31.10.14

Halloween: um pouco sobre algumas de suas criaturas assustadoras

Dia 31 de outubro é conhecido - principalmente nos países de língua inglesa - como o dia de Halloween, ou Dia das Bruxas. A origem do nome deriva de All Hallow's Eve (Vírgília de Todos os Santos), nome dado ao dia escolhido pelos cristãos para celebrar todos aqueles que os haviam precedido. O Halloween também tem suas origens na cultura celta - que celebrava a data como um culto à suas divindades -  e também na cultura mexicana, que nessa mesma época comemorava o dia dos mortos. É por conta dessa celebração que surge a ideia de se fantasiar no Halloween; para fugir ou despistar algum morto que estaria vagando na terra à procura de vingança, as pessoas se vestiam de monstros ou criaturas igualmente assustadoras.

Para celebrar o Halloween - ou Dia das Bruxas, como preferir - aqui no Literature-se, resolvi falar um pouco sobre algumas das criaturas mais conhecidas dessa época do ano. Aproveitarei a oportunidade para também sugerir algumas leituras. Preparados? Vamos lá!

BRUXAS:

Normalmente imaginadas como velhinhas feias e narigudas que voam em vassouras e praticam magia negra, as bruxas são muitas vezes retratadas na cultura popular como as grandes vilãs das histórias (alguns filmes da Disney estão aí para comprovar). É durante o período da Idade Média que surge essa imagem que, ao que tudo indica, não passa de fruto do imaginário popular de um contexto marcado por  medos e intolerância à diferentes crenças. Na literatura, as bruxas - ou bruxos, magos - também são retratadas como seres detentores de sabedoria e conhecimentos acerca da natureza e da magia; é o caso de As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley. Outro exemplo bastante conhecido de história com bruxas e bruxos "do bem" é a série Harry Potter, de J.K. Rowling.

VAMPIROS:

Entidades do tipo foram registradas em várias culturas que datam de tempos primordiais, porém o termo vampiro só se tornou popular a partir do século XIX, para descrever seres que se alimentam da energia vital de criaturas vivas. As lendas de vampiros surgiram em regiões dos Balcãs, da Europa Oriental, da Grécia e da Romênia e em todas é possível encontrar um leque de diferentes aparências para esses seres, que variam desde praticamente humanos a corpos em decomposição. Foi em 1819, com a publicação de The Vampyre, de John Polidore, que nasceu o estereótipo do vampiro sofisticado, elegante e carismático.

Anos mais tarde, em 1897, Bram Stokes publicou Drácula, romance que permanece até os dias atuais como a obra-prima de histórias de vampiro e referência para demais obras. Inspirado em mitologias de lobisomens e demônios, Stoker estabeleceu no imaginário popular a ideia de vampiros como seres sedutores, sedentos por sangue humano, bastante poderosos e, pasmem, nenhum pouco noturnos. É isso aí, o Drácula anda no sol e não queima e/ou brilha.

FANTASMAS:

A ideia de vida após a morte e de um submundo onde as almas viveriam pela eternidade pode ser encontrada em diferentes culturas desde os tempos da Antiguidade. Os antigos egípcios, por exemplo, pintavam os sarcófagos com as características de seus mortos com o intuito de ajudar a alma a encontrar novamente seu corpo. Caso a alma não conseguisse encontrar, ficaria vagando pela terra.

Em muitas culturas é comum também a diferenciação de espíritos entre espíritos benignos, que são venerados em rituais, e malignos, que buscam vingança. Na cultura popular, incluindo a literatura, é comum encontrarmos histórias de objetos ou casas possuídos por esses espíritos vingativos. O material resultante, na maioria dos casos, é suficiente para nos deixar de cabelos arrepiados e sem conseguir dormir por dias. Um exemplo clássico de história de casa assombrada por fantasmas é A outra volta do parafuso, de Henry James, que já foi resenhado aqui.

ZUMBIS:

De forma geral, zumbi é definido como um morto que voltou à vida, privado de vontade própria e personalidade. As histórias de zumbi tem sua origem nos rituais de vodu haitiano que, de acordo com a crença, seria capaz de trazer de volta à vida um ser que sairia em busca de vingança contra aqueles que lhe causaram mal. Na maioria das histórias com esses seres, nunca se sabe o motivo para a reanimação, de forma que os mortos voltam à vida em estado catatônico e geram medo nos vivos.  

Na cultura popular, o modelo de zumbi foi consolidado pelo filme A noite dos mortos-vivos, dirigido por George Romero e lançado em 1968. Na obra, os zumbis são seres em decomposição que não pensam e, motivados por um instinto inexplicável, se alimentam de carne humana. É aqui que encontramos a ideia de apocalipse zumbi que hoje é tão popular por conta da série The Walking Dead. O filme de George Romero foi adaptado para um livro por John Russo, que escreveu o roteiro do filme, que ganhou a continuação A volta dos mortos-vivos. Ambos podem ser encontrados na edição recente lançada pela editora Dark Side.

DEMÔNIOS:

No contexto cristão, Satanás (também chamado de Diabo e Demônio) teria sido um anjo que se rebelou contra Deus e, por isso, caiu na Terra, onde passou a lutar pela perdição da humanidade; após a sua queda, muitos anjos o teriam seguido. Já na tradição judaica, não se trata de apenas uma entidade, mas sim de várias. No caso, seriam seres imperfeitos - meio humanos e meio espíritos -  bons ou maus,  criados após o homem e com a possibilidade de se reproduzir e com ações que tendem ao caos. Na tradição islâmica, os demônios - também chamados de jiin - são seres dotados de livre arbítrio e coexistem com os seres humanos; são comandados por um demônio superior.

A possessão demoníaca pode ser encontrada em muitas crenças e consiste no controle de uma pessoa por uma entidade maligna. O tema também serviu de base para muitas produções culturais, como O Exorcista, de William Peter Blatty, publicado em 1971. Na história de Blatty, Regan, uma menina de 11 anos, é possuída por um demônio. Acredita-se que o enredo do livro teria sido baseado em um caso real registrado no estado de Maryland, Estados Unidos, em 1949. Em 1973, o livro foi adaptado para os cinemas com o roteiro de Blatty e a direção de William Friedkin, e até hoje permanece como um dos filmes de terror mais assustadores de todos os tempos.

E aí, qual é a sua criatura de Halloween preferida? Algum livro com ela que gostaria de recomendar? Conte nos comentários, a gente vai adorar saber! Feliz Halloween para todos e não se esqueçam de dormir com a luz acessa! :)

3 comentários:

  1. Adoro todos hehehe. Adorei o post! O Halloween é uma das minhas datas favoritas só por que amo me fantasiar e qualquer desculpa para usar fasntasia para mim está valendo. :) Mas a verdade é que sempre curti terror. Desde criança. Assistia a todos os filmes de terror que tivesse oportunidade e hoje em dia assisto filmes e séries e leio livros também. Acho tudo fascinante e divertido.
    Beijos.

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  2. Paula Bajer Fernandes5 de novembro de 2014 06:09

    Também adorei o post, informativo e divertido!

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  3. Amo tudo quanto é criatura fantástica - seja 'do terror' ou não, mas as minhas favoritas são as bruxas (ou bruxos). As Brumas de Avalon e toda a saga de Harry Potter tem lugares especiais no meu coração!
    Mell, queria mesmo comentar é do layout do blog. Tá uma coisa linda de Deus *-* Tudo organizadinho, com cores bacanas e arte super bem executada. Parabéns!

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