11.4.14

Literalmente falando #1 - Sobre opiniões literárias negativas

(Imagem)

Inspirada pelo post da Michas sobre ter mais livros do que se pode ler, e também pelo vídeo da Tatiana Feltrin (Opiniões negativas sobre livros), decidi criar essa coluna aqui no blog. Já faz um tempo que eu queria criar uma área aqui no blog para discussão sobre assuntos literários, então cá está :) Por enquanto, o Literalmente Falando não é fixo e nem terá autoras fixas (eu e a Michas podemos postar juntas ou separadamente), ok? Hoje falaremos sobre opiniões literárias negativas.

A intenção não é medirmos palavras para textos mais curtos. Pelo contrário, este é um espaço aberto para nos sentirmos livres e falarmos sobre o que quisermos e o quanto quisermos. É que a gente gosta de falar, mesmo rs ;)


Não sei se vocês concordam comigo (mas presumo que irão) sobre a função dos blogs e vlogs literários. Eles servem, basicamente, para a divulgação de opiniões e informações acerca de livros e literatura. É comum cada adepto desse meio de comunicação ter o seu blogueiro/vlogueiro favorito (ou, o mais comum: vários deles). Eu mesma sigo fielmente alguns canais e blogs nos quais confio muito. E aí é que entra a principal característica de um veículo como este: a confiabilidade. Tanto resenhas negativas quanto positivas servem para expor o que penso de um determinado livro, e deturpá-las ou mentir apenas para agradar a outrem, não constrói o alicerce que mais prezo. Pois eu prezo a confiança do meu leitor, do meu visualizador. Eu quero que vocês leiam/vejam uma opinião minha sabendo que ela será sempre a verdadeira, independentemente de parcerias e de vínculos com editoras.

Porque depois da legitimidade da exposição do que penso, eu prezo pelo respeito. Respeito ao se criticar algum trabalho alheio (uma obra, uma editora, um blogueiro/vlogueiro), ao meter o dedo na vida de outra pessoa. Pois mesmo que a obra seja de um autor internacional, ainda assim muitas pessoas estão envolvidas no processo de criação dela. E ao expor a sua opinião, seja escrita ou gravada, você estará envolvendo uma infinidade de pessoas ali. E, é claro, não deixo de citar (apenas de passagem, isso é assunto para um post/vídeo mais abrangente) o respeito que eu me imponho como blogueira e consumidora de informações (sou, acima de tudo, uma leitora) e aquele que exijo de meus leitores/"consumidores". Se você gostou ou não de algum livro, eu irei respeitar seus pensamentos e a sua experiência com ele.

Assim como espero ser respeitada caso eu não goste de um livro que você ama. Há muito disso na internet: a pessoa não aprendeu o que é respeito e sai atirando pedras em alguém somente por conta da exposição de um pensamento contrário, que não lhe agrada. Agora, imagine um mundo onde não barramos tais condutas? Viraria um caos. Aliás, é por isso que há muito caos: pela falta de respeito entre as relações humanas.

Vamos combinar uma coisa? Respeito acima de tudo, minha gente. E acho que ninguém discordará de mim agora.

As opiniões negativas, então, já me fizeram desistir de ler um livro? 

Pode ter certeza de que sim, e isso é bem comum na minha vida. Recentemente, desisti de ler Divergente depois de ler/ver algumas opiniões negativas sobre a obra. E já recebi comentários negativos por isso. Vou explicar esse caso porque ele se aplica a qualquer outro: primeiro, sou sincera comigo mesma sobre o tempo que tenho para ler e o quanto estou disposta a investir ($, inclusive) no livro. Depois, vejo se o gênero vale a pena ser lido mesmo com os aspectos negativos. Eu possuo épocas em que gosto de ler mais um gênero do que outro, é normal entre nós, meros mortais. Você também tem isso. E estar inclinada à leitura de um gênero literário ou não é algo que pesa muito. E, nesse caso, uma distopia contemporânea não me é atrativa no momento, ainda mais com suas numerosas falhas, constatadas aqui por outras pessoas nas quais confio quando se trata de opinião.

Posso dizer que chegamos no clímax: uma opinião gera adeptos (ou não). E por que eu não a levaria em conta? Afinal, relembre o tanto de vezes em que você leu algo, ou consumiu algum produto (música, livros, roupa etc), por influência de alguém.

E a diversidade de opiniões é algo valiosa (muitos a tratam como algo pecaminoso, e isso é vergonhoso): quanto mais opiniões, mais trabalhada será uma obra. Outras facetas surgirão, novas características serão observadas por outras cabeças pensantes. Diferenças entre opiniões levam a novos conhecimentos. Por isso, pense bem antes de criticar alguém. Concentre-se nisso ao invés de somente atirar pedras. Quem somente atira pedras é alguém pequeno, limitado.

Volto à questão do respeito agora, pois quero comentar sobre a minha política de resenhas (quem ainda não viu, há uma parte aqui no blog onde eu a explico melhor). Geralmente tento encontrar aspectos positivos e negativos de uma obra. É claro que muitas vezes ocorrerá de eu amar algum livro e não ter nada de ruim para expor sobre ele. É normal. Todo mundo tem muitas obras preferidas nessa vida. E em ambas as situações tentarei expor minhas opiniões com respeito. Portanto, acho imprescindível medir as palavras quando se fala de uma obra, desde a primeira letra maiúscula (ou o primeiro "a", no caso do vídeo rs) até o último ponto final. Ou seja: eu não deixo de falar algo negativo do livro. Volto aqui à legitimidade de minha exposição. Mas, sempre irei buscar palavras justas e respeitosas.



Assim como a Mell, acredito que o que nos leva a procurar a opinião de pessoas com canais e blogs literários - ao invés de profissionais que trabalham para os principais veículos de comunicação, como jornais e portais - é a possibilidade de nos identificarmos com o blogueiro/vlogueiro em questão que, provavelmente, tem um gosto literário muito próximo do nosso. Nesses casos, essas pessoas nos auxiliam na hora de escolher qual será a nossa próxima leitura e a decidir se vamos ou não investir tempo e dinheiro em determinada obra. Se alguém com gostos muito parecidos com os meus gostou do livro X, a probabilidade de eu também gostar é bem alta, certo? E se essa mesma pessoa não gostou do livro Y, é bem possível que eu também não goste, né?

Na condição de leitora, já perdi as contas de quantos livros entraram para a minha TBR (to be read) infinita só por causa de algo muito positivo que foi dito sobre eles por alguém em quem confio e cujo trabalho admiro. Talvez nunca teria me decidido sobre começar a ler "As Crônicas de Nárnia" se não fosse pelo vídeo da Mell, por exemplo. Da mesma forma, decidi não me aventurar pela série "Os Instrumentos Mortais", de Cassandra Claire, depois de ver a opinião do Gabriel no canal Cabine Literária.

Assim, cria-se uma relação de confiança entre blogueiros e vlogueiros e as pessoas que acompanham o seu trabalho e as suas leituras. Prezo muito pela sinceridade de uma pessoa na hora de falar sobre um livro que possa me interessar. Assim, quando vou fazer meus vídeos ou escrever uma resenha, faço questão de ressaltar o que gostei e o que me desagradou, pois imagino que quem me acompanha procura, assim como eu, uma opinião verdadeira, mesmo que isso possa não estar de acordo com o que "todo mundo" diz. Um exemplo? No começo do ano fiz um vídeo a respeito de "O Chamado do Cuco", livro que, até onde procurei, só encontrei opiniões positivas de pessoas que recomendavam a leitura. Após concluir a minha leitura, resolvi opinar a respeito dizendo que não gostei da leitura e explicando os meus motivos para isso. Dentre os muitos comentários que recebi (todos, surpreendentemente, respeitosos), uma pessoa disse que ficou muito feliz com a minha resenha,  pois estava muito desconfiada em relação ao livro, já que "todos" pareciam ter amado.

É importante ressaltar que neste contexto em que pessoas falam sobre livros - e em todos os outros, convenhamos  - é imprescindível que o respeito venha em primeiro lugar. Tanto na hora de opinar sobre um livro e apresentar os aspectos negativos do mesmo, quanto na hora de discordar da opinião do blogueiro/vlogueiro. Não há problema algum em ter uma opinião diferente; o errado é ser mal educado e grosseiro, porque isso, a meu ver, acaba por invalidar muito a sua opinião e abre margem para te desrespeitarem também. Ou seja, se você é mal educado, acaba não sendo levado à sério.

Um dos livros que mais gostei de ler em 2012 foi "As Vantagens de Ser Invisível" e lembro de ter assistido a um vídeo da Tatiana Feltrin em que ela dizia que não tinha gostado do livro e explicava suas razões. Fiquei pensando no assunto e percebi que não tinha encarado a história da mesma forma que ela, que me apresentou um outro lado do livro. Comentei isso e ela me respondeu, ambas educadamente. O que acho mais legal em opiniões divergentes é justamente o fato de que elas nos mostram facetas diferentes de um mesmo assunto e isso só enriquece a discussão. Vou cair no clichê e dizer que o mundo seria um lugar muito chato se todo mundo pensasse igual e tivesse a mesma opinião a respeito de tudo.

Então, para finalizar essa discussão, ressalto que, a meu ver, não há problema algum em ter uma opinião negativa sobre um livro e menos problema ainda em expressar essa opinião, desde que isso seja feito com respeito em relação a quem acompanha o seu trabalho - apresentando os motivos que levaram à opinião negativa -  e em relação a quem escreveu o livro - evitando o uso de expressões grosseiras mas fazendo uso de sinceridade. O mesmo respeito é esperado também daquele que discordar da opinião do vlogueiro/blogueiro.

E vocês, o que pensam a respeito?

2 comentários:

  1. Oi Mell e Michas! Tudo bem?

    Adorei ler a visão de vocês a respeito desse assunto um tanto quanto polêmico.

    Assim como vocês, penso que a principal questão aqui é o respeito, tanto pelos seus leitores, uma vez que o que eles buscam é sinceridade acima de tudo, quanto pelo autor do livro.

    Tenho um exemplo real disso... Esse ano ganhei de presente de uma pessoa muito querida um livro que parecia ser ótimo, mas que acabou sendo uma grande decepção. E eis a dificuldade na hora de escrever uma resenha sobre ele no blog... Não queria desprezar o presente, mas também não conseguiria fazer um post dizendo mil maravilhas sobre o livro... Depois de muito pensar, concluí que a melhor opção era ser sincera, mas ao mesmo tempo respeitar os sentimentos da pessoa que me deu o livro... Pois que culpa tinha ela se a história não me agradou? Nenhuma.

    Penso que o que deve vir acima de tudo é a sinceridade. Não gostei? Não. Por que? Só consigo confiar numa resenha negativa se os pontos que fizeram a pessoa não gostar do livro (principalmente se for um livro que eu gosto) estiverem todos bem explicados. Como por exemplo a resenha da Michas de O Chamado do Cuco. Gostei da leitura (mas não é meu livro preferido da vida), mas gostei também de ver uma opinião diferente da minha. Acho importante isso para estimular nossa capacidade de pensar...

    Penso que as palavras devem ser medidas somente para criticar um livro de maneira respeitosa, mas nunca escondendo aspectos que não gostei.

    Ufa, escrevi muito! Rs

    Beijos
    http://dacarneiro.wordpress.com/

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  2. Oi, Dani :)


    Desculpas mil pela demora em responder!


    Primeiro, fico feliz que tenha gostado do texto! Acho super importante levantar essa questão e gostei de ver a sua visão. Assim como você, creio que o mais importante é a sinceridade. Não há problema algum em não gostar de um livro e dizer isso abertamente; mas é importante também dizer o porquê de não ter gostado e o fazer de forma respeitosa.


    Confesso que, em geral, confio mais em opiniões negativas bem estruturadas do que em opiniões positivas. Não que eu não confie nos blogueiros/vlogueiros que acompanho, mas digo isso porque opiniões positivas sempre me fazem criar expectativas e aí, me frustro ahahaha.


    Você levantou outro aspecto interessante: opiniões diferentes sobre um livro nos fazem reavaliar as nossas ideias e, consequentemente, a pensar mais. Também gosto de ver resenhas negativas de livros que gostei :) Me faz enxergar aspectos que, talvez, eu não tenha enxergado durante a leitura :)


    Adorei o seu comentário!


    Beijos

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