brasil (Meio sol amarelo, Hibisco Roco e Americanah). É igualmente honesta ao tratar sobre a questão de gênero, e alguns detalhes que ela ressaltou de nossa cultura me surpreenderam por eu encará-los de outra maneira. É muito bacana o discurso na íntegra, e felizmente você pode baixá-lo em seu e-reader de graça (Saraiva, Kobo, Kindle, iBook).
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23.1.15

As virgens suicidas, escrito por Jeffrey Eugenides.
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 231
ISBN: 9788535922196
Livro cedido pela editora em parceria com o blog.
Num típico subúrbio dos Estados Unidos nos anos 1970, cinco irmãs adolescentes se matam em sequência e sem motivo plausível. A tragédia, ocorrida no seio de uma família que, em oposição aos efeitos já perceptíveis da revolução sexual, vive sob severas restrições morais e religiosas, é narrada pela voz coletiva e fascinada de um grupo de garotos da vizinhança. O coro lírico que então se forma ajuda a dar um tom sui generis a esta fábula da inocência perdida.

Sobre o que se trata

Tudo era comum: as árvores, os jardins, as casas, os vizinhos, as famílias... Mas uma coisa se destacava neste típico cenário suburbano dos anos de 1970 de uma cidade estadunidense. Cinco irmãs peculiares que viviam sob o olhar rígido de uma mãe fervorosa e de um pai resignado. Ou talvez fosse assim sob a perspectiva dos meninos do bairro que as observavam e se entretinham pela vida que emanava delas. Principalmente quando, subitamente, a mais nova, Cecilia (de treze anos), tenta se suicidar e, mais tarde, acaba fazendo uma nova tentativa, desta vez obtendo êxito.

A sociedade entra num estado de torpor, muitos tentando ignorar o fato, mas sendo um peso melancólico que afetou cada família, sobretudo a adolescência dos meninos vizinhos das irmãs Lisbon. Narrado sob a perspectiva desses jovens não nomeados, agora não tão jovens assim - sendo homens de meia-idade tentando reviver a situação para compreender um tormento que os acompanhou pelo resto da vida -, o livro tenta rememoriar festas, o cotidiano escolar, depoimentos e furtivas espionagens de garotos através de janelas, para expor uma tragédia que abateu a vida do subúrbio e dos pais Lisbon: o suicídio de todas as irmãs.

Minhas impressões

E não, isso não é uma revelação bombástica, um spoiler contado de maneira maldosa por uma blogueira. É o fato principal do livro, pelo qual ele é mundialmente conhecido. E também se encontra narrado logo nas primeiras páginas. Talvez este seja um exemplo literal - ou literário - do que tento explicar quando digo que não ligo para spoilers, e sim para como a história será contada, ou para o que de fato acontece naquele contexto. Porque ler As virgens suicidas significa destrinchar a vida das irmãs Lisbon, saber como elas se mataram e tentar decifrar o porquê disso. Terminar o livro e continuar com a única certeza que a dúvida representa. Ter a melancolia presente durante toda a leitura, mas sobretudo ao finalizá-la, e entender o quão única é a experiência de se ler um livro que te envolve e perturba mesmo não acontecendo nada de grandioso no enredo, sendo que o principal acontecimento você já sabia de antemão. Ou os principais acontecimentos.

Um tema que vi explícito de forma nada sutil no livro foi o da criação de uma criança. Muitas pessoas, quando se deparam com um adolescente rebelde ou um namoro adolescente proibido, dizem que é impossível impedir os jovens de fazerem o que fazem, que se querem algo, eles realizam, sendo os pais favoráveis ou não. E as família Lisbon é um grande exemplo de que esse pensamento é verdadeiro. O fato da Sra. Lisbon ser uma religiosa fanática e, a partir disso, coibir e cercear suas filhas e a adolescência delas, é algo gritante na história. O leitor se pergunta: se elas não fossem criadas sob uma redoma de vidro frágil e desconfortável, será que tentariam quebrá-la a machadadas tão severas?

O enredo e a escrita são simples, mas as personagens e a narrativa não o são. 

É difícil tentar compreender, junto dos garotos, o que se passava na cabeça das irmãs. Mas também foi difícil para eu entender o quanto os suicídios impactaram a vida deles. Isso está atrelado ao narrador. Tudo é narrado em primeira pessoa por um dos meninos. Mas também me dei conta de que é muito provável que não fosse apenas um menino me contando a história. E se revezassem? É impossível saber, e isso me fez concluir que a primeira pessoa do singular se refere à primeira pessoa do plural. Que o narrador é coletivo e fala por todos os meninos. E que, por isso, a morte das irmãs seja algo ainda mais pesaroso e lúgubre. 

E como eram adolescentes, o fascínio que as Lisbon despertaram neles talvez tenha sido exagerado, visto que sempre precisamos analisar a influência que um narrador em primeira pessoa exerce sobre a história. Mas é claro que fiquei completamente absorvida pelas irmãs Lisbon, assim como eles ficaram. Se paro para pensar sobre a singeleza das vidas que elas tiveram, e de como foram meninas comuns, logo em seguida sou tomada pela certeza de que isso é querer me enganar, e de que foram pessoas totalmente dignas de uma atenção especial, porque foram garotas especiais. Cada uma com a sua personalidade única, refletidas em seus suicídios. E de que isso explica o quão infrutífero é tentar entendê-las.
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22.1.15

Vermelho Amargo, escrito por Bartolomeu Campos de Queirós.

Editora: Cosac Naify
Páginas: 72
ISBN: 9788575039625

O primeiro livro pela Cosac Naify de um dos maiores expoentes da literatura infanto-juvenil brasileira não poderia ser mais um. Vermelho Amargo revela uma face diferente do escritor Bartolomeu Campos de Queirós, e o insere definitivamente na literatura brasileira, para além de classificações. Um narrador em primeira pessoa revisita a dolorosa infância, marcada pela ausência da mãe substituída por uma madrasta indiferente.
Vemos os irmãos, filhos de um pai que não larga o álcool e de uma madrasta que serve em todas as refeições fatia cada vez mais finas de tomate, desenvolverem diversas anomalias para tentar suprir a ausência de afeto e a saudade da mãe. Um come vidro, a outra não larga as agulhas e o ponto cruz. Numa espécie de contagem regressiva, o narrador observa seus irmãos mais velhos irem embora de casa.
A prosa memorialística vale a pena, no entanto: afinal, esquecer é desistir, é não ter havido... Neste depoimento de inspiração autobiográfica, a prosa poética de Bartolomeu é dolorosamente bela. Como ele mesmo coloca na epígrafe, foi preciso deitar o vermelho sobre papel branco para bem aliviar o seu amargo.
Uma obra delicada como arame farpado, nas palavras do diretor teatral Gabriel Villela, que assina o texto de quarta capa.
O livro possui apenas 72 páginas de uma história densa e amarga. De cunho autobiográfico, relata as memórias de uma infância amarga e melancólica.

O narrador, um menino, nos apresenta à fria rotina da família composta pelo pai, pela madrasta e seus cinco irmãos após a morte da mãe, revelada logo nas primeiras páginas. Cada um dos irmãos tem sua maneira de lidar com a perda: o irmão que come vidro, a irmã obstinada a bordar seu enxoval, a irmão que finge ser uma gata. A figura do pai, alcoólatra e distante, intensifica o sofrimento do narrador desamparado e retalha a família página a página.

A separação da mãe é descrita de maneira muito dolorosa e ao mesmo tempo muito delicada e singela. Não há uma história em si, existe uma sucessão de memórias que evidencia o contraste da presença doce da mãe ao amargor de sua substituta. A imagem do tomate, a forma que o narrador utiliza para comparar as duas figuras femininas, ratifica a doce figura maternal ao amargor de sua substituta.

Oito. A madrasta retalhava um tomate em fatias, assim finas capaz de envenenar a todos. Era possível entrever o arroz branco do outro lado do tomate, tamanha a sua transparência. Com a saudade evaporando pelos olhos, eu insistia em justificar a economia que administrava seus gestos. Afiando a faca no cimento frio da pia, ela cortava o tomate vermelho, sanguíneo, maduro como se degolasse um de nós. Seis. (pg. 9)
Antes, minha mãe, com muito afago, fatiava o tomate em cruz, adivinhando os gomos que os olhos não desvendavam, mas a imaginação alcançava. Isso, depois de banhá-los em água pura e enxugá-los em pano de prato alvejado, puxando seu brilho para o lado do sol. Cortados em cruzes eles se transfiguravam em pequenas embarcações ancoradas na baía da travessa. (pg. 14/15)

É possível observar o contraste também na escolha e no tamanho das orações. As frases que descrevem a madrasta são curtas, mecânicas como a própria. Já ao descrever sua mãe o menino é delicado e estende suas memórias.

A forma encontrada para vencer a solidão, uma vez que seus irmãos não estavam tão interessados no sofrimento do garoto, foi se encontrar nos livros, aos quais há diversas referências.

Mas uma certeza me vigiava: ler era meu único sonho viável.

Apesar das poucas páginas, a leitura parece extensa, como se o leitor estivesse tentando vencer cada um dos dias compridos e melancólicos juntos da criança, que tenta se livrar a cada refeição interminável do vermelho amargo oferecido pela sua madrasta.

Os parágrafos da prosa poética poderiam compor pequenos poemas independentes, fortes o suficiente para se sustentarem. É possível notar o cuidado da escolha das palavras, a sonoridade das mesmas aplicadas às situações vividas pelo garoto.

Enfim, é uma leitura difícil, sofrida e amarga, em diversos trechos senti um nó na garganta graças às difíceis refeições vencidas com muito esforço, mas é muito bonita. Quem já amou e perdeu esse amor, certamente se identificará com o pequeno narrador.
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21.1.15

[Créditos]
Tenho notado que pouquíssimas pessoas hoje leem poesia. Fora do ambiente acadêmico, parece que ninguém mais tem interesse em discutir um poema. Nos grupos literários espalhados pelas redes sociais, só vejo comentários sobre narrativas. Vivemos a idade da prosa. Mas não foi sempre assim.

Dizer exatamente onde começou a literatura é difícil, uma discussão que não poderei levantar aqui. Por isso, vamos nos limitar e começar pela Grécia antiga. Lá é onde está a base da cultura ocidental e, por conseguinte, da nossa literatura. E, se aceitarmos Homero como o primeiro grande escritor do Ocidente, temos poesia e narrativa misturadas no início de tudo, os famosos poemas épicos, conhecidos também como epopeias. Vocês provavelmente já ouviram falar de A Ilíada e A Odisseia ou até mesmo as leram. Pois bem, são poemas narrativos que falam sobre, respectivamente, o final da guerra de Troia e o retorno de Ulisses para casa. Essas obras seguem um padrão bastante rígido de métrica, ou seja, cada verso tem um número bem definido de sílabas poéticas. Dá um trabalho enorme escrever assim. Mas há uma razão para isso. A literatura grega não era simplesmente para ser lida, era para ser acompanhada por música (sempre era levada uma lira para a declamação dos poemas, daí os termos “lírico” e “lirismo”). O padrão rígido seguido em cada verso garantia a musicalidade da obra literária. Essa combinação de literatura com música acontecia também nas peças de teatro e nos poemas não narrativos, ou seja, em toda a tríade clássica de gêneros literários: o lírico, o narrativo (ou épico) e o dramático.   

A história avança um pouco, o poder político e militar da Grécia sofre uma grande queda, mas sua influência cultural continua forte, mesmo depois de Roma dominá-la. O que acontece é o contrário do esperado, os romanos é que passam a ser influenciados pelos gregos. E isso, logicamente, terá seu reflexo na literatura. São importados os modelos helênicos na arte latina. O poema épico continua sendo o gênero de maior prestígio e, seguindo seu modelo, surge a maior obra da literatura latina, A Eneida, de Virgílio, que serviu como mito de origem para os romanos. Ou seja, os versos continuavam tendo seu destaque e prestígio. Literatura sem eles era algo inconcebível.

A prosa narrativa só começa a se desenvolver mesmo na Idade Média, quando surgem as novelas de cavalaria. Mesmo assim, durante o mais importante movimento literário medieval, o Trovadorismo (do qual farei uma postagem exclusiva futuramente), os poemas é que se destacaram novamente. E a relação com a música se torna ainda mais forte, pois os poemas eram escritos para serem cantados, principalmente nas cortes. Tivemos até reis poetas, como D. Dinis.

Tempos depois, a literatura medieval, de caráter mais popular, acaba se desvalorizando. Muitas mudanças começam a acontecer, alterando bastante a concepção de como a arte deveria ser feita. É o que conhecemos hoje por Renascimento. Os valores medievais começavam a ser fortemente questionados e até rejeitados. E, para confrontar esses valores, os grandes artistas da época voltaram-se para a Antiguidade Clássica. A literatura de caráter popular abre espaço a uma mais aristocrática, baseada na pureza formal e no equilíbrio. O gênero textual de maior prestígio, então, volta a ser a epopeia. Grandes exemplos de poemas épicos desse período são A Divina Comédia, de Dante, e Os Lusíadas, de Camões, considerado por muitos a obra-prima da literatura em língua portuguesa. É nesse período também que cresce o uso e importância do soneto (um tipo de poema de forma fixa), que, embora tenha nascido por volta do século XII também para ser cantado, chegou a Portugal somente na primeira metade do século XVI por meio do poeta Sá de Miranda e foi amplamente usado por Camões.

Podemos pular os períodos barroco e neoclássico, uma vez que darão continuidade, pelo menos no aspecto formal, ao período classicista. É no Romantismo que a poesia começa a mudar de verdade, deixa-se frequentemente a métrica de lado e dá-se espaço a uma criação literária mais livre, com base mais no sentimento do que na técnica. Muitos poetas adotam os versos brancos (sem rima) e os livres (sem contagem de sílabas poéticas). Mas não é só a poesia que muda, a produção literária como um todo se transforma. É aqui que a narrativa em prosa começa a ganhar seu espaço, assim como sua “soberania”. A epopeia passa o cetro a seu herdeiro, o romance. E, embora não queira ser determinista, tenho que apontar alguns fatores que levaram a isso. Sem dúvida, o mais significativo foi a ascensão da burguesia, que passa a ser o principal público dos escritores e se diferencia muito da aristocracia. O burguês não tinha a mesma formação cultural nem o mesmo tempo vago que aqueles. O romance, então, garantia uma leitura mais fácil e rápida, já que apresentava vocabulário, estrutura e referências menos complexos. Ou seja, ao se adaptar ao público burguês, a produção literária começa a seguir uma lógica visando mais ao mercado, o que é outro fator para a ascensão da prosa, que era, geralmente, publicada por capítulos nos jornais (essa narrativa seriada em periódicos é chamada de folhetim) para só depois ganhar uma edição completa. 
  
Vimos que a poesia teve seu lugar de destaque por muito tempo e que a supervalorização da prosa é algo recente, porém fortíssima, a ponto de ser quase impossível ver grandes editoras publicando livros de poemas. A poesia, então, morreu no século XIX? Quantas pessoas vocês veem nos ônibus e metrôs lendo uma obra poética? Quase nenhuma, é verdade. Mas as pessoas não deixaram de consumir poesia. Ela não morreu. E acredito que nunca morrerá, só mudou de ramo. Pode não ser mais publicada por editoras, mas é publicada aos montes por gravadoras. Sim, música e poesia andam juntas desde o começo, como vimos. Tente ler “Cálice”, do Chico Buarque, sem cantar. O que se tem? Poesia de altíssima qualidade. O que diferencia um letrista de um poeta? Nada. Por que D. Dinis era poeta e Caetano Veloso é letrista, se as produções de ambos tinham como objetivo ser cantadas? Vocês podem até dizer que certas letras de música não podem ser consideradas arte. Então eu pergunto: o que é arte? O que é literatura? Nunca alguém achou a resposta. Só nos resta aceitar que tudo muda, assim como as formas e meios de fazer poesia.        

Então, pessoal, esse foi meu post de estreia. rs
Preferi não falar aqui sobre poemas e autores específicos, mas sobre literatura no geral como uma base para futuras discussões. Espero que tenham gostado e prometo que me esforçarei sempre para trazer conteúdos bastante informativos. Futuramente, pretendo ser mais específico e não me limitar só à poesia, mas falar de outras formas de literatura, como contos. Claro que não deixarei os romances de lado, o que quero, porém, é abranger diversas formas de fazer literatura, tanto no plano formal quanto no conteudístico. É isso. Nos vemos em breve. Um forte abraço em todos! 
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20.1.15

Com a temporada de premiações e a vontade da indústria em adaptar livros famosos (e mais vendidos) para as telonas no seu auge, resolvi escrever o meu post de inauguração sobre as adaptações que estão na lista de indicados das principais premiações. A boa notícia é que elas acontecem grande parte no período de férias, ou seja, você já pode começar o ano bem informado assistindo bons filmes ou lendo bons livros. Confesso que alguns filmes da própria lista que montei eu não fazia ideia que eram baseados em livros e esse é uma das maiores vantagens da temporada de premiações. Apresentar e fazer o público descobrir grandes histórias! E o melhor? De vez em quando interpretado pelos nossos atores favoritos pra deixar tudo mais atrativo e interessante.

A Teoria de Tudo

O livro foi escrito por Jane Hawking, que foi a primeira esposa do Stephen Hawking. Esse livro não é apenas para os fãs de ficção científica, física ou ciências. O livro conta a história da vida de Stephen na época da faculdade, em como ele e Jane se apaixonaram, como a doença foi descoberta e o quanto isso não atrapalhou seus trabalhos e ideias, e é claro, a construção de uma família. Jane mostra que a capacidade de amar vai além de tudo.

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Eu, como fã do Stephen Hawking (se é que se posso dizer isso) fiquei interessadíssima em tudo relacionado ao livro e ao filme, quando fiquei sabendo que fariam uma adaptação contando a história da vida dele. Principalmente por ter dois dos meus atores favoritos no elenco: Eddie Redmayne como Stephen e Felicity Jones como Jane. Vale lembrar que Eddie ganhou o Globo de Ouro por sua interpretação como Stephen e o filme está concorrendo como Melhor Filme no Oscar.

Aliás, uma das minhas citações favoritas do mundo é do Stephen Hawking
Minha meta é simples. É um completo entendimento do universo, por que ele é como é e por que ele existe.

Livre

Livre é um livro autobiográfico. Cheryl Strayed conta para os leitores, sem vergonha nenhuma, todas as dificuldades, alegrias e tristezas que passou desde a morte da sua mãe. Cheryl resolveu caminhar 1.770 da PCT (Pacific Crest Trail), uma trilha que atravessa os Estados Unidos e embarca nessa aventura sozinha sem ter antes nenhuma experiência em caminhadas longas.

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Nessa jornada, Cheryl encontrou ursos, raposas, cobras, passou fome, frio e muito cansaço. Mas ao mesmo tempo é uma bela história de superação, redenção, transformação pessoal e sobrevivência. Apesar de ser o clichê da vida, tudo que for dificuldade pode te fortalecer, Cheryl conta de uma forma natural e sem pudor. E é isso que faz a história ser diferente. O filme foi filmado com a presença da Cheryl e a atriz escolhida para interpretá-la foi a Reese Witherspoon. A atriz que interpreta a mãe da Cheryl é a maravilhosa Laura Dern (sim, a mãe da Hazel Grace na adaptação de A Culpa é das Estrelas). Ambas foram indicadas ao Oscar. Vale dizer também que o roteiro foi escrito pelo autor Nick Hornby de "Alta Fidelidade" e de "Uma longa queda" (resenha aqui)? Recomendadíssimo!

Vício Inerente

O livro conta a história de um detetive particular viciado em drogas chamado Doc Sportello que é contratado por uma ex-namorada para investigar o sumiço de um poderoso barão do mercado imobiliário. E tudo isso é como se fosse uma conspiração que envolve traficantes, contrabandistas, policiais corruptos e uma entidade perigosa que se chama Presa Dourada. Thomas Pynchon, o autor do livro, tem a fama de misturar temas sérios com particularidades comuns além de mostrar situações comuns dentro de suas narrativas.

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 A respeito do filme, vocês lembram de Trapaça no ano passado? Este filme soou pra mim como uma produção semelhante. Um grande elenco e uma história envolvente. O elenco desse filme é enorme e conta com Joaquin Phoenix, Owen Wilson e Reese Witherspoon juntos novamente, Jena Malone (oi Johana Mason!), Sasha Pieterse, Benicio Del Toro, Josh Brolin e muito mais.

Para Sempre Alice


Um dos livros com a história mais interessante e instigante dentre todos os indicados, na minha opinião. Conta uma história dramática de uma forma linda. Aos 50 anos, Alice, uma professora de Harvard e com uma família feliz, se depara esquecendo de pequenas coisas até que um dia ela não consegue se lembrar do caminho de casa. Um diagnóstico inesperado chega à tona e, apesar de se esquecer de pequenas coisas, ela se aproxima de sua filha mais distante, Lydia.


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A atriz escolhida para interpretar Alice foi Julianne Moore e nem preciso dizer que ela é a grande favorita, não é? Ao lado dela, Kristen Stewart também se destaca interpretando Lydia e a química entre as duas só contribui pra deixar a história ainda mais encantadora e apaixonante.

Invencível


O livro conta a história de Louis Zamperini, um italiano que descobriu um talento para o atletismo e acabou indo para as Olimpíadas de Berlim. Porém, como nem tudo são flores, Louis foi obrigado a desistir do sonho de atleta. Por conta do início da Segunda Guerra Mundial, foi ser tenente e o avião em que estava caiu no meio do oceano Pacífico. É outra história de sobrevivência, força e coragem que vale a pena ser lida e vista.


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Esse é um dos livros e filmes que estou mais curiosa para saber mais. Primeiro, o filme é dirigido pela Angelina Jolie, que apesar de não receber boas críticas com os filmes que dirige, tem sido elogiada por este. Segundo, é uma história real. E terceiro, o filme é independente (amor eterno aos filmes independentes).

Garota Exemplar

O tema central do livro é o desaparecimento de Amy na manhã de seu aniversário de casamento com Nick. Para a polícia e pela opinião pública dos vizinhos do casal, aconteceu um assassinato e a desaparecida foi deixando pistas para o marido, do seu suposto paradeiro. O fato é que ninguém sabe se encontrarão Amy viva ou morta. A polícia começa a desconfiar de Nick e é aí que toda a narrativa começa a ficar tensa.

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Por ser um suspense meio policial, tem toda aquela coisa de descobrir o culpado. Ele é dividido em duas frentes. Um capítulo você lê e conhece a mente da Amy, a esposa, e outro capítulo você entra no universo do Nick, o marido. E isso simplesmente mexe com a sua cabeça e com seus sentimentos. E é instigante.

O filme já foi lançado no Brasil no segundo semestre de 2014 e conta com Rosamund Pike como Amy e Ben Affleck como Nick. Ah, e além deles temos Neil Patrick Harris arrasando na interpretação de um antigo ex-namorado de Amy. O filme foi muito fiel ao livro e bem produzido.

Alan Turing: O Enigma

Por fim escolhi outro filme que estou curiosa para assistir que conta com uma dupla ótima no elenco: Keira Knighley e Benedict Cumberbatch. A história gira em torno do Alan Turing, interpretado por Benedict, que é um matemático e descrito como o pai da computação moderna, pois foi o criador do primeiro computador do mundo. Ele ajuda a codificar o Grande Enigma durante a Segunda Guerra Mundial. Tudo é bem misterioso e ao mesmo tempo sistemático. Além de tudo, Alan terá que lidar com seus problemas que o atormentam desde criança. Gosto de tramas assim.

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Essas foram algumas das obras que inspiraram a adaptação dos filmes para o cinema e que estão na lista dos melhores e mais aclamados prêmios de 2015. São histórias diferentes e tenho certeza que pelo menos uma irá mexer com vocês de alguma forma. Também espero que tenha ajudado ou inspirado vocês a lerem, quem sabe, obras premiadas nesse ano? Quais vocês já assistiram ou leram?
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16.1.15

Eu sou Malala, escrito por Malala Yousafzai e Christina Lamb

Editora: Companhia das Letras
Páginas: 342
ISBN: 9788536923438
Livro cedido pela editora em parceria com o blog.

Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012, uma terça-feira, ela quase pagou o preço com a vida.
Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no qual voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria.
Mas a recuperação milagrosa de Malala a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte do Paquistão para as salas das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz.
Eu sou Malala é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher em uma sociedade que valoriza filhos homens. 
Escrito em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, este livro é uma janela para a singularidade poderosa de uma menina cheia de brio e talento, mas também para um universo religioso e cultural cheio de interdições e particularidades, muitas vezes incompreendido pelo Ocidente. 

SOBRE O QUE SE TRATA

Após ser baleada por um membro do Talibã, em 2012, Malala Yousafzai se tornou conhecida em todo o mundo e muitos questionaram os motivos para uma garota de 15 anos ser considerada uma ameaça. Um ano depois, já recuperada e refugiada em outro país, Malala resolve contar a sua história em um livro.

O homem usava um gorro de lã tradicional e tinha um lenço sobre o nariz e a boca, como se estivesse gripado. Parecia um estudante universitário. Então avançou para a porta traseira do ônibus e se debruçou em nossa direção. 'Quem é Malala', perguntou (...). Minhas amigas mais tarde me contaram que a mão do rapaz tremia ao atirar. Quando chegamos ao hospital, meu cabelo longo e o colo de Moniba estavam cobertos de sangue. Quem é Malala? Malala sou eu e esta é minha história. (Págs. 17-18)

Nascida no Vale do Swat - região que faz parte do território Paquistanês, apesar de funcionar quase como um estado independente dentro de outro estado -, desde muito pequena Malala lidou com a diferenciação muito nítida feita entre homens e mulheres na região em que vivia. Enquanto os meninos podiam fazer o que bem entendessem, além de pensar em sua educação e sucesso profissional, as meninas deveriam se comportar, se preocupando com os afazeres domésticos e com um bom casamento. Mesmo dentro de tal contexto, Malala sempre recebeu incentivo de seu pai, Ziauddin, para que estudasse e sonhasse em ser algo mais do que uma esposa e uma mãe.

Após a chegada do Talibã ao Vale do Swat, teve início um período de repressão, em que novas leis foram impostas e quem ousar desobedecê-las deve arcar com as consequências, que vão desde açoitamentos públicos à execuções. Meninas foram proibidas de frequentar as escolas e as mulheres instruídas a permanecer dentro de casa e só sair com a companhia de um homem de sua família. Ziauddin não aceitou os termos e, sendo dono de uma escola, continuou incentivando a educação de meninas.

Sentíamos que o Talibã nos via como pequenos bonecos a ser controlados, aos quais se dizia o que fazer e como vestir-se. Pensei que se Deus quisesse que fôssemos assim, não nos teria feito diferentes uns dos outros. (Pág. 135)

Assim como o pai, Malala também passou a lutar por seus direitos e frequentemente participava de palestras em que falava para meninas sobre a importância de ir para a escola e do valor que tem o ensino. Em 2009, participou de um documentário para o New York Times (aviso: o documentário tem cenas fortes de violência, como corpos expostos e decapitados) em que falou um pouco sobre o período em que teve que abandonar os estudos por conta de constantes bombardeios entre soldados paquistaneses e americanos (Osama Bin Laden estava escondido em um local bem próximo ao Swat) sofridos por sua cidade. No vídeo, mais uma vez, ela foca na importância da educação para crianças - meninos e meninas - em todo o mundo.

Em "Eu Sou Malala" a jovem fala a respeito de sua infância no Vale do Swat e de como a região sofreu com a chegada do Talibã após o terremoto de 2005, narrando alguns dos acontecimentos históricos que marcaram o território. Ela também conta como foi se recuperar após o atentado contra a sua vida e de como se estabeleceu, junto com a sua família, na Inglaterra.

MINHAS IMPRESSÕES

Narrado em primeira pessoa pela própria Malala, o livro é dividido em cinco partes ("Antes do Talibã", "O vale da morte", "Três meninas, três balas", "Entre a vida e a morte" e "Uma segunda vida") em que ela explica um pouco da história do Vale do Swat e dos motivos que o tornam tão distinto do resto do território paquistanês. Ao tratar da história de seu país, Malala também apresenta um parâmetro social, econômico e político do Paquistão, deixando claro que lá as taxas de analfabetismo são muito altas, o que contribui bastante para a corrupção e para o avanço do Talibã, que deturpa os ensinamentos do islamismo, de forma a manipular a população de acordo com seus objetivos.

Nosso povo ficou desorientado. Pensa que o mais importante é defender o Islã e é malconduzido por aqueles que, como o Talibã, interpretam deliberadamente o Corão de forma errada. Devíamos nos concentrar em problemas práticos. Há tantos analfabetos em nosso país! As mulheres, sobretudo, não têm nenhuma instrução. Vivemos numa nação onde pessoas explodem escolas. Não dispomos de fornecimento confiável de energia elétrica. Não se passa um único dia sem o assassinato de pelo menos um paquistanês. (Pág. 234)

Além do campo político, social e econômico, o leitor também tem conhecimento do cotidiano da região e da vida familiar de sua narradora. Desde o início fica claro que Malala é uma adolescente como qualquer outra - ela gosta de escutar Justin Bieber, de assistir Ugly Betty e os filmes da série Crepúsculo -, com conflitos interpessoais, dúvidas e descobertas próprios dessa fase da vida. A linguagem é bem acessível. Acredito que isso se deva tanto ao fato de ter sido escrito por uma adolescente, quanto ao fato de o inglês não ser a língua nativa de Malala. Aliás, vale mencionar que o livro foi escrito com a ajuda da jornalista Christina Lamb. Não fica claro até que ponto a jornalista a auxiliou e até onde tudo o que está escrito foi ideia original de Malala, o que não muda de forma alguma a importância da obra.

Gostei bastante da leitura de "Eu sou Malala", que está entre os favoritos de 2014. Me identifiquei com Malala em alguns momentos e, de certa forma, a experiência de leitura de seu livro despertou em mim emoções muito próximas das que senti lendo "O Diário de Anne Frank". Talvez isso tenha ocorrido por ambos os livros trazerem os relatos de meninas que ainda muito jovens tiveram contato com a extrema violência. Felizmente, o destino de Malala foi positivo e hoje, já recuperada, ela continua com sua luta para que todas as crianças do mundo tenham acesso à educação. Em 2013, participou de uma conferência da ONU e no ano passado se tornou a mais jovem vencedora do Prêmio Nobel da Paz.

Além de bastante inspirador, o livro também é bastante interessante por tratar um pouco da história do Swat e do Paquistão. Confesso que, antes da leitura, tinha pouco conhecimento sobre estas regiões e o que sabia vinha de algumas notícias que li na internet e que sempre me deixavam confusa. Malala contextualiza sua história de forma a tornar um pouco mais clara para o leitor do mundo ocidental a realidade em que vivem muitos paquistaneses. Ela também frisa a importância de não classificar todo e qualquer muçulmano como terrorista, explicando que o Islã é uma religião que prega a paz e a igualdade, enquanto o Talibã distorce tudo para alcançar seus objetivos.

Eu não conseguia entender o que o Talibã queria fazer. 'Eles estão caluniando nossa religião', falei em entrevistas. 'Como você vai aceitar o Islã se eu apontar uma arma para sua cabeça e afirmar que o Islã é a verdadeira religião? Se eles querem que todas as pessoas do mundo sejam muçulmanas, por que primeiro não se mostram bons muçulmanos?' (Pág. 159)

Acredito que, levando em consideração o momento que estamos vivendo, esta mensagem é bastante válida. Leitura recomendadíssima!

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Eu sempre gostei bastante de entrar em papelarias e comprar canetas de diversos tipos e tamanhos. O início das aulas sempre foi o momento do qual mais gostei enquanto na escola: eu sempre me animava ao fazer a compra do material escolar, principalmente porque tudo seria novo e eu poderia escolher novos itens para um novo ano de estudo.

Creio que isso aconteça com quase todas as pessoas que gostam de ler. E ao descobrir uma loja online, chamada Doce Quimera, que vende alguns artigos de papelaria e algumas capinhas artesanais para livros e e-readers, não deixei de me animar com a possibilidade de encontrar um lugar no qual comprar o que eu sempre procurei, mas de uma forma mais personalizada. Sempre busquei por capinhas de tecido que protegesse meus livros enquanto os leio, e isso também se aplicou quando ganhei um kindle (eu acho particularmente difícil achar capinhas para e-readers que sejam bonitas e práticas). Quando conheci a Doce Quimera, achei os tecidos disponíveis incríveis, e quis conhecer os produtos. Além disso, eles vendem um marcador de mãozinha que sempre vi em matérias gringas, mas nunca para comprar aqui no Brasil. 

Foi uma felicidade firmar parceria com a loja, inclusive porque eles são muito atenciosos e prestativos. Entregam rápido e seguramente, sem contar no capricho e dedicação para com os produtos e clientes. Vem até junto das capinhas as especificações para a lavagem delas (como em roupas, sabem?)!

Fiz algumas fotos e um vídeo para mostrar melhor os produtos, espero que gostem :)









E pensando em vocês, a loja Doce Quimera separou um kit todo especial para sorteio aqui no Literature-se. Para participar e concorrer a um kit lindo e do seu gosto (o sorteado poderá escolher as cores e os tecidos), basta preencher este formulário uma única vez e residir aqui no Brasil (ou ter endereço para entrega aqui no Brasil).

O kit é composto por:
» Uma capinha (OU para livros OU para e-readers e o sorteado pode escolher o tecido)
» Um estojo (o sorteado pode escolher o modelo)
» Um marcador de mãozinha (o sorteado pode escolher a cor)
» Post-its de quatro cores
» Post-it pautado amarelo
» Flags coloridas e transparentes
» Uma caneta marca texto

Você não precisa seguir e curtir nenhuma rede social do blog e da loja, mas caso queiram, ficaremos muito felizes! O sorteio será realizado dia 25 de janeiro deste ano e o envio será realizado pela própria loja. O sorteado terá 48h para responder ao meu e-mail, caso contrário eu irei sortear novamente.

http://www.docequimera.com.br/
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http://instagram.com/docequimera
https://twitter.com/docequimera
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8.1.15

Então, uma mão amiga me emprestou 11 livros eróticos. Foi meu primeiro contato com eles e comecei por "Um olhar de amor", de Bella Andre. Mas, vamos às apresentações.
Apesar do amor imenso, ler não é fácil. Comecei pelos gibis que meus pais compravam quando podiam, Tio Patinhas, Pato Donald, Mickey, Fantasma, e adentrei o universo dos livros sem muita segurança, apesar da curiosidade. Claro que devo ter lido milhares de livros infantis, mas meu primeiro marcante foi "As aventuras do Kon-tiki", não me lembro do autor. Falava sobre um navegador norueguês, Thor Heyerdall, e viajei com ele.
Daí, muito irregularmente, passei por Guy de Maupassant, Sidney Sheldon, James Michener, William Shakespeare, Jane Austen, Victor Hugo e não parei mais. Não consegui.
Quem escolhe minhas leituras é uma parte autônoma de mim, que se guia pela vontade, inspiração, estado de espírito. Às vezes, o cérebro diz: "Hora de ler coisa melhor", e eu obedeço. Algumas vezes dá certo. Desta vez, foi a necessidade de devolver os livros com algum comentário.

Assim, comecei a leitura por esse livro porque o título me pareceu "suave", e terminei em um dia. É um romance, basicamente, sobre um casal aproximado pelo acaso, com muitas páginas, pouquíssimo estilo e várias cenas de sexo. Não me considero puritana e, neste romance, embora bastante descritivas, as cenas não têm nada de mais. Como assim? Parece-se um pouco com os romances "de banca", totalmente focado nas desventuras do casal, o que um fez, o que viu, o que sentiu, o que o outro viu, sentiu e fez em troca. Até tem um pouco de emoção, superficial, mas está lá. Imagino que seja atraente para quem quer se distrair sem nenhum compromisso, mas achei uma leitura muito fraca. Alguns "romances de banca" são muito mais profundos, nas suas 216 páginas, aproximadamente (e má fama...), do que este, nas suas 256.

O próximo foi "Por um momento apenas", da mesma autora, lido para tirar a cisma com o primeiro. E fui surpreendida por um romance ainda mais superficial, cenas sexuais repetitivas com palavreado algumas vezes grosseiro e, no geral, uma sensação de: por que estou lendo isso? Por que os livros eróticos têm atraído tantos leitores?
Acredito que seja pela vontade de ler sem pensar, simplesmente pela distração fácil e pelas descrições quase visuais. Imagino que a liberdade de ler/fazer o que quiser, sem importar-se com a opinião alheia também tenha muito a ver com isso. De modo geral, as pessoas mais cultas torcem o nariz para qualquer manifestação literária que não tenha sido anteriormente reconhecida como interessante, importante em nível cultural. E o que são os livros eróticos senão uma manifestação totalmente livre de rédeas, da imaginação? Então, assim como as pessoas vão ao cinema para assistir filmes de todos os tipos, também devem ter a liberdade de ler todo tipo de livro, livre de censura intelectual ou moral.
Os livros infanto juvenis mais recentes, como "Capitão Cueca" ou "Diário de um Banana" já estão ocupando esse espaço com os leitores de 6 a 15 anos, em seguida vem a série "Crepúsculo" e similares. Apesar de a literatura popular ter inúmeros exemplares com estilos variadíssimos, como livros de auto ajuda, por exemplo, os "Cinquenta tons de cinza" abriram caminho para uma literatura exclusivamente de entretenimento, sem compromisso com algum conteúdo cultural, aliado a um senso de transgressão.
Por isso, sem hipocrisia, li ambos os livros no mesmo dia, no início, interessada pelo desenrolar dos fatos e, sim, pela novidade do conteúdo explícito. Terminei com uma sensação de vazio porque, para mim, a leitura costuma instigar a entender melhor algum mecanismo mental, emoção, situação de conflito. Como se tivesse assistido a um desenho de televisão, e desligado-a assim que ele acabou. Sem ficar com um único pensamento sobre o que vi. Sem pensar. Sem sentir.

Mas, amigo leitor, é só a minha opinião. Um abraço, e até o próximo livro!
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7.1.15


Já comentei neste post sobre a minha decepção com metas literárias rígidas que definem x livros para ler num determinado período. Mas eu gosto de planejar, de estruturar um viés literário mais bacana e que sirva melhor à minha experiência como leitora. Não consigo fugir disso, é algo praticamente impossível na minha vida. Estou constantemente me programando.

No final de 2014 eu li esta matéria sobre a escritora Ann Morgan que, durante o seu ano de 2012, leu pelo menos um livro de cada país. Ela tanto leu 196 livros de 196 países diferentes, como está publicando um livro sobre essa viagem literária, que possui o nome de A year of reading the world. Eu achei isso fantástico, pois não é apenas um desafio dificílimo (afinal, há o obstáculo das línguas e dos conflitos político/religioso/étnico/cultural, para citar por cima); é uma forma de conhecer, de aprender e de sair da zona de conforto dos livros norte-americanos e ingleses. E, também, quem é que não sonha viajar o mundo? Como não tenho condições para viagens físicas, encontrei a solução mais próxima da minha realidade, mas ainda assim desafiadora.

O projeto de Morgan é ainda mais ousado por ter um prazo delimitado. Mas eu não pretendo seguir este aspecto, porque eu ainda sou uma jovem leitora, mal leio em inglês (o que constrói uma barreira e tanto nesta minha jornada) e mal entrei na faculdade. Portanto, é um projeto sem limite de tempo. Lerei conforme conseguir e desejar, sem pressões, pois caso contrário, voltaríamos para o início: um plano fracassado e deixado no passado. Quero que seja algo prazeroso, para degustar aos poucos mesmo, assim não me canso e posso cumprir outras metas. 

Na postagem já citada sobre o balanço de minhas leituras do ano passado, a Valéria Corley me indicou o link para o blog Viaggiando que, além de ter criado o A volta ao mundo em 198 livros (inspirado no "A year of reading the world"), ainda viaja por lugares muito bacanas. Fiquei encantada com o blog, e creio que o próprio projeto da Camila já está me ajudando: vou seguir o que ela determinou para si mesma, 193 países membros da ONU mais seus dois estados-observadores (Vaticano e Palestina) e Taiwan, Saara Ocidental e Kosovo que não são reconhecidos por ela. Agora, para começar, eu separei alguns países que estão mais próximos da minha realidade em termos de livros já comprados ou já definidos. Também contei dois livros que já li no ano passado: Dublinenses, do autor irlandês James Joyce, e Cem anos de solidão, do autor colombiano Gabriel Garcia Márquez. Já li outros livros que também se encaixariam no projeto, inclusive no ano passado, mas decide manter apenas estes dois por terem marcado melhor a minha memória e por querer ler outros livros dos países "já lidos" (inclusive de autores já lidos).

Afeganistão: Khaled Hosseini
Alemanha: Hermann Hesse (Sidarta) 
Angola: José Eduardo Agualusa / Pepetela 
Argentina: Jorges Luis Borges / Ricardo Piglia / Adolfo Bioy Casares / Julio Cortázar 
Austrália: Markus Zusak 
Áustria: Stefan Zweig 
Canadá: Alice Munro 
Chile:  Roberto Bolano / Alejandro Zambra (Bonsai) / Isabel Allende (A Casa dos espíritos) 
China: Sun Tzu (A arte da guerra) 
Colômbia: Gabriel García Márquez (Cem anos de solidão) 
Espanha: Carlos Ruiz Zafón (A sombra do vento)
Irlanda: James Joyce (Dublinenses) 
Itália: Primo Levi 
Japão: Haruki Murakami 
México: Juan Pablo Villalobos / Carlos Fuentes 
Moçambique: Mia Couto (A confissão da leoa) 
Nigéria: Chimamanda Ngozi Adichie (Sejamos todos feministas e Americanah)
Noruega: Jo Nesbo 
Peru: Mario Vargas Llosa (Tia Júlia e o escrevinhador) 
Portugal:  José Saramago (As intermitências da morte) 
República Tcheca: Franz Kafka (O processo) 
Rússia: Dostoiévski (Crime e castigo, Memórias do Subsolo, O duplo... A decidir) 
Serra Leoa: Ishmael Beah (Muito longe de casa) 
Legenda:
● Livro ainda não definido (se alguém puder me ajudar nessa escolha;)
● Livro já definido, porém ainda não adquirido 
✓ Livro já definido e adquirido
✓ Livro lido


As leituras serão feitas, inicialmente, de forma aleatória e à mercê da minha vontade. Mas com o tempo, e com o gradativo aumento da dificuldade em se achar um livro do país para ler, pretendo fazer sorteios igual ao que ocorre no Volta ao mundo em 198 livros. Como podem notar, estou tentando deixar o projeto mais flexível no seu início para que eu me adapte à ele e, assim, tudo transcorra de uma forma melhor e mais tranquila.

Por último, peço de todo o coração que me ajudem nesse desafio. Se você leu a minha lista dos países já selecionados e pensou num outro livro de outro país que acha bacana eu ler, por favor, comente e acrescente mais um país à minha lista que, neste momento, parece interminável rs 

E quem mais quiser topar o projeto, é só comentar me avisanto, e posso até disponibilizar para você o logo do começo do post que fiz especialmente para essa viagem literária :)

Veja aqui a lista atualizada dos países que li e como participar também!
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