23.4.14

Resenha: Me liga

Me liga, escrito por Sarah Mlynowski.
Editora: Galera Record.
Páginas: 319
ISBN: 9788501083548
Exemplar cedido em parceria com a editora.

Aos 17 anos, a vida de Devi está de pernas pro ar. Depois de começar a namorar Bryan, negligenciou as amigas, os estudos e, depois que ele terminou com ela, está sem nada: sem perspectiva de uma boa faculdade, sem mais amigas, sem namorado. Se ela pudesse bater um papo com a Devi do passado... O que, após um incidente estranho com seu celular, é exatamente o que pode fazer! Agora que só consegue ligar para a Devi de 14 anos, parece que é finalmente a sua chance de consertar a própria vida. Ela tem o passado – ou melhor, o futuro – nas mãos. É só dar um telefonema. 


Sobre o que se trata?

Devorah Banks é uma adolescente comum que está prestes a se formar no ensino médio. Enquanto lamentava os rumos tomados pela sua vida (crise amorosa, crise nas suas amizades, crise no relacionamento de seus pais, crise no seu relacionamento com a irmã mais velha...) ao lado de uma fonte no shopping, ela deixa seu celular cair dentro da água. Ao tentar religá-lo, ela disca para alguém... E esse alguém atende. Um alguém que possui uma voz muito familiar. Ou não seria a sua própria voz?

É quando percebe que, depois do mergulho desastroso dentro da fonte, seu celular consegue conectá-la à sua "eu mais jovem", uma Devorah de três anos atrás, quando ainda estava iniciando o ensino médio. Depois do choque, ela decide reajustar a sua vida, trilhar caminhos diferentes, para não mais se encontrar daquele jeito: sozinha, infeliz e angustiada com suas escolhas. Mas como? Pressionando Cal (de Caloura, a Devorah do primeiro ano do ensino médio), fazendo-a tomar todo o trabalho pesado para si, enquanto que o seu presente se tornava mutável: as situações que Cal muda acabam transformando a vida presente de Devorah. Assim, ela terá que sempre adivinhar qual rumo a sua vida tomou.

Minhas impressões

Sendo um YA (Young Adult), Me liga não está isento das características sempre presentes nesse gênero literário: dramas de adolescentes, personagens imaturas e linguagem simples com vocabulário próprio.

Porém, devemos vestir "a máscara" de adolescente ao ler livros do gênero. Digo, ainda, que tais características apenas reafirmaram um tópico muito presente no livro: o amadurecimento, o crescimento e o aprendizado. 

Comunicando-se com uma "eu" de 14 anos, a Devorah de 17 consegue transmitir a imagem de alguém que amadureceu diante das experiências por que passou. Ainda que a Devorah de 14 seja irritante aos moldes de uma adolescente típica, o livro é bastante verossímil (tirando a parte fantasiosa); se por servir de base argumentativa para a mensagem do livro (de que somos nossas experiências em seu devido tempo, e de que modificar o passado transforma as "lições de vida" e, portanto, o que se é atualmente); ou se por ajustar-se ao público alvo.

A história me lembrou bastante de Todo Dia, escrito por David Levithan, no qual o protagonista acorda toda manhã num corpo diferente e precisa, portanto, viver uma vida mutante. É assim que a vida de Devorah se torna: mutante; todo dia, ou a qualquer momento, sua vida pode ser outra, é só conversar com Cal e instruí-la. Uma hora seus pais são separados, outra estão juntos. Tudo isso dividido por uma tênue linha entre milhões de dólares ganhos ou não na loteria.

Me liga transmitiu uma certa dose de filosofia durante a leitura, bem como aconteceu com Todo Dia. Ele suscita temas como a legitimidade, a imutabilidade da vida e de nossas escolhas, a responsabilidade perante o futuro (tanto o próprio como o alheio), entre outros. Consegue combinar diversão e reflexão, sendo uma característica que o difere bastante dos outros livros YAs. 

Ainda, há aqui um conceito diferente de viagem no tempo, já que as personagens só conseguem se falar através do telefone. É angustiante torcer para que ambas se entendam apenas por palavras e a uma simples "distância" de um clique. Porém, apesar de ser uma leitura leve e envolvente, não é transformadora ou daquelas que se torna sua preferida de todos os tempos.

6 comentários:

  1. Apesar de não estar em uma "vibe" YA, daria uma chance para esse livro depois de ler tua resenha. Parece ser interessante. De vez em quando fico querendo ler alguma coisa mais leve, já sei que livro procurar. Pena que estou sem comprar livros até diminuir os que estão na minha TBR. :(
    Obrigada pela dica! Ótima resenha!
    Beijos,
    Mariucha

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  2. Catharina Mattavelli23 de abril de 2014 18:13

    Ótima resenha
    Tenho muita curiosidade em ler e comprar o livro, parece ser bem divertido, ainda mais depois que vc gostou haha

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/2014/04/caixa-de-correio-10.html

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  3. Oi, Mell

    Ando tão desanimada em relação a YA ultimamente. Mas, acho que esses mais contemporâneos ainda me atraem. Esse aí, parece ser, no mínimo, divertido e envolvente. Gostei da ideia de uma pessoa mudar o seu passado e, consequentemente, seu futuro. Quem nunca pensou "ah, mas seu pudesse voltar, faria assim ou assim?". Vou anotar o nome para quando eu estiver com vontade de ler algo do tipo :)

    Adorei o texto!

    Beijos

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  4. Eu já estive mais engajada em YA, no momento estou curtindo meus livros de fantasia e ficção científica, ahhae. Engraçado, se fosse uns meses atrás eu já ia correndo pegar esse livro. Gostei da proposta, e mesmo da comparação com Todo Dia, pois estou com o livro aqui abarrotado de elogios, e ainda não li. :)


    Bjs,


    Raquel
    www.pipocamusical.com.br

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  5. Oi Mell!
    Eu gostei bastante da premissa do livro. Essa ideia de poder se conectar com seu "eu" do passado com o objetivo de tomar decisões diferentes sempre passa pela nossa cabeça em algum momento da vida. Fiquei especialmente curiosa para saber como as mudanças vão refletindo no presente. Espero ter oportunidade de ler.


    Beijos!

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  6. Marina Rocha Daros25 de abril de 2014 06:49

    Oi, Mell!
    Aparentemente, este livro tem uma proposta muito boa, mas também, ao meu ver, muito fácil de não satisfazer as expectativas.
    Sua resenha despertou meu interesse, mas acho que vou deixar pra outra hora ;)
    Beijos.

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