16.7.14

Resenha: Colmeia

"Colmeia", escrito por Gill Hornby.
Editora: Record
Páginas: 349
ISBN: 9788501401786
Livro cedido pela editora em parceria com o blog.
Qualquer semelhança entre o complexo e hierárquico mundo das abelhas e as mães da Escola Primária St. Ambrose não é coincidência. Enquanto as crianças estudam, do lado de fora dos portões da escola – onde encontramos Rachel, Georgie, Heather e Jo –, um mundo de amizade, brigas e picuinhas ganha forma. Acima delas, Bea reina absoluta. Mas a chegada de duas famílias e do novo diretor são alguns dos novos desafios que elas vão enfrentar. Ou, em outras palavras, são provocações que vão destruir ou fortalecer a rainha. Colmeia é uma história irresistível, com observações apaixonadas, engraçadas e verdadeiras sobre a amizade feminina e uma sutil crônica política.

Sobre o que se trata?

No interior da Inglaterra existe uma pequena cidade habitada por um interessante grupo de mães. Regidas pelos afazeres domésticos e por seus próprios filhos, elas ainda possuem algo em comum: uma união marcada por uma hierarquia bem definida. Bea é fútil, manipuladora e inquestionável; Heather é influenciável, ingênua e desesperada para ser incluída; Bubba é esnobe, superficial e super protetora. Já Rachel expõe uma personalidade sensível, apesar de triste, e observadora. 

Igualmente a uma colmeia, essas mulheres mantém relações de acordo com uma hierarquia internamente explícita. A liderança é definida e seguida por todas de variadas formas, e cada uma possui a sua função frente ao grupo. Mas o mais substancial é perceber que as operárias escolhem a rainha. E assim como a escolhem, também a abandonam. A partir do que acontece nos numerosos eventos beneficentes - organizados pela colmeia - do ano letivo, bem como da chegada de uma nova família à cidade, a configuração dessa curiosa colmeia humana sofre mudanças irreparáveis.

Minhas impressões

Através de uma fórmula instigante e envolvente, Gill Hornby, a irmã de Nick Hornby (autor de "Alta Fidelidade" e "Uma longa Queda"), nos conduz a uma história verossímil e universal. Tive a impressão de que a autora possuiu a intenção de escrever sobre um grupo que abarcasse vários tipos sociais - generalizando-o, portanto, comparando-o à uma colmeia de abelhas. Porém, seus personagens são tão bem estruturados que ganham personalidade própria com o passar das páginas. Além da gama de relacionamentos comuns e rotineiros, cada mulher possui a sua própria vida e os seus próprios dilemas.

A escrita e a narrativa estão em sintonia com a apresentação de cada personalidade, de cada núcleo da história. Os capítulos são subdivididos em trechos nos quais o narrador é em terceira pessoa, porém se confunde com os pensamentos de cada personagem ao qual ele volta a sua percepção. Portanto, a cada trecho podemos acompanhar o cotidiano de uma das mulheres de uma maneira íntima.


Disso surgem críticas inseridas nas atitudes, nas consequências das atitudes e nas próprias falas. São críticas intensas, algumas mais implícitas, outras bem menos... Essa característica gera uma narrativa mordaz, ácida e muitas vezes satírica. Eu ri em vários momentos durante a leitura de "Colmeia", seja de descrença ou por graça.

Gostei muito dos personagens e principalmente da mãe da Rachel, pois é ela quem explica a dinâmica da vida das abelhas. A diagramação é belíssima, a arte da capa realmente chama muito a atenção, sem falar da óbvia relação com a história. Porém, apesar de fazer análises sociais, o livro possui uma proposta simples, podendo ser um tanto quanto extenso (além do que o enredo exige), e não foge do seu gênero: um contemporâneo regado a dramas.


1 comentários:

  1. Confesso que esse livro já me despertou curiosidade por causa da capa. Fala sério! Que capa maravilhosa! (será que fui só eu que achei?). Tenho que parar de ler as suas resenhas ou então achar um jeito de ficar rica porque toda resenha sua me dá uma vontade louca de ler o livro! Pare, Mell! Você vai me falir!

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