27.7.14

Diário de leitura: Moby Dick #1


Há um certo tempo, postei um vídeo no Youtube mostrando alguns livros gigantes que um dia quero ler. E desde então não comecei a leitura de nenhum. É claro que não são apenas aqueles que quero ler, por isso mesmo é que iniciei a leitura de um outro calhamaço não mostrado naquele vídeo: Moby Dick. Mostrei recentemente no vlog o meu exemplar, pois é um livro que adquiri neste mês. E como a minha empolgação com ele foi pequena, decidi começar logo a aventura. Mas o maior empecilho à leitura de livros grandes não é medo nem nada parecido (como ficou parecendo no vídeo, chamado "Fobia de livros grandes"). É justamente encontrar tempo para tanta viagem. Pensando nisso, e não querendo deixar de começar logo a leitura de Moby Dick, eu decidi ler aos poucos, e dividir minha leitura em seis partes, já que o livro tem mais de 600 páginas: cada diário de leitura que eu fizer corresponderá a 100 páginas que eu avançar da história. Pelo menos assim eu leio e mantenho minha memória a par dos acontecimentos, já que ela precisa de uma ajuda para existir rs

Moby Dick é um daqueles livros que, de tão famosos, sua história se torna conhecida por todos apenas através do imaginário cultural, já que pouquíssimos chegam realmente a ler. Esse foi um dos motivos que aguçaram a minha curiosidade. Outro foi a citação, logo de cara, no seriado "Gilmore Girls". Como faço um projeto chamado "Rory Gilmore Book Project", decidi por em dia as leituras dessa lista.

E não me arrependi. Mesmo com a opinião negativa de uma amiga das Letras, a curiosidade traçou meus atos. Comecei Moby Dick sabendo menos da história do que a maioria costuma saber, e já estou amando a escrita de Melville. Se tem algo que me cativa completamente num livro, é a escrita. Como deixar de ser instigada por algo tão lapidado (isso me faz lembrar de parnasianismo, mas juro que ó, passa longe!), tão inspirador? Me dei tão bem com a escrita do autor, que nem via as horas e as páginas passarem! 

A apresentação do próprio narrador e de personagens curiosas, como é o caso de Queequeg, amigo de Ishmael (narrador e protagonista), me fisgaram por completo. Mas, calma, te explico.
A alegria é para aquele a quem nem as ondas do mar nem as turbulências da multidão conseguem desviar da Quilha dos Tempos. (pg. 69)
O livro começa com o narrador em primeira pessoa, Ishmael, dizendo que de tempos em tempos, quando ele se cansa da rotina, por assim dizer, ele precisa ir para o mar. Mas não como passageiro, nem como pertencente ao alto oficialato. Ele embarca como marinheiro raso. Assim, ele começa a narrar a sua trajetória em busca de uma embarcação baleeira. Com alguns contrapontos, ele acaba conhecendo um canibal chamado Queequeg numa situação hilária. E aqui percebi uma deixa para críticas sensacionais. Ao colocar o paganismo do canibal de um lado, e a cristandade da civilização do outro, surgem pensamentos dignos de destaque. Aliás, já fiz várias marcações no livro. Além do teor religioso (há um sermão espetacular aqui, só para constar), o início do livro relata como Ishmael conheceu o Pequod, navio baleeiro no qual Ishmael trabalhará. Mas também deixa o leitor curioso quanto à personalidade do capitão Ahab, ainda não apresentado, apenas mencionado.
Nossos rígidos preconceitos se tornam elásticos quando o amor vem dobrá-los. (pg. 75)

14 comentários:

  1. Guria, tem esse livro na biblioteca municipal e tô de olho nele há tempos. Ainda não comecei a leitura porque preciso concluir as leituras para o vestibular, mas... logo, logo, certamente o lerei. E é bom saber que você gostou tanto do que leu até agora, já que seu gosto literário é parecido com o meu.


    Conheci seu blog ontem. O vlog já conheço há tempos, mas só atentei para o fato de que há um blog ontem mesmo, hahaha. Gostei daqui.


    Beijo!

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  2. Oi, Mell.

    Também adoro uma boa escrita, bem trabalhada. Dá mais gosto de ler um texto bonito. Estou louca para ler Moby Dick, mas acho que vou ler Os Miseráveis primeiro. Virei aqui acompanhar a sua leitura.

    Beijos.

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  3. Oi Mell! O nome desse livro não me é estranho, mas como você disse que todos devem conhecer por ouvir falar, com certeza é por isso. Eu tenho um livro grande que quero ler mas sempre deixo pra depois, mas ele é contemporâneo. Percebi que Moby Dick tem uma linguagem mais formal, além de ser grande. Eu gosto de livros assim, só preciso estar em um momento bom para lê-los. Fiquei curiosa para saber mais sobre as questões que podem gerar criticas.

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  4. Ih, concluí as primeiras 100 páginas de Moby Dick ontem e hoje concluí A cidade e as serras, livro pedido pelo vestibular. Também estou nessa! rs
    Eba! Espero que goste tanto quanto eu, então. Muito bom tê-la por aqui :D
    Bjs

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  5. Dá gosto mesmo! rs
    Leia, sim. Dps me conte se gostou dos Miseráveis. Quero ler depois desse, veremos... ;)
    Bjs

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  6. Deve ser, sim, Sara! Qual é o livro?
    A escrita é formal, mas me surpreendi: é bem mais "legível" do que esperava ;)

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  7. Ótima a ideia de dividir a leitura de um livro tão grande em pedaços.
    Que bom que está gostando dele até agora, e estou no aguardo para ver as suas opiniões quando chegar aos trechos mais 'arrastados' da leitura.
    De qualquer maneira, este livro está em minha lista de leitura, mas vai ter que ser em um momento em que esteja bem descansado, e a fim de ler algo desse estilo.


    Beijos,
    Thiago - http://gentlegeek.blogspot.com

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  8. Mell, que ideia ótima! Gostei porque, além de te incentivar na leitura de uma livro enorme, ainda te ajuda a manter um registro das ideias e sensações causadas pela leitura :)
    Muito legal mesmo! E é uma forma muito positiva de encarar a "fobia" dos livros grandes e eternamente procrastinados. Tô assim com "Os três mosqueteiros", quem sabe não me inspiro em você e largo esse medo de vez, né?
    Não sou a pessoa mais interessada em Moby Dick (e eu adoro conhecer clássicos!), mas vou adorar acompanhar o seu diário de leitura! No aguardo pela próxima atualização :)

    Beijos

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  9. Mell, eu li uma versão "adolescentizada" de Moby Dick por volta dos 12 anos. Amei. Não sei te dizer exatamente o que me cativou, mas amei a história. Até hoje eu consigo resgatar o sentimento que ele me causou.
    Desde então, eu tenho vontade de ler a versão original. Mas sabe como é, outros livros sempre acabam passando a frente, e o coitado acaba ficando pra trás. Então é claro que vou acompanhar seu diário de leitura. Aliás, gostei bastante da ideia!


    Enviei um email pra você a respeito de parceria. (Meu email é monalisa.marques@gmail.com). E meu blog é www.literasutra.com


    Te espero lá!

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  10. A luz através da janela, da Lucinda Riley, você já leu? Beijos

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  11. É tão bom quando uma leitura nos deixa esse sentimento, né?
    Sei como é, mas temos que fazer uma forcinha para ler alguns e não outros hahaha Infelizmente :/ Queria ter tempo para ler tudo.
    Eu não costumo fazer parcerias mais, :/ Explico ali na área de parceiros, mas irei visitar seu blog com certeza!
    Beijão

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  12. Sim, adorei a ideia justamente por conta do registro :)
    Tenho uma vontade enoorme de ler Os três mosqueteiros tb hahaha
    Beijo

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  13. hahaha Não vejo a hora de chegar nesses trechos, Thiago! Para ver se gosto ou não logo.
    Beijos

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  14. Ahh sim, é grandão? Nunca li :/ Mas dela tenho A casa das orquídeas que é enoorme rs

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