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Ensaio sobre a cegueira Saramago

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Uma duas Eliane Brum

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ao farol virgínia woolf

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mulheres de cinzas mia couto

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Extraordinário Luandino Vieira

resenha 6

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Luuanda Luandino Vieira
31.12.13

Peter Pan, escrito por James M. Barrie.
Editora: Zahar
Páginas: 253
ISBN: 9788537811535
Livro cedido pela editora em parceria com o blog.
"Todas as crianças crescem, menos uma."
Como pó de fada, há cem anos estas palavras transportam os leitores para um mundo mágico, povoado pela família Darling e pelos habitantes da Terra do Nunca - Peter Pan, os meninos perdidos, Sininho, crocodilos, sereias, o Capitão Gancho e seus piratas...
Um dos mais populares clássicos infantis, Peter Pan é uma história que, como Alice no País das Maravilhas, une gerações, contagiando também adultos com sua energia, imaginação e um enredo que permite diversos níveis de interpretação.

Sobre o que se trata?

Peter Pan conta as aventuras dos irmãos Wendy, João e Miguel na ilha da Terra do Nunca. Numa noite, ao voltarem de um jantar na casa de um vizinho, o sr. e a sra. Darling se deparam com o quarto das crianças vazio. A sra. Darling já sabia o que acontecera: Peter Pan voltara para buscar a sua sombra e acabou levando as crianças embora. De fato, Wendy acordou com o choro de Peter em seu quarto. Descobriu que ele estava triste por não conseguir ter de volta a sua sombra (ele tentara grudá-la em seus pés com sabonete). Depois de ajudá-lo costurando a sombra à seus pés, Wendy é convencida por Peter a viajar com ele até a Terra do Nunca, pois ele lhe prometera fadas, sereias e muitas aventuras. Só que, além de sua companhia, Peter estava interessado em suas histórias e em seu papel como mãe. Pois ele faz parte dos Meninos Perdidos, garotos pequenos sem mãe nem pai. E o sonho dos meninos era ter uma mãe que cuidasse deles, contasse histórias e os pusesse na cama antes de dormir.

Persuadida por Peter, Wendy acorda seus irmãos e, depois de aprenderem a voar com o pó de Sininho, a fada amiga de Peter Pan, os três partem para a Terra do Nunca. Depois de dias e de muitas aventuras em pleno voo, eles alcançam a ilha e, a partir daí, passam a conviver com os seres que lá habitam: Meninos Perdidos, animais selvagens (inclusive um crocodilo que engoliu um relógio e que por onde ele passa dá para se ouvir um "tique-taque"), índios peles-vermelhas e, é claro, os piratas. Numa trama repleta de intrigas e alianças, esses grupos vivem se metendo em aventuras e confusões, sempre existindo uma briga na qual os Meninos Perdidos se metem.

Minhas impressões

Este livro foi uma das maiores alegrias de meu ano literário. Ele me proporcionou muitas alegrias e muitos momentos agradáveis. Eu simplesmente voltei a ter cinco anos de idade, quando eu assistia repetidamente Peter Pan, o filme da Disney. Com uma história muito parecida com a do filme, o livro ainda me explicou alguns porquês do mundo fantasioso criado por Barrie: como, por exemplo, originam-se fadas (quando um bebê dá o seu primeiro riso, uma fada nasce). As aventuras me envolveram de tal maneira que li esse livro num dia só e com um sorriso o tempo todo no rosto.

Uma das surpresas que tive ao ler o livro é perceber que os personagens são muito bem construídos. Cada um tem a sua personalidade e o seu papel na história (mesmo que secundário). Peter Pan é um garoto bem peculiar, com sua dualidade explícita: ora bom, ora traiçoeiro. Talvez isso aproxime ainda mais o leitor do personagem, mesmo com todos os defeitos dessa criança. A vontade que tive era de sacudi-lo e tentar incutir algum juízo em sua cabeça. Ao mesmo tempo, sua lealdade aos Meninos Perdidos e à Wendy me cativava cada vez mais. Ainda, o mais bacana é perceber que Peter Pan personifica o ponto principal trabalhado no livro: a pureza da infância. Sendo avesso a qualquer assunto ou aspecto da vida de adulto, o personagem não quer nunca crescer. Lembrei bastante do personagem Holden Caulfield de O apanhador no campo de centeio, pois este também não queria virar adulto e perder as suas qualidades. Essa é uma temática muito trabalhada como tenho percebido.

Eu não poderia deixar de citar a Naná, a cachorra-babá das crianças, que faz o livro ficar ainda mais fofo: ela é super protetora e amorosa. Cada um dos Meninos Perdidos conquistou um lugarzinho em meu coração; não tem como não amá-los. Já os piratas, bem caracterizados, possuem uma aura hilária que permeia todas as passagens onde aparecem: tive a impressão de ser proposital, conferindo às partes mais "medonhas" (os piratas são acompanhados por uma névoa funesta) um toque de humor (principalmente quando o Capitão Gancho, símbolo extremo do que poderia representar o medo, morre de medo do crocodilo que vive em seu encalço). Além disso, Wendy é ingênua, prestativa e carinhosa. Não tem como não se apegar aos personagens.

Creio que o contraste entre infância e a maturidade tenha sido trabalhada também na vida paradoxal dos personagens: enquanto Peter não sabia o que era um beijo (numa confusa tentativa de lhe ensinar o que é, Wendy acaba concordando que um botão se chama beijo e um beijo se chama dedal), demonstrando sua ingenuidade, suas maiores aventuras são marcadas por matanças. Enquanto ele possui a delicadeza de uma criança, possui a frieza de um adulto, também. 

Peter Pan é um livro que indico para qualquer pessoa, de qualquer idade. Ele é, sim, escrito para crianças. E apesar de ser um livro fiel ao público-alvo (ao invés do que O senhor dos anéis proporciona, por exemplo, também escrito para crianças - já que é uma leitura difícil e possivelmente uma criança não a faria sozinha), é uma boa leitura para os adultos, pois só um poderá enxergar algumas características e críticas inseridos na história (como a crítica à sociedade da época, que aparece geralmente associada aos pais de Wendy).

Outra característica bacana que percebi, e desta vez associada à tradução, são as músicas presentes no livro que mantiveram, aos meus olhos, ritmo e rimas. Sei que é trabalhoso traduzir e ainda assim perder pouco da essência de um poema/música, por isso estou citando isso, pois ganhou pontos comigo.


Também fiz um vídeo-resenha do livro lá no canal do blog no Youtube, se quiser assistir:


E participe do sorteio que está rolando aqui no blog. Será sorteado um exemplar de Peter Pan + alguns marcadores variados. Clique aqui para saber como participar!
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29.12.13


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Qualquer dúvida, mande um e-mail para blogliterature-se@hotmail.com
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27.12.13

Quem é você, Alasca?, escrito por John Green.
Editora: wmfmartinsfontes
Páginas: 228
ISBN: 9788578273422
Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras que, cansado de sua vidinha pacata e sem graça em casa, vai estudar num colégio interno à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o "Grande Talvez". Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young, uma garota inteligente, espirituosa, problemática e extremamente sensual, que o levará para o seu labirinto e o catapultará em direção ao "Grande Talvez".
Quem é Você, Alasca? - O Primeiro Amigo, a Primeira Garota, as Últimas Palavras - John Green


Miles é um adolescente de vida pacata e entediante. Um nerd em sua pior concepção: sem amigos e sem vida social alguma. Mas ele possui um gosto muito incomum por biografias (de autores, por exemplo, mesmo que nunca tenha lido nenhuma obra deles), sobretudo pelas últimas palavras ditas por famosos. Quando ele se depara com as últimas palavras do poeta François Rabelais ("Saio em busca de um Grande Talvez") , ele decide que é hora dele mesmo partir em busca de seu "Grande Talvez". Então escolhe estudar em Culver Creek, um internato que seu pai havia frequentado.

Lá, ele conhece o Coronel (quase todos nessa turma têm um codinome, inclusive ele - Gordo, uma ironia de Coronel, já que Miles é magricela e alto), o Takumi, a Alasca e outras pessoas peculiares, cada qual com sua personalidade e seus gostos (que são mais realçados quando se vive num internato, sempre a alguns quartos de distância - ou a uma puladinha da janela, diria Alasca.) Só que Alasca é uma pessoa diferente aos olhos de Miles: impulsiva, carismática, misteriosa e totalmente envolvente. Ele desenvolve um amor platônico (já que ela possui um namorado, de quem gosta) que, aos poucos, torna-se cada vez menos implícito. Enquanto isso, a amizade do grupo cria laços inimagináveis, principalmente quando era preciso se reunir para beber, fumar ou... Criar trotes. Juntos, tinham como diversão os trotes bem planejados, tendo como vítimas os calouros e, sobretudo, o diretor (codinome: Águia.)

Numa rotina rígida e repleta de estudos, Miles desenvolve um gosto especial pelas aulas de Religião com o Velho, um senhor que, dizem por aí, possui apenas um pulmão e pode morrer a qualquer momento. Nessas aulas, o garoto passa a refletir mais sobre a vida e sobre as questões que afligem a humanidade.

Porém, algo inesperado acontece na rotina dos jovens de Culver Creek. Algo que, sob o olhar de alguém de fora, era apenas algo infeliz e acidental. Mas que para Miles e sua turma era algo envolto em mistérios e fatos inexplicados

Nota: 4 de 10

Como digo, eu fui com sede ao pote... E isso foi o início dos porquês de eu ter me decepcionado tanto com este livro a ponto de tê-lo na minha (curta) lista de livros que não gostei de ler em 2013. Eu estava esperando muito da história, das personagens, da escrita do John Green. Estava esperando me envolver com o livro. E apenas a vontade de saber o que iria acontecer é que me fez continuar a ler. De resto, eu poderia simplesmente largá-lo sem piedade.

Isso porque eu não me conectei ao enredo. As personagens são extremamente irritantes, não cativantes e incrivelmente irresponsáveis (tudo bem que adolescentes são irresponsáveis, mas nem tanto né, John Green - e, aliás, nem todos com essa intensidade.) Miles é odiosamente maleável e influenciável. Nas raras vezes em que ele fazia o que ele queria, e não o que os outros pediam/mandavam, eu me surpreendia. E só consigo me lembrar de uma parte no final do livro, só umazinha, e ainda acho que ele seria burro caso não buscasse sua voz ativa naquele momento. Além disso, ele é extremamente negativo e "deixa estar" - daqueles que se contentam com o que têm. Não vi progresso nele, talvez um pouco com o que acabou por acontecer, mesmo assim eu ainda enxergava o Miles de antes ali. Alasca já é algo ainda mais à parte: a pior personagem com a qual já tive contato. E não adianta ela ter sido razoavelmente bem construída, pois duvido que a intenção do John Green era criar uma personagem tão odiável assim. De tão instável e maluca, chego a ter minhas dúvidas: será que ela sofria de bipolaridade e até mesmo o autor não se tocou disso? Apesar dela ter seus questionamentos, de ter sofrido muito na vida, não creio que uma pessoa tenha que ter essa carga emocional toda como um fardo, assim como Alasca. Quem sou eu para julgar sofrimento alheio, mas a menina vivia atormentada pelo passado, e não demonstrava ter perseverança numa saída para isso.

E é aí que entra a parte filosófica. Creio que o autor criou Alasca tendo-a como um artifício para temas filosóficos no livro, para poder transmitir certas lições de vida ao seu público alvo, os adolescentes. Porém, apesar dela encarnar a busca pela saída do Labirinto ("como sairei deste labirinto?", últimas palavras de Simon Bolívar segundo o livro O General no seu labirinto, de Gabriel García Márquez, que é o preferido de Alasca - o labirinto é: o sofrimento, a vida ou a morte?), a personagem e os acontecimentos não se conectaram para me convencer: entendo que o grande acontecimento seria uma espécie de resposta à pergunta sobre a essência do labirinto, um artifício do autor. Porém não me agradou, não me convenceu.

Passamos a vida inteira no labirinto, perdidos, pensando em como um dia conseguiremos escapar e em quanto será legal. Imaginar esse futuro é o que nos impulsiona para a frente, mas nunca fazemos nada. Simplesmente usamos o futuro para escapar do presente. p.56

O Grande Talvez de Miles, que aqui traduzi como uma busca por uma vida mais significativa e vivaz, apesar de esbarrar com o Labirinto de Alasca, perde-se no transcorrer da história. Penso que o autor poderia ter trabalhado melhor com esta questão. 

O grande "clímax" para todas estas questões filosóficas culmina numa aula do Velho, talvez a melhor parte do livro. Há a exposição de passagens contendo algumas lições, e achei algumas muito boas, porém como sendo isoladas. E, provavelmente, essa característica filosófica do livro seja a única que o salva - e creio que muita gente que o leu e gostou pelo menos um pouco tenha que concordar comigo quanto a esta parte valer a pena a leitura do livro (não digo concordar comigo quanto a esta parte ser a única que faça valer a leitura.)

Também encontrei problemas com a segunda parte do livro. Dividido em "antes" e "depois" do grande acontecimento, Quem é você, Alasca? peca por repetição, pela monotonia e pela circularidade da segunda parte. Tentando desvendar os mistérios que cercam o grande acontecimento, a turma de Miles quase nada fez durante mais de 100 páginas. Uma enrolação que me deixou cansada. Ainda mais porque descobrir o grande acontecimento era a única coisa que me fazia continuar com a leitura. Depois de descobri-la, fiquei curiosa quanto ao que eles descobririam a respeito dos mistérios, porém várias vezes me passou pela cabeça desistir e perguntar para alguém.

Sei que muitos amam esse livro, e respeito a opinião de todos - os adoradores, os indiferentes e os odiadores (e peço respeito quanto à minha opinião também). Porém, infelizmente, John Green ainda não me conquistou. Tenho os outros livros dele aqui para serem lidos, e com certeza os lerei, principalmente ACEDE, porém não sei com que ânimo ou quando o farei.

Também gravei um vídeo-resenha para o livro :) Assistam, curtam o vídeo se gostarem e se inscrevam no canal! ♥♥

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24.12.13

Anjos à mesa, escrito pela autora Debbie Macomber.
Editora: Novo Conceito
Páginas: 222
ISBN: 9788581633411

Shirley, Goodness e Mercy sabem que o trabalho de um anjo é interminável — especialmente na véspera do Ano-novo. Ao lado de seu novo aprendiz, o anjo Will, elas se preparam para entrar em ação na festa de fim de ano da Times Square. Quando Will identifica dois solitários no meio da multidão, ele decide que a meia-noite será o momento perfeito para dar aquele empurrãozinho divino de que eles precisam para acabar com a solidão. Então, por “acidente”, Lucie Ferrara e Aren Fairchild esbarram-se no meio da alegria da festa, mas, assim como se aproximam, acabam se perdendo: um encontro marcado que não acontece os afasta pelo resto da vida. Ou será que não? Um ano depois, Lucie é a chef de um novo e aclamado restaurante, e Aren é um colunista de sucesso em um grande jornal de Nova York. Durante todo o ano que passou, os dois não se esqueceram daquela noite. Shirley, Goodness, Mercy e Will também não se esqueceram do casal... Para uni-los novamente, os anjos vão usar uma receita antiga e certeira: amor verdadeiro mais uma segunda chance (e uma boa dose de confusão), para criar um inesquecível milagre de Natal. [Fonte]


Anjos à mesa conta a história de três anjas Embaixadoras de Oração e um aprendiz delas. Proibidos de irem para a Terra e, ainda mais, de interferirem na vida dos humanos, os anjos possuem a mensagem clara de que não devem pisar na Terra. Mas o que acontece quando um deles é fascinado por tudo o que é humano? Mais ainda: o que acontece quando três deles são encantados pela Terra? 

Acontece que eles (elas, no caso) acabam visitando a Terra bem na virada do ano na Times Square, um dos lugares mais lotados nessa época. O porém é que elas levam consigo o aprendiz, que acaba esbarrando numa humana, fazendo com que esta conheça um humano, ambos perdidos ali, no meio da confusão da virada do ano. 

Lucie é uma chef muito talentosa que está batalhando para abrir o seu próprio restaurante. Tendo sua mãe como financiadora do projeto, ela não quer que nada dê errado, quer que tudo esteja certo para a inauguração do restaurante. Assim ela realizaria seu sonho e ainda por cima orgulharia sua mãe e não a faria perder dinheiro.

Já Aren acabou de se mudar para Nova York para trabalhar como colunista num dos maiores jornais da cidade. Ainda morando com a irmã, ele aguarda por notícias (boas ou ruins) do possível novo trabalho.

Os dois se esbarram no ano novo. E ambos se perderam de suas companhias. E sentem um atração tremenda, que acaba por render-lhes um beijo instantes depois da contagem regressiva para o novo ano. Depois disso, vão para um bar-café e passam horas conversando, até que Lucie diz que precisa ir embora, pois estava tarde e tinha muito trabalho para ser feito dali a algumas horas. Aren pede para vê-la de novo, mas Lucie, compenetrada em seu trabalho (e sabendo que mal teria tempo para um novo namorado em sua vida tomada pelo restaurante), tenta explicar para ele que aquela não era uma boa hora para os dois começarem a se relacionar. Aren até compreende, mas dá a Lucie uma chance para pensar. Marca um encontro no topo de Empire State Building para dali uma semana, onde estaria esperando por ela. Por uma resposta dela.

Voltando para os anjos, Gabriel, o superior deles, descobre o que fizeram e explica que Lucie e Aren iriam se encontrar apenas dali a um ano. Que não estava nos planos os dois se encontrarem naquele momento. E que Will, o aprendiz, interferira na vida dos dois, no destino dos dois. E, agora, eles teriam que vigiar e concertar o que fizeram, pois o encontro antecipado dos dois teria consequências não planejadas, também.

Com muitos desencontros e alguma tristeza, os dois só se reencontrariam perto do natal, depois de meses. E em meio a confusões provocadas pelos anjos, os dois terão que aprender muita coisa para poderem se conhecer melhor.


Penso no livro e a primeira coisa que me vem à cabeça é um romance muito açucarado e clichê. Porém, ainda assim consegue ser diferente dos romances costumeiros. Utilizando a temática angelical (e aqui algo bem diferente da modinha de anjos dos livros sobrenaturais - afinal, esses anjos não podem ser vistos pela maioria dos humanos, possuem asas e, enfim, vivem no céu, não tendo livre permissão para pisar na Terra), a autora consegue criar uma história com dois ambientes: a perspectiva dos humanos Lucie e Aren, e a perspectiva dos anjos. E ambos têm traços únicos e cativantes.

Os personagens foram bem trabalhados no livro, e esse é um dos pontos principais. Apesar de não conseguir dizer se a Lucie é loira ou ruiva, sei muito bem quais são os seus sonhos e a sua personalidade. A autora trabalha com sentimentos e sonhos, deixando de lado a aparência. Gostei muito do vínculo que Aren apresenta com a sua irmã, uma relação muito bonita e encantadora. Assim como me apaixonei pela mãe de Lucie, uma mulher forte e admirável. E tanto Lucie quanto Aren são personagens reais, não são daqueles que estragam tudo por pouco pensar no parceiro. São maduros e, desse modo, conquistam o leitor.

O livro apresenta um clima bem natalino, combinado à escrita fluída e gostosa. Apesar do clichê (e da irrealidade presente na cena do primeiro beijo), em momento algum fiquei cansada do livro ou deixei de me entreter com a história. E ele consegue, sim, nos transmitir mensagens muito bonitas: sobre natal, sobre família, amor e altruísmo.

É, com certeza, uma boa leitura para o natal (até porque eu li em poucas horas, então dá tranquilamente para ler nessa época e se engajar na leitura e no clima natalino/festivo.)


Desejo a todos os leitores do Literature-se um natal repleto de felicidade, amor, paz e saúde, muita saúde!
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22.12.13

Imagem: aqui.

 O mistério me entedia. Dá trabalho. Sei o que acontece, e você também. As maquinações que nos levam até lá é que me irritam, me deixam perplexa, me interessam e me estarrecem.

Eu também poderia dar o título de "Sobre o que penso de spoilers" para essa postagem, pois me surpreendi enquanto lia essa passagem e a Morte (sim, a narradora do livro, para quem ainda não sabe) me proporcionava, em poucas palavras, o porquê de eu não ligar para spoilers na maioria das vezes. Uma grande maioria não gosta deles, e os abomina (tanto é que muitas pessoas comentam nos meus vídeos lá no Youtube dizendo que solto spoilers), mas particularmente devo ser uma das poucas que não dá a mínima para saber do desenvolver da história. Eu sempre pensei que a forma como isso é construído é que realmente importa. O processo de escrita e de formação, como uma "química literária": me conquistando ou não. E isso só vou conseguir saber, não importa o quanto as pessoas tentem me influenciar, lendo. Entrando em contato com a escrita do autor.

Não que o mistério me entedie. Eu até me envolvo quando não sei nada sobre a história. Só que muitas vezes eu comecei a ler um livro porque queria saber como o autor chegaria até aquilo que alguém me contou da história. 

Eu gosto de descobrir o que a pessoa tem a me dizer, mas sobretudo gosto de perceber os artifícios escolhidos por ela. E isso ninguém poderá transformar num spoiler. Nunca. E é aí que está a grande graça de uma obra.

Claro que é somente a minha opinião. E um modo que achei para explicá-la. A menina que roubava livros está sendo uma leitura muito agradável e surpreendente. Posso dizer que estou aprendendo muito com o que a Morte está me narrando, que fui uma burra por ter adiado tanto essa leitura e que esse livro aparecerá e muito nesta coluna.

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19.12.13

Imagem: aqui.

Minha história com Nárnia com a leitura de As Crônicas de Nárnia é um tanto quanto vergonhosa. Na época em que ganhei o meu volume lindíssimo da série (que vou mostrar no vídeo abaixo para vocês), fazia um ano ou dois que o filme tinha estreado nos cinemas. E eu era encantada pela história. Nesse contexto, ganhei o livro, mas sete anos se passaram e só tentei ler uma vez. Eu não havia gostado da experiência inicial. Talvez por não saber nada a respeito do livro e, portanto, não estar preparada. Ou porque esperava algo dele e, quando comecei a ler, descobri que era uma coisa diferente. Estou me referindo basicamente à escrita (que é para crianças) e ao início do livro. Para quem é da época de O leão, a feiticeira e o guarda-roupa (filme, digo), possivelmente ficará irritado com o primeiro livro da sequência cronológica, O sobrinho do mago. Bom, pelo menos até entender que ele é necessário para te explicar a origem de Nárnia - e isso é demais (até porque foi escrito depois de O leão, a feiticeira e o guarda-roupa)! Mas me deem uma chance, até o Lewis publicou primeiro O leão, a feiticeira e o guarda-roupa, como querem que uma criança sedenta não vá direto ao pote? 

Mas enfim, fiquei sete anos com essa belezinha na estante e só fui começar a ler em novembro desse ano. E digo que me arrependo tremendamente de não ter começado antes. Porque Nárnia só consegue me cativar cada vez mais!

Quando vi que a Pam do Garota It começou a ler e a publicar vídeos de cada livro que ela ia lendo, isso me acendeu uma lampadazinha dentro da cabeça. Junto do fato de que ela me instigou a ler o livro, veio a ideia da série Lendo As Crônicas de Nárnia. Tentei entrar em contato, mas ela não me retornou. O que vi é que ela deixou os leitores fazerem vídeos para essa série, também. E cá estou eu, inciando a série aqui no blog, depois de ler os três primeiros livros. (Vejam aqui, aqui e aqui os vídeos que ela fez para a série.)

Há meses um leitor do blog pediu para que eu fizesse um vídeo só para mostrar como é a minha edição de As Crônicas de Nárnia. Na época eu tentei fazer, mas não gostei do resultado. E ele acabou comprando um exemplar logo depois que me pediu, então achei que poderia deixar o vídeo para mais tarde. Como a edição é incrível (é o meu xodó), nada mais justo do que começar a série explicando-a e mostrando os detalhes do meu livro.

Então ficará combinado o seguinte: em cada vídeo da série irei contar a história de um dos livros, a partir da sequência cronológica da história, ok? Então, sim, irei contar o máximo que puder de cada livro, portanto terá spoilers. Acho um pouco sem graça fazer uma resenha de um livro de 60 páginas, até porque eu não conseguiria fazer vídeos simplesmente falando quase nada da história. Vocês, inimigos eternos dos spoilers, pensem em como o que importa aqui é saber dos detalhes da narrativa e da escrita. Ou simplesmente pulem a parte da história no vídeo rs E, claro, quero gravar esses vídeos como recordação da história, já que pretendo relê-la somente para meus filhos, daqui a dez anos ou mais rs

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17.12.13

Imagem: aqui.

Sempre quis ler os livros das irmãs Brontë, inclusive O morro dos ventos uivantes está na minha lista de Metas literárias para 2014. E Jane Eyre só vem despertando o meu interesse depois que vi essa resenha da Michas lá no youtube. Agora, depois de ler esse pequeno trecho abaixo, minha vontade de lê-las se tornou maior ainda... E quem sabe eu não leio as duas - ao invés de somente uma - no ano que vem?


Este é o cômodo em Haworth Parsonage, conhecidode diversas formas: como a sala de jantar, o quarto de desenho ou o gabinete, no qual as irmãs Brontë escreviam e discutiam seus trabalhos entre si. Quando a romancista Elizabeth Gaskell, amiga de Charlotte e futura biógrafa, o visitou pela primeira vez em setembro de 1853, ela se chocou com a esquisita limpeza e asseio. Contrastando com "cores frias e sem vida" dos campos inférteis de Yorkshire, "o cômodo era a perfeição de calor, de acolhimento e de conforto, o vermelho escarlate predominando na mobília".

Apesar de ter publicado Jane Eyre, Shirley e Villette sob pseudônimo, Charlotte tinha, já naquela época, se tornado uma - um tanto relutante - celebridade literária. Gaskell notou o retrato de Charlotte acima da lareira, encomendado por sua editora do artista da moda George Richmond. A experiência de se sentar para isso foi um desafio para a insegura Charlotte, a qual desabou em lágrimas quando o artista lhe pediu para que removesse algo estranho do topo de sua cabeça (ele pensou que se tratava de algo do seu chapéu, mas possivelmente, e isso era ainda mais embaraçosso, era uma infeliz peruca.) Richmond, no entando, captou o brilho nos olhos de Charlotte, mesmo ele se lisonjeando e convencionalizando o resto do rosto dela, o qual Gaskell encontrou liso, faltando dentes e com características irregulares.

Apesar do conforto do ambiente, ele retém uma aura de melancolia. As irmãs de Charlotte, Emily e Anne, morreram em 1848 e 1849 - dizem que Emily morreu no sofá deste cômodo - e o espaço parece ressoar uma sensação de perda. Depois de Gaskell ter se retirado para a cama no quarto diretamente abaixo, ela pode ouvir os passos de Charlotte no gabinete. O serviçal lhe disse o quanto as três irmãs costumavam andar em volta da mesa enquanto elas conversavam noite adentro: "A senhorita Emily andava o quanto ela podia, e quando ela morreu as senhoritas Anne e Charlotte passaram a fazê-lo - agora meu coração sofre ao ouvir Charlotte andar e andar sozinha".


Para ler mais posts dessa coluna, clique aqui.
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15.12.13

Meme criado pela Tamara do blog True Luv. (Imagem: aqui.)
Ando em dívida com o blog. Recentemente descobri que não fiz resenha escrita de vários livros, inclusive O grande Gatsby, o melhor livro que li esse ano (até o momento.) E com O projeto Rosie não é diferente, eu só fiz vídeo-resenha e aqui no blog nada dele aparecer :( Mas prometo que ainda resenho esses livros por aqui...

O projeto Rosie é simplesmente o chick-lit que mais gostei de ler esse ano. Amável e peculiar, o enredo conta a história de um professor geneticista portador da síndrome de Asperger (o que faz dele um projeto de Sheldon Cooper, do Big Bang Theory) que decide que já está na hora dele encontrar uma esposa. E é aí que entra Rosie na cena, que ele pensa ser uma possível candidata ao cargo de esposa (porque, sim, o Don possui o hábito de fazer planilhas, projetos e questionários, inclusive para encontrar a parceira ideal.) Porém, ela se revela o oposto de Don e de suas exigências quanto às mulheres; ela bebe, fuma, não tem um emprego bom... Só que Don acaba se apegando a Rosie, sobretudo ao tentar ajudá-la na procura do seu pai biológico.

- Sua aparência deveria ser irrelevante para a opinião do seu parceiro sobre você.
- A vida é cheia de "deveria" - disse Rosie. - O geneticista é você. Todo mundo repara na aparência das pessoas, até você.
- Verdade, mas não deixo isso afetar minha opinião sobre elas.

Inerente à questão de o quanto a beleza nos influencia, o ser humano se importa, sim, com a aparência física. O mais bacana dessa quote é perceber que o Don é uma pessoa "pé no chão" e doce. Sim, doce. Don é complicado, cheio de manias e, sim, autista, só que também é carismático, compreensível e honesto. Ele concorda: ele repara na aparência das pessoas. Como é a regra para qualquer outra pessoa (não negue.) Só que ele não se deixa levar somente por isso. Não é, e não deveria ser, um dos principais pontos para se analisar uma pessoa. Mas a vida é repleta de "deveria", como disse Rosie... E o comum não segue o pensamento de Don: as pessoas julgam pela aparência.

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10.12.13

As aventuras de Alice no país das maravilhas & Através do espelho e o que Alice encontrou por lá.
Editora: Zahar
Páginas: 320
ISBN: 9788537801727
"Alice's Adventures in Wonderland" (frequentemente abreviado para "Alice in Wonderland") é a obra mais conhecida de Lewis Carroll (1832-1898), sendo considerada obra clássica da literatura inglesa. O livro conta a história de uma menina chamada Alice que cai em uma toca de coelho e vai parar num lugar fantástico povoado por criaturas peculiares e antropomórficas.
O livro faz brincadeiras e enigmas lógicos, o que contribuiu para sua popularidade. Carroll também faz alusões a poemas da era vitoriana e a alguns de seus conhecidos, o que torna a obra mais difícil de ser compreendida por leitores contemporâneos. É uma das obras escritas da literatura inglesa que tiveram mais adaptações na história do cinema, TV e teatro. [Fonte]

Sobre o que se trata?

Em Aventuras de Alice no país das maravilhas, Alice estava deitava na grama com a irmã num dia ensolarado quando um coelho branco passa por ela muito apressado, alegando estar atrasado para algum compromisso. Até aí ela não se intrigou com o fato do coelho branco falar, só ficou curiosa a ponto de segui-lo quando ele tirou um relógio de dentro de seu bolso. Mas coelhos brancos andam com relógios? (mas coelhos brancos falam?)

Ao segui-lo, ela cai em um buraco, sob uma queda lenta e segura. Chegando no chão, percebe-se num salão redondo e cheio de portas. O porém é que nenhuma estava aberta, até mesmo uma minúscula, pela qual só pode espiar pela fechadura com um dos olhos e ver que, do outro lado, existia um jardim lindíssimo, o melhor jardim que ela já vira. Mas a porta também estava fechada, como chegar até o jardim?

Nisso ela notou uma chave em cima de uma mesa, e um frasco escrito "beba-me". Vendo que não se tratava de um veneno (pois seguramente não havia nada escrito sobre isso em seu rótulo), ela bebe todo o líquido do frasco e encolhe, podendo, assim, passar pela minúscula porta. Porém, ela olha para cima e percebe que esqueceu a chave da portinhola sobre a mesa, inalcançável, portanto, no seu tamanho atual. Numa situação em que Alice crescia e diminuía quando mudava seu objeto de desejo, o leitor se depara com, possivelmente, a primeira grande metáfora, aqui interpretada pelo dilema do adolescente (ser grande demais ou pequeno demais para determinada coisa?)

Depois de alcançar o jardim é que Alice realmente começa a tomar conhecimento dos indivíduos que habitam aquele país, e dos lugares que há por lá. Como o Rato e as Aves que ela amedrontou por contar histórias de sua gatinha Dinah; Bill, um Lagarto que sempre servia para receber ordens (ou para perder seu giz e tentar desenhar com o dedo numa lousa); uma Lagarta fumando narguilé que dá conselhos e trava conversas muito perturbadoras; o chá perpétuo na casa da Lebre de Março, acompanhada do Chapeleiro Maluco e do Caxinguelê dorminhoco; a Rainha de Copas injusta e cruel, sempre mandando cortar a cabeça de qualquer um e por qualquer motivo.

Já em Através do espelho e o que Alice encontrou por lá, Alice está sentada numa grande poltrona brincando com uma dos filhotinhos de Dinah, sua gatinha. Ao ver o grande espelho que cobria a parede em cima da lareira, ela o atravessa e vai parar num mundo fantasioso onde tudo é permeado pela reflexão do espelho e por regras e peças do jogo de xadrez

Depois que conversar com flores que falam, tenta, em vão, alcançar uma colina, para assim ter uma visão panorâmica de onde está. Só que, até encontrar a Rainha Vermelha, ela anda em vão e, todos os caminhos que pega que vão em direção àquele lugar, acaba voltando à casa do jardim de flores falantes. Depois de se apresentar à Rainha Vermelha, esta a ajuda, levando-a até o topo daquele morro. Lá, Alice percebe que onde estava se trata de um terreno demarcado como um tabuleiro de xadrez.

Passando por provações mascaradas pelas jogadas de xadrez (ela deveria avançar as casas até chegar no seu destino - por exemplo, sempre é bom começar a jogar avançando duas casas, e foi o que ela fez), ela conhece criaturas muito esquisitas, porém interessantes, e passa por situações das mais questionadoras (como as conversas mais loucas e as canções mais longas que ela já teve e ouviu), até chegar ao seu destino final (e ao seu grande desejo), que deixarei aqui como algo a ser descoberto por quem ainda não leu (Isso, vá ler...)

Minhas impressões

Considerada uma história nonsense, ou seja, sem sentido, Alice e Através do espelho contêm núcleos fantasiosos repletos de situações inusitadas e esquisitas. Cada núcleo consiste em personagens muito peculiares, cativantes (até os mais cruéis, como a Rainha de Copas) e interações divertidas entre a pequena Alice e o mundo paralelo criado por Lewis. Aliás, uma característica dos dois livros é utilizarem a literatura de travessia, na qual o autor utiliza artifícios como meio de ligação entre o nosso mundo real, e o imaginário (ou paralelo, fantasioso, como quiser - se você acredita que eles não sejam apenas fruto da imaginação), a exemplo do buraco pelo qual Alice cai e chega até o país das maravilhas (ou o guarda-roupa de Nárnia, se preferir.)

As histórias são curtas e fluídas, cativantes a ponto de você não querer desgrudar do livro. A escrita é simples (para crianças, e isso não significa que adultos não irão apreciar a leitura, pelo contrário - apenas um olho adulto consegue transpor a barreira das metáforas inseridas ali) e fácil de ser lida. 

Tive a sensação de ter experienciado um sonho, o mesmo sonho de Alice. O enredo é tão sem sentido e influente (você lê e crê, mesmo estranhando, e continua lendo - como num sonho) que depois de lido, tive a mesma impressão de quando acordo depois de sonhar: perdia a precisão dos acontecimentos, tinha que voltar para relembrar, não conseguia traçar uma linha unidirecional do contexto... E creio que fosse intenção do autor ao escrever estes livros.

O meu exemplar é a edição Bolso de Luxo da Zahar (com as ilustrações originais de John Tenniel - update): contém as duas histórias, tem capa dura, papel pólen soft amarelado e acabamento incrível.


Aproveitando a deixa para mostrar os livros que tenho da editora Zahar (nova parceira aqui do blog, melhor notícia do mês!!):
Alice no país das maravilhas & Através do espelho; Os três mosqueteiros; O conde de Monte Cristo e Contos de Fadas.

Também tem vídeo lá no canal do blog no Youtube. Aqui mostro os livros da editora que tenho e falo sobre o livro Alice & Através do espelho. Espero que gostem :)

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8.12.13

(Imagem: Aqui)
Já comentei aqui no blog (e também lá no canal) várias vezes que o meu livro preferido desse ano, até o momento, é O grande Gatsby, do Fitzgerald (vídeo-resenha aqui.) E seria impossível alcançar 2014 sem ter inserido esse livro aqui nesta tag.

Sua ilusão tinha-se projetado além dela, além de tudo. Ele lançara-se ao seu sonho com uma paixão criadora, acrescentando-lhe incessantemente alguma coisa, enfeitando-o com todas as vistosas plumagens com que deparava. Quantidade alguma de ardor ou de entusiasmo pode competir com aquilo que um homem pode armazenar em seu fantasmagórico coração.

Eu poderia até parar por aqui. Por um ponto final e somente isso.

Porque a quote fala por si própria. Porém, preciso dizer que, além dessa passagem explicitar um ponto importantíssimo para o enredo (o amor exagerado de Gatsby por Daisy), também proporciona ao leitor o quão poético é a junção da narração, da história e dos sentimentos envolvidos no livro. Para mim, não tem como analisar este livro separadamente. Seus elementos se complementam, configurando algo belo e repleto de lições de vida. Eu simplesmente amo esse livro e como ele foi construído! E vocês, já leram? Pretendem ler?

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4.12.13

O mundo de Sofia, escrito por Jostein Gaarder.

Editora: Companhia das letras
Páginas: 549
ISBN: 9788571644755
Cartas anônimas começam a chegar à caixa de correio da menina Sofia. Elas trazem perguntas sobre a existência e o entendimento da realidade. Por meio de um thriller emocionante, Gaarder conta a história da filosofia, dos pré-socráticos aos pós-modernos, de maneira acessível a todas as idades.

Sobre o que se trata?

Sofia Amundsen é uma norueguesa de apenas 14 anos. Na véspera de seu aniversário, ela começa a receber correspondências um tanto quanto estranhas: a partir de então ela passa a ter  lições de filosofia por cartas, vídeos, conversas e bilhetes. Mais tarde ela descobre que Alberto Knox, um senhor muito peculiar, é que é o autor de tal curso filosófico, e ele passa a ser o seu professor. Mas o mais estranho na vida de Sofia não é a existência de Alberto e do curso de filosofia, mas sim os cartões postais que começa a receber do Líbano, só que endereçados a uma certa Hilde Knag, pessoa totalmente desconhecida para Sofia. E tais cartões vão ficando, à medida que a leitura transcorre, cada vez mais misteriosos e curiosos: parece que todos têm uma conexão com Sofia, pois o remetente sempre citava a garota como sendo intermediária de tais correspondências...

Contando com um curso completo sobre a superfície da filosofia, Sofia aprende sobre os pensamentos da Antiguidade Clássica, da Idade Média, da época Moderna e da atualidade. Passa por Aristóteles, Santo Agostinho, Descartes, Kant, Marx e até Darwin!

E parece que esses dois núcleos se encaixam perfeitamente: a filosofia, que Sofia aprende com o passar dos dias, e o mistério acerca dos cartões postais. Mas como o Líbano pode estar associado à filosofia e à Sofia, sobretudo? 

Minha impressões

O mundo de Sofia me provocou sentimentos antagônicos: uma de suas partes, a filosofia, realmente cumpriu a sua proposta. A didática do autor é realmente muito boa, principalmente ao colocar uma matéria tão difícil (e até incompreensível) na perspectiva de aprendizado de uma garota e na forma de uma conversa "casual". Entre aspas porque aquilo tudo era premeditado por Alberto, porém foge dos habituais livros didáticos que amedrontam qualquer aluno.

Porém, a história secundária, a do mundo de Sofia, apesar de me prender pelo mistério até as últimas páginas (que é praticamente quando há uma revelação), não me cativou e muito menos me satisfez. Digo isso por dois motivos principais:

1: Eu não gostei do final. Esperava mais e algo um pouco mais racional. Sabe quando parece que o autor teve que correr com a explicação e, mais do que isso, inventar algo absurdo para poder encaixar? Não sei, possivelmente o final faça sentido para alguns, porém eu esperava algo muito mais genial e ligado à filosofia, como aconteceu com quase toda a história de Sofia durante o curso.

2: Percebi desde o começo que a química entre os diálogos de Sofia e de Alberto Knax é quase mínima. Parece mesmo que o autor escreveu primeiro o curso de filosofia, depois colocou na forma dos diálogos de Alberto e, finalmente, inseriu Sofia como interlocutora. Porém, tive a impressão de não haver tanta ligação entre a segunda parte (construção dos diálogos de Alberto a partir dos textos filosóficos) e a terceira (inserção da personagem Sofia entre os diálogos de Alberto): me sentia muito constrangida quando a Sofia falava/perguntava algo para Alberto e este não respondia, continuava falando sobre os pensamentos filosóficos. Realmente, parece uma relação mal trabalhada.

Mas o meu objetivo ao começar a ler esse livro era o de aprender filosofia acima de qualquer coisa. É claro que uma história envolvente e satisfatória teria feito eu gostar mais do livro como um todo. Entretanto, não fiquei tão decepcionada com ele, pois realmente me ensinou muita coisa e eu gostei da história secundária até as últimas páginas. Praticamente, somente o final é que estragou o livro. A premissa, no entanto, de um livro que ensine filosofia é cumprida com maestria e, se o leitor está mais interessado em aprender a matéria, sairá contente mesmo que não goste da história.

O que achei bacana é o fato de os sistemas filosóficos ficarem cada vez mais verossímeis e aceitáveis conforme são mais próximos do nosso tempo. Isso foi explicado logo depois que constatei, quando Sofia aprendeu sobre Hegel: o homem é fruto de seu tempo. Nossos pensamentos são impregnados pelo contexto histórico atual, por isso consideramos os pensamentos mais antigos absurdos (ou meramente rasos.)

Outra coisa muito interessante é a inserção (intertextualidade) de muitas outras personagens que conhecemos, como o Ursinho Pooh, a Alice no país das maravilhas, A Chapeuzinho Vermelho... A narrativa se tornou mais suave e engraçada.

Tenho esse livro há anos, comprei quando ainda existia Blockbuster aqui na minha cidade, então já se percebe que o livro ficou abandonado na prateleira por muitos anos. O porquê disso é pura e simplesmente a complexidade que ainda reside no fato de aprender filosofia, mesmo que sob uma forma mais cativante. Por conta desta dificuldade, comecei a ler o livro duas vezes quando mais nova e não consegui terminá-lo em ambas. Esse ano dei novamente mais uma chance em setembro, mas como o conteúdo ainda é maçante e reflexivo (no sentido de ter que parar de ler para poder pensar a respeito), li metade e parei, só terminando-o no mês passado, novembro. Então o que digo é, esteja preparado para uma leitura lenta, gradual, mas enriquecedora. Como diria Brás Cubas (personagem de Machado de Assis): "o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar".

Bônus: Leia o post que fiz sobre o livro: Quote da semana - O mundo de Sofia.
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2.12.13

Esse final de ano está repleto de muita alegria para os leitores: muitas novidades literárias incríveis. Lançamentos imperdíveis! Selecionei alguns, vamos dar uma olhada? (preparem-se que a lista é grande - isso porque são alguns das listas... No final do post você encontra as fontes)


                                                                                      

“O que sinto sobre a minha escrita, quero dizer, este livro? Deve-se escrever sobre um sentimento profundo, disse Dostoiévski. É o que eu faço? Ou invento a partir de palavras, amando-as como eu as amo? Não, não creio. Neste livro tenho ideias até demais. Quero apresentar a vida e a morte, a sanidade e a insanidade; quero criticar o sistema social.”
Virginia Woolf (1882-1941)
“Virginia Woolf lia Proust enquanto escrevia Ao Farol. Ela intitulou a segunda parte: ‘O Tempo Passa’. Para medir o tempo, precisava de um relógio; ela utilizou uma casa. Quem não viu, quem não sabe como envelhece uma moradia abandonada? E quando o tempo passa, a guerra mata um filho, uma filha morre no parto, mas o melhor dos contadores de tempo continua sendo a morada, muralhas inertes e móveis mudos, em face das terríveis correntes de ar e dos insistentes gotejamentos – verdadeira batalha entre duas forças vivas.”               Michel Serres


 
                                                                                                   


                         
                                                                                            

                                                                                                
                                  

                                                 
                                                                                        

                                                                                         


                                                                                        




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