resenha 1

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Ensaio sobre a cegueira Saramago

resenha 2

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Uma duas Eliane Brum

resenha 3

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ao farol virgínia woolf

resenha 4

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mulheres de cinzas mia couto

resenha 5

resenha 5
Extraordinário Luandino Vieira

resenha 6

resenha 6
Luuanda Luandino Vieira
31.1.14

Viagem Sentimental ao Japão, por Paula Bajer Fernandes.
Editora: Apicuri.
Páginas: 235
ISBN: 9788561022945

Há quem fale de livros sem nunca tê-los lido. Há quem fale de viagens sem nunca tê-las feito. A mentira é o alimento das relações humanas, e não poderia ser diferente com a personagem deste intrigante romance de formação: Anette é uma fugitiva obstinada – não das autoridades policiais, mas de algo bem mais severo. Ela viaja para fugir de si mesma. Faz isso sem nunca levantar da sua mesa, em uma agência de viagens. Mente com perfeição e se exibe como uma viajante verossímil. Nova York, Paris, Roma, não importa. Ela inventa e convence que já visitou inúmeros lugares possíveis e imagináveis, fornecendo seus detalhes operacionais e turísticos, tranquilizando qualquer cliente. Nômade unicamente na fantasia, a protagonista terá suas estruturas abaladas com a chegada de um inusitado cliente que deseja viajar ao Japão, região pela qual ela nutre grande admiração e à qual evidentemente jamais ousou ir. 


Viagem Sentimental ao Japão conta a história de Anette que, de repente, precisa arranjar um emprego a pedido de seu pai. Aos 27 anos, formada em Letras e sem nenhum registro em sua carteira de trabalho (até desconfio de que ela não tinha uma antes disso), encontra uma vaga numa agência de turismo e acaba sendo aceita no emprego pelo chefe de nome Marcos Paulo (ou seria Marco Polo? Na imaginação fértil de Anette essa comparação surgiu rapidamente) depois de dizer que viajou o mundo todo. Só que... Ela tem é medo de viajar, e só visitou Santos, sendo que avião estava fora de cogitação.

Porém, Anette é muito inteligente e vive lendo literatura de viagens (até se especializou nisso na faculdade), o que lhe dá um alicerce vívido para suas mentiras, pois o que ela passa a narrar de suas imaginárias viagens convence a todos. 

Tudo muda em sua vida quando um cliente aparece na agência pedindo um roteiro para o Japão. Justo  o Japão, que é o seu fraco, um sonho para ela. Um sonho justamente inalcançável, já que seu receio de viajar a impede de ir muito longe dali. Em meio a planos para lugares exóticos, acontecimentos lúgubres e mais viagens de mentirinhas, Anette viajará pelo mundo em sua própria cabeça ao mesmo tempo que se auto-descobre e reflete a respeito de seus próprios medos. Será que ela conseguirá destruir suas próprias barreiras e conhecer o Japão?


Eu tenho esse livro não apenas como um romance sobre uma trintona que mente para conseguir um emprego. Viagem Sentimental ao Japão é muito mais do que isso. Ele ultrapassa o que é comum na literatura (sobretudo os chick-lits), pois ele alcança o patamar do psicológico. O que o leitor faz durante a leitura é acompanhar as divagações da personagem principal e, apesar de não perceber no começo, servir de testemunha para o amadurecimento de Anette. Por isso, tenho essa história como um caso lúcido de superação.

A escrita da Paula Bajer é a característica que mais se destaca do livro, pois ela usa muitos pontos finais e frases curtas, imprimindo à experiência da leitura um ritmo gostoso e um tom de conversa. Em alguns momentos, torna-se até poética. Outro ponto bacana da história é que Anette transmite ao leitor um pouco de seu conhecimento sobre literatura de viagens, citando bastante várias obras gloriosas desse gênero, como As viagens de Gulliver.

O livro tem poucos personagens (até porque Anette não possui amigos), mas a personagem principal rouba/roubaria a cena de qualquer outro personagem, pois me identifiquei muito com ela. Além disso, ela é carismática, engraçada e nada sutil. Gosto da realidade que há por detrás de sua construção, pois não me agrada tanto os personagens malucos e fora da realidade (leia-se Becky Bloom).

Apesar do desenrolar do livro e do próprio título dele passar a impressão de que haverá romance na história, Anette em momento algum se envolve de modo romântico com uma outra pessoa, o que me surpreendeu bastante. Gosto do livro como um todo, pois o final dele nos deixa imaginando que Anette mudará sua vida diante da mudança por que passou, inclusive transformando a sua postura frente às amizades e aos romances.

A diagramação é realmente muito benfeita. A capa é linda e se encaixa perfeitamente à história: retrata o lado criativo e os receios de Anette (pois as imagens aludem a viagens e a cidades imaginárias através de tons vibrantes e coloridos e também através de tons escuros e frios). O título possui uma explicação, e é intrínseco a algo muito bem trabalhado: as viagens que ler nos proporciona (não somente viagens a lugares, como qualquer outro tipo de "viagem").

Os dois únicos pontos do livro que posso fazer ressalvas são o ritmo um pouco parado (por ser algo mais psicológico, mais como um monólogo da personagem principal, já que o narrador é em primeira pessoa) e a repetição de alguns pensamentos da personagem, como se ela estivesse querendo incutir certas afirmações na sua cabeça (segundo Goebbels, "Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade")

Por isso, indico este livro para quem gosta de leituras diferentes, agradáveis e que transmitem mensagens de superação. É um livro que me tocou bastante, tornando-se uma das minhas leituras preferidas desse mês, provavelmente a preferida.

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30.1.14

(Imagem: Aqui)
Nunca fui de responder a selos aqui no blog, mas depois que a Michas, do blog/vlog La Vie en Rose me indicou para responder o Viajando na leitura, não pude deixar de satisfazê-la e de me desafiar... Pois escolher apenas um livro para a pergunta seguinte foi difícil!

Regras:
» Responder ao selo;
» Utilizar o banner original;
» Indicar mais cinco blogs para responder ao selo;
» Avisar os blogs indicados.

Pergunta: Qual foi a melhor viagem que você fez através da leitura e qual foi o livro?
O porquê de ter vários outros livros na imagem vocês saberão ao assistir o vídeo ;)

Eu escolhi Volta ao Mundo em 80 Dias, pois foi praticamente o primeiro clássico e o primeiro livro de aventuras que me empolgou a ponto de fazer um vídeo para demonstrar o quão incrível é a leitura dele. E, de fato, este foi o primeiro livro que indiquei lá no canal do blog no Youtube. Além dele ser um livro muito bem diagramado (na minha edição, digo), eu o ganhei de um amigo no meu aniversário de 19 anos. 

Acho que consigo exprimir melhor o que achei do livro na resenha escrita que fiz dele na época:

Esse é o clássico que mais gostei de ler. É o livro que mais me deixou empolgada. O final mais óbvio, mas ao mesmo tempo imprevisível. Uma história em que a criatividade e o talento nos dão aulas de como se sair bem em diversas "situações-impossíveis".
Phileas Fogg, um rico inglês, durante uma partida de crickett aposta que daria a volta ao mundo em 80 dias em pleno século XIX! Seus companheiros de jogo acharam impossível e aceitaram a aposta de vinte mil libras (20.000 libras!)
Junto com seu fiel empregado, Passepartout, viaja por lugares incríveis: Canal de Suez, Índia, China, Japão, Estados Unidos... Sempre à mercê de contratempos que insistiram em lhe fazer perder a aposta. Mas o excêntrico Phileas Fogg nunca perdeu a serenidade, nunca se abalou, por maiores que fossem os seus problemas: canibais, lobos, embarques perdidos, atrasos. Passepartout sempre se metendo em encrencas e dando um toque (podemos dizer que *apenas* metade do livro é assim haha) de humor.
Uma narrativa envolvente. Um clássico histórico. Uma escrita cativante. Uma aventura inesquecível.

O blogs que indico são:
» Tary: Doces Rodopios.
» Stela: The Dandelion In Spring.
» Bia: As Mil e Uma Letras.
» Rê: Lá na Estante.
» Loren: República de Meninas.

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29.1.14

Poseidon, #1 O legado de Syrena, escrito por Anna Banks.
Editora: Novo Conceito.
Páginas: 285
ISBN: 9788581633152
Galen é o príncipe de Syrena enviando à terra para encontrar uma garota que pode se comunicar com peixes. Emma está de férias na praia quando ela litaralmente corre de encontro a Galen. Ambos sentem um conexão, mas vai demorar vários encontros incluindo um mortal com um tubarão para Galen se convencer dos dons de Emma. Agora se ele pelo menos pudesse convencer Emma de que ela segura consigo a chave para seu reino... Contado a partir de ambos dos pontos de vistas, Emma e Galen, aqui está uma história de peixe fora d'água, humor que intriga e ondas de romance.


Poseidon narra a incrível história de um mundo habitado não somente por humanos, como também por Syrenas - ou, como conhecemos, sereias. Sob rígidas leis que os proíbem de sair do mar e, mais ainda, de ter contato com humanos, os Syrenas vivem com regras e uma cultura próprias. Divididos em dois reinos, o de Tritão e o de Poseidon, travam uma inimizade há décadas. Inimizade esta deflagrada pela presença dos humanos debaixo d'água. E é por isso que Galen, o príncipe do reino de Tritão, encontra dificuldades com o seu papel como embaixador na terra: eles não conhecem a nossa cultura e odeiam qualquer humano

E costumava ser assim com Galen, até conhecer humanos que o fizeram mudar de opinião. Primeiro, o dr. Milligan, provando sua confiança ao não delatar a sua existência para o mundo humano. Depois Rachel, uma ex-mafiosa que foi salva pelo príncipe e, depois disso, passou a segui-lo e a cuidar dele como mãe.

Só que a condição de odiar humanos muda drasticamente sobretudo quando conhece Emma.

Emma é uma garota comum dos Estados Unidos que decide passar uns dias de suas férias na praia com a sua melhor-amiga-quase-irmã Chloe - ou, pelo menos, comum até elas conhecerem Galen e Emma descobrir que suas diferenças em relação às garotas da sua idade vão além de sua incomum cor de olhos, o violeta (que, aliás, ela compartilha com Galen). Ou de seus cabelos e pele quase brancos.

Porém, a dor de perder a sua amiga num ataque de tubarão durante as férias parece se intensificar quando retorna para casa e vê que Galen está ali na sua escola, em todas as aulas nas quais ela está matriculada. O que ele estava fazendo ali, parecendo persegui-la? E por que ela se sente tão atraída por ele (tirando, é claro, o fato dele ser extremamente lindo)?


O livro é uma mistura de sobrenatural com YA (young adult). Possui seus clichês, como um triângulo amoroso, um romance meloso e proibido e personagens sempre fisicamente bonitos, porém é de uma criatividade impressionante. A temática das sereias é muito bacana, principalmente se levarmos em conta que a autora criou todo um contexto histórico, além de culturas e reinos. Apesar desse livro não abordar tanto a cultura ou o mundo desses seres místicos, ainda assim há muita coisa para ser explicada ao leitor, já que a história narra o primeiro contato que Emma tem com a existência dos Syrenas. Creio que nos próximos volumes da série o mundo subaquático seja melhor explorado e, de certa forma, detalhado ao leitor.

Os personagens são muito carismáticos e cada um tem uma personalidade bem marcante. A irmã, e também princesa, espontânea e petulante. O melhor amigo engraçado e indelicado. A amiga-quase-mãe cuidadosa e prestativa. O amigo-e-também-biólogo-marinho que inspira confiança e lealdade. Além da mãe de Emma, super protetora e ausente. E como deixar de lado a melhor amiga Chloe? Enérgica e de autoastral, foi a personagem mais cativante de todo o livro, mesmo aparecendo apenas no primeiro capítulo.

A narrativa é fluida e envolvente. Os capítulos são intercalados por dois narradores diferentes: um em primeira pessoa, na voz de Emma, e outro em terceira pessoa, onisciente, e que parece acompanhar a perspectiva de Galen. Essa característica pode confundir o leitor num primeiro momento, mas logo ele se acostuma à escrita e à narrativa, percebendo que é um viés muito bom para demonstrar o ponto de vista dos personagens principais.

O desenvolver da história se mostrou um pouco parado e sem muitas aventuras, e eu esperava o contrário. Porém, este primeiro livro se mostra muito mais uma introdução do que um desenrolar, até porque os personagens precisam se habituar à descoberta da Emma - e ela própria sobre a sua situação como uma possível Syrena. O mais bacana desse livro sobrenatural é que ele possui possíveis explicações para o caso dela. Como há o biólogo e cientista que ajuda Galen, eles tentam desvendar os mistérios através de exames, inclusive de sangue. Gostei disso, pois é difícil um livro sobrenatural tentar incluir algumas respostas em relação à condição mística. 

E o que dizer do final surpreendente? A história é, em sua maior parte, previsível, como é comum num livro YA ou sobrenatural. Porém, além de em alguns momentos da história, o final foi totalmente angustiante e inimaginável. As pistas estavam lá para serem lidas nas entrelinhas, porém o leitor possivelmente não desconfiaria da verdade - como aconteceu comigo. Só fui entender o que estava acontecendo praticamente na penúltima linha do último parágrafo do livro. E isso é um ponto muito positivo do livro! Agora estou ansiosa pela continuação - e será difícil qualquer leitor não se sentir do mesmo modo.

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26.1.14

(Imagem: Aqui.)







Hoje trago somente algumas das muitas passagens que marquei no livro Viagem Sentimental ao Japão, da escritora Paula Bajer. O livro é tocante e repleto de pensamentos da personagem principal, Anette, que me lembraram bastante os meus próprios. 

Nossa memória é tão estranha, tem personalidade própria. Ela se lembra de recortes esquisitos de tempo e espaço, não se submete nem um pouco à nossa vontade.

Não é segredo para ninguém, eu vivo afirmando isso: minha memória é praticamente inexistente. Só conserva consigo o que ela quer - e o que, geralmente, não me é tão importante assim. Detalhes de conversas, então? Posso esquecer...

Sabe qual é o seu problema, Anette? Você lê muito.

Acho que esse é um problema de muitos, então. Tenho um sério problema, pelo jeito.

São muitos os livros de cabeceira. Uma estante inteira.
Sempre me perguntam qual o meu livro preferido, mas sério mesmo que tenho que escolher apenas um? São tantas opções, tantos gêneros, tantos sentimentos e memórias... Impossível escolher apenas um. Eu tenho uma estante inteira de livros de cabeceira ;)

Ninguém tem nada com isso. Com o que eu gosto, o que eu não gosto de ler.

Me questionei esses dias sobre a necessidade de eu compartilhar o que leio e de ler sobre o que outras pessoas leem. Concluí que cada um tem a sua própria necessidade. Mas que, realmente, ninguém tem nada com isso: o gosto e o amor são próprios. Você é o único que sabe o quão feliz aquilo te faz.

Detesto essa realidade de descargas fazendo barulho, pessoas dançando aleatoriamente e luzes piscando assim sem nenhuma racionalidade.
Sempre me senti deslocada em festas e baladas. E a Anette soube expressar grande parte dessa minha sensação.

Esse livro se tornou um dos meus favoritos do mês de janeiro, principalmente porque eu me identifiquei muito com a personagem principal. O livro possui uma escrita muito fluida e cativante sob a perspectiva de Anette, o que nos posiciona sempre na mente dela. Em breve farei resenha escrita e em vídeo, nas quais explicarei melhor o que quero dizer. Adiantando, é um livro com escrita e enredo muito bons, e essas quotes já ajudam a comprovar isso!

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24.1.14


Boa noite, leitores!

O blog Literature-se em parceria com a Editora Novo Conceito está realizando um SORTEIO RELÂMPAGO do lançamento de fevereiro POR TODA A ETERNIDADE.

Tully Hart é uma mulher ambiciosa, movida por grandes sonhos que, na verdade, escondem as lembranças de um passado de abandono e dor. Ela acredita que pode superar qualquer coisa ao esconder bem fundo os sentimentos de rejeição que carrega desde a infância... Até que sua melhor amiga, Kate Ryan, morre. Então, tudo começa a mudar para Tully, que se vê escorregando em um precipício cheio de memórias melancólicas e remédios para dormir...
Dorothy Hart — ou Cloud, como era conhecida nos anos 1970 — está no centro do trágico passado de
Tully. Ela abandonou a filha repetidas vezes na infância. Até que as duas se separaram de uma vez por todas. Aos dezesseis anos, Marah Ryan ficou devastada pela morte da mãe, Kate. Embora seu pai e seus irmãos se esforcem para manter a família unida, Marah transformou-se numa adolescente rebelde e inacessível em sua dor. Tully tenta aproximar-se de Marah, mas sua incapacidade para lidar com os sentimentos da afilhada acaba empurrando a menina para um relacionamento infeliz com um rapaz problemático.
A vida dessas mulheres está intimamente ligada, e a maneira como elas vão rever seus erros e acertos constrói um romance comovente sobre o amor, a maternidade, as perdas e o novo começo. Onde há amor, há perdão...

Para participar é super fácil! Basta seguir a fanpage do Blog Literature-se e da Editora Novo Conceito, comentar nessa publicação com as hashtags #SorteioNC #PorTodaAEternidade e compartilhar essa imagem.

O livro já está até em pré-venda lá na Saraiva.

O sorteio irá até dia 27/01/2014 às 12h. Não deixe de participar, é super simples e fácil!

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22.1.14

O Lobo do Mar, escrito por Jack London.
Editora: Zahar
Páginas: 367
ISBN: 9788537811221

Resgatado pela escuna Ghost, o náufrago Humphrey van Weyden logo descobre que seu pesadelo estava apenas começando: o capitão por quem foi salvo, Wolf Larsen, em vez de deixá-lo no porto mais próximo o obriga a integrar a tripulação de seu navio, onde impõe uma estranha forma de ordem, na qual a violência ganha ares de filosofia e conhecimento do mundo. No peculiar embate entre os dois homens - entre a concepção de mundo primitiva do capitão e a civilidade e o moralismo de seu refém -, Jack London ultrapassa o romance de aventura, fazendo de O lobo do mar uma reflexão sobre o bem e o mal, sobre os determinismos darwinianos da vida e a condição humana.

Sobre o que se trata?

Humphrey van Weyden é um nobre crítico literário que vive da renda de sua família e, num dia rotineiro, o barco no qual estava acaba naufragando, deixando-o à deriva por horas a fio até ser resgatado pela escuna de caça às focas Ghost. Ali ele conhece o capitão Wolf Larsen que, após perguntar qual era a sua profissão, impede-o de voltar ao continente, obrigando-o a permanecer em sua embarcação para a temporada de caça.

Com o passar do tempo, van Weyden descobre que Wolf Larsen não é uma pessoa qualquer: permeado por atos de selvageria, o capitão do Ghost é um materialista egoísta. Ele pensa que a sociedade é um punhado de fermento e que cada indivíduo tem que lutar e englobar o próximo para sobreviver e crescer. Ou seja: individualista no sentido mais extremo da palavra. 

E é na presença desta pessoa atípica, e na de uma tripulação grosseira e nada amigável, que o nobre terá que aprender a trabalhar duramente. À bordo do Ghost e durante as caçadas, van Weyden também conhece uma outra realidade (esta grotesca e cruel) que sempre lhe fora poupada, já que ele vivia basicamente no mundo fácil e acessível da nobreza.

Durante a temporada, Wolf Larsen acaba resgatando outros náufragos e, desta vez, uma mulher surge no dia-a-dia do Ghost: Maud, escritora e também integrante da nobreza. Sua presença em meio a marujos selvagens traçará várias reviravoltas e fará surgir um romance antes inimaginável

Minhas impressões

O Lobo do Mar foi uma grande surpresa para mim. Eu já esperava uma história repleta de aventuras à bordo de um navio, mas eu não esperava que seria uma aventura aliada a muitas passagens filosóficas. A experiência que tive com este livro foi além da imaginada de antemão: depreendi muitas lições de vida que me fizeram refletir por um bom tempo.

Com uma escrita cativante e tranquila, Jack London nos transporta para a vida de um marinheiro de primeira viagem tão vivamente, que é difícil não imaginar como seria estar à bordo de uma escuna no meio do Pacífico e rodeado por focas. 


A narrativa acrescenta e encanta, sendo os personagens o que o livro tem de melhor: o autor cria um elenco tão único e completo, que é difícil não gostar deles, até mesmo do vilão. Wolf Larsen é o melhor personagem com o qual tive contato na literatura. Muito bem construído, sua personalidade, seus pensamentos e seu físico são expostos de uma forma crua ao leitor. Seu físico, através de situações e atitudes cruéis. Já seus pensamentos e a sua personalidade (além de confirmarem a brutalidade de sua aparência), por meio de diálogos que Wolf Larsen trava com van Weyden. 



Os diálogos possuem citações de obras e autores que contribuem para o sucesso da história, pois nela contextualizados, servem como base argumentativa para as filosofias do capitão e do Humphrey. Inclusive, várias passagens me deixaram com muita vontade de ler alguns autores, como Shakespeare.

A edição que li é a comentada da Editora Zahar. Ela possui, além de capa dura com uma arte lindíssima, um prefácio, notas de rodapé (que, aliás, ajudam o leitor a entender as citações), glossário de termos náuticos e cronologia do autor.
Prefácio.
Notas de rodapé.
Glossário de termos náuticos
Cronologia do Jack London

O único ponto possivelmente negativo foram os termos náuticos que podem ser um empecilho à leitura no início. Depois de acostumada à escrita, e com a ajuda do glossário, eu rapidamente venci esse obstáculo, que tornou-se parte do ensinamento, da "ambientalização" da história.

E o final do livro é muito bom! As personagens têm seus destinos justificados e percebemos o quanto Humphrey mudou, sobretudo depois que conhece Maud.

Abaixo está o vídeo-resenha que fiz para o canal do blog no Youtube:
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20.1.14

Para quem não viu o post sobre a Maratona Literária, semana passada (13/01-19/01) rolou a segunda maratona, organizada pelos blogs LeiturinhasBookeandoPor Essas PáginasGarota ItCafé com Blá Blá Blá e Psychobooks.

Pensei bastante em trazer uma atualização diária mostrando e comentando sobre as minhas leituras durante a semana, porém achei que seria muito chato monótono e que um vídeo/post falando sobre o geral seria mais emocionante bacana. Então, fiz uma conclusão do que li em cada dia:

Segunda-feira:
Príncipe Caspian, quarto livro da série As Crônicas de Nárnia (108 páginas)
Todo Dia (30 páginas)

Terça-feira:
Todo Dia (30-250 páginas)

Quarta-feira:
Todo Dia (250-274 páginas)
A menina que roubava livros (219-331 páginas)

Quinta-feira:
A menina que roubava livros (331-478 páginas)
Bem mais perto (125 páginas)

Sexta-feira:
Bem mais perto (125-236 páginas)
O Lobo do mar (164-262 páginas)

Sábado: (li tãão pouco! quase nada)
O Lobo do mar (262-277 páginas)

Domingo:
O Lobo do mar (277-357 páginas)





O melhor foi que eu realmente consegui cumprir a meta que mostrei neste post. Fiquei bem feliz por isso!
Abaixo mostro em vídeo os livros que li:




E vocês, o que leram na semana passada?
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19.1.14

(Imagem: Aqui
É somente nos pontos mais delicados que fica complicado e controverso a incapacidade de percebe que, não importa qual seja nossa religião, sexo, raça ou localização geográfica, todos nós temos cerca de 98 por centro em comum com todos os outros. Sim, as diferenças entre homens e mulheres são biológicas, mas se você observa a biologia como uma mera questão de porcentagem, não há muita coisa diferente. A raça é diferente apenas como uma construção social, e não como uma diferença inerente. E quanto à religião, quer você acredite em Deus, Javé, Alá ou qualquer outra coisa, é provável que, em seu coração, vocês queiram a mesma coisa. Por uma razão qualquer, nós nos concentramos mais nos dois por cento da diferença, e a maior parte dos conflitos que acontece no mundo é consequência disso. p.70

Este foi o segundo livro da Maratona Literária e digo que, apesar de suas falhas, ele possui uma proposta muito interessante (e a cumpre muito bem, aliás): fazer você refletir sobre questões polêmicas e, também, valorizar mais a sua vida e o seu corpo.

Digo que esta passagem é a melhor do livro, simplesmente sensacional! Ela realmente esclarece qual é a prioridade do homem e o quanto isso o torna injusto e incongruente em suas atitudes. Além disso, faz um breve comentário sobre religião que, para mim, faz todo o sentido. Sempre me questionei o porquê de terem tantas divergências entre religiosos, e até mesmo o porquê de existirem tantas religiões assim, se todos acreditam num Ser supremo. Para mim, é simples: basta a minha fé Nele, quem quer que seja. E isso já deveria bastar para que o respeito reinasse entre as variadas histórias criadas em torno Dele. Também trata sobre a questão da igualdade entre a espécie. Por mais que sejamos extremamente parecidos, nada importa, apenas o que é diferente... Ou o que, antes, costumava-se chamar de bárbaro (já pararam para pensar nisso, no quão ridículo é o que antes se tratava de exceção hoje ter uma conotação negativa?)

O vídeo-resenha desse livro está gravado já, mas queria antecipar esta quote para vocês. Fica aí um indício da reflexão que o livro nos leva a realizar. 

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17.1.14


O blog Central da Leitura completará 1 ano de existência no próximo mês e um marco tão importante como esse não poderia passar sem uma comemoração! Pensando nisso, reunimos 13 blogs amigos do Central da Leitura e montamos uma mega promoção de aniversário pra vocês!

Serão 4 kits sorteados para 4 ganhadores e, para participar, basta preencher o formulário do kit desejado, seguir as regrinhas obrigatórias e, é claro, conhecer o blog aniversariante!

Conheça os blogs participantes!

Para concorrer a qualquer um dos kits, siga direitinho as regras abaixo de cada um. Não será necessário seguir todos os blogs de todos os kits. Se você só quer concorrer ao kit 1 e ao kit 3, por exemplo, siga as instruções necessárias de cada um deles, podendo ignorar as dos outros (apesar de que nós gostaríamos muito que vocês seguissem os outros blogs, também, recomendadíssimos!)

Lembrando que o participante que desconsiderar qualquer regra do kit a que estiver concorrendo, será automaticamente desclassificado na hora do sorteio, ok?

Para concorrer:
» Seguir o Central da Leitura pelo Google Friend Connect, curtir a Fan Page do Central da Leitura e se inscrever no canal do Central da Leitura noYoutube.
» Curtir a página do Procurei em Sonhos lá no Facebook.
» Seguir o Literalizando Sonhos pelo Google Friend Connect.
» Seguir o Cantinho da Mah pelo Google Friend Connect.





Para concorrer:
» Curtir a página do Sangue com Amor no Facebook.


Observações:
A Vanessa do Central da Leitura verificará se todos os ganhadores cumpriram com as regras do sorteio e se por acaso alguma regra não for cumprida, um novo sorteio será realizado. Os ganhadores terão o prazo de 48 horas para responder o email aceitando o prêmio e se não obtivermos resposta nesse tempo, realizaremos o sorteio mais uma vez.

O sorteio irá até o dia 20/01/2014 e será realizado pela própria Vanessa.

O envio dos livros será responsabilidade de cada blogueiro, mas é necessário ter um endereço de entrega no Brasil para recebê-los. Cada blogueiro terá o prazo máximo de 30 dias para o envio dos prêmios e, em caso de retorno, o ganhador deverá arcar com as despesas do reenvio.

Participem e boa sorte a todos!
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A viagem do tigre, escrito por Colleen Houck.
Editora: Arqueiro
Páginas: 494
ISBN: 9788580411133
Perigo. Desolação. Escolhas. A eternidade é tempo demais para esperar pelo verdadeiro amor? Em sua terceira busca, a jovem Kelsey Hayes e seus tigres precisam vencer desafios incríveis propostos por cinco dragões míticos. O elemento comum é a água, e o cenário de mar aberto obriga Kelsey a enfrentar seus piores temores.Dessa vez, sua missão é encontrar o Colar de Pérolas Negras de Durga e tentar libertar seu amado Ren tanto da maldição do tigre quanto de sua repentina amnésia.
No entanto o irmão dele, Kishan, tem outros planos, e os dois competem por sua afeição, além de afastarem aqueles que planejam frustrar seus objetivos.
Em A viagem do Tigre, terceiro volume da série A Saga do Tigre, Kelsey, Ren e Kishan retomam a jornada emdireção ao seu verdadeiro destino numa história com muito suspense, criaturas encantadas, corações partidos e ação de primeira.

Atenção! Esta resenha é a continuação de A viagem do tigre (resenha aqui) e de O resgate do tigre (resenha aqui). Pode conter spoilers para quem ainda não leu os dois primeiros livros da saga.


A Viagem do tigre narra a terceira parte da aventura de Kelsey em busca da quebra da maldição que recaiu sobre príncipes indianos há séculos. Por se tratar de uma maldição ainda não traduzida, a vida de Kelsey está atrelada a pesquisas e estudos com o senhor Kadam (o mentor dos príncipes tigres), bem como a novas incursões em busca das palavras sábias de Phet, da proteção da deusa Durga e, claro, de mais um objeto pertencente à maldição - o terceiro, desta vez.

Porém eles descobrem que esta nova etapa de suas aventuras está relacionada com o mar, o que amedronta e muito a Kelsey e seu medo pelas criaturas marinhas... Em especial pelos tubarões. Mesmo sabendo de toda a fortuna da família dos príncipes, a americana ainda se impressiona quando eles se mudam para um navio a fim de encontrar nada menos que... Dragões. E o que o mar e dragões têm a ver um com o outro? A profecia resume: 

Pedras preciosas de um preto reluzente
Enfeitaram sua pele de cetim no passado.
Uma malfeitor implacável despiu seu pescoço;
O cordão submergiu bem no fundo.
Agora as contas etã escondidas, enterradas no mar;
Um bravo as tira de lá.
Monstros letais mordem e aguilhoam...
Terríveis demais para serem derrotados.
Mas o tridente em riste e o kamandal que embebe,
E a senhora que tece a seda
Vão guiar e garantir que você deite
A coroa no mar de leite.
Busque os reis dragões dos cinco oceanos
Dos pontos cardeais quando mergulhar:
As estrelas do Dragão Vermelho se movem no tempo astral;
A montanha do Dragão Azul aponta o caminho;
O Dragão Verde ajuda a enxergar através do clima;
A cidade do Dragão Dourado situa-se abaixo das ondas;
O Dragão Branco abre a porta para luzes graciais.
Tome os braços dela bem em riste
Seu prêmio imaculado a ser conquistado.
Capture o fio com poder fluido;
Tome o caminho de casa mais uma vez.
Refresque as terras da Índia com orvalho precioso;
Rio, riacho, a chuva vai encher.
A terra seca e o coração renovar,
Porque o poder de cura ainda está latente.


Quando eu penso que a imaginação da autora já se esgotou, ou que pelo menos não me surpreenderá mais, ela dá um jeito de se superar. Dessa vez ela se superou criando e inserindo dragões à sua história. Mas não simples dragões, dragões sem graça ou apenas um: são cinco, e cada um tem o seu modo de ser, a sua peculiaridade. Sem contar que eles também possuem a forma de humano, quando querem. As aventuras pelas quais Kelsey e os tigres (Kishan e Ren) passam com os dragões são simplesmente geniais: quando você pensa que não poderá ter saída/escapatória para tal enrascada, ou tal monstro medonho criado por Colleen Houck, a história toma rumos incríveis e você se pega pensando "por que eu não pensei nisso antes?"

Estávamos cavalgando com os ventos do Universo, no lombo de um dragão, rodeados por estrelas piscantes. p.245

Porém, o único ponto negativo do livro possui um peso importante: o triângulo amoroso aqui se intensifica. As brigas e os ciúmes, também. Enquanto no primeiro livro da série a Kelsey se envolveu com Ren na aventura, e no segundo livro com Kishan, aqui os três estão juntos o tempo inteiro, o que só pode acabar gerando conflitos. E o livro fica dividido entre essas partes irritantes nas quais a personagem principal fica se remoendo com decisões e pensamentos - sim, a narrativa é em primeira pessoa, na voz da Kelsey - e as aventuras impressionantes. Continuo gostando de Kishan, mas está claro que a autora tem o seu preferido: Ren. E gostando mais de Kishan, essa parte romântica do livro me incomoda ainda mais, até porque poderia ter sido reduzida, mas não contente a autora passa 120 páginas tratando só sobre o relacionamento dos três. Ou os relacionamentos que há entre os três. Mas admito que me divirto com os atritos, e que a aventura se sobressai.

O que tiver que ser será. Todas as coisas neste Universo são conhecidas e, no entanto, os mortais ainda precisam descobrir seus propósitos, seu destino, e devem fazer escolhas que os levem ao caminho que desejam percorrer. p. 171

Uma coisa maravilhosa que há no livro é a cultura indiana e universal que a autora transmite ao leitor. Quando em busca da quebra da maldição, sobretudo pela tradução da profecia, Kelsey aprende bastante coisa sobre geografia, mito, culturas, comida, vestuário, enfim... É muito bacana ter contato com uma cultura tão diferente da nossa (e com a qual temos pouco contato, devo dizer), como é a indiana. As descrições dos ambientes e das cidades são muito bacanas, também. A autora não deixa passar a oportunidade de explicar tudo o que Kelsey vivencia.

A viagem do tigre foi o melhor livro da série até o momento. Ele é muito melhor desenvolvido, tanto em termos de aventuras, como também em relação à temática (o sobrenatural e os mitos), aos personagens e ao desenvolvimento da quebra da maldição.


Clique aqui e veja também o post Quote da semana - A viagem do tigre.
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12.1.14

(Imagem: Aqui.)

A viagem do tigre é o terceiro volume da série As aventuras do tigre (A maldição do tigre e O resgate do tigre são os dois primeiros volumes) e as aventuras ficam cada vez melhores! A cada livro que passa a autora me surpreende ainda mais com a sua imaginação fértil e com a sua capacidade de me levar para lugares inimagináveis! Com certeza, esse é o melhor livro da saga até o momento...

Arrepender-se é se decepcionar consigo mesma e com suas escolhas. Os sábios veem a vida como um caminho de pedras que cruza um grande rio. Todo mundo deixa passar uma pedra de vez em quando. Ninguém é capaz de atravessar o rio sem se molhar. O sucesso é medido pela chegada ao outro lado, não pela lama nos seus sapatos. As pessoas que se arrependem são aquelas que não compreendem a razão da vida. Elas ficam tão desiludidas que param no meio do rio e não dão o próximo passo.

Achei essa passagem simplesmente sensacional. Não conseguimos atravessar um rio sem se molhar ou sem deixar passar uma pedra de vez em quando... A vida é repleta de sofrimentos, mas ao chegarmos do outro lado do rio sempre constatamos que aprendemos a nadar.

A Babi Lorentz criou o Quoting Book, um tumblr somente de quotes literárias. Ela me chamou para participar e é claro que eu não pude deixar de aceitar: amo compartilhar quotes (como essa própria coluna do blog já indica rs) Visitem o tumblr e curtam a página dele lá no Facebook. ;)

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9.1.14

Jogos Vorazes, escrito por Suzanne Collins.
Editora: Rocco
Páginas: 397
ISBN: 9788579800245
Após o fim da América do Norte, uma nova nação chamada Panem surge. Formada por doze distritos, é comandada com mão de ferro pela Capital. Uma das formas com que demonstram seu poder sobre o resto do carente país é com Jogos Vorazes, uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão, em que um garoto e uma garota de doze a dezoito anos de cada distrito são selecionados e obrigados a lutar até a morte! Para evitar que sua irmã seja a mais nova vítima do programa, Katniss se oferece para participar em seu lugar. Vinda do empobrecido distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Peeta, um garoto que ajudou sua família no passado, também foi selecionado. Caso vença, terá fama e fortuna. Se perder, morre. Mas para ganhar a competição, será preciso muito mais do que habilidade. Até onde Katniss estará disposta a ir para ser vitoriosa nos Jogos Vorazes?


Jogos Vorazes é uma distopia, ou seja, uma história narrada num futuro marcado por uma realidade opressiva e um governo controlador. Ambientalizada no que hoje é os Estados Unidos, a narração nos leva até o continente Panem, dividido por uma Capital e 13 distritos. Porém, o décimo terceiro distrito foi riscado do mapa há 74 anos por conta de uma rebelião fracassada, esmagada pela Capital e seu governo dominador. Por conta desses anos de guerra, a Capital criou os Jogos Vorazes... Todo ano seriam sorteados dois tributos (um masculino e outro feminino) de cada distrito para que matassem uns aos outros até sobrar um: o vitorioso. Como um símbolo do fracasso da rebelião, os Jogos Vorazes existem para entreter a população da Capital e, sobretudo, para demonstrar aos distritos quem é que detém o poder.

E é no caos do distrito 12 que mora Katniss Everdeen, uma garota de 16 anos que caça ilegalmente na floresta para fornecer comida à sua família depois que seu pai, um trabalhador das minas de carvão do distrito, morreu numa explosão quando ela tinha apenas 11 anos de idade. Sua maior preocupação já não era mais encontrar comida para sua mãe e sua irmã, mas sim a Colheita daquele ano. A Colheita é o dia em que os tributos são sorteados e vão para os Jogos. Seu nome já estava inscrito várias vezes (até porque você pode se inscrever mais de uma vez em troca de alimento), mas aquele era o primeiro ano de sua irmã menor Prim. E ela sabia o efeito que isso causava na menina: pânico.

Pois Prim é sorteada para ser o tributo feminino daquele ano e, num ato desesperado e espontâneo, Katniss se voluntaria no lugar da irmã. Ela iria para uma arena matar e ser morta... Em nome de que?



O grande mérito do livro é ter uma leitura fácil e envolvente, mas ao mesmo tempo tratar de um assunto tão tenso e reflexivo. A história realmente dá viés para várias discussões. O livro é para entreter, tem 400 páginas e mesmo assim pode ser lido em um dia. Mas o que ele conta ressoa de tal maneira na cabeça do leitor que não perde pontos por ser mais um best-seller no mercado literário e cinematográfico.

O mundo criado por Suzanne Collins e único. Tudo ali possui um motivo de ser e contribui para a história; nada é escrito em vão. Cada distrito é especializado num ramo: o 12 é das carvoarias, o 7 é da madeira, o 4 é da pescaria... E todos fornecem seu material para a Capital. Bacana perceber como é a dinâmica entre os distritos e a Capital, pois é parte da essência da história, e compreendê-la solucionará alguns pontos da trilogia. 

Os personagens são maravilhosamente bem construídos. Tanto psicologicamente, quanto visualmente. Como o livro é descritivo (sem nunca ser tedioso), o leitor é introduzido muito bem ao meio externo e ao interno: ao ambiente, ao funcionamento daquela sociedade e à cultura, ao psicológico dela.

Também há a parte em que os Jogos Vorazes são narrados. Metade do livro conta como Katniss chegou até a arena, explicando o processo pelo qual os tributos passam até enfim entrarem em ação: os treinamentos, o reconhecimento dos outros tributos, a formação de alianças e de patrocinadores, a descoberta de uma plano tático... E a outra metade conta como foi os Jogos Vorazes em si.

Quem narra é Katniss em primeira pessoa, o que poderia deturpar um pouco a visão de como os Jogos transcorrem. Porém, achei uma forma muito válida da autora passar como é o sentimento de sobrevivência, e também os pensamentos de alguém que é extremamente contra o sistema e contra a desnecessária brutalidade que envolve a realidade. Com um narrador imparcial, seria muito pouco provável que o livro transmitisse ao leitor a sua intenção, a sua mensagem.

Gosto muito do símbolo do tordo. Ele é uma variante do Gaio Tagarela, um bestante (animal artificial criado pela Capital, geralmente mortal) utilizado nos tempos da rebelião para transmitir as vozes dos rebeldes e, assim, a Capital ter acesso aos planos do adversário. Depois de sufocada a rebelião, os Gaios foram soltos na natureza e, para sobreviverem, cruzaram com outra espécie de pássaro, surgindo assim o tordo. Não possuindo mais a habilidade de transmitir vozes, os tordos conseguem reproduzir os sons de uma música/um assobio etc. Aqui na história ele transmite a mensagem de boas notícias, de sobrevivência: além de ser fruto da sobrevivência dos Gaios, ele também é utilizado pela Katniss para informar ao seu aliado que ela estava viva. Também há a personagem Rue que transmitia aos seus companheiros de trabalho o final do expediente (que consistia em horas e horas debaixo de um sol escaldante num pomar - o distrito 11 é especializado na agricultura).

Também acho válida a mensagem de superação. Somos acostumados a nos subestimar sempre que estamos diante de algum desafio que apresente um obstáculo maior. A Katniss enfrentava ali nos Jogos oponentes muito mais fortes e bem treinados, o que sempre repercutiu de uma forma negativa em seus pensamentos.

Já o romance não é tão desenvolvido nesse livro, pois a tática dentro dos Jogos impediu isso num primeiro momento, que é esse primeiro livro. Aqui desenvolve-se mais o romance entre Katniss e Gale (o melhor amigo dela), que particularmente acho sem graça. Prefiro mais o romance que depois será construído entre Katniss e Peeta (o outro tributo do distrito 12), apesar de nesse primeiro livro ter alguns momentos bregas com estes dois (e esse é o motivo de eu tirar 0,5 pontinho da nota do livro). Mas fora isso, não tenho nenhuma ressalva para fazer contra a história.

Eu amei esse livro (apesar de Em Chamas, o segundo dessa trilogia, ser o meu preferido), e é muito difícil escrever sobre um livro tão diferente e bom. 

Fiz um vídeo-resenha do livro onde talvez eu explique melhor a história e os motivos de eu gostar dela :)

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