20.11.13

O velho e o mar, de Ernest Hemingway

O velho e o mar, de Ernest Hemingway.
Editora: Bertrand Brasil
ISBN: 9788528607598
Páginas: 128
{Esta não foi a edição que li, pois a minha é antiga, comprada em sebos. A da Bertrand é a mais recente, pelo que conheço}
Há 84 dias que Santiago, um velho pescador, não apanhava um só peixe. Por isso já diziam que se tornara salao, ou seja, um azarento de pior espécie. O menino que o ajudava – e que o estimava – foi forçado pelos pais a trocar de barco. Mas Santiago é de rija têmpera, acredita em si mesmo, e parte sozinho para o mar alto, munido da certeza de que desta vez, será bem-sucedido no seu trabalho.
Esta é a história de um homem na solidão do alto-mar, com seus sonhos e pensamentos, com sua luta pela sobrevivência, com sua inabalável confiança na vida. Com esse fio de enredo – tenso fio como o que prende a ponta da linha o grande peixe que acaba de ser pescado – Ernest Hemingway arruma uma das mais belas obras da literatura contemporânea. 
O velho e o mar é um livro imortal, uma obra-prima do nosso tempo. [Fonte]


Sobre o que se trata

O velho e o mar narra um período da vida de um velho pescador cubano chamado Santiago. Sem pescar há quase três meses, o miserável pescador sonha todos os dias, antes de sair para mais um dia de pescarias (estas, ilusórias por um bom tempo - o que lhe agravava a situação financeira), em pescar um peixe grande, do tipo que já há muito tempo pescava; ele é um pescador que, não obstante a sua fama atual que indica mal agouro aos pescadores (imagine como é ficar apenas com prejuízos durante um quarto do ano em sua profissão), é conhecido por ser um grande conhecedor da pescaria e do mar. Assim, Santiago é respeitado por todos de sua vila.

Ele teve consigo durante muitos anos um jovem aprendiz, o qual ensinou a pescar desde muito pequeno. Manolim, o rapaz, é, no entanto, forçado pela família a procurar um outro emprego noutro barco de pescas para que pudesse realmente ajudar em casa financeiramente. E nisso Santiago fica sozinho, sem ajudantes ou parceiros de pescas.

Portanto, no octogésimo quinto dia sem pescar, ele parte para o mar sozinho e com uma esperança enorme de que naquele dia iria pescar um peixe grande. Pois ele tinha o dia 85 como um dia de sorte, principalmente baseado em baseball, seu esporte preferido. E, para mudar um pouco de hábitos (e ver se assim a sua sorte mudava junto), ele vai pescar numa área em que os pescadores não estavam acostumados a pescar.

E não é que ele pesca um peixe grande mesmo? 

Porém, mais do que isso, acima de qualquer expectativa sua, a força do peixe o espanta: não se tratava de um simples peixe grande... O peixe era gigantesco, enorme, maior até do que sua canoa de pescaria! Ele estava rebocando a canoa e o velho! 

Surpreendido, Santiago passa a enfrentar dificuldades e mais dificuldades para conseguir enfrentá-lo. Passa dias e noites esperando que o peixe se canse e venha à tona para podê-lo, enfim, matá-lo e voltar para casa. E vendê-lo, pois se tratava de um espadarte, de carne boa e muito cotada no mercado. A sua sorte mudara, e ele lutou bravamente (cortando suas mãos, sofrendo de dores nas costas para suportar a linha que o unia ao peixe, quase perdendo a visão e a consciência...) até cansar aquele peixe.

Minhas impressões

Ernest Hemingway passou um período da sua vida em Cuba, inclusive pescando. Ele sabia do que estava falando ao escrever o livro. E, realmente, sua escrita, além de concisa, é singelamente bonita. Os retratos  do mar e da profissão de pescador que ele fornece ao leitor são ricos e belamente expostos. Nada como ser inserido numa aventura, no meio do mar aberto, à noite e envolto pelas belezas marinhas noturnas: fosforescência, brisas, luares... Tudo muito tocante.

Recentemente li um livro (que considero um conto, explico nessa resenha aqui) chamado O amor mora ao lado, da Debbie Macomber, e sim, é contemporâneo, chick-lit, totalmente deslocado do contexto de O velho e o mar. Mas o ponto é: eu percebi, principalmente depois de ler estes dois livros curtos e totalmente diferentes, que um livro pode ser breve, porém muito bem construído. E é o que acontece com O velho e o mar (e que não acontece com O amor mora ao lado.) Santiago é uma personagem bem construída, sobretudo psicologicamente, o cenário é pincelado com maestria e o propósito do livro surge naturalmente.

Aliás, aqui entro na grande questão do livro: ele é para ser lido nas entrelinhas. As metáforas que o envolve transmitem lições de vida não somente aos pescadores, como expõe a superfície da narrativa, mas estende-se ao universal: você pode não estar preparado para aquilo que tanto deseja, que tanto sonha em ter. E a queda pode ser dolorosa, apesar de seus esforços mostrarem que é perseverante. 

Spoiler! (pessoalmente, sou a favor desse spoiler, pois o livro é curto e, sem o que direi a seguir, a compreensão da grandiosidade da obra seria quase que insignificante... Mas, é uma escolha sua...)
Santiago finalmente consegue matar o peixe, porém, como se trata de um animal muitíssimo grande, tem que amarrá-lo junto à canoa, não cabendo dentro do barco. Então, o peixe fica o caminho inteiro de volta (que é longínquo) à mercê das criaturas do mar, inclusive os tubarões. Pois ao ser morto, deixou um rastro de sangue que incitou o ataque de muitos tubarões, os quais destruíram o peixe e deixaram Santiago sem um teco sequer da carne valiosíssima. É aí que entra a grande metáfora do livro (ou a que eu consegui depreender da história, para deixar bem claro): será que estamos preparados para o que tanto queremos? Sem ajudantes, nem técnicas e suportes para uma pescaria daquele porte, Santiago conseguiria chegar até a praia com o seu peixe intacto?

Fica aí uma questão para a vida e a indicação de um livro incrível, que rendeu um prêmio Pulitzer ao autor.

No Youtube


6 comentários:

  1. Oi Mell já li muitos clássicos, mas alguns me assustam, porque acabo pensando que não vou conseguir me envolver e gostar do livro. Acho que o problema foi ter desacostumado depois de tantas leituras modernas.
    Esse livro parece ter uma história bem legal e as metáforas contidas nela nos fazem refletir sobre coisas que quase nunca paramos pra pensar.
    É hora de voltar aos velhos e sempre bons clássicos.

    Beijos
    Caline
    mundo-de-papel1.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu estou numa fase (aliás, 2013 inteiro está assim) em que eu estou me acostumando a clássicos, pois eu só lia livros contemporâneos (ou os exigidos pela escola.) Mas digo que mesmo continuando a ler chick-lits, YAs e romances atuais, ainda assim não consigo deixar de gostar de todos esses gêneros, inclusive clássicos.
      Acho uma boa você procurar outras opiniões sobre o livro para te animar, isso sempre me ajuda! :)
      E volte a ler clássicos, sim! Esse livro é muito bom, e é curtinho e conciso :)

      Beijos

      Excluir
  2. Olá Mel!
    Adorei sua resenha! Mas infelizmente é um livro que não me agrada muito. Parece ser, pela sua resenha, um daqueles livros que sou obrigada a ler para o vestibular sabe? rs.
    Enfim, para quem gosta do gênero, como você, deve realmente amar o livro!
    Beijos,
    Ana M.
    http://addictiononbooks.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O velho e o mar não é, na minha opinião, o típico livro que uma escola pediria, viu, Ana? Pelo contrário, ele é tão curto, conciso e belo, que fica difícil compará-lo aos livros quase sempre maçantes pedidos pela escola...
      Mas se você não gosta do gênero, não adianta mesmo. Tem que ler o que gosta :))
      Beijos

      Excluir
  3. Oiee, vim visitar e seguindo =)
    primeira vez que vejo e leio a respeito do livro. gostei bastante da tua opinião, creio que irei curtir, gosto de ler algo que ficam nas estrelinhas e que me faz pensar e me ensina algo, espero ter a oportunidade de ler esse um dia!
    Beliscões carinhosos da Máh ♥
    Cantinho da Máh
    @Maaria_Silvana

    ResponderExcluir
  4. Eu tenho uma vontade daquelas de ler esse livro porque dizem ser um dos melhores do Hemingway.
    Tenho um pouco de receio, até por ser um clássico, mas... Acho que vou dar uma chance.

    Um beijo,
    Luara - Estante Vertical

    ResponderExcluir

Obrigado por visitar e comentar no Literature-se.
Assim que puder, visitarei o seu blog. Caso não tenha um, deixe twitter, Facebook ou e-mail para que eu possa respondê-lo :)
Dicas, sugestões e críticas construtivas? Comentários abertos para isso e muito mais, só contando com aquela boa dose de bom-senso necessário, né? ;)

 
Literature-se © Todos os direitos reservados :: Ilustração por Prih Mizuh (@pri_mizuh) :: voltar para o topo