2.5.14

Resenha: Marina

Marina, escrito por Carlos Ruiz Zafón

Editora: Suma de Letras Brasil
Páginas: 192
ISBN: 9788581050164


Na Barcelona dos anos 1980, o menino Óscar Drai, um solitário aluno de internato, conhece Marina, uma jovem misteriosa que vive num casarão com o pai idoso. Em passeios pela cidade, os dois presenciam uma cena estranha num cemitério e se envolvem na resolução de um mistério que remonta aos anos 1940. Numa tentativa inútil de escapar da própria memória, Oscar abandona sua cidade. Acreditava que, colocando-se a uma distância segura, as vozes do passado se calariam. Quinze anos mais tarde, ele regressa à cidade para exorcizar seus fantasmas e enfrentar suas lembranças - a macabra aventura que marcou sua juventude, o terror e a loucura que cercaram a história de amor.





Em Marina, Carlos Ruiz Zafón transporta o leitor para a Barcelona do passado - mais precisamente o final da década de 1970 - e traz a história do adolescente Óscar Drai. Estudante de um colégio interno católico e bastante rígido, Óscar é um rapaz responsável que adora passar suas horas vagas passeando pelo centro de Barcelona, desvendando os mistérios das construções históricas da cidade. Em um de seus passeios repara pela primeira vez a presença de um antigo casarão, escondido em um canto de uma rua igualmente escondida.

Curioso, principalmente pela presença de um gato atacando um pardal,  Óscar se aproxima da casa apenas para ficar ainda mais intrigado com o canto de uma voz feminina que parece sair da construção. No momento em que decide entrar na casa para descobrir o que está acontecendo, Óscar tem a sua vida mudada para sempre.

Alguns dias depois, ele conhece Marina, uma jovem encantadora com idade próxima à sua e que adora mistérios. Juntos, os dois resolvem visitar o antigo cemitério da cidade e descobrem que em todos os últimos domingos do mês uma dama vestida de preto costuma visitar uma lápide sem identificação, exceto por uma marca: uma borboleta negra. Unidos pela curiosidade, Óscar e Marina decidem seguir a dama de preto e desvendar o seu mistério. 


Sou bastante suspeita para falar sobre os livros de Carlos Ruiz Zafón, pois adoro tudo o que já li dele. Ainda assim, preciso ressaltar que achei Marina muito bom. A narrativa é bastante envolvente o que, junto com o número pequeno de páginas, só aumenta a ansiedade do leitor para chegar ao desfecho. Os personagens são bastante cativantes e, aos poucos, sentimos vontade de saber mais sobre eles.

O mistério central do livro - instigado pela presença da dama de preto - não decepciona; um dos aspectos de que mais gosto na escrita do autor é a forma como ele descreve as situações, fazendo uso de expressões criativas e divertidas, assim como de metáforas, impedindo o leitor de se sentir entediado. Durante a leitura, em diversos momentos senti um arrepio enquanto acompanhava alguns dos acontecimentos narrados que beiram o macabro e o bizarro. Aos poucos, fui percebendo que a misteriosa dama de preto era apenas a ponta de um enorme iceberg e que Zafón me guiaria em uma incrível jornada ao passado, cheia de altos e baixos e grandes reviravoltas. É interessante mencionar que, apesar dos elementos de mistério e terror, Marina é também uma história muito doce, carregada de melancolia, sobre amor e amizade.

O livro, que foi um dos primeiros trabalhos do autor, é tido como uma obra para jovens adultos e, por isso, não tão complexa quanto a aclamada série do Cemitério dos Livros Esquecidos. Não sei até que ponto concordo com essa ideia. Sim, claro que o livro não traz uma história tão complexa e rica em detalhes e personagens quanto a série mais famosa do autor, mas ainda assim, não o enxergo como um trabalho menor. Mesmo percebendo que Zafón aprimorou suas habilidades como escritor ao longo dos anos, Marina, de forma alguma, deixa à desejar no que diz respeito à uma boa história - bem desenvolvida e completa.






6 comentários:

  1. Acredite ou não, eu abandonei Marina. Não consegui gostar e me senti super mal quando isso aconteceu porque só leio bons comentários a respeito de Zafón. Acho que ele simplesmente não faz meu tipo.
    Beijos.

    ResponderExcluir
  2. Oie!!


    Esse é um dos livros favoritos do meu melhor amigo e sempre que vejo resenha eu o aviso pra ele ver como os outros leitores tbm gostam. Eu, para tristeza dele, ainda não li, e cada resenha que leio eu fico com mais vontade. Adicionei na listinha :)

    Bjs!

    Raquel Moritz
    www.pipocamusical.com.br

    ResponderExcluir
  3. Marina Rocha Daros5 de maio de 2014 06:53

    Oi, Michelle!

    Confesso que comprei Marina um pouco porque o título tem o meu nome, mas essa não foi a única razão que motivou minha compra. E não me arrependi. Não poderia. O livro é possui uma sensibilidade tocante e um enredo meio macabro, bem como você descreveu, que dá uma característica singular ao livro.
    Zafón é um autor espetacular! Li somente A Sombra do Vento e Marina, mas me encantei complemente pelas histórias e escrita dele só de ler o primeiro!
    Todos os livros publicados com autoria dele já estão na minha lista de leituras desejadas!

    Beijos.

    ResponderExcluir
  4. Oi, Mariana :)


    Esse livro é muito bom, né? Ao mesmo tempo em que é assustador, traz tanta sensibilidade e - por que não? - ternura. "A sombra do vento" é o meu preferido do Zafón, creio que por ter sido o meu primeiro contato com sua obra, mas os demais não ficam atrás. Recomendo bastante "O jogo do anjo" e "O prisioneiro do céu", que estão ambientados na mesma história do Cemitério dos Livros Esquecidos :)


    Li também "O príncipe da névoa" e, apesar de ser um livro mais juvenil, adorei a leitura! Pretendo ler os demais :)


    Beijos

    ResponderExcluir
  5. Oi, Raquel


    Esse livro é muito bom! Dá para ler super rápido, porque é bem fininho! Adoro a escrita do Zafón hehe :)


    Leia "Marina" sim e depois conte o que achou!


    Beijos

    ResponderExcluir
  6. Ah, sério? :/


    Mas acho que é normal esse tipo de coisa acontecer, Babi. Felizmente, vivemos em um mundo com pessoas com diferentes opiniões; vai ver, o Zafón não faz mesmo o seu tipo. Pode ter sido o momento também, né? Não se sinta mal :)


    Beijos

    ResponderExcluir

Obrigado por visitar e comentar no Literature-se.
Assim que puder, visitarei o seu blog. Caso não tenha um, deixe twitter, Facebook ou e-mail para que eu possa respondê-lo :)
Dicas, sugestões e críticas construtivas? Comentários abertos para isso e muito mais, só contando com aquela boa dose de bom-senso necessário, né? ;)

 
Literature-se © Todos os direitos reservados :: Ilustração por Prih Mizuh (@pri_mizuh) :: voltar para o topo