28.11.13

Escritores e seus locais de trabalho #1 - Jane Austen

Imagem: aqui.
Creio que todo bom leitor tenha seus autores preferidos. E por conta disso, também imagino que a curiosidade sobre a vida de nossos "mestres", se me permitirem chamá-los assim, não seja pequena. Guiada por esta curiosidade é que decidi pesquisar sobre alguns queridinhos meus e, numa das "fuçadas", caí de paraquedas numa matéria do The Guardian (foi através deste post do blog A leitora que cheguei até a matéria do jornal.) A partir deste site pude adentrar um pouquinho (mas só com a pontinha do sapato, mesmo) no mundo de vários escritores renomados, de várias lendas do mundo literário, e perceber que há muita humanidade por detrás daquela imagem concebida como leitora e fã. Muito bom ter contato com fotos e com a realidade propriamente dita, daqueles que me influenciam e me fazem tão bem com seus incríveis trabalhos.

E por isso mesmo é que achei bacana trazer aqui no blog algumas partes da coluna do The Guardian. Alguns ambientes inspiradores em alguns posts...

A começar pelo local de trabalho da Jane Austen (fiz resenha de Orgulho e Preconceito aqui.)

Não muito antes de morrer, Jane Austen descreveu a sua escrita como sendo feita com um pincel fino numa "pequena mesa (de não mais que duas polegadas de largura) de marfim". Seus romances não são miniaturas, mas ela trabalhou numa superfície não muito maior que aquelas duas polegadas de marfim. Esta frágil mesa de madeira de 12 lados num simples tripé é, provavelmente, a menor mesa já usada por um escritor, e é onde ela se estabeleceu como escritora depois de um longo período de silêncio. Seus primeiros romances foram escritos no andar de cima da reitoria de seu pai, em Hampshire, e ainda eram inéditos quando a família se mudou para Bath, em 1800, onde escrever se tornou praticamente impossível para ela. Somente em 1809, quando ela retornou a Hampshire e se instalou na casa de campo de seu irmão Edward, nomeada Chawton, é que pode se aplicar à escrita novamente.

Chawton Cottage foi uma casa de mulheres - Austen, suas filhas e sua amiga Martha Lloyd - todas tomando conta dos afazeres domésticos e do jardim. Mas à Jane era permitido um tempo privado. Como não tinha um quarto só para ela, estabeleceu-se perto da pouco usada porta da frente, e ali "ela escreveu em pequenas folhas de papéis que poderiam ser facilmente guardadas, ou escondidas por um pedaço de papel mata-borrão". Uma porta de balanço que rangia lhe advertia caso alguém estivesse se aproximando, e ela se recusava a deixar que alguém concertasse o barulho.

Desta mesa, os manuscritos revisados de Razão e Sensibilidade e Orgulho e Preconceito foram para Londres para serem publicados em 1811 e 1813. Desta mesa também surgiu Mansfield Park, Emma e Persuasão. Ali, ela recebeu os comentários encorajadores dos vizinhos - a senhora Bramston de Oakley Hall, que descreveu Razão e Sensibilidade e Orgulho e Preconceito como "francamente absurdos", e a "querida senhorita Digweed" que afirmou "se ela não conhecesse a autora, muito dificilmente conseguiria terminar Emma".

Austen morreu em 1817, e depois da morte de Cassandra em 1845, a mesa foi dada a um criado. Hoje, de volta à antiga casa, ela mostra a todos os visitantes a modéstia de um gênio.

O que mais me surpreende na foto é, realmente, a simplicidade dos móveis. A simplicidade de um local em que foram concebidas várias histórias que influenciaram gerações, e que ainda influenciam a atual. Pois é admirável a genialidade alicerçada em algo tão simples. Prova viva de que o significativo vem de dentro, não de fora (apesar deste influenciar não precisa ser, sempre e invariavelmente, determinante.)

Obs: Desculpem se os mais inteirados encontrarem algum erro no texto acima. Eu arrisquei traduzi-lo do The Guardian, com a ajuda do meu namorado (muito obrigada!)

11 comentários:

  1. Caramba que matéria incrivel, amei, simplesmente foi a matériia de porta de entrada para o seu blog, tenho amor demais por Austen e fiquei admirada com tamanha simplicidade.
    Adorei seu cantinho Mell, um beijo enorme da Lêeh

    http://maetoescrevendo.blogspot.com.br

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    1. É o que mais admira, não é mesmo? Eu não imaginava desse jeito.
      Obrigada pelo comentário e pelo carinho :)

      Beijão

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  2. Adorei a ideia do post. Imagino como era difícil escrever naquela época. Agora temos todos tipo de recursos que ele nem sonhavam.

    Blog Prefácio

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    1. Isso é verdade. Era bem mais difícil, mas mesmo com toda a facilidade de agora eu ainda não escrevi o meu rs
      Beijos

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  3. Sou apaixonada pelos livros de Jane Austen e não sabia que ele escreveu em uma pequena escrivaninha. Adorei saber.

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    1. Sim, a simplicidade é o que mais me surpreendeu. Justamente por eu não imaginá-la escrevendo numa mesa tão pequena.

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  4. Que lugar mais inspiradoooor! Gente, estou apaixonada por essa mesinha minúscula, eu iria adorar escrever meus livros nela!
    Adorei a coluna =)
    Beijos!

    www.centraldaleiturablog.blogspot.com

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  5. Nossa, que simples o local de trabalho da Jane Austen! Mas ficava de frente para uma janela/porta. Devia ter uma vista bem inspiradora, né? Gostei de saber que ela morou em Bath! Muitas de suas histórias ou se passam aí, ou os personagens vão visitar a região, que fica no interior! Muito legal mesmo essa ideia, Mell! Adorei :)

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  6. O trecho final "a modéstia de um gênio" até me causou um arrepio. Mas é mesmo sensacional a capacidade que gênios tem de fazer tanto e deixar uma marca tão profunda na História com tão pouco. Isso torna a admiração que tenho por eles mais forte.

    Ótimo artigo, ótima tradução!

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