9.3.14

Resenha: O sol é para todos

O sol é para todos, escrito por Harper Lee.
Editora: Círculo do livro.
Páginas: 317
Um dos romances mais adorados de todos os tempos, O sol é para todos conta a história de duas crianças no árido terreno sulista norte-americano da Grande Depressão no início dos anos 1930. Jem e Scout Fincher testemunham a ignorância e o preconceito em sua cidade, Maycomb – símbolo dos conservadores estados do sul dos EUA, empobrecidos pela crise econômica, agravante do clima de tensão social. A esperta e sensível Scout, narradora da trama, e Jem, seu irmão mais velho, são filhos do advogado Atticus Finch, encarregado de defender Tom Robinson, um homem negro acusado de estuprar uma jovem branca. Mas não é só nessa acusação e no julgamento de Robinson que os irmãos percebem o racismo do pequeno município do Alabama onde moram. Nos três anos em que se passa a narrativa, deparam-se com diversas situações em que negros e brancos se confrontam. Ao longo do livro, os dois irmãos e seu pequeno amigo de férias, Dill, passam por tensas aventuras, grandes surpresas e importantes descobertas. Nos episódios vividos ao lado de personagens cativantes, como Calpúrnia, Boo Radley e Dolphus Raymond, aprendem e ensinam sobre a empatia, a tolerância, o respeito ao próximo e a necessidade de se estar sempre aberto a novas idéias e perspectivas. O sol é para todos é o único livro de Harper Lee. Sucesso instantâneo de vendas nos EUA, que se tornou um grande best-seller mundial. Recebeu muitos prêmios desde sua publicação, em 1960, entre eles, o Pulitzer. Traduzido em 40 idiomas, vendeu mais de 30 milhões de exemplares em todo o mundo e, em 1962, foi levado às telas com Gregory Peck - ganhador do Oscar por sua interpretação de Atticus Finch - Brock Peters, Robert Duvall e outros. O Librarian Journal dos EUA deu sua maior honraria à história elegendo-a o melhor romance do século XX. Em 2006, uma pesquisa na Inglaterra colocou O sol é para todos no primeiro lugar da lista de livros mais importantes, seguido da Bíblia e de O senhor dos anéis, de J. R. R. Tokien. Também entrou para a lista da Time Magazine dos Cem Melhores Romances de Todos os Tempos

Sobre o que se trata?

O Sol é Para Todos é narrado pela pequena Jean Louise, ou apenas Scout como é carinhosamente chamada por seus conhecidos. Ela é órfã de mãe e vive com seu pai Atticus, seu irmão Jem e a cozinheira/governanta/babá Calpúrnia. Ela conta como era a sua infância e travessuras junto de Jem e de Dill, o sobrinho da vizinha, na cidade de Maycomb (fictícia) do estado de Alabama, Estados Unidos, durante a década de 1930, quando da Grande Depressão.

A primeira metade do livro destina-se a traçar o perfil da sociedade de Maycomb, tudo sob a perspectiva de uma criança de seis anos de idade. Durante suas férias, Scout, Jem e Dill tentam fazer com o que o vizinho Arthur Raddley, que tornou-se recluso há anos (e, portanto, as crianças não o conhecem), saia de casa. Eles inventam histórias a respeito de Boo, como o apelidaram, as quais demonstram como são crianças de imaginação engenhosa: envolto por mistérios, acabam criando um perfil assustador do vizinho. Dentre as situações episódicas narradas por Scout há uma aposta de tocar na parede da casa de Boo e até de olhar através da janela dele. Tudo, é claro, repleto de medo e de aventura.

Porém tudo muda na sossegada infância de Scout a partir da segunda metade do livro, quando seu pai, Atticus, um renomado advogado da região, é nomeado para a defesa de um negro acusado - injustamente - de estuprar uma garota branca. A mudança do comportamento da sociedade de Maycomb muda drasticamente e acompanhamos esta transformação sempre sob o olhar de uma criança, a qual se torna alvo das mesmas discriminações voltadas a seu pai.

Com um misto de revolta e dó, o leitor se vê envolvido numa história que discute racismo, discriminação racial, preconceitos históricos e direitos humanos

Minha impressões

Sempre me interessei muito pela obra por conta da fama e de seu título. Clássico da literatura norte-americana, O sol é para todos (To kill a mockingbird) garantiu um prêmio Pulitzer à sua autora. Por ser muito estimado, já seria difícil me decepcionar com a história. Já o título é brilhante e repleto de uma profundidade que seria complicado explicar com palavras. Ele (o originial, To kill a mockingbird)  é uma alegoria perfeita da mensagem principal do livro e, ainda, da índole de Atticus, um dos personagens mais humanos com o qual já tive contato. Gosto igualmente do título traduzido, pois sintetiza muito bem a mensagem, também.

E quanto aos personagens, só tenho a dizer que foram muito bem retratados como tipos sociais de uma época histórica marcada por um preconceito cruel e extremamente injusto. Impossível não me apegar à Scout, uma garotinha curiosa e incrivelmente representativa da dualidade do ser humano: doce e ingênua, mas também passível de influências negativas. Outra personagem verossímil. E lembrarei sempre de Atticus como um exemplo de pai e homem. Justo, inteligente, amável, fiel e digno. 

Adorei a escrita e o ritmo da história, apesar de saber que algumas pessoas encontraram problemas quanto a isso, sobretudo na primeira parte da história, quando episódios são narrados para compor a sociedade de Maycomb. Não achei lenta nem monótona, pelo contrário. Me envolvi bastante com o retrato narrado.

Já a narração é uma característica do livro que deve ser mencionada. Em primeira pessoa, quem narra a história é uma criança de seis anos de idade. O leitor não deve se esquecer disso, pois a principal crítica do livro é exposta e trabalhada com o alicerce da ingenuidade que só uma criança pode ter. E muitas vezes o leitor, já crescido, sabe exatamente o que está se passando (o porquê das injustiças e de certos códigos sociais existirem...) enquanto que Scout não, gerando um conflito ainda mais perturbador: sentimos dó e ficamos revoltados pela condição de impotência que a sociedade corrompida impõe.

Este é, com certeza, o melhor livro de 2014 até o momento. E, possivelmente, o melhor livro que já li na vida. Será difícil algum outro superá-lo tão breve.

15 comentários:

  1. Olá, Mell, como está?
    Bom, eu sempre quis -e quero- ler este livro.
    O ruim é que sempre, sempre mesmo, que vou ao Sebo, eu procuro, e procuro, mas não tem esse livro.
    Já o procurei em diversas coleções e nunca tem. Isso me dá até raiva, rsrs. Acho que procuro esse livro desde que entrei na graduação -e, acredite, já estou na metade rsrs-
    Ah, Mell, eu e o Victor, te Marcamos pra responder uma TAG, ficariamos feliz, caso quisesse respondê-la hihi
    Obrigado, e parabéns pelo post e pelo blog ;)
    incriativos.blogspot.com.br/2014/03/tag-blogagem-coletiva.html

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  2. Catharina Mattavelli9 de março de 2014 10:32

    Tenho bastante interesse em ler esse livro a um bom tempo, mas por ser um clássico, fico com receio. Sua resenha me deixou bem curiosa e vi que a leitura pode ser até sossegada haha vou tentar acha-lo.

    Beeijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/2014/03/resenha-elevador-16-rodrigo-de-oliveira.html
    Comente ;)

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  3. Mell, você é a segunda pessoa que fala desse livro hoje. Fiquei bastante interessada, principalmente por retratar uma época tão dificil dos EUA. Gosto muito de livros que revelam a história sob a narração de uma criança. Já entrou na lista. Beijos!

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  4. Acho incrível o modo como você consegue transmitir suas impressões e me fazer desejar ler o livro sobre o qual fala (e isso porque acabei de conhecer seu blog!).
    Percebi que seu gosto literário é bem parecido com o meu, principalmente depois de ler algumas resenhas antigas... Enfim, obrigada pro aumentar minha lista de livros a ler! Rs

    http://dacarneiro.wordpress.com/

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  5. Excelente resenha! Você traduziu em palavras todos os meus sentimentos com relação ao livro, aos personagens e ao contexto de um modo geral. Gostei como você abordou a questão racial e apresentou os outros personagens, dando o destaque eles merecem. Também me envolvi muito com a narrativa, mas ao contrário de você, no início achei o livro meio chatinho, um tantinho cansativo. Acho que isto aconteceu não pela escrita da autora, mas pelo momento que estava vivendo, porque estava me mudando e vivia muito cansada, isso acabou refletindo na minha leitura, mas apesar disso achei sensacional. O melhor livro de 2014 para mim também (ou um dos melhores, porque li coisas boas até agora). Resenha digna de um livro tão bom. Estou até com vergonha de ter chamado o que escrevi em meu blog de resenha. Vou aprender com você.

    Se você quiser ler minhas impressões sobre o livro, segue o link: http://aindaleio.blogspot.com.br/2014/03/o-sol-e-para-todos-harper-lee.html#more.

    Beijos,
    Mariucha

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  6. Ei mel!

    adorei sua resenha! eu tenho ouvido falar muito sobre esse livro, e depois dessa resenha maravilhosa estou empolgadíssima para lê-lo! O livro parece ser realmente envolvente!

    adoro seu blog! e vc é uma fofa!

    Beijos!

    http://bettinablanco.blogspot.com.br/

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  7. Amei sua resenha! Me fez ter mais vontade de ler esse livro!! Já tinha visto ele como referências em serie e livro e por isso as um tempinho que está na minha lista de desejos!

    http://foreverabookaholic.blogspot.com.br

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  8. Apesar de ser um clássico, ainda não conhecia esse livro. Gostei muito da resenha, e sempre fico animada quando a sua pontuação é 10 rs

    Beijos

    Meu Meio Devaneio

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  9. Oi, Mell! Finalmente vim aqui comentar (e vi sua resenha no youtube também! Seus vídeos são muito bons!). Ainda estou devendo comentários nas resenhas de outros livros de que falei bem nos comentários dos seus posts, eu sei.
    Primeiro: sabia que você ia gostar de O sol é para todos! Maravilhoso, né? Aliás, o fato de eu ter amado tanto um livro que ganhou o Pulitzer só veio pra me provar que já deu dessa coisa de "ganhou prêmios = não vou gostar" que eu tinha.
    Segundo: eu gosto demais do título original do livro (gosto muito quando ele aparece dentro do texto, com o Atticus conversando com as crianças - é, né? Li faz muito tempo), mas sei que seria difícil de manter em português e também gosto do título escolhido aqui. Não diz a mesma coisa, mas , realmente, ambos falam da mensagem da obra.
    Também não achei o livro nada lento ou monótono. Assim, nada mesmo. Às vezes, muitas vezes, os clássicos (e não só clássicos, mas livros mais sobre personagens do que sobre coisas/acontecimentos) são meio lerdos mesmo, ainda que sejam ótimos, mas não vi isso aqui.
    Adorei a resenha, super bem escrita :) O livro não é meu favorito da vida (eu não sei qual é), mas certamente é um dos.


    PS: se puder, veja o filme! O livro é melhor, mas é ótimo também. Gregory Peck de Atticus é <3

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  10. Esse livro é lindo! E parabéns pelas resenhas :D vou voltar mais vezes aqui pra ler!

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  11. Estou lendo esse livro digital, não acho pra comprar, apenas usado. Você comprou onde o seu?

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  12. O livro está até esgotado das livrarias de tanto que você indicou Mell!
    Faz tempo que quero comprar e não encontro. haha

    Beijão.

    http://arqleitura.blogspot.com.br/

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  13. hahahaha Não, ele já estava antes de eu indicar mesmo, infelizmente. Mas você viu que terá uma continuação este ano? Então acho que ele voltará a ser publicado aqui no Brasil.
    Beijos

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  14. Oi, Bruna. Em primeiro lugar? mil desculpas por não ter respondido antes.
    E o meu é uma versão usada, comprei num sebo. Infelizmente, a editora parou de publicar o livro. Mas provavelmente voltarão a publicá-lo esse ano, pois irá sair a continuação dele.
    Beijos

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  15. Oi, Nicole, tudo bem? Em primeiro lugar: mil desculpas por não ter respondido antes.

    E muito obrigada pelo comentário ;D Bjs!

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