18.2.14

Resenha: O mágico de Oz

O mágico de Oz, escrito por L. Frank Baum

Editora: Zahar
Páginas: 256
ISBN: 9788537811344
"Quando estava na metade do caminho, ouviu-se um grito fortíssimo do vento e a casa sacudiu com tanta força que Dorothy perdeu o equilíbrio e caiu sentada no chão. E então uma coisa muito estranha aconteceu. A casa rodopiu duas ou três vezes e começou a levantar voo devagar, Dorothy teve a sensação de que subia no ar a bordo de um balão." Um ciclone atinge a casa onde Dorothy vive com os tios e ela e seu cachorro Totó são levados pela ventania e param na Terra de Oz. Por lá, Dorothy faz novos amigos - o Espantalha, o Lenhador de Lata e o Leão Covarde -, encara perigos, vive histórias fantásticas e precisa enfrentar seus próprios medos. Depois de tantas aventuras, a menina descobre que seus Sapatos de Prata têm poderes mágicos e podem levá-la para qualquer parte. Mas não existe melhor lugar no mundo do que a própria casa. Um clássico indiscutível entre crianças, jovens e adultos.


O Mágico de Oz conta a história de Dorothy Gale, uma órfã que vivia numa fazenda do Kansas com seus tios e seu cachorro chamado Totó. Num dia habitualmente cinzento, um ciclone acaba por se centralizar bem sobre a casa de Dorothy. Enquanto seus tios conseguem entrar no porão que servia como abrigo para essas tempestades, Dorothy e seu cachorro se atrasam e ficam para trás, sendo levados por muito tempo pelos ares até chegarem na terra de Oz.

Quando ela chega lá, Glinda, que é a Bruxa Boa no Norte, lhe explica que ela matou a Bruxa Malvada do Leste ao aterrissar com sua casa em cima desta. É aí que Dorothy recebe os sapatinhos prateados mágicos desta bruxa. Além disso, Glinda lhe dá um beijo na testa para que ela ficasse segura durante suas aventuras em direção à Cidade das Esmeraldas, que é onde o mágico de Oz vive. E ela precisa encontrar esse todo poderoso mágico para pedir que ele lhe ajude a voltar para o Kansas.

A história quase todo mundo já sabe por antemão, mas para chegar à Cidade das Esmeraldas, Dorothy tem que seguir por uma estrada de tijolos amarelos na qual ela encontra outras três figuras incríveis: o Espantalho, o Lenhador de Lata e o Leão Covarde. E esses três personagens se juntam à Dorothy para também encontrar Oz e, cada um, pedir algo para ele: o Espantalho quer um cérebro para pensar como os homens, o Lenhador de Lata um coração para amar e o Leão Covarde quer coragem para ser o destemido Rei dos Animais.

A partir do encontro desses três personagens eles passam por diversas aventuras até a conclusão da história de cada um.


Esse livro faz parte da literatura infantil, porém ele é daqueles que tanto uma criança quanto um adulto conseguem ser atraídos pela história com uma mesma intensidade. E isso se deve sobretudo ao caráter alegórico do livro, pois muito ali quer dizer mais do que parece, ou possui vários significados.

Por exemplo: os amigos de Dorothy podem ser apenas um espantalho, um lenhador de lata e o leão covarde para as crianças, porém para os adultos eles passam a representar a Inteligência, a Bondade e a Coragem. Além disso, indicam os três reinos da natureza: o animal, o vegetal e o mineral. (leia outras interpretações desses personagens aqui).


E sobre esses três personagens existem muitas e muitas interpretações. Inclusive, é com o respaldo da existência deles que há a grande moral da história, que indica que todos nós somos mais do que imaginamos e que todos nos subestimamos (basicamente é essa a moral, porém dá para se aprofundar muito mais nela, eu que não quero soltar spoilers. Essa mensagem do livro é lindíssima e, se você que leu - ou não - quiser conversar sobre ela, estou com certeza à disposição).

Os personagens desse livro são incrivelmente bem construídos, fiquei admirada com a construção deles, pois se encaixa muito bem ao enredo e à conclusão do livro, e eu não poderia deixar de falar que a Dorothy é uma criança muito, mas muito, determinada e forte psicologicamente falando. Ela, inclusive, foi apontada por feministas como uma das primeiras personagens de cunho feminista da literatura infantil (o que eu duvido um pouco, já que o Baum costumava ironizar a "Nova Mulher", as feministas de sua época).


Oz é praticamente um retângulo e cada área dele possui uma cor própria que, apesar de não ter nenhuma simbologia, segue a lógica da teoria das cores (sabe aquela que a gente aprende na escola, com o círculo de cores e tudo?): por exemplo, no centro está a Cidade das Esmeraldas, mas entre a Cidade das Esmeraldas (porque lá tudo é verde) estão a terra azul dos Munchkins e a terra amarela dos Winkies. E isso porque a preferência de cor é única.


Inclusive, chega ao cúmulo de na Cidade das Esmeraldas todos terem de usar um óculos de lente verde, enxergando, portanto, tudo verde. E nisso há a crítica difundida de uma certa alienação da população, que enxerga como o mágico de Oz (que é quem comenda a Cidade) quer.

Muita gente tenta encontrar um significado para Baum ter nomeado a terra que criou como Oz. E as teorias são muito engraçadas. A mais comum e simplória é a de que ele tinha uma gaveta arquivada de "o" à "z", e, juntando, ele formou "Oz". Algumas pessoas não acreditam nisso, assim como outras não acreditam que tenha vindo de "Boz", o apelido de Charles Dickens.

A edição comentada da Zahar possui "Apresentação", "Prefácio", notas de rodapé, as ilustrações originais e uma cronologia do autor. Indico essa edição super completa a todos.

A intenção declarada do autor era de deixar de fora "o sofrimentos e pesadelos", e o leitor realmente percebe isso. Apesar de existirem bruxas más e enrascadas, a leitura em momento algum deixa o leitor triste ou com um sentimento ruim. E isso é uma grande qualidade do livro, tanto por ser infantil, quanto por conseguir transmitir muito bem a sua mensagem sem abordar violência ou algo do tipo, como acontece, por exemplo, nos contos dos irmãos Grimm ou do Andersen.

Outra coisa bacana é que o autor já publicou um livro inteirinho sobre o Brasil, que foi um romance de aventuras chamado The Fate of a Crown. Não tem nada traduzido, pelo jeito, até porque não encontrei artigo nenhum em português na internet, porém eu entendi que a história apresenta um comerciante norte-americano que se envolve com um brasileiro republicano na época do Segundo Império. Disso surgem diversas aventuras envolvendo política e, inclusive, o norte-americano passa por cidades como o Rio de Janeiro e Cuiabá. Fiquei surpresa quando descobri sobre esse livro, pois retrata uma época de que gosto bastante, o nosso Império e a sua decadência. E o próprio fato do protagonista norte-americano se devotar ao brasileiro republicano (porque isso acaba acontecendo) é muito verossímil, porque é natural um norte-americano, como Baum, simpatizar com o republicanismo. 

Oz possui muitas, mas muitas mesmo, histórias além dessa. É, na realidade, uma série, e Baum escreveu 14 livros sobre Oz. As histórias renderam muito dinheiro ao escritor, pois ela se tornou um sucesso até mesmo na época dele. Inclusive, ele tinha a intenção de comprar uma ilhota e construir, nela, um parque de diversões de Oz.



Conhecer o filme de 1939 (o mais conhecido de todas as adaptações já feitas da história) foi muito bacana, principalmente comparando o livro a ele.

O começo do livro narra um pouco sobre como é a vida de Dorothy ali na fazenda, e a principal adjetivação ali é a palavra "cinza". O autor descreve tudo o que envolve Dorothy como sendo de um tom cinza, o que podemos interpretar como monotonia e tristeza, até. No filme de 1939, eles retrataram todo o começo ali na fazenda em tons de sépia. Achei bacana, mas creio que o "preto e branco" ficaria mais bonito e mais fiel ao livro.

O livro é altamente "quotável" ;)
Detalhe fofo do Totó na lombada
Os sapatinhos de rubi da Dorothy no filme na realidade são prateados no livro. Há essa diferença por conta da técnica que usaram ao produzir o filme, que é o tecnicolor. Eles acharam que o vermelho destacaria mais sobre a estrada de tijolos amarelos do que o prata, o que é verdade.

Outra acomodação que fizeram no filme foi trocar o nome de Lenhador de Lata por Homem de lata, simplesmente para reduzir o nome. Por ser um musical talvez um nome mais curto seja a melhor opção para o canto.




17 comentários:

  1. Melzita! Que ressenha linda, que trabalho incrível. Você está de parabéns. Adorei as curiosidades e as fotos do livro. Seu exemplar é uma graça. Sobre a história acho que todo mundo sabe um pouco, agora ler o livro mesmo eu nunca li. Acho que iria gostar.
    Beijos

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  2. Mell, que livro lindo! Mesmo sendo uma história que a maioria de nós conhecemos, é um daqueles que vale a pena ter na estante!

    Beijos,
    Caroline, do http://criticandoporai.blogspot.com

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  3. Ah, eu adorei essa resenha, Mel! Adoro O mágico de Oz, mas nunca tinha lido esse livro. Parece ser cheio de aventuras e muito encantador! Adoro livros infantis, eles nos ensinam tanta coisa, né?
    E a Zahar sempre publica livros interessantes, sem falar na diagramação fofa deles <3
    Beijos!
    http://www.gemeasescritoras.com/

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  4. Que bom que gostou, Mô, fico feliz :)
    Eu também nunca tinha lido, e sempre tive um carinho imenso por ele.
    Gosto muito dos infantis, também, querendo ou não um bom infantil possui muitas lições por trás da história.
    E eu amo as edições da Zahar. Não tem como negar o capricho deles. Amo!
    Beijos, e obrigada por sempre comentar por aqui <3

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  5. Sim, e apesar da maioria conhecer, poucos realmente sabem sobre os detalhes da história e sobre a escrita do autor. E acho que conhecê-los é muito bacana, e rápido também, porque o livro é gostosinho e curto. Então vale a pena :)
    Beijos!

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  6. Oi, flor, que prazer ter sua visita <3
    Fico MUITO feliz por ter gostado do meu trabalho, isso realmente é reconfortante :)
    Eu também acho que você iria gostar dele. É super rapidinho de ler, e uma delícia de leitura! Quem gosta de literatura infantil irá adorar a história :)
    Beijos

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  7. Oi!! Te indiquei no Top Posts dessa quinzena lá no blog! Dá uma passada lá!

    Beijos

    Meu Meio Devaneio

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  8. Ai Mellzinha! Amei amei amei amei <3
    Sou apaixonada pela história da Dorothy e seus companheiros (super fofos!).
    Só assisti ao filme (aliás 2). Mas fiquei completamente deslumbrada!
    E sua resenha me trouxe saudades! Vontade enorme de ler! <3
    Não sabia de todos esses detalhes e curiosidades sobre Oz e Baum.
    Nem sabia que ele tinha escrito outras histórias sobre Oz e que tinha intenção de construir um parque, haha.
    Essas edições da Zahar são muito amor, #todaschora #todasquer <33
    Preciso ter tooodos os clássicos de literatura infantil em edições da Zahar, hehehe.
    Linda resenha, Mellzinha. Amei mesmo! Super caprichada como sempre <3

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  9. :O Que linda!
    Muito obrigada, novamente, So <3 <3
    A Michas tem um gosto literário muito bacana, não é? Adoro ela :)

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  10. Eu também sempre fui deslumbrada pela história. E foi tãão bom ter contato com a origem dela <3 Leia siiim, Ju, quase certeza de que irá gostar!
    Eu também não sabia, por isso indico bastante essa edição, tem muitas curiosidades e informações bacanas :)
    Obrigada pelo carinho, Ju <3 <3 <3

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  11. Melll, querida! :)

    Em primeiro lugar, preciso dizer que essa é, provavelmente, a edição mais linda de Oz que já vi por aí. E a história me remete a infância. Esse livro, mais do que O Pequeno Príncipe, tem leituras diferentes com o passar dos anos (opinião plenamente pessoal, hein!). Eu via cada personagem de uma forma na primeira vez que li, e quando reli alguns anos mais tarde, eu os via de forma diferente. E agora, que estou lendo essa mesma edição, a gente saca as "críticas" muito mais atenciosamente.

    Fico feliz que tenhas trazido as curiosidades pro teu post. Esses detalhes são o que fazem a diferença na história. Baum era sensacional :)

    Aliás, a Panini lançou uma versão de Oz desenhada pelo Skootie Young, que ilustrou um livro do Gaiman chamado 'Fortunately the Milk' (tem lá no Pipoca, dá uma olhada), e o traço dele é muito maneiro, A história ficou bacana tbm. Outro olhar :)

    Beijoca ♥

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  12. Oi, Mell!
    Essas edições da Zahar são muito lindas, adorei o detalhe do Totó na lombada. Eu já li e reli esse livro, mas não estou familiarizada com as teorias interpretativas dele. Gosto por ser "simples" e uma história divertida, todas as aventuras que eles passam ;)
    Beijos!
    http://arrastandoasalpargatas.blogspot.com

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  13. Essa edição da Zahar é linda!
    Sou louquinha para ler Mágico de Oz. Nunca li e nunca assisti ao filme.
    Parece que Mágico de Oz será homenageado no Oscar esse ano. :)
    Adorei a resenha!
    Queria resenhar assim como você, você é bem detalhista mas eu não consigo. Eu escrevo o que eu acho e pronto! hehehehe
    Beijocas!


    daninhafarias.wordpress.com

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  14. Juliano Cesar de Oliveira4 de maio de 2014 09:08

    Oi adorei.. muito obrigado, me fez se
    interessar pelo livro....mas vc já leu o livro reverso escrito pelo autor
    Darlei... se trata de um livro arrebatador...ele coloca em cheque os maiores
    dogmas religiosos de todos os tempos.....e ainda inverte de forma brutal as
    teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre
    Jesus jamais mencionados na história.....acesse o link da livraria cultura e
    digite reverso...a capa do livro é linda ela traz o universo de fundo..abraços.

    www.buqui.com.br/ebook/reverso-604408.html

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  15. Essa história e muito boa eu curti muito adoreiii!!!!!!!!!!!!

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  16. História fascinante que não me canso de ler

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