22.11.14

Resenha: Violent Cases

Violent Cases, por Neil Gaiman e Dave Mckean
Editora: Aleph
Páginas: 64
ISBN: 9788576571834
A verdade e a confiabilidade das memórias são o fio condutor de Violent Cases, a primeira e famosa colaboração do escritor Neil Gaiman com o artista Dave McKean. Pressagiando muito do estilo e dos temas que ambos viriam a tratar em criações futuras, a graphic novel mistura ficção e realidade de forma tão singular quanto combina texto e imagem, e traz em seu cerne o poder e a magia de contar histórias. O protagonista nos conta que, quando tinha quatro anos e meio, uma altercação com o pai levou-o a um osteopata para tratar o braço. Este médico dos ossos, de procedência incerta, aparência imprecisa e passado nebuloso, é o pivô das memórias do narrador que, mesmo sem muita segurança, entrelaça os mundos de violência na família, das festas infantis e dos famosos gângsters do período da Lei Seca. 

Violent Cases é originalmente um conto elaborado por Neil Gaiman e ilustrado por Dave Mckean que virou uma HQ capaz de se tornar uma experiência marcante para o leitor. Narrado por um homem de meia-idade, conta fragmentos de memórias da infância que se revelam nebulosos e falhos. Ele nos revela que, devido a violências na família, teve o braço fraturado e precisou ir a um osteopata, e que este também era o médico do Al Capone, famoso contrabandista/gangster dos Estados Unidos da época da Lei Seca. Assim, os quadros mostram trechos da conversa entre o osteopata e o garotinho e como este ficou impressionado com o que ficou sabendo a respeito do gangster. Relatos e relações demonstram um contexto de violências e possíveis abusos.

O leitor que já conhece Neil Gaiman provavelmente fará a óbvia associação do homem de meia-idade, também o narrador, com o próprio autor devido aos desenhos em que ele aparece. Surge a pergunta: seria uma história baseada em acontecimentos da vida de Neil Gaiman? Na espécie de extras que possui no final da HQ há o posfácio da edição de 2003 escrito pelo escritor que diz "aquele jovem [o desenho do narrador-personagem] que acende o cigarro nos primeiros quadros não é o eu de meia-idade que parou de fumar dez anos atrás. Mas ele e o Dave fizeram algo muito bom há bastante tempo, e ainda me orgulho deles". Então, é possível se tratar de um alter ego dele.

Narrador-personagem no início da história

Perfil de Neil Gaiman
Quanto aos traços e às cores, é de admirar qualquer um. Dave sabe sair dos tons sóbrios e da sépia quando necessário, como quando há o envolvimento de sangue e a cor se torna viva. Também mistura fotos de uma maneira genial, e conseguiu trabalhar de forma incrível quanto à nebulosidade das memórias falhas.

A HQ é um relançamento aqui no Brasil pela Aleph neste segundo semestre de 2014, e envolveu um trabalho primoroso da editora. O papel é couché no miolo e supremo na capa, sendo num tamanho bem maior do que se costuma encontrar no mercado editorial.

Há um texto no final do tradutor, Érico Assis, explicando alguns aspectos da tradução, que ele de certa forma também expõe neste post.










2 comentários:

  1. Essa capa de Violent Cases é linda demais! Tá na minha lista de aquisições.
    O que é essa página das rosas na penúltima imagem, gente? *-* Muito linda.
    Mell, só corrige lá no 1º parágrafo o nome de Dave McKean, ok? Bjs ;)

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  2. Ooooops, hahahaha Obrigada pela correção, na correria acabei comendo uma letra!
    Liiiinda demais essa página das rosas, é a que mais gosto! rs
    Beijos!

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