3.6.14

Resenha: Claros sinais de loucura

Claros sinais de loucura, escrito por Karen Harrington.

Editora: Intrínseca.
Páginas: 254
ISBN: 9788580575071
Livro cedido pela editora em parceria com o blog.

Você nunca conheceu ninguém como Sarah Nelson. Enquanto a maioria dos amigos adora Harry Potter, ela passa o tempo escrevendo cartas para Atticus Finch, o advogado de O sol é para todos. Coleciona palavras-problema em um diário, tem uma planta como melhor amiga e vive tentando achar em si mesma sinais de que está ficando louca. Não é à toa: a mãe tentou afogá-la e ao irmão quando eles tinham apenas dois anos, e desde então mora em uma instituição psiquiátrica. O pai, professor, tornou-se alcoólatra.
Fugindo da notoriedade do crime, ele e Sarah já se mudaram de diversas cidades, e a menina jamais se sentiu em casa em nenhuma delas. Com a chegada do verão em que completa doze anos, ela está cada vez mais apreensiva. Sente falta de um pai mais presente e das experiências que não viveu com a mãe, já se acha grande demais para passar as férias na casa dos avós, está preocupada com a árvore genealógica que fará na escola e ansiosa pelo primeiro beijo de língua que ainda não aconteceu.
Mas a vida não pode ser só de preocupações, e, entre uma descoberta e outra, Sarah vai perceber que seu verão tem tudo para ser muito mais. Bem como seu futuro.
"Cativados pela premissa dessa história comovente, os leitores vão se encantar com a corajosa protagonista e o desenrolar de seu verão." - Kirkus Reviews
"Uma personagem introspectiva cuja voz, intercalada as cartas e definições de palavras absorve completamente os leitores." - School Library Journal
"Uma história com claros sinais de excelência." - Booklist



Sobre o que se trata?

Sarah Nelson é uma americana pré-adolescente que mora com o pai e vive se mudando de acordo com o humor dele. Na realidade, os dois se mudam assim que as pessoas descobrem um segredo que eles fazem questão de enterrar a sete palmos: a tentativa de assassinato cometida pela mãe de Sarah quando ela era apenas um bebê. Por ser um caso famoso e que desperta uma polêmica injusta acerca do papel paterno, eles sofrem atentados assim que as pessoas descobrem sobre o que aconteceu. É por conta disse assédio popular - e sobretudo da mídia - que Sarah se tornou uma garota introspectiva, solitária e mentirosa. Ela não vê outra saída sem ser a mentira para encobrir a tragédia por que passou. 

Na véspera de seu aniversário de 12 anos e das férias de verão, ela se vê com problemas que lhe tira o sono: a iminência do próximo ano letivo, o verão tedioso nas casas de seus avós pelo qual provavelmente terá que passar e descobrir se ela possui o gene da loucura. Porque, sim, sua mãe ainda está viva, porém internada num hospício. Tida como louca depois de matar seu filho (o irmão gêmeo de Sarah) e de tentar matar sua filha, também, ela é afastada de tudo e todos, raramente recebendo visitas de familiares e mantendo contato com eles. Sarah apenas recebe dois cartões por ano dela, geralmente superficiais e nada reveladores - pelo contrário. No aniversário de 12 anos de Sarah, o cartão que recebe de Jane surte o efeito contrário ao de revelar algo sobre a pessoa que lhe é incógnita: tudo se torna ainda mais curioso e enigmático para a garota. Ainda, o jeito fechado e quieto de seu pai não ajuda em nada. Ele não consegue conversar sobre o ocorrido, sobre a ex-esposa, e vive um caso sério de alcoolismo. 

Se você quer saber, estou à procura de qualquer sinal de estar enlouquecendo. (pág. 19)

Quando seu professor de inglês passa uma tarefa instigante, surge a ideia de uma válvula de escape diferente da representada pelo seu diário: ele propõe que escrevesse, durante as férias, cartas à mão e sem o registro contemporâneo que assassina a língua (as gírias que empregamos na internet ou no celular, como "vc" no lugar de "você"). Assim, Sarah destoa do restante de seus colegas e começa a escrever para nada mais, nada menos que Atticus Finch, personagem do clássico O sol é para todos

Sob um drama extremamente triste, uma convivência turbulenta com seu pai, a chegada da adolescência e do verão e conflitos internos típicos de uma garota de 12 anos, Sarah passará por um verão marcado por literatura, gramática e muitas descobertas. 

Minhas impressões


Está sendo um desafio escrever estas palavras no momento. Eu poderia publicar esta resenha com uma simples frase: "Leia este livro". Porém, não devo, e estaria sendo injusta com aqueles que provavelmente não gostam do gênero ou que não leram o clássico O sol é para todos ainda. Ainda, ok? Se você ainda não o leu, aconselho a procurá-lo por aí e conhecer uma das grandes obras literárias que existe.

Já percebeu a minha imparcialidade sobre o livro, certo? Então você precisa saber que Claros sinais de loucura entrou para os meus preferidos do ano e mais: ele é, até o momento, o meu queridinho, o melhor livro contemporâneo que li este ano. Sim, ele me cativou de uma forma arrebatadora. Desde a primeira página. Desde a primeira frase.

Sem exageros. O livro é realmente cativante - e esta é a palavra que melhor poderia defini-lo. São vários os aspectos que tornam isso realidade. Primeiro de tudo, ele é uma grande dica para aqueles que amam O sol é para todos, naturalmente. Não que isto impediria uma leitura prazerosa para os azarados que ainda não tiveram a chance de ler a obra da autora Harper Lee. Porém, a constante citação da história e dos personagens do clássico deixa claro que o público invariavelmente se volta para os fãs. E não hesito em dizer: se você gosta de O sol é para todos, irá amar este livro. 

Mas a personalidade da personagem principal já ganha a atenção de qualquer leitor delicado e emotivo. Sarah é uma garota peculiar, diferente das demais, e não somente por ter passado por episódios difíceis. O seu jeito de ver o mundo é tocante. A narrativa é em primeira pessoa e, sendo assim, deixa tudo mais óbvio: ela é especial, repleta de pensamentos críticos e frases marcantes. Muito madura para sua idade - afinal, ela cresceu sem uma presença feminina, com um homem que às vezes se ausenta por conta da bebida -, ela passa o livro inteiro tratando sobre questões cotidianas e até existenciais de uma maneira surpreendentemente simples para quem possui um peso enorme nas costas chamado "passado amedrontador". Várias vezes me vi marcando passagens nas quais Sarah discorria sobre algum pensamento que já tive ou que faz todo o sentido do mundo. A nossa conexão foi selada de imediato.

Pessoalmente, eu ia preferir que um garoto percebesse qual livro eu estava lendo e me dissesse que também tinha gostado. Isso parece um sinal melhor de carinho do que um beijinho qualquer. (pág. 49)

A situação toda parece um pouco bizarra. Como a cama que ainda está desarrumada às duas da tarde e faz o dia todo parecer uma bagunça. (pág. 90)

Um livro velho que é mais como um amigo e de alguma forma se torna novo a cada vez que abro suas páginas. (pág. 251)

As citações de alguns livros, personagens e autores é outra característica que torna este livro especial. O modo como Harrington inseriu isso na história é encantador. Comunicar-se com personagens ou com autores para expor seus problemas, como se eles fossem seus amigos: quem nunca desejou isso? E há alguns pontos em comum entre os personagens de ambos os livros: do clássico e deste contemporâneo. Perceber essas semelhanças ensina muito não somente à Sarah, como também ao próprio leitor. O livro em si é uma grande lição de vida.

É engraçado como eu não sabia que era só um monte de peças soltas até que alguém me abraçou forte. (pág. 129)

8 comentários:

  1. Oi Mell!

    Eu já tinha visto esse livro por aí, mas não tinha nem me dado ao trabalho de ler a sinopse porque me parecia mais um livro cômico, sabe? Agora, ao ler sua resenha, percebo que estava completamente enganada! Fiquei muito interessada pelo livro e também por O Sol É Para Todos que, infelizmente, ainda não li.

    Adorei a resenha!

    Bjs

    Nas Quartas
    Usamos Rosa

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  2. Mell, esse livro parece ser lindo! Pensei em pedir ele, mas aí, justamente por ser uma das azaradas que não leu O sol é para todos, mudei de ideia porque não queria lidar com possíveis spoilers :/


    Agora, preciso ler a obra de Harper Lee e aí, este que parece ser incrível! A protagonista parece ser fácil de gostar e de se identificar; gosto disso :)

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  3. Marina Rocha Daros16 de junho de 2014 06:07

    Oi, Mell!
    Já havia encontrado informações sobre esse livro em outros blogs e estou super interessada nele.
    Mas por motivos de "tenho mais livros do que consigo ler", estou adiando a aquisição.
    Beijos.

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  4. hahahaha Normal, sei bem como é esse motivo ;) Mas não deixe de ler, não, ehn?

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  5. Eeeentão leia logo O sol é para todos. Quer que eu te empreste na Bienal? ;)
    Eu acho que você vai amar a Scout!

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  6. Sim, mas não é cômico, não, fique tranquila!
    Leia o clássico, também, SUPER indico. AMO de paixão ;)
    Beijos

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  7. HAHAHAHA Leeeeeia, Kel <3 É muito amor esse livro, e o clássico também, um dos meus favoritos de todos os tempos! Queridinho também hehe
    Beijos

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  8. Gabrielly Marques4 de agosto de 2014 11:47

    Como não amar esse livro?!
    Me apaixonei pela estória e me vi morrendo de saudades da Sarah quando o livro acabou. Foi uma leitura que me fez refletir e me envolver muito com a personagem. Emocionante, simples e bem humorado... Todos deveriam lê-lo.
    Beijos Mel, adorei a resenha ;)

    http://umaleitoravoraz.blogspot.com.br/

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