21.10.12

A vez da minha vida, de Cecilia Ahern

A vez da minha vida, de Cecilia Ahern.


Editora: Novo Conceito.
ISBN: 9788581630120
Páginas: 383
Certo dia, quando Lucy Silchester volta do trabalho, há um envelope de ouro no tapete. E um convite dentro dele para se encontrar com a Vida. Sua vida. Pode soar peculiar, mas Lucy leu sobre isso em uma revista. De qualquer forma, ela não pode ir ao encontro: está muito ocupada desprezando seu emprego, fugindo de seus amigos e evitando sua família. Mas a vida de Lucy não é o que parece. Algumas das escolhas que fez — e histórias que contou — também não são o que parecem. Desde o momento em que ela conhece o homem que se apresenta como sua vida, suas meias-verdades são reveladas totalmente — a não ser que ela aprenda a dizer a verdade sobre o que realmente importa. Lucy Silchester tem um compromisso com sua vida — e ela terá de cumpri-lo.

Eu poderia começar esta resenha perguntando a vocês como se sentiriam se a sua própria vida resolvesse lhe fazer uma visita. Mas isso não alcança o significado da mensagem do livro.
Lucy Silchester tem 29 anos quando recebe uma carta com selo de ouro... Da sua vida. No começo da leitura pode parecer estranho, demora um pouco até o leitor se acostumar, mais até do que a própria personagem, que vive num mundo onde isso é aparentemente normal, mas interessante, claro.


Mas Vida só aparece quando, depois de quase três anos solteira e num emprego que não a deixava feliz, Lucy está envolvida em mentiras que tomam conta de sua existência e de seus relacionamentos. Ela namorava há cinco anos com Blake, um aventureiro lindo que ama cozinhar e tem seu próprio programa de televisão. Mas ele a deixou repentinamente, sem sequer lhe dar um motivo, e ambos concordam com sua ideia de fazer tudo aquilo parecer como se ela tivesse dado o fora. O problema é que ele passou a viajar muito por conta do programa, e era ela quem tinha que conviver com as maldades de seus amigos que, além dela, eram amigos de Blake também. Todos achavam que Lucy era fria e insensível, e que depois da separação dividiu o grupo e se manteve intocada, sempre distante de todos.

Além disso, Lucy não possuía um bom relacionamento com a sua família. Com o seu pai, então, nenhum, para falar a verdade. Ricos e meticulosos com as aparências, os Silchester faziam com que ela tentasse cada vez mais estar longe deles. Seu pai nunca atencioso, sempre arrogante e acusador, mamãe imaculada, nunca transparecendo sentimentos fora da etiqueta social. E seus irmãos impecáveis, com ótimas carreiras... Bem, Lucy sempre achou que não pertencia àquele lugar, principalmente agora com um trabalho medíocre de tradutora de manuais.

Mas quando decide (meio à força) permitir que sua Vida lhe acompanhasse em sua rotina, sua vida começa a desmoronar. Suas mentiras vêm à tona, conhece um cara lindo mas acaba lhe magoando, e descobre que seu amor realmente se esvaiu com o tempo.


Para que você mesma seja verdadeira – ele disse e assentiu. – Acredito nisso. Mas se você é incapaz de encontrar alguém porque está presa ao passado, então isso é um problema.
Vida estava ali para ajudá-la a encontrar um rumo para ela própria, para que fosse capaz de perceber que suas mentiras apenas a distanciava da vida real, e que a sugava sempre para um mundo solitário e inventado.


E ter a Vida intervindo de um modo tão natural foi a grande sacada do livro. Vida simplesmente não é algo divino, nem nada. Ou pelo menos ele recusa isso durante o livro inteiro. “Ele”, porque na realidade é um homem. Um homem preocupado com Lucy e que vive para ela, claro, que se sintoniza com seus sentimentos, estando aparentemente lindo quando Lucy se sentia bem, e aparentemente feio e cheio de alergias quando ela ficava triste. As melhores partes da história foram os momentos engraçados de Lucy e Cosmo (nome que ele inventou para si), com falas hilárias, grandes sacadas, ironias e citações (como do filme Amélie Poulain).


- Isso não é As patricinhas de Beverly Hills, Lucy, não sou um projeto. Você não pode passar um dia polindo minhas unhas e fazendo permanente em meu cabelo e tudo ficará bem e maravilhoso.

- Que tal uma depilação completa?
- Você é nojenta e tenho vergonha de ser sua vida.
- Eu prefiro nos enxergar como uma equipe. Você é a Louis Lane do Super-Homem. O Pinky do meu Cérebro.
- Bem colocado. E sentada com minha vida, que é uma pessoa. Não há nada mais estranho do que isso.
Mas a mensagem de Cecilia Ahern é linda. De um modo a princípio estranho, ela nos introduz a ideia de que devemos, sim, nos importar com a vida de quem gostamos, e também com a vida de qualquer outra pessoa, mas sem que esqueçamos de viver a nossa própria, de um modo honesto e saudável - honestidade geral e vivacidade interior e externamente. Paramos algumas horas para nos questionar sobre a preciosidade da vida e das consequências de nossos atos. Juntos da história de Lucy, acabamos por refletir um pouco sobre o que fazemos com nossas vidas, e que nossas palavras e condutas possuem transformações gerais e significativas.

Adorei todas as personagens, até as mais chatas, como Blake e seu egocentrismo. É claro que há um romance, como bom chick-lit que é: Don é um cara perfeito e lindo, e o modo como Lucy o conhece e como desenvolvem seu relacionamento é demais... Tudo começa com uma chamada errada. 


- Não exatamente. Às vezes, números errados são os números corretos. - Sorriu.

A escrita de Ahern é fluída, porém se acostumar com a Vida na história foi difícil para mim. Mas assim que me engajei na história e que ela começou a ficar cada vez melhor, não consegui largar o livro! Li em pouco tempo e adorei tudo nele! Mesmo a inconsistência de uma das histórias, quando Lucy viajou com sua Vida mesmo depois de dizê-lo que não tinha dinheiro e sem ter levado roupas com ela (no dia seguinte, na viagem, ela surpreendentemente aparece com uma roupa adequada para o que foi fazer: saltar de paraquedas). Ok, Cosmo é todo riquinho, tem Ipad, Iphone e tudo o mais, mas me questionei sobre isso. Resolvi deixar de lado essas inverossimilhanças para aproveitar mais o livro, afinal, comecei a me interessar muito pela mensagem que Ahern passou com suas palavras.

5 comentários:

  1. Eu espero gostar desse livro!
    Eu tenho meio que um pé atrás com a Ahern, o primeiro livro que li dela detestei, mas já li dois outros e gostei... esse eu não faço a menor ideia de como vai ser!
    Gostei bastante da sua resenha!
    :)
    Beijos!

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  2. Não sou muito de ler chick-lits, mas espero gostar desse. Vejo opiniões ótimas sobre essa autora, e já tenho dois livros para ler dela. Estou torcendo pra gostar dela, rs.

    Beijos,
    Mandi - Book and Cupcake.

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  3. Oi Mellory!
    Quanto tempo!!
    Você meio que sumiu...
    Comentei aqui para avisar que te mandei um e-mail para blogcroissantparis@hotmail.com e espero que tenha recebido!
    Da uma checada lá e não esqueça de me responder :)
    Bjs!

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  4. Olá Mellory!
    Ah, que diferente! Não fazia a mínima ideia do que se tratava o livro, no entanto fiquei muito interessada na mensagem da autora. Amei "PS. Eu te amo" e espero que este livro seja a mesma coisa, pois a narrativa da Ahern é muito gostosa e interessante.
    As mensagens que as histórias possuem são realmente encantadoras e sempre acabam refletindo em nossas vidas, no caso desta autora.
    Não esperava algo tão filosófico quanto isto, mas ire ler de qualquer maneira. A-m-o chick-lits!
    Adorei a tua opinião e estou louca para conhecer a "Vida".

    Beijos,
    Samy - http://samyaquino.blogpsot.com

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  5. Oi, Mel!
    Eu não ia ler esse livro por agora, mas sua resenha me conquistou. Acho que ele vai furar a fila das férias. Quero ler tanta coisa que precisaria de férias de dois anos - ou mais - para colocar tudo em dia.
    Beijos

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