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Ensaio sobre a cegueira Saramago

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Uma duas Eliane Brum

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ao farol virgínia woolf

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mulheres de cinzas mia couto

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Extraordinário Luandino Vieira

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Luuanda Luandino Vieira
27.8.14


Do dia 22/08 passado até o próximo domingo (31/08), acontece em São Paulo a 23 Bienal do Livro. Lembro de que ano passado eu estava louca para participar da Bienal que rolou no Rio de Janeiro, mas não pude. Também lembro que a última Bienal que visitei foi há aproximadamente oito anos, quando eu tinha por volta dos 13 anos. Na época fiquei fascinada, mais do que eu costumava ficar quando ia junto da escola, e voltei pra casa com muitos livros e um sorriso enorme no rosto. Mal sabia eu que anos mais tarde eu faria a mesma coisa (embora com menos livros e um pouco mais de "pãodurismo"), mas que voltaria com um sorriso ainda maior no rosto. Apesar dos pesares.

Resolvi fazer esse post para dar algumas dicas e tentar ajudar aqueles que ainda vão passar pela Bienal esse ano. Mesmo que tarde, acho importante ressaltar alguns pontos sobre o evento, já que gostaria que tivessem me esclarecidos algumas coisas, mesmo que só para me programar antecipadamente. Depois volto para falar sobre o que comprei, quem conheci e tudo o mais, combinado?

Como chegar?

Eu moro no interior, a aproximadamente 50 minutos de ônibus da capital. Para a minha sorte, o ônibus que pego ao lado de casa para justamente no terminal Tietê. Digo isso porque o evento disponibiliza muitos ônibus gratuitos ida-e-volta para quem vai visitar a Bienal sem carro (cuja estadia custa R$40). Tanto no sábado quanto no domingo passados eu fui de ônibus até o Tietê, porém não consegui encarar a fila enorme que tinha para pegar o tal ônibus gratuito. Fiquei sabendo que o tempo da fila era de em média 30 minutos por volta do meio dia, mas aposto que no horário no qual cheguei (9h00), eu demoraria bem mais do que isso para chegar até o Anhembi, local onde está sendo realizada a Bienal. Se você pretende encarar a fila, leve mais água e um bom protetor solar. Mas também há os transportes "alternativos". Vans e ônibus paralelos que são pagos, mas que te deixam no local em apenas 5 minutos, ou menos. Vi quem cobrava R$3 e quem cobrava R$5. E, claro, os taxis, mas sobre eles não sei informada nada.

Durante todos os dias do evento o ônibus gratuito sai do Tietê, mas nos finais de semana tem gratuitos também no terminal Barra Funda. Domingo fui até a Barra Funda, porém lá eles são tão desorganizados que acabei não encontrando os ônibus e peguei o metrô até o Tietê, onde tem até placas indicando o local de partida dos tais ônibus. No final das contas, creio que o ônibus da Barra Funda saia de fora do terminal, mas já não posso dar certeza.

Como entrar e a questão das filas

Tem fila para tudo: beber água, usar o banheiro, comer, pegar autógrafo, entrar nos estandes, pagar suas compras (!) e, como não poderia deixar de ser, para comprar o ingresso e para entrar no evento. Por isso, o melhor a se fazer é comprar os ingressos antecipadamente pela internet, que é fácil, rápido (você pode imprimir na hora mesmo) e evita uma fila de mais de uma, duas horas, dependendo do horário/do dia que você for visitar o local. O normal é que essas filas diminuam nos dias da semana, mas só fui durante o final de semana para afirmar isso. 

Alimentação

Se tem uma coisa que você não pode deixar de levar é água. Primeiro porque as filas são gigantescas, fiquei 45 minutos para conseguir comprar duas garrafinhas. Segundo porque lá dentro é muito calor, eles definitivamente têm problemas com a circulação de ar ali dentro. E por último, mas não menos importante, porque a água custa o olho da cara: já vi por R$4, R$5 e até por R$6! E nem pense em bebedouros, porque só vi um (!) durante todo o evento, e fiquei sabendo que na sexta-feira eles retiraram a maioria para "incentivar" a compra. 

Já a comida é complicada. Quase tudo padronizado, frio e o pior que se pode imaginar. Sem contar a fila gigantesca. Porém, sei de um restaurante no andar de cima que dizem que é a melhor opção para quem vai comprar a sua comida. Para mim, a melhor opção é levar um lanche de casa, assim se evita fila e refeições abaixo da média.

Preço dos livros - vale a pena gastar na Bienal?

A Bienal nunca agradou 100% as pessoas pechincheiras. Não vá ao evento pensando que vai a um sebo, apesar de hoje em dia nem sebos cobrarem tão barato assim. Há estandes com promoções, outros com descontos progressivos, e até mesmo aqueles com ótimos preços, como um dos estandes da Saraiva que possui livros a R$5 e R$10. Porém, a maioria dos estandes não costumam ter preços tão baixos quanto gostaríamos. Uma coisa bacana a se fazer é conhecer editoras menores (e estandes de lojas, não de editoras), pois as maiores quase nunca têm um preço amigo. Creio que vale a pena comprar livros lá, sim, porém aqueles com preços mais baixos do que os da internet/lojas físicas, ou aqueles difíceis de se encontrar.

Organização 

Embora no domingo a organização já estivesse melhor, ainda assim deixava a desejar. É muita gente para um lugar pequeno, as editoras maiores estão todas juntas (o que dificulta a boa circulação dos visitantes e acaba criando mais filas e tumultos), as senhas de autógrafos são distribuídas na entrada (o bom senso manda beijos e dá a dica de disponibilizar via internet e antes do evento), o local é muito fechado/abafado, o acesso é complicado e muitas vezes desorganizado... Ou seja, há muitos pontos negativos quanto à organização da Bienal, mas no saldo final vale a pena participar, principalmente quem ama livros.

Para mais informações, visite o site do evento!
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22.8.14


Há alguns meses escrevi um post falando sobre ter mais livros do que podia ler e do quanto aquilo estava me incomodando. Pelos comentários recebidos, pude perceber que não sou a única a passar pela situação e que, aparentemente, o acúmulo de livros é um fato recorrente na vida dos apaixonados por livros.

Também me dei conta de que alguns dos livros na minha pilha de não lidos já não me despertam o mesmo interesse de quando os adquiri. Não são muitos e, em sua maioria, são livros que comprei por impulso, sem parar para pensar se realmente iria apreciar a leitura. Obviamente, me senti mal por isso, afinal de contas, investi dinheiro naqueles livros, certo? E agora, não tenho a mínima vontade de lê-los. Por outro lado, muitos dos livros esquecidos continuam a me atrair e me pergunto constantemente o motivo de não os ter lido ainda.

Meio desesperada e sufocada pelos livros não lidos da estante, em março resolvi me impor um book buying ban - uma proibição de comprar livros (ou um certo número de livros) - até o mês de agosto, quando deveria repensar a ideia e ver se tinha funcionado. Até junho as coisas funcionaram muito bem, mas é claro que depois disso tudo ficou um tanto "complicado", principalmente com o número absurdo de promoções que começaram a rolar desde julho. Logo, percebi que essa história de proibição não funciona para mim. Ainda assim, não foi uma experiência inútil; pude aprender bastante e modificar alguns dos meus hábitos como compradora de livros

Com o book buying ban - que não foi total, pois me permitia a compra de apenas um livro por mês - aprendi a ser um pouco mais criteriosa com o que iria adquirir, priorizando os clássicos ou livros de autores que já conhecia e sabia que não iria me decepcionar com a leitura. Passei a comprar livros que sabia que iria ler em algum momento da minha vida e que, mesmo que não gostasse de algum aspecto neles, a experiência continuaria a ser válida e enriquecedora. Dessa forma, priorizando a qualidade ao invés da quantidade, ficou claro que mesmo que um livro fique um ano parado na estante, ele ainda vai continuar me despertando o interesse.

Acredito muito que há um momento certo para cada leitura e que se um livro for lido na hora errada, a experiência pode ser arruinada. Logo, não vejo mal em comprar um livro que me interessa e que esteja com um preço bom mesmo que não vá lê-lo imediatamente. Gosto de saber que, na hora certa, ele já estará me esperando. A Tary, do canal Literatour, fez um vídeo muito interessante sobre o assunto e em determinado momento diz algo que acho muito bonito: os livros não lidos na estante são promessas. Ou seja, ao adquirir um novo exemplar sem a pretensão de iniciar a leitura imediatamente, estamos fazendo uma promessa de que algum dia o faremos.

Com essa mudança de perspectiva, parei de me desesperar com a pilha de não lidos, pois sei que vamos nos encontrar em algum momento. E quanto aos livros comprados por impulso, ainda não sei o que fazer. Provavelmente, trocarei em algum sebo ou doarei para alguma biblioteca. Assim, deixo espaço para as novas e desejadas aquisições.

Não sei se as minhas reflexões fizeram algum sentido para vocês, mas espero que seja de utilidade para aqueles que, de vez em quando, se assustam com a quantidade de livros parados na estante. Espero que ajude também aqueles que estão com medo de como irão reagir na Bienal. Penso que, desde que você não esteja se prejudicando financeiramente, não há problema em querer colecionar seus livros. Então, que tal encarar a situação dos livros não lidos na estante por uma perspectiva diferente e, quem sabe, até mais consciente e responsável? 
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17.8.14

Eu sempre tive uma curiosidade imensa sobre as leituras de famosos e também sobre seus livros preferidos. Se já fico com vontade de saber o que meus amigos e você estão lendo no momento, imagine se não dou um zoom na foto da Emma Watson para tentar ler os títulos que ela tem na estante de livros? E é claro que fico ainda mais tentada quando a pessoa é da área de Letras, como a Emma.

Eis que descobri mais uma utilidade das redes sociais: me aproximar dos famosos. Tudo bem que isso já é de conhecimento geral, mas já parou para pensar quando o assunto é literatura? Com isso em mente, stalkeei fui atrás de alguns perfis de celebridades e não é que me surpreendi com a quantidade de postagens relacionadas aos livros? 

Adorei saber que a Emma Roberts é tão bookaholic quanto eu. Sério, ela sempre publica os livros que está lendo em seu instagram, e não são poucos. Se antes eu não dava a mínima para ela, agora passarei a companhar seus trabalhos com mais atenção.

Outra famosa que não me despertava o interesse é a Kat Dennings, protagonista de 2 Broke Girls. Admito que é mais por eu não gostar do seriado, pois só conheço ela através dele. E qual não foi a surpresa quando vi que ela lê Salinger, clássicos e possui pilhas e pilhas de livros?

Também adorei algumas leituras da Reese Witherspoon, bem como saber que ela gosta dos livros do Neil Gaiman. Amo a Leighton Meester e me encantei ao descobrir que ela é fã de John Steinbeck. Fiquei chocada (não me entendam mal) por saber que a Britney Spears foi clicada lendo As Crônicas de Nárnia, e empolgada por um livro da Emily Giffin que ainda não li e que a Lauren Graham (de Gilmore Girls e Parenthood) estava lendo. E só eu não sabia que o ator James Franco é também escritor?

Agora só resta esperar por mais atualizações e descobertas. E você, o que achou dessa lista de leituras dos famosos? Também conhece algum famosos que adora compartilhar suas leituras?






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15.8.14

Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo, escrito por Benjamin Alire Sáenz

Editora: Seguinte
Páginas: 392
ISBN: 9788565765350
Livro cedido pela editora em parceria com o blog.

Aristóteles é um jovem de quinze anos solitário e introspectivo, revoltado com todos os segredos que o mantêm distante da verdade sobre sua própria vida. Há anos ele não escuta o nome do irmão mais velho dentro de casa, e tudo o que ele sabe é que Bernardo está preso, mas não tem ideia do que aconteceu. Ele já não suporta todo esse mistério à sua volta, principalmente quando há ainda mais mistérios escondidos dentro de si. Quando chegam as férias de verão, Ari se pergunta se finalmente descobrirá o mundo que está lá fora à sua espera e de que tanto ouve falar. Por acaso, ele encontra um garoto que, apesar de também ter ascendência mexicana e o nome de um intelectual famoso, é completamente diferente dele. O que começa como uma aula de natação aos poucos se transforma numa amizade especial, do tipo que muda a vida das pessoas e dura para sempre. E é através dessa amizade que Ari e Dante vão descobrir mais sobre si mesmos - e sobre o tipo de pessoa que querem ser.

SOBRE O QUE SE TRATA

Ambientado na cidade de El Paso (Texas, EUA) no fim dos anos 1980, Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo traz uma história sobre amizade e autodescoberta. 

Aristóteles Mendonza é um adolescente de 15 anos que não consegue se sentir como os demais jovens de sua idade; não gosta de assistir televisão ou de socializar e não tem amigos. Ari - como prefere ser chamado - vive com a mãe, uma professora de ensino médio, e o pai, um ex-combatente que lutou no Vietnã e que não fala sobre os traumas causados pela guerra. Além disso, há um constante mistério sobre o motivo de seus pais jamais lhe falarem sobre seu irmão, Bernardo, que foi preso quando Ari tinha apenas quatro anos.

Durante um verão, enquanto tentava enfrentar o fato de não saber nadar, Ari conhece Dante Quintana, um rapaz com a sua idade e que parece enxergar o mundo de uma forma bem diferente da sua. Enquanto Ari não gosta de conversar ou de demonstrar o que sente, Dante é bastante extrovertido e ilumina os lugares em que entra. Ari duvida de si, Dante é bastante confiante. Ari tenta entender quem é, Dante tem certeza do que quer para si.

De forma bastante natural e inexplicável, esses dois adolescentes iniciam uma amizade e juntos tentarão descobrir suas identidades. Ao mesmo tempo, percebem que só a partir do amor, da confiança e da amizade é que poderão enfrentar seus medos e fantasmas.

MINHAS IMPRESSÕES

De uma forma geral, gostei de Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo. Os personagens são cativantes e, até certo ponto, bastante críveis; e o enredo quase inexistente também me agradou. Digo "quase inexistente" porque a história não tem um fio condutor ou momentos de muita ação e reviravoltas. O livro se prende aos acontecimentos cotidianos na vida de Ari e Dante e nas reflexões que as pequenas situações podem proporcionar.

A narrativa é feita em primeira pessoa por Ari, que é bastante direto e não enrola muito para falar o que quer. E é justamente aí que encontrei um empecilho, pois ao mesmo tempo em que gostei da forma divertida e irônica de Ari contar a história, me incomodei com a rapidez com que tudo é narrado, o que acabou por impedir uma experiência de imersão na história. Fiquei com a sensação de que tudo acontece meio abruptamente e não consegui ter tempo suficiente para me conectar com os personagens e entender as suas motivações.

Outro aspecto que me incomodou foi o fato de o narrador enfatizar alguns pontos em diversos momentos e, ao chegar ao final da leitura, esses pontos não se mostrarem tão relevantes para a história. É o caso, por exemplo, de quando Ari fica falando que é mexicano; o tempo todo fui levada a acreditar que esse fato teria alguma importância para o enredo, mas no fim, fiquei com a impressão que Ari poderia ter qualquer ascendência e a história continuaria a fazer sentido. 

O final também foi abruptamente estranho. Não que eu não tenha gostado do desfecho, só achei que foi meio "do nada". Acredito que a principal questão que o autor quis levantar com o livro foi a da descoberta da sexualidade e da homossexualidade, assuntos que considero bastante válidos na literatura voltada para o público jovem adulto. Porém, acredito que faltou aprofundamento ao abordar tais assuntos, que são delicados e que, infelizmente, ainda são considerados tabu. E se em 2014 ainda enfrentamos problemas ao abordar esses temas, imagino que nos anos 1980 as coisas eram ainda mais complicadas, certo? Não é o que Benjamin Alire Sáenz mostra, o que me levou a perceber que faltou um pouco mais de coerência da parte do autor ao contar a história. Tudo é bem aceito (o que seria o ideal) e o preconceito é abordado de forma bem rápida e, ouso dizer, superficial.

Ainda assim, com os aspectos que apresentei e que me incomodaram, gostei de Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo, achei uma leitura interessante e válida. Acredito que o principal motivo de não ter amado tanto assim o livro tem a ver com o fato de que não sou mais o público-alvo desse tipo de história. Acredito que uma pessoa com 13, 14 anos possa se identificar mais e aproveitar melhor o que o autor tem a oferecer. Por fim, recomendo a leitura, mas estejam avisados das ressalvas.


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8.8.14

Domingo é dia dos pais e, assim como fiz em maio com as mães, não poderia deixar a data passar em branco por aqui. Por isso, hoje vou listar os meus pais preferidos da literatura.

Para começar, o Sr. Sempere, de A sombra do vento, de Carlos Ruiz Zafón. Após perder a suas esposa e sem saber como consolar seu pequeno filho, Daniel, o Sr. Sempere resolve levá-lo ao Cemitério dos Livros Esquecidos. Lá, Daniel descobre o mundo da literatura e vocês terão que concordar comigo quando digo que este é o melhor presente que um pai poderia dar, né? Depois de jurar proteger o livro A sombra do vento, Daniel viverá muitas aventuras e contará sempre com os sábios conselhos de seu pai.
Westeros (reino/país onde acontecem as histórias de As crônicas de gelo e fogo) não é, de forma alguma, o melhor lugar do mundo. Violência - de todos os tipos - e injustiça são comuns por lá e é realmente difícil encontrar alguém em quem se possa confiar. Eddard "Ned" Stark, rei do Norte e senhor de Winterfell, é uma dessas pessoas. Além de ser bastante justo e prezar sempre pela honra, Ned é um bom pai e tenta, na medida do possível, preparar seus filhos para o mundo cruel em que vivem; chegando até a sair do convencional, permitindo que uma de suas filhas aprenda a usar uma espada, ao invés de fazer costura. Além disso, Ned os ensinou a serem pessoas de honra - não que isso valha muita coisa em Westeros, mas ainda assim, não deixa de ser algo a ser apreciado.


O Sr. Weasley é aquele pai divertido e que consegue transformar a situação mais simples em uma história engraçada. Tá certo que, normalmente, ele é bem atrapalhado e que sem a ajuda de Molly ele ficaria bastante perdido, mas quando as coisas começam a ficar complicadas, ele consegue manter tudo sob controle e ainda proteger todos os seus filhos (e o Harry, que é meio que filho, né?). A final da Copa de Mundo de Quadribol está aí para provar.

O fantasma do Rei Hamlet é, sem sombra de dúvidas, a minha escolha mais inusitada. A bem da verdade, gosto de como ele volta dos mortos para pedir que seu filho, o Príncipe Hamlet, vingue a sua morte. A tragédia de Shakespeare é cheia de temas pesados/polêmicos como traição, incesto e corrupção e passa longe do clima alegre e fraterno do dia dos pais, mas, não há como negar que um pai voltando dos mortos é, no mínimo, intrigante para um filho. Sem falar que é esse retorno que instiga muito da ação da peça.


Por fim, Poseidon, o deus grego do mar. Mais precisamente, a versão de Rick Riordan nos livros da série Percy Jackson e os Olimpianos. No contexto da história, ficou estabelecido que os deuses não deveriam interagir diretamente com seus filhos, ainda assim, Poseidon contraria as regras e sempre que pode, ajuda Percy em suas missões. Ao contrário de Zeus, ele é um pai bastante carinhoso e disposto a escutar as aflições do filho, não dando muita atenção ao que os demais deuses possam pensar.


E aí, quais são os pais preferidos de vocês na literatura? Digam nos comentários que a gente quer saber! Desejamos à todos os pais um feliz Dia dos Pais!
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3.8.14

Quando o assunto é literatura clássica, sempre tem aquele grupo de pessoas que, me desculpem, demonstram ser pedantes e intransigentes. Aí me pergunto se realmente leram tanto quanto parecem e dizem ter lido. 

Ultimamente meu hábito literário tem mudado bastante. De um perfil literário que só enquadrava Young Adults e contemporâneos, passei para um definido por uma mescla que considero ser bastante saudável para a minha idade: o dos YAs/contemporâneos e clássicos. Essa vontade me dominou aos poucos, mas minha curiosidade sobre os clássicos me leva a várias matérias e pesquisas interessantes. Uma delas é a publicada pelo The Guardian e intitulada "Open thread: have you ever lied about reading a book?"


A pesquisa revelou que mais da metade dos entrevistados possuem livros não lidos na estante. Aí está um ponto que me incomodou. A Michas já falou aqui no blog sobre ter mais livros do que se consegue ler, mas é uma boa oportunidade para dizer o que penso, pois tenho muitos (muitos mesmo) livros não lidos. Em parte por conta das promoções, mas vou dizer que adoro ter a possibilidade de ler um livro em qualquer momento que me dê vontade. E já possuir vários livros que se quer ler um dia, mesmo sem ter lido ainda, é uma vantagem quanto a isso. Eis aí o motivo de eu ter mais livros não lidos do que eu gostaria.

1) 1984 de George Orwell (26%)

2) Guerra e Paz de Leo Tolstoy (19%)

3) Grandes Esperanças de Charles Dickens (18%)

4) O apanhador no campo de centeio de JD Salinger (15%)

5) Uma Passagem para a Índia de EM Forster (12%)

6) O senhor dos anéis de JRR Tolkien (11%)

7) O sol é para todos da Harper Lee (10%)

8) Crime e castigo de Fyodor Dostoevsky (8%)

9) Orgulho e preconceito da Jane Austen (8%)

10) Jane Eyre da Charlotte Bronte (5%)

O livro mais mencionado foi 1984, do Orwell, recentemente resenhado aqui no blog e no youtube. Esse é um dos livros que eu mais tive vontade de ler e que eu mais demorei para ler. Em partes por conta de sua temática, mas nunca precisei mentir sobre isso. Aliás, risquei os livros que eu já li, e não, não menti sobre absolutamente nenhum rs Bem que eu gostaria de já ter lido Jane Eyre, Crime e castigo e O senhor dos anéis, dois livros que também estão há muito tempo em minha lista de livros para ler.

Interessante notar que muitos da lista possuem uma adaptação cinematográfica famosa sendo este possivelmente um dos motivos que levam à mentira. Outra pista é a incidência de alguns na sala de aula (quem nunca quis ter aulas de "inglês" nos EUA para aprender sobre muitos livros bacanas?)

E você, já fingiu ter lido algum livro? E dessa lista, qual ou quais já leu? Deixe nos comentários o que pensa a respeito :)

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1.8.14

Tempos extremos, escrito por Míriam Leitão

Editora: Intrínseca
Páginas: 272
ISBN: 9788580575231


Quantos mistérios uma antiga fazenda perdida entre as serras das Minas Gerais pode guardar? Mistérios que chegam de forma inesperada, revelando passados diversos a uma família dividida por conflitos afetivos e políticos e ali sitiada por causa das chuvas. É o que Larissa, jovem deslocada entre os seus, descobrirá, em uma estranha jornada na qual perseguirá sombras e segredos para encontrar desejos autênticos e entender os próprios sonhos. No primeiro romance da consagrada jornalista Míriam Leitão, o leitor não encontra espaço para respirar. É uma história de paixões extremas, sobre tempos extremos, urdida com sutileza e convicção. Uma viagem às vezes em quase delírio pelos flagelos da escravidão, no século XIX, e os subterrâneos do regime militar, no século XX. A narrativa se passa no século XXI, mas as linhas temporais são rompidas. Assim, as paredes centenárias da fazenda, o cemitério onde eram lançados os negros que chegavam ao cais do porto do Rio de Janeiro à beira da morte, após a travessia do Atlântico, e as celas das prisões arbitrárias promovidas pela ditadura dialogam entre si quase como personagens, na busca por verdades escondidas. No entremeio, as relações tormentosas entre pais e filhos e entre irmãos tecem uma trama densa e ousada que revisita passados que o Brasil tem preferido deixar acobertados pelo silêncio. Como ficcionista, Míriam Leitão mantém a mesma postura que marcou sua trajetória de jornalista - não faz perguntas fáceis. Nem abre caminhos para zonas de conforto.


SOBRE O QUE SE TRATA?

Em Tempos extremos, primeiro romance da jornalista Míriam Leitão, somos apresentados a uma história no tempo presente, mas marcada pelo passado. Larissa, a protagonista, é uma mulher de quase 40 anos que ainda não sabe muito bem o que espera de sua vida; casada, ex-jornalista e formada em História, ela está em dúvida se deve ou não iniciar um doutorado. 

A avó de Larissa, Maria José, está prestes a completar 88 anos e pede como presente de aniversário uma reunião familiar com todos os seus filhos, netos e bisnetos. Cada um dos quatro filhos de Maria José seguiu um caminho diferente: Hélio, o mais velho, fez carreira como militar durante o período da ditadura; Sônia investiu em ações nos anos 1970 e 1980 e ficou milionária; Alice fez parte dos movimentos contra a ditadura, foi presa e interrogada; Marcos passou a juventude sonhando em ser músico, mas na fase adulta apenas se frustrou e jamais conseguiu se estabelecer financeiramente.

Em razão do aniversário de Maria José, os quatro deixam de lado suas divergências e vão para Soledade de Sinhá, uma antiga fazenda no interior de Minas Gerais, comprada por Sônia, na companhia de seus filhos e netos para uma temporada de férias familiares. As discussões logo começam: de um lado, Alice, que acusa Hélio de não ter feito nada por ela e Carlos - seu namorado e pai de Larissa - durante o período da ditadura e que, ainda hoje vive a dor de não saber como Carlos morreu e o que foi feito de seu corpo; de outro, Hélio, que afirma que não fazia parte do departamento que interrogava os presos políticos e que tudo o que fez durante a ditadura foi pelo bem do Brasil, por acreditar que estava fazendo a coisa certa.

O luto por Carlos marcou a vida de Larissa desde antes de seu nascimento, fazendo que com que um abismo fosse aberto entre ela e Alice. Mãe e filha são muito diferentes; Larissa, por nunca ter conhecido o pai, cresceu sentindo falta de uma figura paterna e a sua personalidade indecisa incomoda Alice, que não entende a filha e acha que esta se recusa a crescer. Mesmo com a briga entre a mãe e o tio, Larissa conseguiu manter um bom relacionamento com os primos André e Mônica, filhos de Hélio, e não entende os motivos que impedem a mãe de se permitir ser feliz mesmo com um passado marcado por tanta tristeza. Larissa não entende porque sua mãe continua travando a mesma luta de vinte anos atrás com o tio e com o Brasil.

Na tentativa de fugir de sua realidade, de seu presente e de suas dúvidas, Larissa mergulha na história da fazenda Soledade de Sinhá. Por estar situada em um vale longe da rodovia e fora da rota de turismo, a fazenda não foi afetada pelos avanços da modernização - não tem energia elétrica ou telefonia celular - e, por isso, ficou isolada no tempo. Soledade de Sinhá é muito antiga e durante os seus tempos áureos foi marcada por diversos ciclos econômicos, dentre eles o da mineração, de plantações e também de gado. No século XIX, foi marcada pela escravidão e, até os dias atuais, entre suas paredes é possível encontrar as cicatrizes deste período.

Certa noite e de forma bastante inesperada, Larissa rompe as barreiras do tempo e volta dois séculos, passando a interagir com três escravos de Soledade de Sinhá: Constantino e seus dois filhos, Bento e Paulina. Por meio dos relatos de Constantino, Larissa começa a compreender e a questionar a realidade por ele vivida, ao mesmo tempo em que encontra em Bento e Paulina duas almas livres, porém enclausuradas e dispostas a lutar, ainda que de formas distintas, por sua liberdade.



MINHAS IMPRESSÕES

Pouco sabia sobre Tempos extremos além do fato de ser o primeiro romance de Míriam Leitão e de ser ambientado em uma fazenda em Minas Gerais. Porém, aos poucos, fui me deixando levar pela história e percebi que o livro não só me apresentou a uma narrativa interessante e bastante envolvente, como também me fez pensar em alguns aspectos da História do nosso país. Por meio de Larissa, uma observadora "neutra", o leitor entra em contato com dois contextos de muita repressão no Brasil, ou como Míriam Leitão os chama, tempos extremos: a escravidão e a ditadura militar.

Ao concluir a leitura, não pude deixar de pensar no quanto da nossa História ficou escondida ou não foi divulgada, não recebeu a devida atenção. No caso da ditadura, um passado mais recente, sabemos que muitos documentos foram destruídos; ainda hoje, muitas pessoas não sabem do paradeiro de seus parentes desaparecidos políticos. Foi inevitável não pensar em quanto tempo será que essas famílias ainda terão que esperar - convictas de que seus parentes morreram nos porões da ditadura, mas sem saber como provar o fato ou realizar um funeral adequado, vivendo em situação interminável de luto - para que algo seja dito, seja feito.


A escravidão de negros também é outro aspecto que fica oculto em nossa História. Sabemos que existiu, assistimos as novelas da Globo, estudamos na escola. Mas se pensarmos que esse período durou  cerca de 300 anos (ou mais), fica óbvio que pouco se foi registrado. Depois de Tempos extremos fiquei pensando na quantidade de vidas e famílias destruídas pela escravidão - nomes que não ficaram marcados nos livros e documentos históricos - e de como, ainda nos dias atuais, o Brasil está marcado por este momento. É preciso resgatar informações desses tempos extremos, é preciso falar sobre isso. Não dá para ficar eternamente escondendo o nosso passado debaixo do tapete!


Por meio de uma narrativa bastante fluida, Míriam Leitão conseguiu me prender à leitura e me fazer compreender, de certa forma, as dores de seus personagens marcados pela repressão. O único ponto que me incomodou na narrativa foi o fato de que, em alguns momentos, os personagens se tornam repetitivos, falando as mesmas coisas e sempre reafirmando as suas ideias e motivações; ainda assim, não foi algo que tenha estragado a experiência de leitura. Gostei de como a autora se utilizou do realismo fantástico ao fazer com que Larissa pudesse transitar entre diferentes épocas na fazenda Soledade de Sinhá, e assim, conhecer parte do passado brasileiro. 


Outra característica muito positiva e interessante em Tempos extremos é a quantidade de referências musicais, históricas e culturais (fotografias e citações de outros livros, por exemplo). Em diversos trechos, Larissa e seus familiares - sentados à mesa, bebendo café coado e comendo pão de queijo quentinho - conversam sobre música e até cantam alguns trechinhos. No final do livro é possível encontrar uma lista com o nome de todas as músicas citadas/cantadas e, nos agradecimentos, a autora menciona vários livros que fizeram parte de sua pesquisa para reportagens e também para Tempos extremos.


Para concluir: sim, recomendo muito a leitura de à todos. O livro já é um dos meus favoritos de 2014!

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