16.11.14

Resenha: 20 mil léguas submarinas, Jules Verne

20 mil léguas submarinas, por Jules Verne.
Editora: Zahar
Páginas: 455
ISBN: 9788537807309
Livro cedido pela editora em parceria com o blog.
Em 1866, quando navios de diversas partes do mundo começaram a naufragar e sofrer misteriosas avarias, governantes e homens de ciência mobilizaram-se para identificar, localizar e deter o misterioso monstro marinho responsável por tais ataques. Mas a missão não correu conforme os planos, e a besta desconhecida destroçou a fragata que fora em sua captura. Lançados ao mar, o professor Aronnax, o fiel Conselho e o exímio arpoador Ned Land foram resgatados e feitos prisioneiros pelo enigmático capitão Nemo, dono, líder e principal habitante do prodigioso submarino Náutilus. Navegando águas remotas dos oceanos e lançando-se em ousadas caminhadas submarinas, esses homens desbravarão a vida por um ângulo inteiramente novo, descobrindo a exuberância da flora e da fauna marinhas e experimentando emoções conflituosas, numa viagem vinte mil léguas sob os mares.

Sobre o que se trata

Um grande mistério consome o mundo científico e o marítimo do século XIX: algo incrivelmente grande e jamais visto nos mares agora assombra as tripulações de diversas embarcações. Alguns creem se tratar de um monstro marinho, outros, mais sensatos, apostam ser uma espécie de animal nunca antes catalogado. O famoso professor francês Aronnax defende a segunda opinião, incluindo, ainda, o palpite de que seria uma espécie aparentada aos narvais. Mas depois do suposto animal atacar navios mercantes e causar prejuízos a comerciantes, é organizada uma expedição de caça para impedi-lo de continuar transtornando o mundo marítimo. Seguindo seu instinto de naturalista curioso e estudioso, Aronnax se junta à expedição, bem como seu fiel assistente, Conselho. Embarcados, conhecem um exímio arpoador, Ned Land. Depois de muito tempo em auto mar à procura do tal animal gigantesco, eles enfim ficam cara-a-cara com o dito cujo. Porém, este acaba danificando seriamente e embarcação da expedição, e devido a um naufrágio, Aronnax, Conselho e Ned acabam sendo resgatados por nada mais, nada menos que o Náutilus, um submarino de proporções inimagináveis. 

À bordo do submarino, eles - agora prisioneiros do capitão Nemo, que tem aversão ao mundo terreno e proíbe seus hóspedes de um dia voltarem à terra -, irão testemunhar uma viagem de 20 mil léguas pelos mares do nosso planeta, em aventuras totalmente peculiares e curiosas.

Minhas impressões

Esse é o segundo livro de Jules Verne que leio, e devo dizer que Volta ao mundo em 80 dias me conquistou deveras. Embarquei nessa outra história, e tão igualmente conhecida, imaginando que eu iria me empolgar ainda mais, porém não foi o que aconteceu. Apesar de ter adorado a experiência, e me entusiasmado com a maioria das aventuras à bordo do Náutilus, devo dizer que algumas características de 20 mil léguas submarinas me fizeram deixá-lo de lado em vários momentos.

A melhor qualidade do livro é, sem dúvida, a criatividade do autor. As cenas, as situações e as aventuras são permeadas de grandes surpresas. O leitor irá vibrar com acontecimentos antes nunca imaginados, e duvidar de muito do que o comendante Nemo diz aos seus novos tripulantes, assim como estes. O cenário é totalmente diferente e atrativo.

A escrita poderia ser polida e objetiva que não perderia seu louvor, como no primeiro livro do autor que li. Porém, além desses aspectos, aqui a narrativa se torna cansativa devido às extensas descrições. O narrador é em primeira pessoa sob o ponto de vista do professor Aronnax, portanto, é natural ele se dispor a catalogar espécimes à fio, isso na linguagem científica. Para quem não é da área, isso se torna um convite para fechar o livro, e para os biólogos que conheço e que leram, também, pois há muitos erros, afinal o livro foi escrito no século XIX. Creio que os naturalistas ainda assim irão gostar, pois isso é relativo, e empolgante para as pessoas da área. Outro pensamento que me surgiu durante a leitura diz respeito a um irritante tom pedante da narrativa, pois o professor cita com detalhes tamanhos de peixes, nomes, entre outras minúcias não tangíveis até às mentes mais brilhantes e de incrível memória.

Quanto ao desfecho, eu senti a necessidade de mais. De certa forma, achei insatisfatório, pois não encontrei um desenvolvimento maior dos personagens, nem explicações dos mistérios, e achei abrupto demais.







A minha edição é a da Zahar, que instiga o leitor por tamanha beleza. Possui muitas ilustrações, apresentação, notas de rodapé milagrosas, glossário de termos náuticos, cronologia da vida/obra de Jules Verne e agradecimentos do tradutor. A editora também publica uma edição de bolso de luxo da obra.

No geral, não desgostei de todo da experiência de leitura. Creio que seja um clássico de leitura obrigatória, mas não recomendo aos iniciantes do mundo de Jules Verne. Recomendo a leitura de outros livros do autor primeiro, como Volta ao mundo em 80 dias, para depois se aventurar no mundo submarino criado pelo autor. É de difícil leitura devido às descrições minuciosas, mas ao mesmo tempo me envolveu em várias passagens por conta da criatividade e das aventuras narradas. Indico para os amantes de clássicos, de aventuras submarinas e para quem não se importa com leituras demoradas.

2 comentários:

  1. rayanna lucylle svt19 de novembro de 2014 10:00

    Oh my goodness, que edição linda!! Concordo contigo em vários pontos, não em relação a esse livro (porque ainda não li), mas em relação a escrita do autor.. Quando tu falou que achou o livro cansativo devido às extensas descrições, me lembrei na hora de Um Padre em 1839. É o único livro dele que tenho, e o único da minha estante que eu não consegui ler :( O livro tem tanto detalhe, mas TANTO DETALHE que chega uma hora que você simplesmente esquece da história que está lendo.. Darei uma segunda chance pra ele após, claro, ler Volta ao mundo em 80 dias :D

    Rayanna Lucylle

    www.artigo2.com.br

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  2. Essa edição é sensacional, amo ficar olhando essas fotos, pois são muito coloridas! rs
    Nunca li esse livro dele. Para falar a verdade, nem sabia que existe! :O
    Pelo jeito é algo comum nos livros dele, né? Mas em Volta ao mundo eu não percebi taanto isso, eu li há dois anos, era mais jovem portanto, e muito me empolguei com a história.
    Um beijo!

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