22.6.14

Resenha: Tarzan


Editora: Zahar
Páginas: 334
ISBN: 9788537811832
Livro cedido pela editora em parceria com o blog.

Tarzan está de volta. Após décadas de ausência, enfim o leitor brasileiro tem novamente disponível uma tradução do texto integral da primeira história do filho das selvas!
Nascido na floresta, órfão com apenas um ano de idade, o pequeno lorde Greystoke é adotado e criado por uma antropoide, que o transforma em Tarzan - o homem-macaco, ágil, forte, poderoso guerreiro, líder de seu bando e rei da selva. Mas tendo contato com a espécie humana, sobretudo com membros de uma expedição americana, dentre eles a bela Jane, o herói se transforma.
Será que o amor e suas origens como lorde Greystoke irão sobrepujar uma vida inteira como Tarzan? Pode um homem selvagem resistir ao chamado da floresta?

Sobre o que se trata?

Situado no período neocolonialista, o nobre inglês John Clayton, lorde Greystoke, fora designado para um novo posto na África ocidental britânica a fim de resolver certos conflitos entre a Inglaterra e outra potência da época. Porém, ele nunca chegou na colônia, pois houve um motim durante a viagem. Os amotinados, receosos de continuar com um oficial na embarcação, abandonaram-no em plena costa africana selvagem com apenas alguns alimentos, uma arma e... Sua esposa grávida, Alice. Depois de um ano de sobrevivência numa cabana que construíram em cima de uma árvore, eles são mortos por antropoides.

Assim, com apenas um ano de idade, o pequeno lorde Greystoke, agora órfão, é adotado por Kala, uma antropoide que o toma como filhote. Porém, os anos e a convivência com a tribo selvagem da sua "mãe" macaca demonstrarão que Tarzan ("pele branca" na linguagem deles) é diferente dos demais, ocasionando diversos conflitos. Também, irão distanciar o herdeiro de sua civilização. Tarzan se desenvolve num meio termo entre homem e macaco, inserido, então, numa tese clara de que o meio tem mais influência do que a raça na formação do ser humano.

Minhas impressões

Tarzan é a típica história imortalizada pela Disney e conhecida por todos que tiveram uma infância marcada por seus filmes e animações. Eu sempre adorei os filmes da Disney quando criança, então não é de surpreender quando digo que eu só conhecia as adaptações e nem fazia ideia de que existia uma obra original. Isso mudou no começo do ano, e fiquei encantada por ter a oportunidade de entrar em contato com as origens de uma história que fez parte de grande parte da minha infância. Porém, agora essa história entraria em minha vida como a representação não de algo infantilizado e suavizado, mas sim de intenções muito claras e interessantes de um autor aclamado. Então, sim, eu amei a experiência que tive com a obra original de Burroughs.

A linguagem é fria e objetiva, pois o narrador é alguém que logo no começo do livro confessa ser um tanto quanto cético quanto à história que lhe foi contada por outrem. Admite, entretanto, ser no mínimo "única, extraordinária e interessante". E, se por um lado esse pragmatismo ajudou na primeira parte do livro, na segunda pode ter encontrado alguns empecilhos razoáveis. 


A primeira parte, então, preocupa-se em narrar o crescimento de Tarzan, as suas experiências como selvagem e sua caracterização como homem na selva. Desse modo, a escrita possui sua função fundamentada. Já na segunda parte, Tarzan tem o seu primeiro contato, depois de crescido, com homens civilizados - e calma, companheiros românticos, é aqui que entra Jane. É justamente quando a componente "romance" entra na história que a escrita perde um pouco o seu brilhantismo, pois ela contribui para que o certo casal se torne menos crível aos olhos do leitor realista, já que é fria, calculista, e ainda possui o amparo das antíteses expostas. O mais engraçado é que o romance se torna mais aceitável conforme o livro é finalizado - e as outras continuações da história servirão para este aspecto. Quem já foi cativado por Jane - como eu - não deixa de torcer por ela e por Tarzan.

Tarzan possui uma bela construção durante o livro, sobretudo na primeira metade do livro. Mas, é claro, ele é extremamente romanceado (e em algumas passagens isso se torna um elemento de descrença, até), sendo o herói da selva e tendo suas ações justificadas por isso. Mesmo o meio determinando sua formação, seu passado nobre ressurge com o contato com o homem civilizado, e tais virtudes também o tipificam como herói.

Minha edição (mostro ela no vídeo resenha que fiz lá no canal do blog) foi publicada pela editora Zahar em março deste ano (2014) e possui uma apresentação incrível sobre a obra e o desenrolar dela na cultura mundial. Além disso, também tem as tradicionais notas de rodapé da editora, as clássicas ilustrações de Hal Foster (da primeira HQ da história) e uma cronologia do autor no final do exemplar. A capa (dura) é linda e representa bem a história, com suas cores chamativas e o perfil do nosso herói na sua selva amada. O porém, agora, fica a cargo de uma questão: quando será publicada a continuação? Estou ansiosa para saber o que acontece com meu herói e com a amada Jane.

10 comentários:

  1. Não fazia ideia de que existia um livro (muito menos mais de um! haha). Parece uma leitura excelente e adoro as edições da Zahar. Tenho os livros do Conan Doyle da editora e gosto muito.

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  2. Olá Mell,

    Estou louca para ler este livro. Também descobri recentemente, quando fui pesquisar os livros dessa coleção da Zahar. Eu comprei O Corcunda de Notre Dame, a edição é simplesmente linda e fiquei com vontade de comprar todos da coleção. Adorei sua resenha, estou ainda mais curiosa para ler.

    Beijos ;* http://refugiorustico.blogspot.com.br/

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  3. Olá !!
    Cheguei aqui por indicação de algum canal literário, q não me lembro no momento, desculpa aí! Em fim... cheguei por aqui e li algumas coisas, fiz uma pequena maratona no canal e adorei tudo... pode me adc aí como a mais nova leitura. rs.
    Das compras que estão para chegar, Tarzan é um deles e mais uns outros da mesma coleção, que estou super ansiosa para ler.
    Hj fiz uma compra de um livro que já vi muitas resenhas positivas, mas que não tinham me "fisgado" de fato... ele estava sempre passeando nas listas de quero ler, mas nada muito forte. Mas depois de assistir a sua video resenha, tive buscapé ele. rsrs.
    Laranja Mecânica!
    Parabéns pelo trabalho e mais sucesso para vc !
    Até mais,
    Bjinss ;)

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  4. Que bacana, Mell! Sempre amei Tarzan, pois assim como você fez parte da minha infância! Adorei a resenha! Acho que Tarzan vai entrar em minhas listas!

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  5. Sim, criamos algo meio que sentimental por isso né? Ainda hoje tenho esse sentimento para com muitas histórias da Disney hahaha
    Depois me conta se leu ;) Beijos

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  6. Ahhhh, que bom, Quel, fico feliz por isso! Mesmo mesmo, obrigada pelo carinho ;)
    Depois me conta se gostou do livro?
    E depois me conta o que achou de Laranja Mecânica também rs
    Beijos

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  7. Estou louca para ler O Corcunda. Me conta se gostou dele, depois?
    E as edições da Zahar são simplesmente genais hahaha
    Beijos

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  8. Simmm, eu também não hahaha Existem vários pelo jeito.
    Beijos!

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  9. Eu quero muito ler Tarzan, e essa edição da Zahar é linda, como todas as outras dessa editora!
    Mas antes eu ainda quero ler a primeira trilogia do Princess of Mars/John Carter. Já até tenho eles no Kindle, só falta separar um tempo pra eles mesmo.
    Eu tenho algum livro do Tarzan (e uns quadrinhos), bem velho, mas não lembro qual o título, é um dos posteriores. Aliás, vale a pena dar uma conferida na wikipedia (em inglês) ou na Wikia do Burroughs, que o Tarzan possui mais alguns títulos, e acho que até um' crossover' com o John Carter.


    Beijos,
    Thiago - http://gentlegeek.blogspot.com

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  10. Acabei de ler e amei! Estou no mesmo dilema de não saber quando será publicada a próxima continuação. Também quero saber como será resolvido esse complexo triângulo amoroso em que a alegria e riqueza de um dos personagens depende da infelicidade do outro(protagonista) por renunciá-la.... *-*

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