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Ensaio sobre a cegueira Saramago

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Uma duas Eliane Brum

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ao farol virgínia woolf

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mulheres de cinzas mia couto

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Extraordinário Luandino Vieira

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Luuanda Luandino Vieira
28.3.14

Casa de Segredos, escrito por Chris Columbus e Ned Vizzini

Editora: Galera Record
Páginas: 350
ISBN: 8501400033


Brendan, Eleanor e Cordelia Walker um dia tiveram tudo; uma bela casa em São Francisco, pais adoráveis e todo o tipo de bugiganga eletrônica que podiam desejar. Mas tudo mudou depois que seu pai perdeu o emprego num misterioso incidente. A família está em dificuldades e precisa se mudar. À primeira vista, a mansão Kristoff parece perfeita. Mas a casa que pertencia ao misterioso escritor Denver Kristoff é cheia de segredos, e os três irmãos vão parar em um lugar selvagem que parece se misturar ao terreno da casa. Guerreiros medievais patrulham as florestas, piratas fantasmagóricos rondam os mares e uma rainha sedenta por poder governa aquelas terras. À medida que desvendam o mistério, Bren, Délia e Eleanor vão descobrir o verdadeiro significado de 'lar' e perceber que não apenas sua família, mas toda a humanidade está correndo perigo.





Escrito por Chris Columbus (diretor dos dois primeiros Harry Potter e roteirista de Os Goonies e Os Gremlins) e Ned Vizzini (autor de It's Kind of a Funny Story, que faleceu em dezembro de 2013), Casa de Segredos nos traz a história dos irmãos Cordelia, Brendan e Eleanor Walker. Logo no início do livro, ficamos sabendo que os Walker eram ricos e costumavam levar uma vida abastada, porém, depois de um incidente que custou o emprego do Sr. Walker e muitos processos, a situação financeira da família mudou bastante. Já no primeiro capítulo, descobrimos que os Walker têm vivido em hotéis baratos e estão à procura de uma nova residência.

É nessas circunstâncias que eles chegam à Kristoff's House - a casa do título -, uma belíssima moradia em São Francisco construída durante o início do século XX por Dever Kristoff, um famoso escritor. Durante a visita, os três irmãos se assustam com um suposto vulto de algo ou alguém que resolveu se esconder atrás da casa, porém, ao tentarem descobrir o que havia acontecido, encontram apenas uma estátua meio deteriorada de um anjo. Cordelia parece indiferente; Eleanor afirma ter visto uma mulher careca se esconder atrás da casa; Brendan não sabe se acredita, mas morre de medo. Após uma conversa com a corretora imobiliária, os Walker descobrem que a casa foi recentemente restaurada e que está a venda por um preço bastante acessível, incluindo a mobília de época. Surpresos e muito contentes, o Sr. e a Sra. Walker decidem fechar o negócio. Brendan acha muito esquisito o fato de a casa não ter uma placa informando que está a venda e acha mais esquisito ainda o fato de a estátua de anjo ter simplesmente desaparecido.

Algumas coisas acontecem a partir daí e os irmãos Walker são transportados, junto com a casa e sem os pais, para o universo dos livros de Denver Kristoff, um lugar povoado por cavaleiros medievais sedentos de sangue, um piloto da Primeira Guerra Mundial, gigantes, piratas e uma rainha que se alimenta de dedos de criancinhas. Assustados e com medo do destino que seus pais tiveram, os Walker irão descobrir aos poucos o motivo que os colocou naquela situação, assim como segredos de sua família e do próprio Denver Kristoff. Só então poderão saber como voltar para casa.


De uma forma geral, gostei do ritmo de Casa de Segredos; a narrativa é contagiante e prende a atenção durante a maior parte do tempo. A única ressalva que faço nesse aspecto é que em determinado momento fiquei com a sensação de que os autores se perderam um pouco e enrolaram muito para solucionar um problema. Tirando essa parte, que fica mais ou menos na metade, o livro é um prato cheio para aqueles que, como eu, adoravam passar as tardes no sofá assistindo Os Goonies, Jumanji e A História Sem Fim

Os protagonistas também são um ponto bastante positivo. Além de serem divertidos e coerentes em suas personalidades, são de fácil identificação. Cada um tem uma característica mais forte: Cordelia, com 15 anos, adora ler e sente que nunca lerá tudo que há para ser lido; Brendan, com 12 anos, é o oposto da irmã, pois detesta a companhia dos livros, preferindo filmes no estilo Jurassic Park e videogames; Eleanor é a mais nova e, no auge de seus 8 anos, acaba por ser a mais madura dos três irmãos e a voz da razão quando Cordelia e Brendan começam a discutir. Ela é disléxica e é bem interessante vê-la lutando contra isso e contando com o apoio da irmã. De certa forma, os Walker me lembraram um pouco os irmãos Baudelaire de Desventuras em Série, só que em um mundo onde magia é real. E a relação entre Cordelia e Brendan segue a linha da relação entre Carter e Sadie, de As Crônicas dos Kane. 

O livro é um lançamento de março da editora Galera Record e, ao que tudo indica, contará com uma sequência. Finalizo o post dizendo que recomento muito a leitura de Casa de Segredos para todos aqueles que adoram histórias que envolvem magia, aventura e crianças espertas.



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26.3.14


Este é um livro da escritora Virginia Woolf que narra de forma fictícia a biografia de Orlando, alguém que vive mais de 200 anos e ultrapassa barreiras, inclusive a do sexo (nascido homem, um dia ele acorda no corpo de uma mulher). Com a peculiar escrita de Virginia, o livro está me conquistando a cada parágrafo. É a minha atual leitura e devo dizer que não me contive: já postei frases do livro pelo Twitter e não pude deixar de trazer para essa coluna as passagens que mais gostei até o momento. É claro que há muitas outras (e essas abaixo possuem partes a mais que deixei de lado, mas que são igualmente excelentes), porém selecionei algumas para compartilhar aqui com vocês.

O gosto pelos livros vinha de cedo. Quando criança, era às vezes encontrado à meia-noite com uma página por terminar.

Mas o pior estava por vir. Uma vez que a doença da leitura se apodera do organismo, ela o enfraquece de tal modo que o torna presa fácil para o outro flagelo que reside no tinteiro e grassa na pluma. O infeliz passa a escrever.

Nunca nenhum menino implorou mais por maçãs do que Orlando por papel, nem implorou mais por doces do que ele por tinta.

Agora, mais uma vez, ficou parado, e pela brecha assim aberta entraram de um salto a ambição, aquela megera, a poesia, uma bruxa, e o desejo de fama, a marafona; todas se deram as mãos e fizeram do coração de Orlando sua pista de dança. De pé, sozinho do quarto, jurou que seria o poeta-mor de sua raça e traria glória imortal a seu nome. Disse (recitando os nomes e os feitos de seus antepassados) que Sir Boris derrotara os pagãos e os matara; Sir Gawain, os turcos; Sir Miles, os poloneses; Sir Andrew, os francos; Sir Richard, os austríacos; Sir Jordan, os franceses; Sir Herbert, os espanhóis. Entretanto, o que restara de todas essas matanças e campanhas militares, dos excessos de bebida e de sexo, dos gastos, caçadas, cavalgadas e banquetes? Um crânio, um dedo. Enquanto, disse ele, voltando à página de Sir Thomas Browne aberta sobre a mesa... e mais uma vez parou. Como um encantamento vindo de todas as partes do quarto, do vento noturno e do luar, subiu a divina melodia daquelas palavras que, para não empanarem esta página, deixaremos onde jazem sepultadas, não mortas, mais exatamente embalsamadas, tão viva é sua cor, tão forte sua respiração - e Orlando, comparando tal façanha com a de seus antepassados, declarou que eles e seus feitos eram pó e cinzas, mas aquele homem e suas palavras eram imortais.

Cedo, no entanto, se deu conta de que as batalhas que Sir Miles e os demais haviam travado contra cavaleiros de armadura para se apoderar de um reino não foram nem de longe tão árduas quanto a que agora empreendia contra a língua inglesa para conquistar imortalidade.

Orlando é um personagem totalmente peculiar, assim como a própria narrativa. Porém, com a paixão dele pela leitura e pela escrita, o livro aborda temas que sempre estiveram na minha mente enquanto leitora, sobretudo a de que um autor se imortaliza através daquilo que escreve. E achei essa colocação da autora incrível! Quem também é apaixonado pela literatura (e por escrever, por que não?) ficará intrigado pela trajetória de Orlando assim como estou no momento...
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23.3.14

2001: Uma odisseia no espaço, escrito por Arthur C. Clarke.

Editora: Aleph
Páginas: 336
ISBN: 9788576571551

No alvorecer da humanidade, a fome e os predadores já ameaçavam de extinção a incipiente espécie humana. Até que a chegada de um objeto impossível, além da compreensão das mentes limitadas do homem pré-histórico, prenunciasse o caminho da evolução. Milhões de anos depois, a descoberta de um enigmático monolito soterrado na Lua deixa os cientistas perplexos. Para investigar esse mistério, a Terra envia para o espaço uma nave tripulada por uma equipe altamente treinada, assistida por um computador autoconsciente. Do passado distante ao ano de 2001, da África a Júpiter, dos homens-macacos à inteligência artificial HAL 9000, penetre a visão de um futuro que poderia ter sido, uma sofisticada alegoria sobre a história do mundo idealizada pela mente brilhante de Arthur C. Clarke e imortalizada nas telas do cinema por Stanley Kubrick.

Sobre o que se trata

“As barreiras da distância estão desmoronando; um dia encontraremos nossos iguais, ou nossos senhores, entre as estrelas. Os homens têm levado muito tempo para encarar essa perspectiva; alguns ainda esperam que ela jamais venha a se tornar realidade. Cada vez mais pessoas, entretanto, estão se perguntando: “Por que esses encontros ainda não aconteceram, já que nós mesmos estamos prestes a nos aventurar no espaço?” (…) Eis aqui uma possível resposta a essa pergunta muito sensata. Mas, por favor, lembrem-se: esta é apenas uma obra de ficção. A verdade, como sempre, será muito mais estranha", em prefácio escrito pelo autor. [Fonte]

Uma odisseia no espaço é dividido em seis partes. Já na primeira, o leitor é inserido num ambiente hostil e muito remoto, onde os seres humanos ainda não existem, mas seus ancestrais homens-macacos, sim. Porém, essa espécie ainda não desenvolveu a racionalidade, sendo vítima de inúmeros ataques de predadores e do próprio meio em que vive. Tudo muda quando um monolito (ou monólito, como preferir) surge em vários pontos da Terra. Um deles passa a comandar um grupo desses homens-macacos e, a partir disso, esses seres começam a desenvolver técnicas de sobrevivência, como ao descobrir, através dos comandos desse estranho objeto retangular e preto, que pedras servem para matar outros animais que costumam predá-los.

Disso, há um salto temporal para 2001, onde um astronauta recebe a missão de ir até a lua para ajudar a solucionar um aparente mistério encontrado por lá.  Nesta segunda parte, é apresentado o motivo de toda a odisseia que ocorrerá a partir da terceira parte. Tal odisseia consiste numa viagem pelo espaço em busca de respostas a certos questionamentos levantados pelo mistério lunar. 

Minhas impressões

2001 foi o primeiro livro do gênero ficção científica que li e, adiantando, foi uma das melhores experiências de leituras que tive. E uma das mais peculiares, também.

Digo isso porque a história além de proporcionar aventuras que me fizeram viajar para locais totalmente inimagináveis, trata de questões existenciais de tamanha importância, principalmente ao abordar a possibilidade de vida fora da Terra. Sou bastante curiosa quanto a esse tema, e mais do que tópicos sensacionalistas, gosto de ler sobre ele com seriedade. E é exatamente isso que o autor faz.

A escrita é um dos pontos mais positivos do livro. Por se tratar de ficção científica e de uma viagem no espaço, é claro que o livro tem termos técnicos e situações desconhecidas por nós (sobretudo por quem não é da área da física e da astronomia), porém em nenhum momento me senti entediada ou sem entender o que estava se passando. O autor sabe explicar muito bem tudo o que expõe, e não me fez perder o interesse por aquilo que estava sendo narrado. Talvez esse seja o ponto alto da obra criada por Clarke. Ela é realmente muito bem escrita.



Além do questionamento sobre a vida e o universo, que está presente sobretudo nos momentos finais da história - onde, curiosamente, ocorre o clímax -, há algumas críticas incitadas pelo autor. Uma delas é direcionada ao sistema técnico e informacional da época, comandado sobretudo por uma mega empresa de informática, a IBM. A nave espacial da odisseia, chamada de Discovery, é comandada não pelos humanos, mas sim por HAL 9000, um computador programado para não ter falhas. Porém, no decorrer da aventura, algumas situações colocam em risco a perfeição da máquina. Será que o sistema é realmente eficaz e inteiramente funcional? HAL seria, ainda, as letras que precedem as de IBM. 

E para quem gosta do filme homônimo e ainda não leu este livro, uma notícia boa: este é um daqueles raros casos em que o filme não foi baseado no livro. Ainda, tanto o roteiro do filme quanto o livro em si foram escritos ao mesmo tempo. E Clarke participou do processo de criação do roteiro junto de Stanley Kubrick. Por isso, dizem que ambas as histórias são bem fieis, apesar das divergências que sempre existirão na questão filme x livro.


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21.3.14

Oi, gente! Tudo bem? Fiquei muito feliz quando a Mell me convidou para ser colunista aqui no Literature-se e acho que a melhor forma de começar essa parceria é me apresentando para vocês. Me chamo Michelle (mas pode me chamar de Michas), tenho 23 anos e adoro ler. Também tenho um canal no Youtube e foi por lá que conheci a Mell e o trabalho dela. Foi assim que percebi também que temos gostos literários bem parecidos. Por isso, espero que gostem do que vou escrever por aqui.

Ainda na linha de apresentações, gostaria de aproveitar este primeiro post para apresentar alguns fatos e preferências literários que tenho e acho que a tag Falando Sobre Livros (que eu vi no blog Sonhar de Olhos Abertos) vai me ajudar. Ninguém me marcou, mas quis responder mesmo assim. Sou dessas. Vamos às perguntas?


1. Qual foi o primeiro livro que você leu?
Essa é uma pergunta meio difícil, já que não tenho uma recordação muito precisa do primeiro livro que li. Lembro que aos 8 anos adorava O Menino Maluquinho, do Ziraldo. Li várias vezes e acho que está entre as minhas primeiras leituras.

2. Qual é o seu livro preferido?
Outra pergunta difícil já que é impossível para esta que vos escreve escolher apenas um livro entre os que considera seus favoritos. Aqui estão alguns: O Apanhador no Campo de Centeio, O Morro dos Ventos Uivantes, O Pequeno Príncipe, A Sombra do Vento, As aventuras de Tom Sawyer, Harry Potter e a Pedra Filosofal ( na verdade, é a série toda) e A História Sem Fim.

3. Que livro você está lendo?
Sou uma pessoa que, de vez enquanto, empaca nas leituras. Quando isso acontece, começo a ler outro, por isso, estou sempre lendo mais de um livro "ao mesmo tempo". Os do momento são: Insurgente, de Veronica Roth, e Lolita, de Vladmir Nabokov.

4. Existe algum livro que você abandonou?
De acordo com meu perfil no Skoob, abandonei cinco livros na minha vida. O mais recente é A menina que roubava livros. Tentei, gente, mas não deu. Me desculpem.

5. Qual livro você leu por indicação de alguém e gostou? E qual odiou?
Desde que comecei a assistir vídeos no Youtube acabei conhecendo muitos autores e muitos livros. E sim, alguns foram ótimas recomendações, enquanto outros foram grandes decepções. Gostei bastante de O Circo da Noite e O Orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares, mas não consegui amar Anna e o Beijo Francês.

6. Liste três casais literários que você gosta.
Cathy e Heathcliff (O Morro dos Ventos Uivantes), Rony e Hermione ( Série Harry Potter) e Elizabeth Bennet e Mr. Darcy (Orgulho e Preconceito).

7. Quais são os três personagens femininos de que você mais gosta? E os masculinos?
No momento, as personagens femininas são Celia Bowen (O Circo da Noite), Sadie Kane (As Crônicas dos Kane) e a Lettie (O Oceano no Fim do Caminho). E os meus personagens masculinos preferidos da vida são Mr. Darcy (Orgulho e Preconceito), Fermín Romero de Torres (A Sombra do Vento) e Holden Caufield (O Apanhador no Campo de Centeio).

8. Alguma personagem feminina que você não gosta? E masculina?
Odeio profundamente a Daisy Buchannan, de O Grande Gasby,e o Gale, de Jogos Vorazes.

9. De qual livro você mudaria o final?
Mudaria o final de As Relíquias da Morte, tirando aquele "19 anos depois". Adoro a série Harry Potter e seu desfecho, mas achei esse epílogo muito infeliz (por falta de palavra melhor); entendo que a autora queria mostrar como a vida dos personagens ficou, mas ainda assim, não gostei da forma como foi feito.

10. Recomende dois livros (e insira a sinopse deles).

A Sombra do Vento (Carlos Ruiz Zafón)
Ambientado na Barcelona pós-Guerra Civil Espanhola, o livro traz a história de Daniel Sempere, um rapaz de 16 anos que, quando criança, conheceu o Cemitério dos Livros Esquecidos. Lá, ele teve contato com A Sombra do Vento, livro de um escritor desconhecido chamado Julián Carax. Ao longo dos anos, o Daniel continuou fascinado pelo livro e procurou saber mais sobre o autor e suas obras, mas jamais conseguiu descobrir informações de seu paradeiro. As coisas começam a ficar mais misteriosas quando um sujeito saído das sombras começa a queimar os livros de Carax.

E não sobrou nenhum (Agatha Christie)
Dez pessoas são convidadas por um misterioso anfitrião para passar alguns dias em uma casa de praia. Na primeira noite após a chegada dos convidados todos escutam uma voz que parece sair das paredes da sala. A voz acusa a todos no recinto de terem cometido algum crime que, mesmo sem a intenção, acabou levando a morte de alguma pessoa. Nos próximos dias, pessoas começam a morrer e a única pista para o que pode estar acontecendo está na letra de uma cantiga infantil.


Espero que tenham gostado das minhas resposta e recomendações. Alguém aí já leu algum desses livros? Me digam o que acharam nos comentários. Não vou marcar ninguém nessa tag, mas quem quiser, pode responder. Só não esqueçam de colocar os créditos, ok? Adoraria ver as respostas da Mell para essa tag, e vocês? Ah, sintam-se à vontade para sugerir posts que vocês gostariam que eu escrevesse, ok? Agora vou ficando por aqui! Até o próximo post :)


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O Ladrão do Tempo, por John Boyne

Editora: Companhia das Letras
Páginas: 568
ISBN: 9788535923780

Matthiew Zéla parou de envelhecer no final do século XVIII, quando se aproximava da meia-idade. Duzentos anos depois, ele rememora as muitas vidas que teve desde que fugiu da França para a Inglaterra, após ter presenciado o assassinato brutal de sua mãe. Seus companheiros na empreitada foram o irmão mais novo, Tomas, e Dominique Sauvet, seu único amor verdadeiro. Mas Matthiew sobreviveu aos dois, e desde então não parou de sobreviver a todos. Foi soldado, engenheiro, cineasta, investidor, executivo  de televisão e amante de muitas mulheres. Em seu romance de estreia, John Boyne construiu uma trama maravilhosamente articulada, que nos leva a visitar os grandes eventos que marcaram o mundo nos últimos dois séculos pelos olhos de um personagem extraordinário.




Sobre o que se trata?

Matthiew Zelá nasceu em Paris no século XVIII e tinha 15 anos quando viu sua mãe ser brutalmente assassinada por seu padrasto. Após o julgamento e condenação do culpado, Matthiew resolve ir embora da França junto com Tomas, seu meio-irmão de seis anos. Em um navio para a Inglaterra, os dois conhecem Dominique Sauvet, uma jovem muito bela por quem Matthiew logo se apaixona. Juntos, eles formam uma família e buscam melhorias para o futuro.

Ao final do século XVIII, Matthiew percebe algo peculiar a seu respeito: ele parou de envelhecer e, consequentemente, não pode morrer. Em suas próprias palavras: Eu não morro. Apenas fico mais e mais velho. Se você me visse hoje, com certeza diria que sou um homem perto dos cinquenta anos. Sem compreender os motivos que levaram isto a acontecer, ele apenas aproveita o tempo extra que lhe foi concedido. Ao contrário da maioria dos personagens imortais encontrados na literatura, na televisão e no cinema, Matthiew gosta de viver, gosta de saber que os anos passarão e que ele continuará por aqui. Com o decorrer dos séculos, o protagonista não deixa de perceber um padrão relacionado à Tomas e seus descendentes; todos parecem morrer de forma trágica por volta dos vinte e poucos anos, após terem engravidado alguma mulher.

Utilizando uma narrativa em primeira pessoa e dividida em três partes que se intercalam, John Boyne apresenta ao leitor um panorama geral dos principais acontecimentos que marcaram o mundo nos últimos dois séculos, como a Revolução Francesa, o renascimento das Olimpíadas, o início da Revolução Industrial, a Hollywood dos anos 1920, a quebra da bolsa de valores de Nova York, entre outros. O livro tem início com Matthiew contando os acontecimentos atuais de sua vida no ano de 1999, quando trabalha como acionista em uma emissora de televisão e toma conta de Tommy, um dos descendentes de seu irmão que, aos vinte e poucos anos, é o maior astro da televisão britânica, vive sendo perseguido por paparazzi nas ruas e tem um sério problema com drogas. Paralelamente a essa narrativa, o leitor acompanha a vida do jovem Matthiew vivendo no século XVIII após chegar à Inglaterra e também outros acontecimentos aleatórios ao longo dos anos na vida do protagonista.

Minhas impressões

Em seu romance de estreia, John Boyne deixa claro que gosta de História e também já mostra a sua habilidade para construir narrativas que se relacionem a acontecimentos marcantes do mundo. Com um enredo bem desenvolvido e sem fazer uso de muita linearidade para contar a vida de Matthiew, O Ladrão do Tempo exige um pouco mais de atenção do leitor disperso, já que, além de conter saltos temporais, traz muitas referências históricas à locais, personalidades e livros (!) que marcaram determinada época. Entre as obras citadas estão O Conde de Monte Cristo, A Letra Escarlate, Um Estudo em Vermelho, O Grande Gatsby e Adeus às Armas.

É interessante ressaltar que apesar do título sugestivo, não estamos falando de um livro de ficção-científica ou fantasia, cheio de explicações para os acontecimentos. Tudo é muito sutil e desenvolvido de uma forma mais lenta, o que pode ser encarado como algo negativo por algumas pessoas; principalmente se levarmos em consideração as 568 páginas do livro. Eu, particularmente, me incomodei em alguns momentos; não porque estivesse esperando algo mais rápido, mas por imaginar que seria um livro mais instigante e com um clímax cheio de tensão, como o de O Palácio de Inverno, do mesmo autor.

Ainda assim, O Ladrão do Tempo não é, de forma alguma, um livro ruim. Durante todo o tempo, a narrativa de Matthiew prende a atenção do leitor, que começa a se apegar a alguns personagens e a detestar outros, assim como ficar curioso para saber qual será o próximo acontecimento histórico presenciado pelo protagonista. Gostei principalmente das partes em que Matthiew conta a sua experiência com a indústria cinematográfica na Hollywood dos anos 1920, incluindo o próprio Charlie Chaplin como personagem, além de citar muitos atores, atrizes e diretores famosos. Tommy também é um personagem muito cativante, sempre rendendo momentos de risada com seus comentários extremamente realistas e sarcásticos acerca do mundo do show business. Por fim, recomendo a leitura à todos os que gostam de uma boa viagem pela História e/ou já conhecem o trabalho do autor.
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18.3.14

“O Homem de Preto fugia pelo deserto, e o Pistoleiro ia atrás”

Muito já foi dito sobre a importância dessa frase para o escritor Stephen King. O lendário Mestre do Terror conseguiu, em quase 40 anos de carreira, não somente nos assustar com suas narrativas e descrições medonhas sobre criaturas antigas nas sombras, forças ocultas maiores do que o Homem, ou aquele que talvez seja o pior monstro que exista na face da Terra: o próprio Homem.

Se você nunca leu um livro de King, com toda certeza já viu alguns dos filmes que serviram de adaptação às suas obras. Só pra citar os mais clássicos, temos Carrie – A Estranha, O Iluminado, It – Uma Obra Prima do Medo, Cemitério Maldito, Na Hora da Zona Morta, A Hora do Lobisomem, Um Sonho de Liberdade, A Espera de um Milagre, O Nevoeiro (a meu ver, a melhor adaptação de um livro do autor), Louca Obsessão e mais recentemente, a série Under the Dome.

Mas não estou aqui para falar sobre filmes, afinal, este é um blog chamado Literature-se, portanto, o assunto aqui é bem óbvio, não? E se tratando de Stephen King, existe uma obra que se sobressai sobre as demais. Não apenas faz isso, mas conecta toda a sua bibliografia como parte do mesmo Universo.

Estou falando, é claro, da série A Torre Negra.








Ao ler os oito volumes da saga, fica bem claro o amor e o apreço que King tem por sua história. Se é dito que o autor é simplesmente um receptáculo para as histórias mais fantásticas que existem em realidades alternativas, em A Torre Negra isso fica evidente na voz que King imprime não apenas aos fascinantes personagens da saga, mas em si mesmo como narrador e contador de histórias.

A trama é centrada no personagem Roland Deschain. Roland é um pistoleiro descendente de Arthur Eld (é aquele Arthur mesmo que você está pensando) que vive para cumprir um objetivo em sua vida: encontrar a Torre Negra. É dito que esta Torre é o centro e o nexo onde todos os mundos e universos convergem. Começamos a saga com o livro O Pistoleiro, que pinta um retrato árido da paisagem que Roland começa desbravando com a frase que inicia este texto. O cenário de O Pistoleiro é o Mundo Médio, um mundo alternativo ao nosso onde tudo parece estar envelhecendo e deixando de existir, ou – nas palavras do autor – “seguindo em frente”.

Roland acredita piamente na força do ‘ka’, que é como ele chama o conceito de destino e toda a sua inexorabilidade.

À medida que a saga avança, outros personagens importantes são adicionados ao ‘ka-tet’: Jake Chambers, um menino que se vê no Mundo Médio após ter morrido em um atropelamento violento na Nova York de 1977; Eddie Dean, um viciado em heroína que entra no mundo de Roland justamente quando um de seus negócios de venda de drogas vai mal na NY de 1987; e Susannah Holmes, uma ativista negra dos direitos civis nos anos 60 (também de NY) que sofre de um distúrbio poderoso de personalidade dupla. A genialidade de Stephen King reside no fato de que o grupo de “heróis” que vamos acompanhar durante boa parte da saga não é o tipo de paladinos que se espera de uma aventura fantástica. Nada do heroísmo inabalável de Aragorn, ou a coragem e lealdade de Harry Potter e seus amigos (aplicada na série de J.K. Rowling, o conceito de ka poderia correr até mesmo por Hogwarts, não?): os heróis de King são, no mínimo, relutantes e pouco dispostos a embarcar numa aventura com um pistoleiro de outra dimensão.

Títulos:
O Pistoleiro (1982)
A Escolha dos Três (1987)
As Terras Devastadas (1991)
Mago e Vidro (1997)
Lobos de Calla (2003)
Canção de Susannah (2004)
A Torre Negra (2004)
O Vento Pela Fechadura (2012)

A Torre Negra não entrega soluções fáceis ao leitor e exige atenção redobrada: o passado é narrado de forma esparsa pelos volumes – com exceção de Mago e Vidro e O Vento pela Fechadura; quarto e oitavo livros da série, respectivamente. Mas essa aparente dificuldade é recompensadora; nunca me peguei tão envolvido emocionalmente em uma saga literária quanto esta, e confesso que mais uma vez eu chorei lendo determinadas passagens dos livros. Os dois primeiros volumes são um pouco distantes do ponto de vista emocional, mas a partir de As Terras Devastadas (terceiro livro da série) o leitor pode se preparar pra engolir a seco em muitos momentos da narrativa.

Os eventos finais da saga são, para dizer o mínimo, apocalípticos. Quem acha que George R.R. Martin é impiedoso em matar seus protagonistas, é porque ainda não teve contato com as obras de Stephen King. O último volume da saga – apropriadamente entitulado de A Torre Negra – é um soco no estômago não apenas em sua estatura (mais de 700 páginas), mas nas expectativas do leitor. Aqui, importa mais a satisfação do escritor em terminar uma saga que lhe foi querida por tanto tempo. E se um escritor do calibre de King fica satisfeito, nós também ficaremos.

O último volume a ser lançado é O Vento Pela Fechadura, que se passa entre os livros 4 e 5 da saga. Minha dica: leia este depois de ter terminado todos os sete livros. E espere mais um pouco. Leia outros livros. Permita-se o luxo de sentir saudades de Roland Deschain e seu improvável ka-tet. A experiência valerá muito mais a pena.

“O homem de preto fugia pelo deserto, e o Pistoleiro ia atrás”

Gustavo, 24 anos, cinéfilo, músico nas horas vagas e apaixonado pela Sétima Arte. Faz aniversário no mesmo dia em que nasceu, de vez em quando arranha na guitarra alguns clássicos do Black Sabbath, e ainda não assistiu a toda sua coleção de filmes. Cresceu venerando Steven Spielberg e James Cameron, mas seu atual cineasta favorito é Christopher Nolan. A sua playlist varia entre Iron Maiden, Queen e Lady Gaga.                                       » Twitter » Facebook » Caravela Virtual
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15.3.14








Fazia muito tempo que eu não respondia a tags, muito menos tags mais pessoais. Quando a Michas, do blog/vlog La vie en rose (e nossa colunista também), me indicou para responder essas duas, não hesitei: ela veio em boa hora. Percebi que o canal está repleto de resenhas, o que é bom, mas achei que precisava de algo a mais, de algo diferente. E aqui está :)

É um pouco cansativo, eu sei, mas aproveitei para responder várias questões de uma vez só, assim poupo outras tags desse tipo no futuro...


A primeira tag "Como eu leio" foi criada pelo blog Lendo nas entrelinhas, possui cinco categorias, cada uma tendo três perguntas. Ou seja, logo de início já são quinze ;)




1) Sempre compra você mesma seus livros ou tem anjos da guarda? Se tem, quem são eles?
2) Gasta quanto (em média) por mês em livros? Já estourou o cartão de crédito com livros?
3) Consegue livros emprestados com frequência? Se sim, quem te empresta normalmente?

1) Lê em média quantos livros por mês? 
2) Lê em média quantas páginas num dia da semana? E nos fins de semana?
3) Consegue abandonar um livro no meio da leitura?




1) Consegue ler em local movimentado? (ônibus, fila de banco)
2) Prefere ler na mesa, sofá, no chão ou na cama?
3) Qual a hora do dia que prefere para ler?




1) É solteira? Se não, seu namorado, noivo, esposo, te dá espaço para ler?
2) Lê no trabalho? Se sim, qual emprego dá essa dádiva de ler na hora de serviço?
3) Já deixou de sair com a galera só pra ler aqueles capítulos irresistíveis?




1) Já sonhou ou teve pesadelos vivendo a história de um livro? Qual foi o livro?
2) Qual a maior loucura que já fez ou que faria para conseguir um livro?
3) Já chorou ao terminar um livro? Foi de felicidade ou tristeza? Qual foi o livro?



Já a segunda tag foi criada por um canal gringo chamado Enya's Corner e traduzida pelo blog/vlog Central da Leitura. Consiste em oito perguntinhas:

1) Como você descobre novos livros para ler?
2) Como você entrou nesse mundo da leitura?
3) Como seu gosto literário mudou com o passar do tempo?
4) Com que frequência você compra livros?
5) Como você entrou nesse mundo dos canais literários?
6) Como você reage quando não gosta do final de um livro?
7) Com que frequência você espia a última página de um livro para ver o que acontece no final?
8) Quem você vai indicar para responder a tag?

Amanda - Lendo e Comentando
Tary - Literatour TV
Loren-Louise - República de Meninas
Bia - LiteraturbyBianca
So - Meu Meio Devaneio
Gisele - Vamos falar sobre livros?
Duda - Book Addict
Gabriele - Livros e Vagalumes
Ni - Ninhada Literária
Vevs - Vevs Valadares
Vi - AViviu
Mariana - Respira, Mariana!
Bru - Bruna in Wonderland


E vocês, qual resposta dariam? Espero que tenham gostado do vídeo :)
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14.3.14

Uma das coisas que eu mais gosto em um livro é quando o protagonista, ou qualquer outro personagem, também gosta de ler. Melhor ainda quando este personagem fala sobre as suas leituras e, consequentemente, me deixa com vontade de conhecer tais obras. Pensando nisso, resolvi listar aqui cinco livros, precisamente cinco clássicos, citados por outros livros.


Confesso que, mesmo conhecendo a história, ainda não li esta obra muito famosa de Alexandre Dumas. Publicado em 1844, O Conde de Monte Cristo traz a história de Edmond Dantès, um marinheiro que foi preso injustamente. Após passar anos na cadeia, onde conheceu e se tornou amigo de um clérigo, Dantès consegue escapar da prisão e toma posse de uma misteriosa fortuna. É neste momento que ele resolve voltar à sua cidade natal com uma nova identidade e o intuito de se vingar de todos os que foram responsáveis pela injustiça cometida contra ele.

Em O Ladrão do Tempo, de John Boyne, o personagem principal vive no período de Alexandre Dumas e recorda a época da publicação de seu clássico. O Conde de Monte Cristo também é citado em O Prisioneiro do Céu, de Carlos Ruiz Zafón, e até "desempenha" um papel importante para o desenrolar da história.




Clássico da Era Vitoriana (1837 - 1901), O Morro dos Ventos Uivantes nos apresenta à Cathy Earnshaw e Heathcliff, que se conhecem ainda quando crianças e estabelecem um laço muito forte entre si. Conforme os anos passam e a consciência a respeito dos valores morais e sociais da época se faz presente, os dois se distanciam e seguem caminhos separados, porém são eternamente marcados pela presença um do outro.  

O romance de Emily Brontë é uma história que trata de orgulho, amor e vingança, além de ser o livro preferido de Bella Swan e Edward Cullen, protagonistas das saga Crepúsculo. No livro de Stephenie Meyer são muitas as passagens em que o casal aparece lendo o clássico



Ambientada na frenética era do Jazz (que teve início com o fim da Primeira Gurra Mundial e marcou os anos 1920), a obra-prima de Fitzgerald é narrada por Nick Carraway, um comerciante que vai viver em Long Island e se torna vizinho de Jay Gatsby, um sujeito misterioso, milionário e muito conhecido pelas festas que realiza em sua mansão. Com o passar dos meses, Nick se torna amigo de Gatsby e irá ajudá-lo a se reencontrar com um amor do passado: Daisy Buchanan.

Há referências aos olhos do Dr. T. J. Eckleburg e à luz verde, elementos simbólicos de O Grande Gatsby, em A Culpa é das Estrelas, de John Green. O autor chegou até a fazer uma referência ao fato de Fitzgerald ter adicionado à sua obra uma epígrafe de um livro que não existe ao "imitá-lo" antes de nos contar a história de Hazel e Augustus. O Grande Gastby também foi um dos livros lidos por Charlie em As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky. 


Publicado em 1951, o clássico de Salinger foi um dos primeiros livros a tratar da adolescência e é narrado em primeira pessoa por Holden Caulfield, um garoto de 17 anos. Após ser expulso - mais uma vez! - de um colégio interno, Holden decide voltar para casa antes que seus pais recebam a notícia. Mas antes disso, ele vive um fim de semana marcado por situações que o farão refletir sobre a sua vida, seus medos e o que espera para o seu futuro.

O Apanhador no Campo de Centeio foi um livro que influenciou e continua a influenciar muitas gerações de serial killers de escritores. Dois exemplos recentes estão, novamente, em A Culpa é das Estrelas e As Vantagens de Ser Invisível. Além de citarem a obra de Salinger, ambos os livros trazem personagens adolescentes que tentam descobrir o seu lugar no mundo e se questionam o tempo todo sobre a vida e o futuro.



Em Um Estudo em Vemelho, Conan Doyle nos conduz durante a investigação de um assassinato e nos mostra como Sherlock Holmes e o Dr. John Watson se conheceram. Neste livro, a Scotland Yard enfrenta um misterioso assassinato, cujo a vítima foi encontrada em uma casa abandonada e sem nenhum ferimento, apesar de indícios de sangue na cena do crime. Sem saber como encontrar e seguir as pistas para desvendar o mistério, a polícia recorre à Sherlock Holmes que, com distinta maestria, soluciona o caso demonstrando um elevado senso dedutivo e muita inteligência.

A primeira aventura de Sherlock Holmes e John Watson foi publicada pela primeira vez em 1887 e é um dos livros preferidos de Mattieu Zela, o protagonista de O Ladrão do Tempo, de John Boyne.





Quais outros clássicos vocês se lembram de terem sido citados em outros livros? Me contem nos comentários. :)


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12.3.14

(Coluna criada pelo blog True-Luv)

Eu sei que faz semanas que não posto quotes para discutirmos a respeito. Perdoem-me pelo lapso (tenho motivos, que vou explicar brevemente: início das aulas e períodos integrais de aulas), mas voltei com váárias quotes, e não somente uma, do livro O sol é para todos, que é a última resenha publicada aqui no blog. É simplesmente lindíssima a mensagem principal transmitida por ele, um clássico que indico fortemente à todos que gostam de uma leitura mais "papo cabeça", sabe?

- Bem, quase todo mundo acha que eles é que estão certos e que você está errado.
- Eles têm o direito de pensar isso, e suas opiniões devem ser respeitadas - disse Atticus. - Mas antes de poder viver com os outros, eu tenho de viver comigo mesmo. A consciência de um indivíduo não deve subordinar-se à lei da maioria.

- Preferia que você só atirasse em latas no quintal, mas sei que vai caçar passarinhos. Pode matar todos os gaios que quiser, se conseguir acertá-los, mas lembre-se de que é um pecado matar um pássaro imitador.
-Foi a única vez que ouvi Atticus dizer que alguma coisa era pecado. Perguntei o motivo a Mrs. Maudie.
- Seu pai tem razão - ela disse - Os pássaros imitadores nada fazem a não ser cantar para agradar aos nossos ouvidos. Eles não estragam o jardim de ninguém, não ninhos nos milharais, apenas cantam para alegrar os nossos corações. É por isso que é um pecado matá-los.

Os senhores conhecem a verdade, e a verdade é a seguinte: alguns negros mentem, alguns negros são imorais, não podemos confiar em alguns negros quando se trata de mulheres - brancas ou negras. Mas está é uma verdade que se aplica a toda a raça humana, e não a uma só raça em particular. Não há uma só pessoa neste tribunal que nunca tenha dito uma mentira, que nunca tenha cometido um ato imoral, e não existe homem no mundo que nunca tenha olhado para uma mulher com desejo.

- Não, Jem, eu acho que só existe um tipo de gente: gente.

- É direito odiar Hitler?
- Não - respondeu Atticus - Não é direito odiar ninguém.

Como comentei na resenha, os temas que surgem durante a leitura deste livro maravilhoso despertam reflexões sobre os direitos de cada ser humano, sem exceções, e sobre a bondade (ou a maldade) presente em toda a conduta social. Livro riquíssimo, em resumo!

E aí, gostaram das passagens? Concordam com as críticas? Já leram o livro? Vamos conversar sobre ;)
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9.3.14

O sol é para todos, escrito por Harper Lee.
Editora: Círculo do livro.
Páginas: 317
Um dos romances mais adorados de todos os tempos, O sol é para todos conta a história de duas crianças no árido terreno sulista norte-americano da Grande Depressão no início dos anos 1930. Jem e Scout Fincher testemunham a ignorância e o preconceito em sua cidade, Maycomb – símbolo dos conservadores estados do sul dos EUA, empobrecidos pela crise econômica, agravante do clima de tensão social. A esperta e sensível Scout, narradora da trama, e Jem, seu irmão mais velho, são filhos do advogado Atticus Finch, encarregado de defender Tom Robinson, um homem negro acusado de estuprar uma jovem branca. Mas não é só nessa acusação e no julgamento de Robinson que os irmãos percebem o racismo do pequeno município do Alabama onde moram. Nos três anos em que se passa a narrativa, deparam-se com diversas situações em que negros e brancos se confrontam. Ao longo do livro, os dois irmãos e seu pequeno amigo de férias, Dill, passam por tensas aventuras, grandes surpresas e importantes descobertas. Nos episódios vividos ao lado de personagens cativantes, como Calpúrnia, Boo Radley e Dolphus Raymond, aprendem e ensinam sobre a empatia, a tolerância, o respeito ao próximo e a necessidade de se estar sempre aberto a novas idéias e perspectivas. O sol é para todos é o único livro de Harper Lee. Sucesso instantâneo de vendas nos EUA, que se tornou um grande best-seller mundial. Recebeu muitos prêmios desde sua publicação, em 1960, entre eles, o Pulitzer. Traduzido em 40 idiomas, vendeu mais de 30 milhões de exemplares em todo o mundo e, em 1962, foi levado às telas com Gregory Peck - ganhador do Oscar por sua interpretação de Atticus Finch - Brock Peters, Robert Duvall e outros. O Librarian Journal dos EUA deu sua maior honraria à história elegendo-a o melhor romance do século XX. Em 2006, uma pesquisa na Inglaterra colocou O sol é para todos no primeiro lugar da lista de livros mais importantes, seguido da Bíblia e de O senhor dos anéis, de J. R. R. Tokien. Também entrou para a lista da Time Magazine dos Cem Melhores Romances de Todos os Tempos

Sobre o que se trata?

O Sol é Para Todos é narrado pela pequena Jean Louise, ou apenas Scout como é carinhosamente chamada por seus conhecidos. Ela é órfã de mãe e vive com seu pai Atticus, seu irmão Jem e a cozinheira/governanta/babá Calpúrnia. Ela conta como era a sua infância e travessuras junto de Jem e de Dill, o sobrinho da vizinha, na cidade de Maycomb (fictícia) do estado de Alabama, Estados Unidos, durante a década de 1930, quando da Grande Depressão.

A primeira metade do livro destina-se a traçar o perfil da sociedade de Maycomb, tudo sob a perspectiva de uma criança de seis anos de idade. Durante suas férias, Scout, Jem e Dill tentam fazer com o que o vizinho Arthur Raddley, que tornou-se recluso há anos (e, portanto, as crianças não o conhecem), saia de casa. Eles inventam histórias a respeito de Boo, como o apelidaram, as quais demonstram como são crianças de imaginação engenhosa: envolto por mistérios, acabam criando um perfil assustador do vizinho. Dentre as situações episódicas narradas por Scout há uma aposta de tocar na parede da casa de Boo e até de olhar através da janela dele. Tudo, é claro, repleto de medo e de aventura.

Porém tudo muda na sossegada infância de Scout a partir da segunda metade do livro, quando seu pai, Atticus, um renomado advogado da região, é nomeado para a defesa de um negro acusado - injustamente - de estuprar uma garota branca. A mudança do comportamento da sociedade de Maycomb muda drasticamente e acompanhamos esta transformação sempre sob o olhar de uma criança, a qual se torna alvo das mesmas discriminações voltadas a seu pai.

Com um misto de revolta e dó, o leitor se vê envolvido numa história que discute racismo, discriminação racial, preconceitos históricos e direitos humanos

Minha impressões

Sempre me interessei muito pela obra por conta da fama e de seu título. Clássico da literatura norte-americana, O sol é para todos (To kill a mockingbird) garantiu um prêmio Pulitzer à sua autora. Por ser muito estimado, já seria difícil me decepcionar com a história. Já o título é brilhante e repleto de uma profundidade que seria complicado explicar com palavras. Ele (o originial, To kill a mockingbird)  é uma alegoria perfeita da mensagem principal do livro e, ainda, da índole de Atticus, um dos personagens mais humanos com o qual já tive contato. Gosto igualmente do título traduzido, pois sintetiza muito bem a mensagem, também.

E quanto aos personagens, só tenho a dizer que foram muito bem retratados como tipos sociais de uma época histórica marcada por um preconceito cruel e extremamente injusto. Impossível não me apegar à Scout, uma garotinha curiosa e incrivelmente representativa da dualidade do ser humano: doce e ingênua, mas também passível de influências negativas. Outra personagem verossímil. E lembrarei sempre de Atticus como um exemplo de pai e homem. Justo, inteligente, amável, fiel e digno. 

Adorei a escrita e o ritmo da história, apesar de saber que algumas pessoas encontraram problemas quanto a isso, sobretudo na primeira parte da história, quando episódios são narrados para compor a sociedade de Maycomb. Não achei lenta nem monótona, pelo contrário. Me envolvi bastante com o retrato narrado.

Já a narração é uma característica do livro que deve ser mencionada. Em primeira pessoa, quem narra a história é uma criança de seis anos de idade. O leitor não deve se esquecer disso, pois a principal crítica do livro é exposta e trabalhada com o alicerce da ingenuidade que só uma criança pode ter. E muitas vezes o leitor, já crescido, sabe exatamente o que está se passando (o porquê das injustiças e de certos códigos sociais existirem...) enquanto que Scout não, gerando um conflito ainda mais perturbador: sentimos dó e ficamos revoltados pela condição de impotência que a sociedade corrompida impõe.

Este é, com certeza, o melhor livro de 2014 até o momento. E, possivelmente, o melhor livro que já li na vida. Será difícil algum outro superá-lo tão breve.
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7.3.14

O Palácio de Inverno, escrito por John Boyne

Editora: Companhia das Letras
Páginas: 456
ISBN: 8535917101

Na primeira vez em que alterou o curso da história, em 1915, o então jovem camponês russo Geórgui Jachmenev conseguiu impedir um atentado à vida do grão-duque Nicolau Nicolaievitch, irmão do czar. Esse involuntário ato de bravura acaba por assegurar a Geórgui um lugar de honra na corte de Nicolau II, que o nomeia guarda-costas pessoal de seu filho, o também adolescente Alexei Romanov. Em 1981, agora cidadão britânico e funcionário aposentado da biblioteca do Museu Britânico, o octogenário Jachmenev, enquanto vela pela saúde da esposa Zoia, que vive os últimos estágios de um câncer devastador, deixa a memória flutuar, recordando aleatoriamente os fatos de sua vida, grande parte deles ligados diretamente a eventos históricos que transformaram o século XX. Rasputin, Winston Churchill, um amigo de Charles Chaplin, o último czar russo e outros personagens históricos de vulto misturam-se às pessoas comuns do imaginário de Jachmenev, à medida que sua memória vai aproximando os dois momentos mais importantes de sua vida, aquele em que conquistou o amor de sua vida e aquele em que está prestes a perdê-lo de forma definitiva.

 





Em O Palácio de Inverno, John Boyne nos apresenta a Gueórgui Jachmenev, um senhor russo com seus 80 e poucos anos, que vive em Londres e que, em 1981, está prestes a perder Zoia, o amor de sua vida, que está internada e sofrendo a fase terminal de um câncer. Sabendo da situação de sua esposa, Gueórgui começa a lembrar e narrar alguns acontecimentos da vida que tiveram juntos.

Paralelamente à essa narrativa, um Gueórgui mais jovem, no auge de sua adolescência, nos conta como deixou de ser um mero camponês, filho de lavrador que vivia em uma pequena aldeia no interior russo, para se transformar no mais novo membro da Guarda Imperial do czar Nicolau II, com uma missão especial: ser o guarda-costas do pequeno Alexei, herdeiro do trono russo. Através dos olhos de Gueórgui, podemos conhecer um pouco do que era a vida no Palácio de Inverno, a residência do czar e de sua família, em São Petersburgo. 
A narrativa, construída de forma bastante criativa, foi dividida em duas partes: a narrativa de Gueórgui mais velho - que segue uma ordem decrescente - e a narrativa do jovem Gueórgui que ocorre de forma crescente. O clímax acontece quando ambas se encontram. É interessante mencionar que enquanto acompanhamos as narrativas de vida de Gueórgui, podemos notar que acontecimentos marcantes do século XX - como a Revolução Russa, a Segunda Guerra Mundial e a morte de Stalin - servem como plano de fundo.

Particularmente, sempre me interessei por esse lado da história russa, que envolve a dinastia Romanov, e este livro de John Boyne foi uma ótima escolha. Misturando ficção com realidade, o resultado obtido pelo autor é em um romance histórico emocionante, cheio de segredos e  um desfecho excelente.

O que mais gostei foi poder "conhecer" um pouco mais alguns personagens que marcaram a história russa e mundial, como a grã-duquesa Anastasia e o padre Grigori Rasputin.

Em linhas gerais, recomendo muito a leitura de O Palácio de Inverno para aqueles que estão à procura de um livro envolvente ou que gostam de romances históricos.


John Boyne nasceu na Irlanda, em 1971, onde vive até hoje. Começou a escrever histórias aos 19 anos e dez anos depois seu primeiro romance (O Ladrão do Tempo) foi publicado.

Além de trabalhar em uma livraria dos 25 aos 32 anos,  foi professor de língua inglesa no Trinity College e de Literatura Criativa na Universidade de East Anglia, onde foi agraciado com o prêmio Curtis Brown. Seus livros mais conhecidos são  O menino do pijama listrado (2006),  O garoto no convés (2008) e O Palácio de Inverno (2009) . [Fonte]








   
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2.3.14

Um estudo em vermelho, escrito por Sir Arthur Conan Doyle.

Editora: Zahar
Páginas: 190
ISBN: 9788537810873

O cadáver de um homem, nenhuma razão para o crime. É a primeira investigação de Sherlock Holmes, que fareja o assassino como um “cão de caça”. Lamentava-se de que “não há mais crimes nem criminosos nos nossos dias”, quando, nesse instante, recebe uma carta a pedir a sua ajuda — o cadáver de um homem foi encontrado numa casa desabitada, mas não há qualquer indício de roubo ou da natureza da morte. Sherlock Holmes não resiste ao apelo, mas sabe que o mérito irá sempre para a Polícia.
Um Estudo em Vermelho (1887), de Arthur Conan Doyle (1859- 1930), é a estreia de Holmes. A história foi editada pela primeira vez na revista Beeton’s Christmas Annual e logo fascinou inúmeros leitores, para quem o endereço do detective — 221B Baker Street, Londres — se tornou uma das ruas mais famosas da literatura. As deduções do investigador são narradas pelo seu amigo, o Doutor John Watson, uma espécie de Sancho Pança de Holmes. 

Sobre o que se trata?

Um estudo em vermelho é o primeiro livro narrado pelo dr. Watson sobre a sua convivência com Sherlock Holmes. Narra, assim, como eles se encontraram e o porquê de terem decidido dividir um apartamento. Watson acaba de retornar a Londres de uma temporada servindo ao exército no Afeganistão quando encontra com um antigo assistente de laboratório. Para ele, reclama de sua pensão ser escassa para continuar pagando o hotel em que estava hospedado (ele retornou da guerra ferido e, portanto, estava desempregado e vivendo sob os "cuidados" do Estado) e de precisar de alguém com quem dividir as despesas de um apartamento. Coincidentemente, o assistente lembra de que naquela mesma manhã o "pseudo-químico" (porque aparentemente o homem não era formado em medicina nem em química) do laboratório do hospital havia lhe dito a mesma coisa. Decide, então, apresentá-los. E é assim que Watson conhece Sherlock: diante de uma praticidade incrível. Os dois se conhecem, Sherlock faz a surpreendente - e repentina - observação de Watson ter passado um tempo no Afeganistão, combinam de irem conhecer o apartamento e só. Tudo, é claro, pautado por um mistério envolvendo a personalidade de Holmes, já que sabemos tudo o que precisamos saber sobre Watson.


Eles fecham o negócio e passam a dividir o apartamento da famosa rua Baker Street (número 221B). Depois de ficar dias e mais dias intrigado quanto à ocupação de Holmes, já que seu colega recebia a visita de tipos sociais totalmente diversos sob a alegação de "trabalho", Watson descobre através do próprio Sherlock que há um único cargo de detetive consultor no mundo, e que Sherlock Holmes é, na verdade, um exímio detetive. Depois de apresentar a sua teoria da dedução (que ele utiliza na solução de seus casos), da qual Watson duvida de certa forma, chega uma carta para Holmes com um pedido de ajuda: dois detetives pedindo auxílio na resolução de um caso muito suspeito e difícil.

O livro é dividido em duas partes. Na primeira, é apresentado ao leitor os personagens principais, o caso e a cena do crime e, surpreendentemente, a própria resolução do mistério. Já a segunda parte destina-se à apresentação do caso num contexto geral, a partir dos primeiros motivos para o crime ocorrer, sob a perspectiva de um narrador em terceira pessoa: aqui é contada a história por detrás do crime, história essa que se passou há anos e bem longe de Londres, nos Estados Unidos.

Minhas impressões

A experiência que tive com Um estudo em vermelho foi das mais prazerosas possíveis. Como primeiro romance policial que li, não sei dizer ao certo sobre o merecimento desta obra dentro do gênero do qual faz parte, mas creio que comecei a ler policiais com o pé direito, pois não encontrei falha alguma na obra (com os meus olhos leigos, claro).

A escrita é prática e objetiva. Gostei bastante dessa característica pois na resolução de um crime creio que isso deixe tudo mais palpável e real. Seria um tanto quanto entediante o narrador dar voltas e mais voltas sobre a história, mesmo que fosse um artifício para o mistério. Porém, Doyle conseguiu aplicar uma leitura ágil, mas ao mesmo tempo repleta de mistérios.


O caso solucionado pelo Sherlock Holmes é outro ponto positivo. Surpreendente e amparado por muitas pontas soltas (que, óbvio, nosso protagonista une com maestria), oferece ao leitor momentos de diversão. Achei bem bacana tentar entender o que aconteceu e, depois, descobrir que estava errada em todos os palpites, isso inclusive atestando a genialidade do detetive-consultor.

Participação especial do Cookie: ele também gostou de tentar desvendar os mistérios ;)

a construção de Sherlock Holmes é impecável. Ele é permeado em todo o livro por genialidade bruta e uma personalidade além de peculiar. Até pensei certa vez "como eu queria ter tido a ideia antes do Conan Doyle, viu?" ;) Já o Watson foi feito para contrastar explicitamente com o detetive: uma pessoa extremamente normal, até desinteressante ao lado de Sherlock, que possivelmente caracteriza o ser humano comum (leia-se "não como Sherlock Holmes"). Tudo na história e na apresentação dos personagens participa da construção da obra como um todo: os fatos estão ali para serem usados, por uma razão; a personalidade dos personagens diz muito sobre o contexto e reforça a característica de cada um.

Sobre o autor

Sir Arthur Ignatius Conan Doyle nasceu em Edimburgo, no dia 22 de maio de 1859 e morreu em Crowborough, em 7 de julho de 1930. Ele foi um escritor e médico britânico, mundialmente conhecido por suas 60 histórias sobre o detetive Sherlock Holmes. O seu registro de batismo na Catedral de Santa Maria em Edimburgo afirma que "Arthur Ignatius Conan" é seu nome cristão, e apenas "Doyle" é seu sobrenome. Na literatura, foi muito influenciado por Edgar Allan Poe e Walter Scott.
Entre 1876 e 1881, ele estudou medicina na Universidade de Edimburgo e começou a escrever pequenas histórias. A sua primeira obra notável foi Um Estudo em Vermelho, publicada no Beeton’s Christmas Annual de 1887, e que foi a primeira vez em que Sherlock Holmes apareceu. Holmes era parcialmente baseado em seu professor de sua época na universidade, Joseph Bell, a quem Conan Doyle escreveu: "É mais do que certo que é a você a quem eu devo Sherlock Holmes… Com base no centro de dedução, na interferência e na observação que ouvi você inculcar, tentei construir um homem". As futuras histórias a apresentar Sherlock Holmes foram publicadas na inglesa Strand Magazine. O que é interessante é que, mesmo na distante Samoa, Robert Louis Stevenson foi capaz de reconhecer a forte similaridade entre Joseph Bell e Sherlock Holmes. "Meus parabéns às geniais e interessantes aventuras de Sherlock Holmes… Seria este meu velho amigo Joe Bell?". Outros autores ocasionalmente sugerem influências adicionais, como o famoso personagem de Edgar Allan Poe, C. Auguste Dupin.
Conan Doyle se mudou para Londres em 1891 como oftalmologista. Conforme diz a sua autobiografia, nenhum paciente sequer passou pela porta de seu consultório, o que lhe deu mais tempo para escrever. Em novembro de 1891, ele escreveu para sua mãe: "Acho que vou assassinar Holmes… e lhe dar fim de uma vez por todas. Ele priva minha mente de coisas melhores". Sua mãe respondeu dizendo "Faça o que achar melhor, mas o público não aceitará essa atitude em silêncio". Em dezembro de 1893, ele fez o que pretendia para dedicar mais tempo a obras que ele considerava mais "importantes" – os seus livros históricos.  Mas a manifestação de desagrado do público fez com que o escritor trouxesse o personagem de volta.

Holmes apareceu em um total de 56 pequenas histórias e quatro livros, escritos por Conan Doyle (ele apareceu em vários livros e histórias por outros autores). [Fonte]
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