23.5.14

Resenha: As virgens suicidas

As virgens suicidas, de Jeffrey Eugenides

Editora: Companhia das Letras
Páginas: 232
ISBN: 8535922199
ISBN-13: 9788535922196

Num típico subúrbio dos Estados Unidos nos anos 1970, cinco irmãs adolescentes se matam em sequência e sem motivo plausível. A tragédia, ocorrida no seio de uma família que, em oposição aos efeitos já perceptíveis da revolução sexual, vive sob severas restrições morais e religiosas, é narrada pela voz coletiva e fascinada de um grupo de garotos da vizinhança. O coro lírico que então se forma ajuda a dar um tom sui generis a esta fábula da inocência perdida.




Sobre o que se trata?

Ambientado na década de 1970, em um típico subúrbio dos Estados Unidos, As Virgens Suicidas, traz história das cinco garotas Lisbon que, inexplicavelmente, resolveram se matar em sequência. A narrativa é feita pela voz coletiva dos garotos que viviam na vizinhança e que, anos após a tragédia, ainda não conseguiram compreender tudo o que aconteceu e, por isso, decidem recordar os acontecimentos daqueles anos, na tentativa de reconstruir os últimos meses de vida das garotas Lisbon e, quem sabe, encontrar um motivo para a sua decisão final de abandonar este mundo.

Por meio da visão destes garotos - agora homens adultos, com seus 40, 50 anos -, o leitor é apresentado às cinco irmãs Lisbon -  Cecilia (13 anos), Lux (14), Bonnie (15), Mary (16) e Therese (17) -, moças muito bonitas e que vivem de forma, aparentemente, normal. Filhas de uma católica bastante devota e de um professor de matemática, as meninas Lisbon parecem viver em um mundo distante e só delas, despertando o fascínio dos adolescentes que frequentam a mesma escola e que vivem nos arredores. 

Quando a mais jovem das meninas, Cecília, comete suicídio, começa a ficar evidente para os narradores - e também para o leitor- que algo não está bem com a família Lisbon. Após a primeira tragédia, as meninas, que já viviam bastante isoladas, passam a ser ainda mais protegidas pelos pais e tudo piora depois de alguns imprevistos decorrentes de um baile no colégio.

Minhas impressões

Antes de tudo: a palavra "virgens" no título não tem absolutamente nenhum teor sexual. Aliás, o título em português não foi uma tradução fiel do título original, The Virgin Suicides, o que acaba por deturpar um pouco o sentido.

Desde a primeira página, o leitor já sabe o destino das meninas Lisbon e isso não é problema algum, porque a "graça" é descobrir como tudo aconteceu. E ainda assim, foi impossível não ficar com uma sensação estranha no momento em que a narrativa chega aos suicídios. A forma como Jeffrey Eugenides construiu a história e a contou sob a perspectiva coletiva dos garotos que conheciam as meninas é muito envolvente, o que torna quase impossível abandonar a leitura. Confesso que tive que me controlar para não devorar o livro, porque esta é uma leitura que precisa ser sentida aos poucos.

A atmosfera da história é bastante melancólica e angustiante, de forma que consegui imergir na história e sentir o desespero dos narradores. É como se, enquanto viviam aqueles momentos, os garotos não pudessem enxergar o que estava por vir e, anos depois, reconstruindo aqueles dias, tudo começasse a ficar óbvio. Gostei da forma como a narrativa mexe com os sentidos, principalmente, com o olfato. Durante a leitura, conseguia sentir diversos cheiros - como o de chiclete de melancia, de pipoca envelhecida e da podridão da casa decadente - , o que só acrescentou à experiência, tornando tudo muito próximo.

Enquanto realizava a leitura, fiquei o tempo todo buscando um motivo para os suicídios - em especial, o de Cecília - e até hoje, dias após terminar, não sei se consegui chegar à alguma conclusão. E acho que essa foi a intenção do autor. Afinal, como é possível encontrar palavras para explicar suicídio? Vou reafirmar o que disse acima: As Virgens Suicidas é uma leitura para ser sentida e não necessariamente compreendida. Muito além de tratar de suicídio, estamos falando de uma história que levanta reflexões: o que é a vida, a morte, a liberdade? O que é crescer? O que é viver? Por que viver? Por que morrer? Qual é a nosso objetivo aqui? É um livro que não faz sentido algum, mas que, ao mesmo tempo, faz todo o sentido do mundo.

Sei que ainda estamos em abril, mas já posso afirmar que As Virgens Suicidas foi uma das minhas melhores leituras em 2014. Leitura que, inclusive, pretendo repetir em algum momento. Em 1999, o livro foi adaptado para o cinema por Sofia Coppola e, apesar de capturar bem a atmosfera da obra de Eugenides, peca em alguns aspectos. Ainda assim, é uma adaptação válida e que eu recomendo após a leitura.

6 comentários:

  1. Tenho uma curiosidade a mais em ler esse livro já faz um tempo. Sua resenha só aumentou ainda mais minha empolgação. Mas confesso que tenho que esperar o clima certo para lê-lo e sentir tudo o que ele possa me passar.
    Beijos,K.
    Girl Spoiled
    http://girlspoiled.blogspot.com.br/

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  2. Eu também estou muito curiosa quanto à leitura, mas sinto que preciso do tempo certo. Assim ocorre com O morro dos ventos uivantes, também rs

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  3. Marina Rocha Daros26 de maio de 2014 05:10

    Olá!
    Assisti o filme há alguns meses e senti a mesma coisa que você. Não dá para captar o real motivo dos suicídios.
    Descobri que o filme é baseado no livro depois de assisti-lo e fiquei curiosa com os detalhes a mais que ele poderia abordar. A sua resenha aumentou meu interesse! :)
    Beijos.

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  4. OII,,Fiquei muito curiosa, mais um para minha lista ,kk

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  5. Oi Michas!

    Todas essas questões que você levantou sobre a vida, a morte e sobre o que motivou os suicídios também mexeram muito comigo quando vi o filme. E como todo mundo diz que o livro é anda melhor, estou muito ansiosa para ler!

    Bjs!

    Nas Quartas
    Usamos Rosa

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  6. Estou me sentindo um peixe fora d'água porque quase todo mundo gostou bem mais desse livro do que eu... Talvez eu tenha criado muita expectativa depois de ter assistido o filme da Sophia Coppola.
    Beijo!
    Eduarda, do Maquiada na Livraria.

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