7.11.14

Resenha: A Máquina do Tempo

A máquina do tempo, escrito por H.G. Wells

Editora: Alfaguara Brasil
Páginas: 152
ISBN-13: 9788579620089

A Máquina do Tempo é o primeiro romance de H.G. Wells. Depois de vários rascunhos e versões, foi finalmente publicado em 1895. O livro teve sucesso instantâneo no Reino Unido, e sua fama logo se espalhou por outros países. Chamado de "homem de gênio", considerado um pioneiro, Wells abriu caminho não só para seus livros e sua visão de mundo, mas para novas possibilidades temáticas na literatura.
Lançado agora em nova tradução pela Alfaguara, A Máquina do Tempo é o primeiro e mais importante romance moderno sobre viagens no tempo, e um clássico da literatura mundial. Com uma narrativa envolvente, H.G. Wells cria a fabulosa jornada de um cientista inglês a um mundo futuro, desconhecido e perigoso. Acompanhamos suas descobertas, seu deslumbramento e o horror que, aos olhos do viajante, aos poucos se anuncia.

SOBRE O QUE SE TRATA

Publicado em 1895, A Máquina do Tempo, de H.G. Wells, é considerado o primeiro romance de ficção-científica a abordar o tema de viagem no tempo. Tendo início em uma residência localizada na Londres vitoriana, a história traz um grupo de homens renomados - médico, jornalista, advogado, etc. - reunidos para um jantar à convite de um conhecido, chamado apenas de "O viajante do tempo".

Após ser indagado sobre os motivos que levaram ao convite para o jantar, o viajante explica que construiu uma máquina capaz de se mover pela quarta dimensão, a dimensão do tempo. Os convidados se mostram incrédulos a respeito do que acabaram de escutar, assim, o viajante resolve provar, viajando para o futuro e voltando para contar o que viveu.

Chegando ao ano 801.702, o viajante no tempo entrará em contato com um novo mundo e com uma nova espécie humana, dividida em duas: os pacíficos Eloi e os temidos Morlocks. Convivendo com os Eloi, ele irá refletir sobre os avanços da ciência e da tecnologia e tentará entender o que levou a humanidade a chegar àquele ponto.

MINHAS IMPRESSÕES

A leitura, de uma forma geral, foi bastante interessante e envolvente. Surpreendentemente, consegui escapar ilesa de spoilers relacionados à história, de forma que pouco sabia sobre o enredo. Logo, fui sendo, aos poucos, conduzida por H.G. Wells em sua história de aventura no futuro.

Gostei da possibilidade de acompanhar um homem da ciência do século XIX entrando em contato com um mundo do futuro e completamente diferente daquele com que estava acostumado. Lendo A Máquina do Tempo percebi que mesmo após dois séculos, ainda vivemos o reflexo do que foi o século XIX; tudo bem que os avanços tecnológicos e científicos já atingiram um outro patamar, mas ainda assim, consigo enxergar o homem do século XXI como uma continuidade do que foi o homem do século XIX. Assim, o livro de H.G. Wells, apesar de antigo, continua bastante atual. E essa é a grande maravilha dos clássicos.

O livro é pequeno, por isso, não entregarei muito do enredo. Gostei muito das descrições de cenários do futuro, como os locais onde os Eloi e os Morlocks vivem. Através dos olhos do viajante, o autor conseguiu fazer com que eu sentisse um estranhamento em relação ao mundo do futuro, tentando entender essas duas espécies derivadas da humanidade e como viviam. Há uma atmosfera de mistério na história e quando finalmente compreendi o que estava acontecendo, fiquei surpresa e me envolvi ainda mais com a leitura.

A narrativa, feita em primeira pessoa e por dois personagens, é bastante fluida e traz descrições de cenários na medida certa. O único porém que poderia ser feito neste aspecto é a forma superficial com que o autor conta a história. O livro foi o primeiro trabalho de Wells, que foi bastante criticado por - vejam só! - Jules Verne por não ter apresentado uma base científica em sua história. O viajante construiu uma máquina do tempo e ficou por aí mesmo, o leitor que imagine o procedimento que ele utilizou em sua experiência. Para mim, este ponto em particular não incomoda, visto que não sou uma pessoa muito...científica. Ainda assim, gostaria de ter encontrado maiores explicações relacionadas aos Eloi e Morlocks e sua forma de "governo"; gostaria de ter compreendido melhor o que levou a humanidade a chegar até ali.

Mesmo com estes pontos que podem ser considerados negativos para alguns leitores, o livro me proporcionou várias reflexões acerca do ser humano e o seu futuro. Me fez pensar em como estará o planeta daqui a milhares de anos, se os humanos ainda serão a espécie dominante e, se sim, se teremos avançado ainda mais ou regredido à um ponto primitivo. E se não estivermos mais aqui, como seria a espécie dominante? O autor também aproveita para tratar, ainda que de forma sutil, sobre a questão da luta de classes, bastante recorrente desde o século XIX. Ao concluir, percebi que o autor não tinha uma visão muito otimista a respeito da humanidade. 

De forma geral, gostei da leitura de A Máquina do Tempo, uma história de aventura que me fez pensar em algumas questões. É um livro agradável, rápido de ler e recomendado à todos os que  gostam de histórias sobre viagem no tempo.


1 comentários:

  1. Criativa Re-leitura8 de novembro de 2014 09:39

    Livros assim me encantam. Fazem a gente ter uma reflexão tão grande da vida.

    http://criativare-leitura.blogspot.com.br/

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